Foi precisamente na Casa do Castelo (Sabugal) - ver post anterior- que comprei o interessantíssmo e escandalosíssimo livro " Trovas de Escárnio em Vernáculo", obra compilada (termo apropriadíssimo)pelo nosso conterrâneo (nasceu na também adequadíssima Bismula) Manuel Leal Freire. A edição é da respeitabilíssima Associação de Jornalistas e Homens de Letras do Porto.
A maior parte das trovas não é publicável, aqui, pois este é um blog pudicíssimo. Deixo só um inocentíssimo poema (?), o único que aqui posso publicar:
Meu pai, eu na Guarda m'acho
Mas não sei ainda s'acho
Por aqui algum regalo
Apenas sei se houver guerra
Que vou na primeira leva
Sou o primeiro q'abalo.
Eu sei que m'ama Maria
E ao despedir-se outro dia
Até jurou que m'amava
Quando eu acabar a tropa
Seja ela q'abra a porta
Era um gosto que me dava.
Senhor pai, mais um favor,
Vá c'a Maria ao doutor
Se ela ficar amarela
Ela vale mais do q'oiro
Que vá c'a mala de coiro
Não c'a minha, mas c'a dela.
Se preciso, vá c'a égua
Que o caminho é mais de légua
E faz puxar pela peitaça
O caldo só c'a nabiça
Não dá força, mas preguiça.
Um homem não se arregaça.
Senhor pai, co'esta me acabo
Mas se um dia chego a cabo
Dou cabo da cara a um
Dê-me agora a sua bença
Que quando tiver licença
Hei-de armar o trinta e um."
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