Quarta-feira, Agosto 26, 2009

O património ao nosso serviço

Em Ciudad Rodrigo, terra monumental, há muitos palácios e palacetes. Ainda hoje descobri um outro (Palacio de Los Ávila y Tiedra), recentemente recuperado, que serve para casamentos e baptizados, bem como para acontecimentos especiais (recepções oficiais, por exemplo). É uma das atitudes que mais me agrada: a relação que os espanhóis têm com o seu património. Usam o que é monumental, dessacralizando-o, e colocam-no ao serviço das pessoas. A sua relação com os espaços históricos é descontraída, informal e desinibida. Em Ciudad há palácios e capelas onde se podem ver exposições, comer, dormir, dançar, beber copos, ler.. O Museu del Orinal (urinol) está sedeado num edifício anexo ao Seminário Menor!!! Os miróbrigenses ocupam as ruas, as casas senhoriais, as praças.
Nos, os guardenses, não temos esta capacidade de usufruir do que herdámos. Somos muito cerimoniosos, desfazemo-nos em salamaqueques (mas esfaqueamos os outros, pelas costas), raramente estamos à vontade. A nossa relação com o espaço monumental é sempre de constrangimento, como se não merecessemos estar ali a fazer algo que nos desse prazer. Parece ser o nosso "fado": sentirmo-nos menores em relação aos monumentos e à História que há nos sítios.
Por mero exercício pensemos nestas hipóteses:
- O claustro do Museu da Guarda transformado numa grande esplanada.
- O Arquivo distrital alugado para casamentos.
- A capela dos Póvoas transformada num pequeno bar/galeria.
- Os claustros do Paço da Cultura transformado num restaurante ao ar livre.

Exemplos, apenas. Para testar a nossa abertura em "ocupar" o que de melhor temos. Lugares para contemplar mas, também, para usar de forma... moderna. Escândalo? Venha a Ciudad Rodrigo!

3 comentários:

Anónimo disse...

Parabéns! As suas sugestões são excelentes! Vamos a ver de alguém as ouve... E, indo ao encontro delas, a seguinte notícia: em Cambridge, encontrei um dos claustros do King College ocupado com um casamento... alugado para um casamento... E foi muito agradável porque me convidaram para beber um bom whisky de malte...

Manuel Poppe



Manuel Poppe

Anónimo disse...

Caro amigo,

Um comentário muito oportuno! Devíamos aprender mais com os nossos vizinhos... Como percebi que não está na Guarda, presumo que não deve ter ouvido uma notícia que passou hoje na Rádio Altitude e que me deixou atónito: então não é que a Câmara vai transformar a Mediateca (a antiga Câmara Municipal) num Memorial ao Aristides Sousa Mendes? Mas por alma de quem? O homem é de cá? Salvou muitos judeus guardenses? Quantos? Quem?
É triste não haver visão para o nosso patrimonio! Não basta não o salvaguardarmos, não o dinamizarmos e ainda nos damos ao luxo de ceder um dos mais emblemáticos edifícios da Praça Velha (que é um símbolo do municipalismo) para uma memorial a um cônsul que por muito bem que tenha feito...o que é que tem a ver com a Guarda? Podia ali ser feita tanta coisa!tanta coisa que nos dissesse algo; que tivesse a ver connosco...è triste.
Se querem homenagear os judeus, então intervenham na Judiaria, que bem precisa!Pobres guardenses...estamos definitivamente entregues aos bichos...Será que mais alguém se indigna com esta ideia?
António Castro

Anónimo disse...

Um comentário muito oportuno! Devíamos aprender mais com os nossos vizinhos... Que tal uma esplanada ou café no antigo paço episcopal?
Não seria uma boa forma de dinamizar o espaço e levar mais pessoas a ver exposições?