Hoje de manhã, eu e três amigos avançámos, a pé, em direcção ao Cabeço das Fráguas. A minha ideia era voltar a ver a inscrição enigmática em "língua indígena" que já não vejo há um ror de anos. Porém, rapidamente, percebemos o equívoco: o nosso guia, caçador e conversador, conduzia-nos em direcção a um "talefe"... do lado oposto ao da inscrição. Ele ia em direccão às "Fráguas" da sua infância e dos seus passeios enquanto caçador. Nunca tinha ouvido falar da inscrição mas conhecia "um marco" com desenhos (cruzes). Esclarecido o equívoco, aceitámos alegremente conhecer o outro monte das Fráguas, iniciando a subida pelos lados da Benespera. Não veríamos a inscrição mas valeria a pena chegar ao "talefe" e dali observar a Guarda, Covilhã e Belmonte.
Quando descemos e vendo uma placa na estação da Benespera (onde passei algumas férias de verão com os meus amados -não há que ter vergonha da palavra- padrinhos Américo Gomes e Margarida Virtude), decidimos segui-la, a bordo de um carro. Escusado será dizer que nunca mais deparámos com outras placas, pela simples razão (portuguesa?) de que não se promove devidamente o que temos de valioso! Fomos perguntando, primeiro numa quinta e depois na Demoura (ou A Demoura). E, finalmente, percebemos onde ficava a inscrição: seria necessário dispor de uma hora para lá e outra para cá. Já não tínhamos esse tempo (eu não tinha) e outros valores se levantavam: arroz de pato e vinho Gravato da Meda. Prometemos regressar no final do mês.
Quando voltei a casa fui procurar ... uma foto da inscrição!!! Sempre é alguma coisa. A foto está na História do José Mattoso. Dentro dessa obra encontrei também os meus apontamentos acerca de um espectáculo que criei acerca da inscrição e uma raridade, a brochura "A inscrição Lusibérica do Cabeço das Fráguas ou Penedo da Moira (Benespêra, A-Guarda (sic)" de M.Luís-Pereira. Aqui fica a transcrição que este epigrafista fez daquela inscrição:
"Os cordeiros tremem. Eles gritam
pelos Espíritos (filhos?) dos Porcos
Apanharam.
um sono profundo. Vem LOIM,
cura os Cordeiros. Que a força
de Javardai
se avive e eles desejem ardentemente os Espíritos (filhos?) dos Touros."
Vejamos agora a transcrição mais credível (e mais aceite), feita por F. Patrício Curado:
"Uma cordeira para Trebopala
e um leitão para Laebo,
uma vitela Iccona Loimina,
uma ovelha anata para Trebarina
e um touro de cobrição
para Reve Tre"
Magníficas "leituras". Poesia?
PS. Será muito difícil editar um desdobrável com um mapinha e colocar umas palcas nas estradas???? Os turistas interessados na cultura e no ambiente agradecem!
3 comentários:
Felizmente que o Cabeço das Fráguas se manteve inacessível até agora, sendo visitado apenas por gente interessada e conhecedora, se assim não fosse possivelmente já não haveria vestígios.
Agora que já está suficientemente estudado devem ser traçados e marcados caminhos "de pé posto" e integrar esres caminhos nas redes nacional e internacional de caminhos de interesse cultural e natural.
A. Oliveira
Pois devia haver qualquer indicação para quem estiver interessado em subir às fráguas, mas concordo com o comentário do A. Oliveira: se fosse fácil lá chegar ainda lá estaria a inscrição?! Já agora deixo uma dica para futura visita: que tal ir por Pousafoles, Monte Novo e Lameiras, depois da povoação parece-me mais perto o acesso, mas sempre a corta-mato. Por que não uma visita para Setembro organizada por alguma entidade da Guarda? Alinho. J.M
Caros amigos A.O. e J.M.:
O que pedi foram simples indicações (sinalética e um desdobrável), vulgares em países que prezam e preservam o seu património. Não pedi uma auto estrada!
Não estou nada de acordo com a vossa ideia de manter aquele património inacessível. Lembro-me até de aqueles que queriam deixar as gravuras de Foz Côa debaixo de água porque assim... estavam preservadas e defendidas do vandalismo. Essa questão, no caso concreto, é uma falácia: a inscrição do Cabeço das Fráguas, apesar de "inacessível" foi parcialmente... destruída: parte da pedra e das inscrições foi arrancada!. Portanto, naquele sítio inóspito ou no centro da Guarda, a pedra pode ser alvo de mutilações!!!
Por fim, sugiro que se vá pela Demoura e num "altinho" avançar por um caminho rural e depois... corta mato. A primeira vez que lá fui usei esse caminho. Agora não foi possível... por falta de tempo, após o equívoco que relatei.
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