Não, não vou fazer mais elogios a Ciudad Rodrigo. Todos os meus leitores sabem que me impressiona o património, o turismo e a vida destas gentes.
Ontem fui ouvir o dramaturgo, poeta e pintor (e artista pânico) Fernando Arrabal. A sessão decorreu no Teatro Nuevo... Fernando Arrabal (chama-se assim desde Setembro). Arrabal influencia-me desde pequeno, precisamente, desde que requisitei "Baal Babilónia" ao sr. Prata (pai do César!), da Biblioteca Itinerante do arménio Gulbenkian. Arrabal é um provocador nato, um desconcertante intelectual, um dramaturgo do absurdo. Exagerado, excessivo, um pouco logo. Corajoso como poucos (desmascarou Fidel!), Arrabal é, para mim, uma referência de liberdade. Já o tinha visto antes, em Salamanca, onde conversámos longamente.
Ontem, na sessão, quase não conseguiu falar. A emoção não o deixou falar. Lembrou, apenas, que veio para Ciudad, como "filho do condenado à morte". O pai, era Arrabal uma criança, veio para a prisão e Fernando para uma espécie de orfanato. É "filho" de Ciudad Rodrigo, apenas, por esta razão. Surpreendentemente, elogiou a freira que dele tratou e falou de concórdia. Ou seja, está um pouco velho! E não conseguiu falar mais, atraiçoado pelas emoções (contraditórias?).
Arrabal está para Ciudad Rodrigo como Eduardo Lourenço está para a Guarda. Dão o nome. Nenhum nasceu na cidade que se orgulha deles: passaram por ali. Mas, quando voltam, trazem a infância e a adolescência às costas.
Ciudad tem um grande escritor. Nós temos um grande escritor. Diferentes. Lourenço não será tão provocador? Engano. Lourenço provoca de outra maneira, com o brilho da inteligência. Arrabal (que ganhou com concurso de sobredotados, diz ele) é um clown, um xadrezista. É um ficcionista, um poeta, um autor de teatro (que Lourenço não é).
Gostava que um dia se encontrassem... na Guarda. Ou a meio caminho: em Vilar Formoso, bonito nome.
PS- Os dois vivem em França.
1 comentários:
Devemos ler Arrabal a olhar para um quadro de Dali e a ouvir a Patética de Beethoven.
mário
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