Acabei de ler um interessante perfil de Armindo Monteiro que vem publicado na edição de hoje do Diário de Notícias.
O homem (que parece ser "de sucesso") cresceu e estudou na Guarda. Foi presidente da Associação Nacional de Jovens Empresários e é presidente da COMPTA e vice da CIP. Parece que foi na Guarda que começou a ser activo e criativo. Ainda muito jovem ajudou a dinamizar a primeira rádio pirata cá da terra (como se chamava? Rádio "Cidade Oppidana"?)
Sinceramente, eu não o conhecia. Tentei, mirando o foto, descobrir como seria ele enquanto rapaz. Não me lembro dele, se é que algum dia o vi. O jornal chama-lhe "Beirão raçado (nota minha: o correcto seria "arraçado"- de alentejano". Gostei de ler (menos aquela parte, um aparte dispensável, de que a Guarda é feia, da lavra do jornalista que, tem graça, tem um apelido que é epíteto guardense: fiel.
Aqui fica o texto que não foi possível "linkar":
"Nasceu em Paris, cresceu na Guarda, estudou em Évora, fez campanhas de alfabetização informática e presidiu à ANJE. Mas o seu maior desafio foi em Lisboa: dar à volta à Compta, que o Governo Santana Lopes atirou ao tapete ao fazer dela o bode expiatório do seu falhanço na colocação dos professores
O presidente da Compta nasceu em Paris, mas é um beirão raçado de alentejano, com uma forte costela nortenha - um português completo que em criança ambicionava ser adulto. "Foi a minha primeira escolha errada", confessa.
Ainda era analfabeto (tinha cinco anos) quando veio de França em 1974, no Sud Express - "como o Mário Soares". Após o 25 de Abril, os pais decidiram que era hora de pôr um ponto final na condição de emigrantes e montaram quartel-general na Guarda, onde o jovem Armindo completou o secundário, com 16 anos.
Na cidade mais alta e mais fria (há mesmo quem diga a mais feia) de Portugal, começou a revelar a irrequietude e espírito de iniciativa que se tornaram a sua marca de água. Durante o 11.º e 12.º anos, vemo-lo a fugir da polícia e a fundar a primeira rádio-pirata da Guarda. "Era um revolucionário. Queria ajudar a mudar o mundo", explica.
Trocou a Beira Alta pelo Alto Alentejo para estudar Gestão. Mal desembarcou em Évora, logo tratou de fazer um curso que o habilitou a ganhar os primeiros dinheiros como monitor de informática, profissão em que voltou a emergir a sua faceta de tomador de riscos.
"Tinha um salário variável, em função dos alunos que se inscreviam no meu curso. Ganhava mais do que se tivesse salário fixo", conta, acrescentando, com orgulho: "Nunca tive vocação para ser funcionário. Nunca trabalhei por conta de outrem."
Acabado o curso, andava a magicar em fazer uma empresa, quando se deu o clique. Andava com o nariz no ar e as orelhas bem abertas quando, no Saldanha, em Lisboa, tropeçou numa banca da ANJE (Associação Nacional de Jovens Empresários) a pregar o "despede-te já e cria a tua própria empresa".
"Vi que não estava só e havia mais malucos no deserto. Na altura, não era fácil fazer uma empresa, e a ANJE ajudou-me muito - fiquei, para toda a vida, com uma enorme dívida de gratidão para com a associação", recorda.
Seis meses após a conclusão da licenciatura, nascia a sua primeira empresa, a Softline, com um pé em Évora e outro em Lisboa, que se dedicava a fazer coisas práticas na área do software e consultadoria.
O primeiro cliente foram as Finanças de Évora, que tinham um livro com as matrizes prediais em que só um funcionário antigo sabia navegar. A Sofline forneceu uma aplicação que democratizou o acesso.
"Não sou um deslumbrado da tecnologia. Olho para a informática como uma ferramenta ligada à Gestão, que nos ajuda a seleccionar a informação de que precisamos e adaptá-la às nossas necessidades", explica Armindo, que durante seis anos foi presidente da ANJE, cargo em que foi substituído por Francisco Maria Balsemão, seu amigo e sócio na Compta.
O facto de a ANJE ter o centro de gravidade no Porto permitiu-lhe perceber a razão das queixas nortenhas. "A malta do Norte é saqueada em plena luz do dia. Quem não anda à volta da Vela Latina, tem dificuldade em fazer negócios neste país que está sentado à mesa do orçamento", protesta Armindo, que se declara "um homem da regionalização".
A sua costela empreendedora voltou a manifestar-se há três anos e estudou o dossier da Compta, que tinha sido atirada ao tapete em 2004, quando o Governo Santana Lopes fez dela o bode expiatório do estrondoso falhanço na colocação de professores.
Em três anos, a facturação caiu de 45 para 11 milhões de euros. A empresa estava moribunda, com 14 milhões de capitais próprios negativos e a credibilidade destruída.
Falei ao Francisco Maria, e começámos a trabalhar os dois na questão: "Como é que se resolve uma equação destas?", explica. Arranjaram a resposta. Convenceram a banca, fizeram um aumento de capital, contrataram para executivo Jorge Delgado, que Armindo classifica como o "Cristiano Ronaldo da informática", e definiram uma estratégia.
"O que está a dar são os negócios com base no conhecimento e inteligência. Temos de apostar nos factores diferenciadores. Especializamo-nos porque não queremos ser médios, mas muito bons no que fazemos. Não fazemos pacotes, mas sistemas adequados a cada cliente. Somos alfaiates - não estamos no pronto-a-vestir", afirma. A estratégia é boa. Os resultados voltam a ser escritos com tinta azul. E a facturação triplicou. "Tal como no mergulho e na vida, o segredo do sucesso nas empresas é ser capaz de atingir a posição de equilíbrio." Jorge Fiel. DN, hoje.
2 comentários:
Resposta à ausência de jovens visivelmente 'válidos': os jovens estão fartos de serem traídose não querem ser mais uma 'geração perdida'. Não vão em balelas e rservam-se... Um dia, um destes dias a reserva rompe-se e os jovens irão honrar o nome de jovens: que é futuro, esperança, pureza... virilidade! Ou o país, esse sim, estará, definitivamente, perdido, com meia-dúzia de galifões a miarem e a encherem a burra!
Manuel Poppe
Gostei muito, de ler a história de Armindo Monteiro, que relatou ao que parece no DN, e que o Américo Rodrigues relatou no programa "Café Mondego"!
Confirmo as histórias passadas cá na Guarda. Porque fui seu colega no Liceu e além de colega, era seu amigo, frequentando a casa dele regularmente.
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