Ontem assisti a um concerto do grupo Assobio, apinhado de pessoas, nos Claustros do Paço da Cultura. Agora, que já ali não trabalho, reparei melhor na imponência e beleza do edifício. Vem-me à memória as lutas que tiveram que ser travadas (e quem as travou) para que aquele espaço tivesse sido recuperado e revitalizado. Aquele edifício (que estava literalmente a cair) foi arranjado e posto à disposição da comunidade. A Guarda passou a ter ali um espaço para exposições, um auditório, sedes de duas colectividades e para o Nac e um bonito claustro que passou a ser animado (tantas coisas que ali já se fizeram). Foi nessa altura que se reabriu uma passagem que ligava o claustro a um pátio posterior. O antigo paço episcopal e o antigo seminário ligados como sempre deveriam ter estado. Porém, infelizmente, o pátio posterior (que tem entrada também pelo Largo João de Deus) nunca foi recuperado e posto à disposição da comunidade, como o Claustro do Paço da Cultura está.
Não posso deixar de reparar. Um claustro animado na parte da frente e um pátio sem vida nas traseiras. Este pátio no centro da cidade não foi revitalizado e está transformado num parque de estacionamento, com cancela e tudo, ao serviço do Museu da Guarda. Fraca sorte. Um pátio que é, seguramente, um dos melhores espaços para aí se realizarem espectáculos e animações está para ali abandonado e escuro. Ao pensar nisto, passou-me também pela cabeça a imagem das pessoas a circular pelos edifícios, passando do claustro ao pátio, de dois espectáculos a decorrer (um em cada espaço), de uma pequena esplanada, do museu e da galeria de arte do paço a funcionarem até à meia noite... Um sonho que só se concretizará quando o pátio for devolvido à comunidade e os responsáveis (da CMG, do Museu e da Diocese) se quiserem entender de forma a que ganhemos mais um espaço (e nova dinâmica)para a cultura (numa altura que parecem ser mais importantes... os automóveis). Não desisto dos sonhos.Da mesma forma que se recuperou o (agora)Paço da Cultura há-de também ser revitalizado e animado o pátio de... trás! Que deixará de ser "de trás" quando se lhe devolver a dignidade. Nessa altura serão também julgados os que lutaram por aquele espaço de cultura e aqueles que se opuseram de forma egoísta.
Infelizmente o que se passa com o espaço que referi é uma "metáfora" da Guarda. Muitas vezes os que argumentam com uma certa e muito discutível autoridade intelectual e moral não passam de provincianos agarrados à sua horta, às suas couves, ao seu rego de água.
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