Segunda-feira, Agosto 03, 2009

Ir embora

Hoje, uma rapariga de 20 anos disse-me de chofre:
- Vou embora da Guarda porque esta terra não tem nada para dar. Aqui não se passa nada!
Descontando o exagero das expressões (claro que a Guarda tem muita coisa para dar e passa-se muito coisa por cá) o que ela queria dizer é que o seu futuro não se construirá na Guarda.
É duro ouvir isto (até porque quero acreditar que a rapariga está enganada)! Mas tenho notado o desânimo de muitos jovens. Eles acham, mesmo, que a Guarda não lhes proporciona as condições para se desenvolverem. E eu fico muito preocupado com o significado daquele desânimo. Raramente me ocorrem argumentos que contrariem ... a vontade de partir.

9 comentários:

A Oliveira disse...

Sim é duro ovir isso, mas eu e muitas centenas de pessoas que conheço e conheci, não sendo naturais do Concelho da Guarda deram e receberam muito desta terra.
Se alguém um dia quiser fazer o inventário das pessoas fora da Gurda que ocuparam e ocupam lugares de relevo vai ter uma surpresa: uma boa parte não é natural do Concelho.
Este cOncelho tal como os outros não dá nada a ninguém; é preciso procurar e lutar e não comprar tudo feito.
Infelizmente continua a haver muita gente à espera que lhe ofereçam algum lugar.
A. Oliveira

Rui Sousa disse...

E vai embora para onde? Lisboa?

Eu cá espero dentro de 2 meses ter a minha vida organizada para ir embora de Lisboa e ir morar para a Guarda.

Só tenho ido aí aos fim-de-semanas, mas já percebi que vou mais vezes ao teatro e a concertos na Guarda do que em Lisboa! E não vou a mais porque muitos são durante a semana!

É verdade que é difícil arranjar emprego na Guarda. As oportunidades são poucas, especialmente para quem tem mais qualificações. Já ando a tentar desde o inicio do ano e só fui a 1 entrevista. E era para um emprego em Castelo Branco...

Mas se não se arranja emprego, tem de se usar as qualificações para se criar! E lutar muito para se ter sucesso!

Anónimo disse...

é natural que os jovens se sintam «zangados» com a Guarda ninguém lhes dá uma oportunidade pelo seu próprio valor, mérito ou capacidades.
Apenas pelas cunhas e favores. Américo vê os jovens que vão nas listas dos partidos, só jovens que trabalham na câmara ou empresas que vendem para a câmara. Pessoas que mentem falam de habilitações que não têm...etc jovens espertalhões e vigaristas.

Um exemplo que ficou bem conhecido
foi um jovem que era o quinto elemento que disse a toda a gente que era engº civil pelo Instituto Superior Técnico e que me disse a semana passada que andava agora a tirar uma licenciatura Bolonha em engª civil na UBI...e estava no 2º ano! Após mais de 10 anos de estudo e os nossos jovens inteligentes têm que ir trabalhar para fora. 30 anos e toma lá candidato a vereador…Assim os jovens desanimam!!!

Acho isto uma vergonha! O cabeça de lista desse partido deveria ser responsabilizado. Pela falsidade e por premiar a mentira... A vontade de rir.

Anónimo disse...

O problema foi que foi apresentado no Hotel Lusitania pelo na altura candidato a presidente como sendo lic. em eng civil. não haverá lá jovens melhores ou de igual craveira e não mentirosos?
será que os jovens do PS não estudam? Não têm profissões fora dos compadrios? Não acredito! Então porque não são escolhidos os jovens de valor para as listas?

Assim como pessoas de mérito profissional para as lista

Anónimo disse...

Concordo exactamente com o primeiro comentário aqui: a questão não está no que esta terra dá... ningém dá nada a ninguém! Mas a procura à qual estes jovens cada vez menos estão habituados!

A questão está na luta que cada um investe para o futuro! Esta cidade, como tantas outras dá algo em troca, basta querermos!

É preciso investir em mudar mentalidades, e não propiamente nos incentivos aos jovens. Quanto mais se lhes dá, mais eles querem, e eu continuo a insistir na ideia que, o futuro não nasce feito, mas é assim que muitos jovens pensam! (embora para alguns, esta seja a realidade!)

Provavelmente e como muitos, entram nas grandes cidades à procura de grandes vidas e acabam por entrar "noutras vidas"... não digo que não haja vidas destas de sucesso, mas são poucas!

Por vezes é preciso levar um pouco de sorte na mala, em conjunto com a "luta" à qual muitos não se dão ao trabalho!

Tatiana Guedes da Fonseca disse...

Bem, deixem-me abrir a janela e para que entre uma lufada de ar fresco.
Sou jovem, bastante até, e devo dizer-vos que não me tem faltado trabalho. Aqui, sim, na Guarda.
Em momentos de algum desânimo, todos tendemos ao pessimismo e a desejar viver num mundo melhor. E depois dizemos mal do que temos mais perto e pomos as culpas em tudo e em todos, excepto em nós próprios.
E isto porquê? Porque gostaríamos que alguém fosse o nosso "paizinho". Sei que não vou ser original, mas mais do que esperar que a Guarda faça alguma coisa por nós, é necessário sermos nós a fazer alguma coisa por ela.
Ao invés de se lamentarem, esses jovens deviam ser inovadores e arregaçar as mangas.
Porque a falta de iniciativa de cada um não se resolve com a mudança de cidade.

Anónimo disse...

Essa constatação não é de hoje. Creio mesmo que é já um legado deixado por gerações anteriores de jovens que sempre viram na Guarda uma capital de distrito bem distante dos centros de decisão. Cresci a ouvir dizer mal por quase todos. Vi dezenas do jovens da mesma faixa etária deixarem a cidade, enquanto de mim sempre se apoderou o sentimento de amor incondicional a cidade, a ponto de trabalhar fora da cidade e aqui residir. Aquilo que denoto hoje é que muitos dos que sairam querem hoje voltar pois a ansia de partir não lhes permitiu discernir que o local de fixação não lhes iria dar muito mais que o local de partida. O trabalho dos agentes autárquicos estaria a um nivel muito bom se se centrasse em politicas de atractividade da cidade e do distrito, que consigam desmistificar a imagem da "cidade onde não se passa nada". Fernando Ruas em Viseu coloca qualquer soro de ego bairrismo na agua da rede pública de Viseu pois não se ouve um único a falar mal da sua cidade, na Guarda parece que temos o antidoto e enquanto não se trabalahr em conjunto em prol da mesma e ideia perpetuar-se-á com ou sem razão..

joão disse...

deixem-me entrar aqui para dizer a estes jovens "revoltados" o seguinte:
- Não é a Guarda que tem que vos dar alguma coisa! Vocês é que têm de ter capacidade criativa, empreendedora para desenvolver a Guarda. E aí sim a Guarda um dis vai reconhecer o vosso tributo! Somos nós que fazemos a Cidade! Criticar é muito fácil! Pressionem os autarcas, exigam deles o máximo em prole dos munícipes!

Mais uma coisa:
- Eu vivi na Guarda em tempos!
Vim para Lisboa e aqui fiz a minha vida.
Quem dera agora viver na Guarda!
As grandes Cidades cansam. A Guarda é calma e... LINDA!

Anónimo disse...

Também eu sou jovem, e embora não tivesse encontrado trabalho... AINDA... vou lutar com tudo para o conseguir, porque sempre foi esta a minha cidade de eleição!

A fuga aos problemas sempre foi o mais fácil, dizer que esta cidade não tem nada para dar, é tipico de uma ideia conformista!

Por nada deixaria a cidade que amo, por uma completamente desconhecida. Das duas uma, ou se espera um "HOLLYWOOD" lá fora, ou se foge por não se conseguir o que se quer, mas aí, é extremamente egoísta atribuir as culpas à nossa cidade, ao invés de admitir que a culpa é meramente sua!