Sábado, Agosto 22, 2009

Toponímia: quem a tem chama-lhe sua

Na aldeia onde nasci e onde vivi até aos sete anos colocaram placas nas ruas. Não sei porquê mas, talvez, seja para facilitar a vida aos correios, apesar da população não ter aumentado substancialmente. Ou talvez tenha sido para se comparar à cidade:placas de mármore com nomes de pessoas, datas ou feitos.
Não sei como o presidente da junta chegou à conclusão de que devia dar esta ou aquela designação a esta ou aquela rua. Deve ter sido por "palpitação", método muito vulgar nas nossas paragens. Como nessa minha terra não há comissão de toponímia (na Guarda há mas é como se não existisse!) deve ter sido o próprio presidente que se reuniu com ele próprio e chegou à decisão final (aliás, fervorosamente aplaudida por ele próprio, como é praxe).
O que me incomoda é que tenha retirado a única placa que existia, no Barracão, desde que me lembro. A Rua Alberto Dinis da Fonseca (saberá o nosso edil quem foi e a sua importância?) e substitui-a por "Rua Professora Antónia Monteiro". Esta senhora merecia, claro, a distinção, mas havendo tantas ruas para baptizar foi logo ocupar o lugar do criador do Anjo da Guarda?!! Pressuponho que Antónia Monteiro (que ofereceu uma escola ao Barracão) tenha sido professora do presidente, que ele é homem de raciocínios simples. Eu, por exemplo, gostava que houvesse também uma rua chamada Áurea Ravarra, a indiana que ali ensinou tanta gente a ler. Mas o que indigna é que tenha desaparecido da minha terra a Rua Alberto Dinis da Fonseca, o célebre homem que achava a "Guarda, o centro do mundo!".
Reparei que não há nenhuma rua "Abílio Curto". Nem tão pouco um chafariz com o seu nome que sempre seria mais apropriado. E, felizmente, nenhuma artéria dedicada a Marie Curie que certos historiadores de pacotilha dizem ter estado no Barracão.

1 comentários:

Anónimo disse...

Há razões que a razão desconhece e outras há que são sem razão. O que relata é o reflexo da sapiência do referido presidente (bom homem). Parece-me que aquela máxima "o saber não ocupa lugar" está longe, muito longe, de ser um preceito seguido pela maioria dos nossos Presidentes de Junta. Vamos ver o que a nova leva nos reserva!
Não deixa, no entanto, de ser de muito valor atribuir o nome de uma professora a uma rua de uma localidade. Pena é que, por manifesta ignorância, tenha menosprezado o nosso poeta. Ainda está a tempo de emendar a mão.