Quinta-feira, Dezembro 31, 2009

Balanxo 2009. César Prata

Peço desculpa. Desculpem, sim? Apetece-me fazer o meu balanxo. Quem quiser que faça o seu e os altruístas que façam o dos outros, se quiserem. Hoje sinto-me miseravelmente egoísta.
2009 foi um ano muito bom. Começou bem e acabou melhor.
Em Fevereiro estive ligado ao Galo do Entrudo; não pelo cordão — porque o galináceo nasceu de um ovo — mas antes pelos ouvidos. Fazer a música para o espectáculo do Galo foi uma excelente experiência e um enorme desafio.
Maio trouxe-me um disco e um novo projecto musical: Assobio. Na companhia da Vanda Rodrigues e com a cumplicidade do TMG, Assobio estreou no palco do pequeno auditório e mostrou o seu primeiro disco. Desde aí, Assobio apresentou-se dezoito vezes, nomeadamente no Festival de Músicas do Mundo de Sines e em Espanha, ao abrigo de um protocolo entre o TMG e a Junta de Castilla y León. Muitas críticas e distinções vieram e a vontade de prosseguir é enorme.
Em Julho estreou o espectáculo “Uma noite pode ser assim”, construído com um novo grupo de cantares do concelho da Guarda, um grupo que ajudei a crescer (Grupo de Cantares da Sequeira).
Outubro foi altura para gravar o disco do grupo Ontem, Hoje e Amanhã que oportunamente será apresentado. (Os discos chegaram hoje da fábrica!) Finalmente, Dezembro trouxe-me duas coisas magníficas: a música da peça de teatro do Projéct~ (S. Francisco de Assis e Mundus imaginalis) e a apresentação do CD “Cicatrizando”, a última aventura de Américo Rodrigues, como diz hoje no caderno Ípsilon , do “Público”, no qual tive o privilégio de participar (gravações, misturas e masterização).
Ah... Já me esquecia... E houve também o trabalho na Luzlinar, uma associação ímpar, com uma actividade assinalável e cada vez mais reconhecida.
Fico com saudades de 2009...
Espero que o vinte dez que se avizinha seja excelente para aquilo que mais me interessa: os criadores e as suas artes.

Aventuras

Hoje no "Público" pode ler uma reportagem acerca do lançamento do meu disco (e de muito mais). A autoria do trabalho é de Pedro Rios e as fotografias são de Adriano Miranda.
(clique na imagem para ampliar).

Balanxo 2009. Manuel Poppe

Não vi aspectos negativos.

Vi um TMG em grande.

Vi um excelente Presidente da Câmara Municipal ser reeleito.

Vi o D. Sancho satisfeito por ter mudado de sítio.

Além disso, saboreei um magnífico buxo de ossos, que mão amiga, graças a santas mãos de amigos dela, me enviou, para eu matar saudades.

Meus caros: a Guarda está em movimento -imparável.

Imparável, por mais que gatos pelados a queiram mandar para trás.

A Guarda, através do TMG, chegou à actualidade -e querer enfiar variantes do Quim Barreiros, seja onde for, em que sua freguesia for -é o mesmo que andar por aí a querer recuperar a Mocidade Portuguesa e as botas de elástico do bacharel António Oliveira Salazar ou a arrotar as curriculares pescadas do Doutor Assis, que tinha criado calos no c..., perdão, no rabo, anos a fio a comer letras, na ânsia de acumular conhecimento alheio e fazê-lo seu.

Lembram-se do Doutor Assis? O Trindade Coelho falou dele, em In Illo Tempore, que o Padre Pôpo emprestava aos de confiança... Quantos desses Assis encontrámos, pela Guarda de antes... e vemos, reencontramos, hoje, limitados e gananciosos, ridículos e pintadinhos, a ver se agarram a posta...

Porque, hoje, a política não é ideal: é carreira. Um bife. Um frango de churrasco. Brilhantina... gel... Óculos à detective. Rosnadelas.

Mas a Guarda conquistou e impôs o perfil que a distingue e honra. Os Assis, cujo o olhar feroz e o rosnar baixinho fazem parte da comédia do adro, já não assustam: passaram a figuras pintorescas, nada mais.


Manuel Poppe

Quarta-feira, Dezembro 30, 2009

Balanxo 2009. Agostinho Silva

Negativo, o PSD ter mais uma vez querido perder as autárquicas; Positivo, é que conseguiu.
Negativo, a vaca jarmelista continuar sem apoios; Positivo, este ano houve eleições.
Negativo; há cada dia mais desempregados na região; Positivo, a Guarda lidera o poder de compra.
Negativo, Morte do galo; Positivo, aparecimento da vacagalo para o salvar.
Negativo, 3 eleições; Positivo, 3 eleições.
Negativo, Liberdade de expressão; Positivo, liberdade de expressão.

Memória

É já um clássico e é... "imperdível". Falo do programa "revista do ano" que o Rádio Altitude emite, com brilhantismo assinalável, no último dia de cada ano. O texto (narrativo) de Rui Isidro é, em geral, de grande qualidade e a sonoplastia, de António Jorge Ribeiro, idem com aspas. A memória dos dias, através de um documento áudio pleno de emoções. A não perder.
No caso de não conseguir ouvir, pode depois recorrer ao arquivo em http://altitude.altitude.fm/
A revista que será emitida amanhã (em hora a indicar) começa com sábias palavras do filósofo vagabundo Agostinho da Silva. Auspicioso.

Vanguardas

Tenho andado distraído. Ou menos concentrado. Pois só agora reparei que o tristemente célebre deputado que comparou o casamento gay ao incesto, pedofilia e poligamia, a que chamou coisas "vanguardistas", é nada mais nada menos que o nosso (salvo seja) Carlos Peixoto (o delfim de Amaro, de Gouveia), cabeça de lista do PSD pelo círculo da Guarda, nas recentes eleições. Peixoto teve pois uma estreia auspiciosa no Parlamento. Depois da tirada de João Prata acerca do dom da ubiquidade é a vez do vanguardista Peixoto brilhar. É estranho é que Zé Albano (do PS) ainda não tenha feito das suas (de certeza que aprendeu depressa que o melhor é estar quieto e calado). Assis, esse, é de outra categoria (como se tem visto até pelo facto de não aceitar ser "atirador furtivo" ao serviço de Sócrates). Afinal, às vezes até é melhor não ser escolhido alguém... de cá!!!

A agenda do TMG


Já está disponível o caderno de programação do TMG, referente aos primeiros meses de 2010. O caderno é uma bela peça gráfica (melhoria acentuda) mas tem vida dentro. Na minha opinião (que vale o que vale) como cidadão: tenho orgulho de viver numa terra que tem um Teatro assim. Espero que a terra se dê conta disto e não sacrifique o TMG na voragem da demagogia, do populismo ou de políticas erráticas.
Procure o caderno, pois ele está por aí. Ou descarregue-o na página www.tmg.com.pt. Mas se fosse a si ficava mesmo com um em papel, para ler, consultar e coleccionar.

Fora do formato

Perguntam-me: onde se pode encontrar o disco que, recentemente, editaste de nome "cicatrizando"? Não, não se vende na FNAC, aquilo é um objecto esquisito, fora do formato. Em que prateleiras o colocariam?
Também não se vende, por enquanto, em mais lado nenhum, a não ser na Luzlinar.
Portanto, passemos à fase da acção directa. Assim, quem quiser receber um exemplar do disco, envia-me um cheque de 15 euros e tê-lo-á na volta do correio sem mais encargos. Chamo-me Américo Jorge Monteiro Rodrigues. Morada: Rua Dr. Santos Lucas, nº23-2ºdto, 6300-702 Guarda.
Se preferir pode depositar a quantia, usando este nib: 003503600004305200046.
De qualquer forma escreva-me para americo.rodrigues@iol.pt.Se quiser obter o disco mas também um exemplar do "escrevo risco" (livro/objecto) deverá pagar 25 euros. Receberá gratuitamente um exemplar do disco "Aorta tocante".

O madeiro

Um dia destes vi a Guarda na televisão. Falava-se de tradições de Natal ( a tv é uma fábrica de lugares comuns) e mostrava-se o madeiro da Praça Velha. Tudo, aparentemente, normal. Imagens de gente a aquecer-se, de gente a beber, um presidente popular, uma cantora e astróloga a convidar as pessoas a visitarem a Guarda (trata-se de Simara que já repetiu o gesto várias vezes, aproveitando a televisão). Tudo decorria bem até que a jornalista da Sic refere que é tempo para formular votos para o novo ano que se aproxima (tenho andado enganado pois só faço esses votos na passagem de ano). É então que aparece um destacado militante do PP a dizer que faz votos de que a Guarda saia do marasmo a que tem sido votada!!!
Pensei:
-Em nenhuma peça anterior sobre outras regiões houve notas de desânimo ou de aproveitamento de carácter político.
- Induzido ou não pela jornalista, o militante do PP acabou por introduzir, numa nota sobre a tradição, elementos de crítica política totalmente despropositada (não era a hora nem o lugar).
- Que há na Guarda quem precise de umas gotinhas de auto estima. Se até num momento daqueles se aproveita para comunicar ao país que a terra ...caiu no marasmo!
- Que quem sabe ocupar o lugar (percebendo o tipo de peça) e faz campanha por nós é... quem não é de cá. Neste caso, a impagável Simara.
- Que a jornalista, inconscientemente ou não, deixou a sua marca, a sua pegada.

Ver isto, a tantos quilómnetros da Guarda, pôs-me triste, Nem sei porquê.

PS- Ninguém pretende que o militante do PP não diga o que pensa acerca da Guarda. Nem sequer se põe em causa que tem alguma razão. Só que tem à sua disposição e durante todo o ano vários foruns (aliás, a sua opinião é conhecida). Dizê-lo ao país, a propósito de um madeiro da natal, é que era... escusado. Porém, talvez ele tenha respondido, simplesmente, a uma pergunta.

Olhar

Anteontem
à tarde
(só agora recuperei o fôlego)
um homem disparou:
"Por que estás a olhar para mim?"
Eu
que olhava para o abismo
- como o meu pai dizia -
achei que não era
para mim
de mim
que o homem falava.
Era.
O homem não desviava
o olhar
olhava realmente para mim
e gritava gritava
- olhos que gritavam.
Por que me terá escolhido
neste vaivém de olhares?
Ou tê-lo-ei escolhido eu
neste frenesim de olhares?
O homem gritando
a perguntar
- uma criança dormia no seu colo -
e eu sem saber
o que perguntar:
"Por que me queres matar?"
Durante uma décima de um segundo
ter-se-ão cruzado
num acaso de espelhos
os olhares de dois homens
em fúria:
boa razão para morrer ou matar.

Américo Rodrigues
29/12/09

Segunda-feira, Dezembro 21, 2009

Descanso

Para descanso do pessoal, o Café Mondego encerra durante uma semana.
Felizes natais e boas festas!

Domingo, Dezembro 20, 2009

Insólito

Encontrei-me hoje com os irmãos Alexandre e Daniel Gamelas, o que é sempre um prazer. O Alexandre, arquitecto em Nova Iorque, há muito qe cortou o cabelo, mas o Daniel continua a ter um enorme cabelo louro, quase até à cintura. Pois bem, sabem o que é que hoje lhe aconteceu? Tomou banho e não secou o cabelo devidamente. Na rua, a cabelo... gelou!! O cabelo gelado, facto extraordinário. Mesmo na fria cidade da Guarda.

Amanhã, disco


É amanhã, às 21.30 horas, o lançamento do meu disco na Luzlinar (Feital, Trancoso). Comigo estarão os músicos César Prata, Rogério Pires, José Tavares, Kubik, Eduardo Martins e Tiago Rodrigues. Edição da Bosq-iman:os records.

Sábado, Dezembro 19, 2009

Malik


Regressei agora do TMG, onde fui assistir ao "exercício final" do trabalho que a bailarina Yola Pinto tem desenvolvido com (jovens) mães e filhos da Casa Nascer (Centro de apoio à vida). A iniciativa integrou-se no projecto Inside out, que tem envolvido diversos grupos marginalizados ou esquecidos.
O processo que levou a este exercício é que é o mais importante, claro. Mas dificilmente hei-de apagar da memória o facto destas mães dançarem com os seus filhos. O que vi foi de uma beleza tocante. Imagens colectivas muito emocionantes. E poesia, sobretudo, a poesia que há nos corpos que dançam agarrados aos corpos de outros (os filhos). Uns e outros cumpriram uma coreografia de afectos, de amor, de intenso amor.
Indiferente a estes gestos, à intensidade destes gestos, a cidade vive, como todos as outras, momentos de consumismo desenfreado a propósito de Natal. Apresentar este espectáculo, de amor verdadeiro, nesta altura, parece quase uma provocação. Simples e simbólico, "Um tempo chamado nós" é uma ode à verdade do amor (estou um pouco lamechas!).
A certa altura uma mãe arrasta vagarosamente um lençol (barco/berço) onde uma criança de meses dorme. Desculpem qualquer coisinha, mas aquela criança é o verdadeiro Menino Jesus. Chama-se Malik e é mestiço, claro. Desculpem lá se interrompo a vossa fantasia consumista, mas queria dizer que Malik, ali num lençol branco, é o real, realíssimo Menino Jesus. A cidade ainda não sabe disto, estranha a estes actos de solidariedade e ternura, ocupada com jantares e compras de um Natal que nos querem impingir.

Ex citações

Eu seja cão se neste Natal não compro (para oferecer a mim mesmo) um livrinho de citações por assuntos. Fica sempre bem numa intervenção ou num artigo (e até numa posta de pescada, aqui no blogue)usar uma citação de um autor conhecido. E tem a "vantagem" de não termos que ler a obra de onde saíu a citação. Isso dá muito trabalho!
É um levantamento que está por fazer e daria um curioso artigo para uma revista cultural cá de terra: As citações usadas por políticos,similares e outros profissionais do discurso fácil, número, tipologia e interpretação semiótica. Daria um trabalho curioso. Recordaríamos pessoas que nunca leram um livro até ao fim (dá dor de cabeça) a citarem Pessoa ou até, pasme-se, Herberto Helder. Desconfio que mesmo quem lhes fez os discursos não terá lido aqueles autores! Lembram-se de uma figura que citava sempre o mesmo poema? E outra que vivia obcecada pelo Principezinho?! E uma terceira pelas xaropadas de Augusto Gil?!
E tudo seria tão simples: se não se leu não se cita. Não é por usar citações inteligentes que transformam o falante em inteligente. E, nalguns casos, há citações que mordem a língua de quem fala.
Mas, para não ficar atrás no campeonato das citações, vou comprar um livrinho das ditas. Como dizia Lubinvisnki-Trefosk, "Quem não cita não se excita nem apalpa o cu à pita!". Ou seja, um tipo que não "arma ao pingarelho" nunca terá sucesso.

Notável

Estive hoje a falar numa conferência que se realizou no recuperado Mosteiro de Sta. Clara-a-Velha, em Coimbra. Notável recuperação, notável musealização, notável arquitectura, notável arquitectura do Centro de Interpretação, notável merchandising. A obra deve-se ao Ministério da Cultura (e ao seu director regional, António Pedro Pita que, há muito, deveria ser Secretário de Estado da Cultura ou, mesmo, Ministro). A "valorização" do Mosteiro, estou em crer, deverá ter sido a obra do século em Coimbra! E,ainda por cima, regista um sucesso de público assinalável!!! Fico tão contente com exemplos assim, de oportunidade e bom gosto! Como queria que estes exemplos se estendessem,por exemplo, à Guarda (onde temos um museu que há anos mostra as mesmas peças da mesma forma, à míngua de dinheiro e de dinamismo).
Trago de lá dois belos livros e um conjunto de chávenas (é Natal!), tudo feito por profissionais de gabarito (já repararam como na área do design tantas coisas são entregues, na Guarda, a amadores que têm jeitinho?!).
O Centro de Interpretação do Museu é bem dirigido por um arqueológo que conhece bem a Guarda, Artur Corte Real. Foi ele que, há anos, iniciou as obras de valorização da área envolvente da Capela do Mileu, depois de anos e anos de abandono!!! A machada final em relação ao Mileu viria quando Abílio Curto autorizou que se construíssem umas bombas de gasolina precisamente em frente da Capela. Belo serviço que alguns branqueadores não conseguem apagar, por muito que o antigo autarca fale de cátedra no rádio.

Sexta-feira, Dezembro 18, 2009

A um amigo jornalista

Realidade: Vens cá ver-me?
Jornalista: Agora não, que estou a confraternizar.

Facto: Vens cá examinar-me, não vens?
Jornalista: Tens cada ideia?! Hoje não, que vou à festa de Natal?
Facto: Mas não cumpres os serviços mínimos?
Jornalista: Que ideia?! Estamos cá todos.

Notícia: Estou cá a tua espera. Vem, filho. Beija-me na boca!
Jornalista: És doida, estou a ver o Benfica. Amanhã!
Notícia: Mas amanhã não estou de serviço!
Jornalista: Nem eu!

Acontecimento: Passas por cá e gravas?
Jornalista: Claro que sim mas gravamos logo para nove meses.
Acontecimento: Mas daqui a nove meses já não sou eu, sou outros.
Jornalista: Ou pegas ou largas, estou farta dos teus problemas de personalidade.

TMG:nova programação

"TMG apresentou ontem programação do primeiro trimestre de 2009, aqui ficam os destaques

«Esta é talvez a programação mais equilibrada desde Abril de 2005, estamos muito satisfeitos com estas escolhas», referiu ontem, na apresentação da nova programação do Teatro, o director artístico do TMG Américo Rodrigues.
Quase a fazer 5 anos, o Teatro Municipal da Guarda quer continuar sob a batuta da qualidade e do cosmopolitismo. «Programar é procurar múltiplos sentidos», explicou o director. Uma programação que é feita de “viagens”. No TMG actuarão nos primeiros três meses de 2010, artistas vindos do Japão, Angola, Inglaterra, Dinamarca, Sahara Ocidental, França, Polónia, Rússia, Reino Unido e Itália. Uma dezena de países.

Os grandes destaques de música vão para os concertos de Maria João e Mário Laginha que apresentam “Chocolate” no dia 30 de Janeiro; dos Tindersticks que vêm apresentar o seu novo disco (a sair em Janeiro de 2010) “Falling Down a Mountain” a 6 de Fevereiro; dos Danças Ocultas que num regresso à origem com as concertinas e apresentam “Tarab” a 5 de Março; e a estrela internacional e grande revelação da canção italiana, Vinicio Capossela com o seu “Solo Show”, no dia 26 de Março.
Na música destaque ainda para uma outra estreia em Portugal com exclusivo TMG, a actuação de um DJ cuja paixão são os gameboys e que faz música em tempo real manipulando quatro destes jogos electrónicos e uma mesa de mistura. Vem do Japão chama- se DJ Scotch Egg e actua no TMG a 23 de Janeiro.

De destacar ainda três ciclos, dois deles realizados em colaboração. De 4 a 20 de Fevereiro regressam os Blues ao TMG com propostas arrojadas e inovadoras. O dinamarquês Tim Lothar, apelidado de guitarrista revelação dos Blues europeus abre a 4ª edição do Inblues – Festival de Blues da Guarda no dia 4. Segue-se, no dia 11, o trio português Budda Power Blues. E no dia 12, vindo do deserto africano do Sahara Ocidental, os Blues de fusão de Amar Sundy. O Inblues termina no dia 20 com o furacão feminino vindo de Inglaterra: Dani Wilde.

De 10 a 13 de Março a Agência para a Promoção da Guarda organiza com o apoio do TMG o Ciclo de Cultura Judaica que contará no cartaz com conferências, cinema e música. Destacamos o concerto do grupo polaco de música klezmer Cukunft, no dia 13. Trata-se de um exclusivo TMG e uma estreia em Portugal desta banda que traz no seu reportório música judaica.

A nova agenda conta ainda com o Ciclo Manuel António Pina que decorrerá entre 16 e 22 de Janeiro com exposições, poesia, um seminário e teatro. «O teatro e os escritores, os escritores e o teatro» é outro dos “sentidos” desta nova programação. Manuel António Pina, Fernando Pessoa e Vergílio Ferreira são os autores dos textos que inspiram peças de teatro que o TMG apresenta este trimestre. De Manuel António Pina, “O escaravelho contador” da Companhia de Teatro de Braga (dia 16 de Janeiro) e “A história do sábio na sua biblioteca” pela Pé de Vento (dia 20 de Janeiro); de Fernando Pessoa “O Banqueiro Anarquista” do encenador João Garcia Miguel (dia 5 de Fevereiro); e de Vergílio Ferreira “A Neve” pelo Teatro das Beiras, uma compilação de cinco contos do autor, numa encenação de José Carretas (26 de Fevereiro).

Grandes mulheres aparecem também representadas na nova programação. Mulheres de génio como a realizadora Agnés Varda, cujo documentário biográfico “As praias de Agnés” passará no TMG a 27 de Janeiro. Ou a artista plástica Maria Lino filmada no documentário “Luzlinar e o Louva-a-Deus” pela realizadora Margarida Gil, no dia 2 de Março. E ainda Eunice Muñoz, uma das mais respeitadas e reconhecidas actrizes portuguesas que protagoniza a peça “O ano do pensamento mágico”, numa encenação de Diogo Infante e pela mão do Teatro Nacional Dona Maria II, no dia 20 de Março.

Na área das Artes Plásticas, neste trimestre, o TMG mostra na sua galeria de arte uma grande retrospectiva de Luís Gonçalves, o pintor guardense com maior exposição nacional que é também um ilustre desconhecido na sua cidade natal. Na Galeria apresenta-se a exposição “Horizontes – 50 anos de pintura”.

Para ver ainda, a partir de Março, a exposição “O infinito segredo” de Cruzeiro Seixas. A mostra reúne cerca de 40 trabalhos de pintura e desenho daquele que é considerado o maior artista vivo do surrealismo Português.

No Serviço Educativo continuam as acções para estimular e formar novos públicos. Neste trimestre haverá filmes com debate, conferências, espectáculos e uma novidade: uma oficina permanente de expressão dramática para crianças.

A par da agenda, o TMG apresentou ontem também os sete Anjos da Guarda que vão ajudar na promoção e divulgação do Teatro, como se de uma espécie de embaixadores se tratasse. São eles José Neves (actor), Pedro Dias de Almeida (jornalista), Inês Monteiro (atleta olímpica), Manuel Poppe (escritor), Rui Costa (cientista), César Prata (músico) e Rosa Cano (directora da Feria de Teatro de Castilla y León)."
Fonte:blogue do TMG

Culturguarda e o jornalismo

Se algum tema atravessa os jornais (e rádios) da Guarda nesta semana é a questão de um simples relatório semestral (meio ano) da Culturguarda. Proponho o exercício de se voltarem a ler/ouvir as diferentes abordagens à mesma questão. Há, sempre, quem trate de forma "correcta" os assuntos (RA parece-me um bom exemplo, neste caso)e quem a trate de forma "incorrecta" ("Interior", parece-me um bom exemplo, neste caso). No meio ficam os assim-assim. Se não tiverem tempo para ler tudo concentrem-se nos títulos e vejam quem cumpre as regras da profissão e quem as ignora totalmente (transformando em título a opinião de um vereador da oposição e esquecendo a opinião de um vereador da situação). Pelos títulos e subtítulos ficamos logo a perceber se os articulistas são parciais ou não.
Coloco-me na pele de cidadão interessado. Como é possível um mesmo facto dar origem a leituras tão diversas? E o assunto não terá ficado suficientemente explicado na reunião? Por que será que, tendo Virgílio Bento explicado a situação, alguns articulistas tenham fingido que não ouviram nada, apesar de citarem aquele vereador? É esquisito, não é? Virgílio Bento é citado, mas como se fosse, apenas, para cumprir a regra do contraditório, pois tudo o que ele disse não foi tido em conta na redacção da notícia, que segue a versão de um vereador do PSD?. Por que ouvirão VB se não querem ter em conta a sua opinião? Nalguns casos, o artigo é, desde o título, uma espécie de amplificação do discurso do vereador do PSD, cujo raciocínio não é posto em causa pela inteligência do jornalista. Este parte do princípio de que o vereador tem razão e segue, à letra, a sequência de críticas? E se ele estiver enganado? Ou se aquele discurso estiver integrado numa estratégia de crítica contínua a Câmara? O jornalista deve ir atrás dele ou fazer uma notícia que se perceba o que está em causa e as suas várias abordagens?
Faltou o jornalista de "O interior", por exemplo, à verdade? Não! Divulgou números falsos? Também não! Tudo certo a este nível. Mas na notícia que ele fez valoriza as críticas negativas e só, no final e ligeiramente, cita o contraditório. E mesmo o que valoriza nos números segue uma presumível intenção: desvalorizar os resultados da Culturguarda, juntando vários elementos de categorias diferentes, e criando na opinião pública a ideia de que a gestão não é equilibrada? Conseguiu-o? Não, porque outros órgãos se encarregaram de usar uma narração consentânea com a imparcialidade. Não ignoraram as críticas mas não as seguiram, não as acompanharam, não as subscreveram (porque um jornalista não tem que o fazer). Houve, pois, na minha opinião (tão válida como a do articulista do "Interior") um atitude preconceituosa. À partida, o jornalista quis "dizer mal" d' "aqueles tipos". Se, por exemplo, invertesse a ordem da notícia (como fez "A Guarda") o efeito seria outro: narrar factos e não opinar, disfarçadamente, sobre eles.
Vamos, então, aos factos. E à sua dimensão (não acha o leitor exagerado o destaque dado?). A Culturguarda (é publico) apresentou resultados negativos de 51 mil euros, no anterior semestre. No entanto, 43 mil referem-se a fundos europeus que vão ser recebidos em breve (segundo o estabelecido, primeiro as despesas e depois o seu ressarcimento). Logo, o "resultado" negativo é, verdadeiramente, de 8 mil euros. Ou seja, uma verba (tendo em conta a dimensão da empresa) quase inexpressiva!!!!
Isto seria notícia nalgum lado do mundo???? Ainda por cima, estamos a falar de uma empresa cultural que não visa o lucro!!! Pois é, não haveria notícia se o assunto fosse tratado devidamente. As contas apareciam equilibradas e ainda faltariam as do último semestre (que podem mostrar correcções). Como vêem, a montanha pariria um rato! 8 mil euros de "prejuízo"!
Porém, os jornalistas não podem ignorar que foi um senhor Vereador (mai-la a sua legitimidade) quem fez as críticas. E fizeram notícias. Porém, as notícias poderiam ser, vejam lá, "Contas da Culturguarda equilibradas"! Mas isso é que não, não é! Isso seria de mais! Convém é dar a ideia de uma derrapagem...
Como cidadão não posso deixar de lamentar que as análises que se fazem às contas de uma empresa de promoção cultural sigam o mesmo raciocínio que se utilizaria num caso de um quiosque de bifanas! Uma análise política fundamentada levaria que se tivessem em conta os objectivos sociais da empresa. A certa altura, na análise citada, parecia adivinhar-se o desejo de que a Culturguarda desse lucro! Sinceramente, é perceber muito pouco destas questões...
Por outro lado, voltou-se à acusação de que a Câmara paga duas vezes as mesmas actividades. Nada de mais indocumentado! A Culturguarda recebe da Câmara(é público e notório) um "subsídio à exploração" do TMG. As duas partes assinam um contrato programa. Se, para além do contratualizado, a Câmara decide encomendar (é uma decisão política em que não me meto) à Culturguarda algumas iniciativas (extra TMG e extra contrato) não será normal e exigível que as pague? Por exemplo, o Julgamento do Galo ou a Feira de S. João. Não são actividades do TMG, nem constam da sua programação subsidiada e, portanto, têm um custo que deve ser debitado à entidade contratante. Tudo isto parece simples mas a verdade é que um vereador do PSD repetiu as acusações e os jornalistas... repetiram o vereador.
Agora que o Senhor Vereador estará mais bem informado talvez possa fazer justiça a quem esforçadamente tem lutado para que a Guarda continue a ter um equipamento cultural de referência. E acredito que ele estará também orgulhoso deste facto.

Declaração de interesses:Apesar de me pronunciar como cidadão sou também director da Culturguarda.

Hoje, no Público

LocalVisão-Guarda

Amanhã a LocalVisão-Guarda faz um ano!
Com toda a sinceridade, julgo que a Cabovisão veio contribuir bastante para a divulgação de tudo o que por aqui se faz. Divulgação, disse bem. A Localvisão tem uma atenção muito grande acerca dos acontecimentos que se realizam e isso é de saudar, numa terra em que a imprensa se tem degradado a olhos vistos. A Localvisão tem, pois, ajudado muitas instituições e colectividades a chegarem até aos públicos. E isto já justificaria a sua existência.
Dir-se-á: o que ela faz não é jornalismo. Talvez. É certo que não questiona criticamente, não arranja polémicas, não incomoda os poderes (antes pelo contrário), não persegue ninguém. Sim, nesse sentido, não faz jornalismo. Mas se dá notícias como se chamará ao que faz? Por não ter opinião não se chamará jornalismo ao que ela faz? Não sei, sinceramente. O que sei é que é um órgão de comunicação que cumpre os objectivos que anunciou.
Parabéns!

3000 crianças

Nestes últimos dias a Câmara da Guarda ofereceu a 3000 crianças a possibilidade de assistirem a um espectáculo de teatro/patinagem chamado " Branca de Neve na floresta encantada". Não sabiam? Claro que não: a imprensa nada disse a este respeito. E por que não fala a imprensa deste tipo de iniciativas que preparam os públicos de amanhã? Porque a organização não enviou... um bendito press release! Ou seja, os jornalistas não receberam no conforto das suas redacções ar condicionadas o milagroso mail que leriam ou copiariam para publicação. Espantoso! Os jornalistas não andam na rua, não estão com atenção à vida real, não falam com professores ou alunos, não têm filhos em idade escolar, não têm fontes de informação, não sabem nem querem saber. Se não há press release não há notícia. 3000 crianças!!!! No entanto, poderão dar destaque a uma festa paroquial (de preferência da paróquia do chefe!) ou das empresas/associações do patrão. Ou, até, de uma vedeta sexy que vem ajudar a vender mercadorias natalícias. Tudo porque chegou lá... o comunicado. É só ler, nem é preciso interpretar.
Claro que isto também é uma lição para quem deve fazer os comunicados e não os faz. Ou deixa, assumidamente, de os emitir e cria novas relações com os jornalistas ou não se queixa...

Doutoramento

Julgava eu que os jornais já não publicavam notícias deste tipo: Acabou a licenciatura a menina ou menino tal, filho do senhor tal, empresário da lavoura, apresentando uma tese acerca do "cultivo de cannabis e o equilibrio psicofisiológico das minhocas castanhas da Pocariça". (Inlcui sempre uma foto).
Mas estava enganado. Parece que esse tipo de notícias até aumentou. E eu nem sei se tenho algo contra ou a favor. Quer dizer, percebo-as. Especialmente nalguns casos de nítida justificação social.
Foi através de uma dessas notícias (mais discreta e cheia de elementos) que soube que o meu amigo Jorge Maximino (de Foz Côa) concluiu o doutoramento em Paris, com uma tese sobre aspectos da obra de António Ramos Rosa.
Jorge foi sempre (estudou aqui na Guarda e conheço-o desde o secundário) um inteligente divulgador de poesia. Organizou o célebre Festival de Poesia de Foz Côa e várias outras iniciativas. Agora doutorou-se. Fez bem. Parabéns!

Parar (é como quem diz...)

Um antigo professor escreve-me: "Mas, então, você não pára?". Refere-se a uma sequência de iniciativas em que tenho estado muito envolvido (livro/peça de teatro/ disco).
Resposta:"Sim, paro. A próxima semana." Mas para parar ainda tenho que andar muito.

Quinta-feira, Dezembro 17, 2009

Programação

Hoje será apresentada ao público (a fase das conferências de imprensa ficou para trás) a nova programação do TMG. Julgo que entramos numa nova era. A programação e os seus sentidos parecem indicar isso.
Não deixe de participar nesta sessão.

Porquinhos e marketing

O BES descobriu que há um "porquinho da Guarda" e fez uma campanha em seu favor. Nós, os da Guarda, não sabíamos! Sabíamos que tínhamos "anjos da Guarda", "morcela da Guarda" e,até, a "Guarda Nacional Republicana", mas desconhecíamos esta do "porquinho" como ícone da nossa terra. É certo que suspeitávamos que andassem pr'aí uns valentes porcos a emporcalhar-se e a emporcalharem-nos...
Há tanta coisa que desconhecemos? A Guarda é um caixinha de surpresas! Agora descobriu-se que até temos porquinhos!!!

PS.- Agora a sério. O marketing (que obviamente tem que ser criativo e nunca parolo) pode fazer muito pela promoção de terras e de produtos. Há empresas que percebem isso na perfeição. Veja-se o caso do anúncio da Superbock feito de propósito para a cidade: "Guarda de honra"!!! Precisamos é de ideias assim, brilhantes. Mas isto tarda a mudar.

Quarta-feira, Dezembro 16, 2009

Trans

No próximo sábado, no Convento de Sta. Clara (Coimbra),falarei sobre cooperação transfronteiriça, a convite da Direcção Regional da Cultura. Mais inf. aqui.

Apoiado!

É nas horas difíceis (conflito, catástrofe, alarme social, etc.) que se percebe melhor a função dos órgãos de comunicação social locais. Principalmente dos rádios, por permitirem uma comunicação quase imediata com as populações. Toda a gente sabe isso e, portanto, não há planos de emergência ou de protecção civil (ou guerra) que não conte com as emissoras de rádio. Pelos vistos, aqui na Guarda, hoje (dia de grande gelo) ignorou-se isso, por motivos não suficientemente explicados. Rui Isidro, que dirige o novo Mocas, protestou pela falta de apoio e de informação. Ele sabe que o rádio é imprescindível à transmissão de informações determinantes, em casos como o de hoje. Protestou... e fez ele bem.
O novo Governador comentou as palavras de Isidro, dando-lhe razão. Mais: disse que "subscrevia por baixo" o que foi dito. Gostei do pleonasmo e surpreendeu-me a forma como Santinho admitiu que os homens que tratam da nossa protecção deviam aprender com o que Isidro disse. Nem mais! É tão raro ouvir alguém do poder admitir erros e perceber a função da comunicação social que saúdo vivamente o novo Governador... pleonástico.

Notícia

A Guarda está em estado de sítio. Está profundamente gelada. Os carros não circulam(só nalgumas zonas) e as pessoas passam o tempo a cair. Eu abandonei o carro e fui a pé para o trabalho. Neste momento não tenho nariz.

Orquestra de Tararau Bicho

Na próxima segunda feira será apresentado o meu disco "cicatrizando", no ateliê Temos Tempo, a convite da Luzlinar (Feital, Trancoso, Guarda). O disco, pelo facto de ser constituído por gravações de acções concretas anteriores, não pode ser "executado" ao vivo (não é um disco de música). Como apresentá-lo, então, ao vivo?
Reuni um grupo para uma sessão de improvisação livre. O grupo vai tocar e ler (e trinta por uma linha) a partir da ideia do meu disco (que mistura elementos da literatura oral tradicional com elementos da literatura oral contemporânea). O colectivo é, na minha opinião, excelente: Kubik, César Prata, Rogério Pires, José Tavares, Eduardo Martins e Tiago Rodrigues. Eu serei o leitor/"bocalista" de serviço.
De mim para mim chamei a este grupo Orquestra de Tararau Bicho mas temo que ninguém saiba porquê.
Irrepetível e imprevisível. Dia do Solstício de Inverno (dia 21, às 21 horas, no Feital).

Terça-feira, Dezembro 15, 2009

Luzlinando

Têm reparado na dinâmica da Associação Luzlinar???? A partir de uma pequena aldeia (nem 40 pessoas) do concelho de Trancoso, a Luzlinar (motivada pelo exemplo de Maria Lino) tem promovido dezenas de actividades de elevada qualidade que ligam as artes da terra às artes performativas. Todas as semanas há algo que a Luzlinar propõe (hoje, por exemplo, lança os catálogos dos Simpósios de Arte, no CC do TMG).
A Luzlinar é um exemplo para aquelas colectividades que andam para aí a penar, a morrer devagar. Ali há ânimo, iniciativa e criatividade. E trabalha mesmo, não vivendo à custa da memória de outros tempos ou da mama camarária. Trabalha tanto e tão bem que conseguiram um subsídio de apoio às artes do MC, o único de todo o distrito da Guarda!!! Um exemplo, a todos os títulos.
O trabalho tem rostos (ao contrário do que alguns desejam). Os rostos da Luzlinar são, neste momento, a Maria Lino, o Carlos Fernandes, o César Prata e a Barbara Spielmman. Parabéns!

Segunda-feira, Dezembro 14, 2009

Amanhã, no Porto

Os temas do meu disco



Cicatrizando
Américo Rodrigues
(Acção poética e sonora)


Este disco regista o som de acções poéticas levadas a cabo por Américo Rodrigues a partir de elementos da tradição oral portuguesa (romances, lengalengas, orações, adivinhas, ditos, alcunhas e vocabulário de uma gíria). Todos os temas tiveram por base uma intervenção concreta em cujo processo se usaram tecnologias rudimentares (low tech) de gravação, comunicação e amplificação da fala e da voz (telefone, minigravador de cassete, megafone, walkie talkies, intercomunicadores, gps’s, transístores, etc.). O som obtido nas acções foi depois alvo de montagem.

(notas)
1. Santa Bárbara e o medo
Regresso ao “túnel do medo” da minha infância para gritar orações à Santa Bárbara. Num coreto de um recinto de festas dedicadas ao Senhor dos Aflitos acompanho as orações com passos, pressas e vozes ancestrais. Numa Catedral recito-as baixinho.
Acção realizada nos dias 29 de Julho e 14 de Agosto no túnel ferroviário do Barracão, no recinto do Barroquinho, no parque de estacionamento do TMG e na Sé Catedral da Guarda.


2. A máquina das adivinhas

Telefono a dezenas de pessoas a perguntar soluções para adivinhas populares. Depois a minha voz transforma-se numa máquina de perguntar. Muitas pessoas acertam nas respostas. Outras riem.
Acção realizada no dia 14 de Agosto de 2009.


3. Romance no mercado
No mercado municipal da fruta e do peixe, leio um rimance antigo (O Conde da Alemanha) aos vendedores. Ouço histórias e, até, choros. Recomeço a contar o rimance. Devolvo o rimance ao povo. As vozes sobrepõem-se.
Acção realizada no dia 29 de Julho de 2009 no Mercado Municipal da Guarda

4. Alcunhas ao vento

Grito alcunhas de cima de uma penedia. O vento leva nomes estranhos e palavrões. Sou ouvido a quilómetros de distância. A voz ecoa no vale do Mondego.
Acção realizada no dia 29 de Julho de 2009 no Miradouro do Moncho Real (Caldeirão).

5. À cata da gíria

Viajo até uma localidade da raia onde se recorda uma gíria de contrabandistas. Durante a viagem ouvimos músicas do mundo. Não respeito as indicações de percurso. Telefono a um filósofo e filólogo para me explicar de onde vem aquele linguajar. Regresso.
Acção realizada no dia 11 de Agosto de 2009 entre a Guarda e Quadrazais.

6. Orações & confusões
Registo orações populares em diversos espaços (rua, casa, elevador, carro) e a horas diferentes usando um pequeno gravador e um megafone. As orações acompanham a vida diária. A confusão quotidiana.
Acção realizada de 29 de Julho a 14 de Agosto na Guarda.

7. A boca

A uma refeição leio uma receita gastronómica tradicional como se, ao mesmo tempo, comesse as palavras, saboreasse a sintaxe e limpasse a boca à semântica. A seguir junto-lhe música feita com colheres e garfos. A boca como caixa de ressonância.
Acção realizada no dia 21 de Agosto, no restaurante Condesso, em Vila Franca das Naves

8. Mãos no ar

Bato com as mãos e com um pequeno pau numa chapa metálica (rails de estrada). Com um megafone produzo feedbacks. Improvisação livre numa curva de uma estrada.
Acção realizada no dia 29 de Julho de 2009, no Caldeirão.

9. Radioactividade

Durante a noite, numa emissão radiofónica, são difundidos anúncios, aparentemente vulgares, com conselhos absurdos referenciados como sendo “sabedoria popular”. Para além desses “ditos” ouve-se também um grito lancinante e um conto numa língua inexistente.
Acção realizada no dia 28 de Agosto. Os anúncios foram emitidos pelo Rádio Altitude entre as vinte e três e as zero horas. Na gravação usou-se um auto-rádio e alguns transístores.

10. Corrida de lengalengas

Envio uma carta sonora (via telemóvel) ao César Prata com instruções acerca da montagem do tema. Como se fosse uma corrida de cavalos ou de galgos. As lengalengas são ditas numa velocidade vertiginosa. As sílabas atrapalham-se, as palavras suam, as frases atropelam-se.
Acção realizada no dia 9 de Outubro de 2009 .

11. Provérbios ao domicílio.

De casa em casa divulgo provérbios. Falo através de intercomunicadores ligados a porteiros-vídeo. A certa altura invento novos provérbios, altero-lhes o sentido inicial, subverto juízos antigos.
Acção realizada nos dias 29 de Julho e 14 de Agosto, na Guarda e em Trancoso, em diversas casas.


12. O mar portátil
Dentro de água canto uma antiga canção de embalar. Respirar dentro de água. Como se fosse dentro da mãe. Quase morrer de tanto cantar.
Acção realizada no dia 12 de Outubro de 2009 numa moradia na Guarda

Ciclo dedicado a Manuel António Pina


Domingo, Dezembro 13, 2009

Altitude/Praça Velha

Saíram recentemente dois novos números das revistas culturais locais "Altitude" e "Praça Velha". Só agora tive tempo de olhar para eles/elas.
"Altitude" persiste no equívoco da "ficha técnica". Continua a dizer que tem uma redacção quando não há trabalho redactorial visível e a indicar uma "coordenação" para se referir a trabalho administrativo, etc. O equívoco é muito estranho visto que alguns dos elementos da revista são, supostamente, especialistas em comunicação social. A adivinhar pela "ficha técnica" da revista...
Em relação ao último número houve uma mudança qualitativa assinalável na orientação gráfica. Verifica-se também uma significativa melhoria no conteúdo editorial, notando-se o esforço que o seu director tem feito na motivação e mobilização de novos colaboradores (mesmo que, como vamos ver à frente, a maioria dos novos sejam colaboradores da... outra revista). É indiscutível que houve uma mudança (para melhor) desde que a revista é dirigida por Lima Garcia. Há artigos acerca de assuntos históricos, etnográficos, literários, arqueológicos, etnomusicológicos, sociológicos e turísticos. Os assuntos referem-se a várias partes do distrito, pelo que a revista cumpre cabalmente o seu objectivo principal.
Porém, o alinhamento por ordem alfabética do nome dos autores parece-me próprio de quem evita encontrar uma linha programática, um percurso, um sentido, uma "coluna vertebral". Parece-me uma opção primária e,até, preguiçosa. A ordem alfabética não resolve questões de coerência, coesão ou relação. Evita problemas, é certo, mas transforma a revista numa espécie de livro de actas de um congresso, uma espécie de manta de retalhos. Nada que os especialistas não saibam. A revista ganharia,pois, se fosse melhor pensada.
As colaborações são muito desiguais, em termos de interesse e qualidade. Esse é um risco previsível em revistas que publicam tudo o que se lhes envia. Mas, como se disse, acontece que o balanço é muito satisfatório, sendo de saudar o aparecimento de jovens investigadores.
Este número inclui também um caderno de homenagem ao antigo director, Adriano Vasco Rodrigues. A este respeito há pouco a dizer. Basicamente, publicam-se panegíricos (uns mais verdadeiros e intensos do que outros) e depoimentos acerca de aspectos da vida e obra de AVR. E uma entrevista, tipo "jornal escolar", ao próprio AVR. Começa com um originalíssimo "quem és tu?" e continua com a mesma criatividade perguntadora (Como gostaria de ser lembrado? Que valores? Que legado? Que livro o marcou?). Nem faltou,numa pergunta, uma citação de... Ésquilo! Mostrar erudição nas perguntas (mesmo que subtraída a um livrinho de citações) dá sempre jeito. Tanta banalidade incomodou-me (compare-se, por exemplo, com a entrevista que Pedro Dias de Almeida fez a Manuel António Pina no penúltimo nº da Praça Velha).

Sobre a "Praça Velha", falarei pouco, por ser suspeito (sou membro do Conselho Editorial). Este número desenvolve-se a partir de um tema principal: "Cientistas da Guarda". As colaborações, estranhamente, foram muito reduzidas (apenas 5, e é discutível se algumas mereciam ser publicadas). A coordenação da revista resolveu a dificuldade (ter poucos artigos acerca do assunto principal), dedicando algumas páginas a "jovens cientistas da Guarda". Foi uma boa opção.
O Índice mostra-nos uma revista organizada por secções (ao contrário da "Altitude"). Registem-se, pois, artigos sobre "património e história", uma grande e boa entrevista com outro cientista (Pedro Russo), um portfólio de desenho do património, uma secção muito desequilibrada de poesia, contos e meditações ambrosianas (esta secção tem sido a mais frágil, nos últimos números da revista) e várias páginas dedicadas a recensões (onde não se percebe o critério que preside à escolha de alguns críticos; parece, nalguns casos, que os escolhidos são aqueles de quem a revista se lembrou, assim, de repente, porque iam ali a passar). No entanto, publicar críticas às obras que se vão editando é seguramente um trabalho indispensável à Cultura da/na Guarda. Por isso deveria haver mais cuidado na escolha dos nomes que criticam (e, já agora, não haver esquecimento em relação a obras editadas). A crítica científica a um débil "Dicionário de provérbios", por exemplo, é um autêntico acto de serviço público (José P. da Cruz fê-lo na perfeição, respeitando o esforço - louvável- do autor mas apontando fragilidades e insuficiências). Todos ganhamos (principalmente os autores) com a crítica rigorosa. No entanto, publicar opiniões sobre um (1) artigo de uma revista já me parece, assim, um bocado... estranho.
O grafismo é sóbrio e qualidade, de há uns tempos para cá.Lamentável é que o obrigatório depósito legal surja ocupado por pontos de interrogação.

Finalmente, o facto dos dois números das revistas terem saído ao mesmo tempo levou-me a estas considerações:
- Ambas as revistas têm o mesmo objecto e o mesmo objectivo.
- As duas são pagas por fundos públicos (por Câmaras, directa ou indirectamente).
- As duas revistas não têm vendas minimamente expressivas (quase todos os exemplares são oferecidos)
- Existem vários colaboradores (muitos) que são comuns às duas revistas.
- Não existe nenhuma diferença substancial na forma e conteúdo (nem na identidade) das revistas, desde que a "Altitude" se aproximou do figurino da "PV".
- Os interessados/consumidores são muito escassos e deveriam ser muitos ps destinatários.

Assim:
Não seria de começar a pensar numa fusão das revistas? Poupavam-se recursos (nomeadamente, dinheiro) e ganhava-se em dimensão, visibilidade e prestígio. Talvez, até, se pudesse distribuir a revista a nível nacional. Se ela tivesse a qualidade necessária.
Claro que esta proposta (a estudar e desenvolver) pressupõe que se ultrapasse a conhecida mentalidade das "quintinhas" e que haja um esforço de concertação sem reservas. Como sabemos (sei por experiência própria) dirigir/coordenar/publicar pode ser território/pasto de poderes e, portanto, a proposta que faço há-de embater num muro de adversidades. Parece-me explicada e justificada. Juntavam-se as revistas, nomeava-se um director conceituado e estranho ao poder político, uma boa coordenação, um prestigiado conselho editorial. E dividiam-se as despesas, não era?
Nome: Praça Altitude? Altitude: praça velha? Ou, então, um novo nome (ai os conservadores que já estão a relinchar!!!).
Outra solução é que as revistas optem por ser diferentes uma da outra. Ou que sejam alternativas ou concorrenciais, por exemplo. O que não acontece, neste momento.

Sábado, Dezembro 12, 2009

Duas

A itinerância de apresentação de "4 ensaios à boca de cena" (edições Cotovia), de que sou co-autor, prossegue. Desta vez é no Porto, às 18.30 horas no Mosteiro de S. Bento da Vitória.
Porém, desta vez, estou muito dividido. É que nesse mesmo dia, às 22 horas, são apresentados dois catálogos do Simpósio Internacional de Arte que Maria Lino (e depois a Luzlinar) tem promovido!!! A iniciativa dos Simpósios é a mais importante de todas aquelas que se realizam no distrito da Guarda na área das artes visuais; é uma obra notável. A apresentação é no café do TMG.
Ou seja, estou dividido entre mim e ... mim. Se pudesse estaria presente nas duas sessões.

Mundo rural

Chamo a atenção para esta iniciativa que promete ser de qualidade. Por motivos óbvios chamo a vossa especial atenção para a exibição de "Bando de Passarinhos", de Zigud, feito a partir de textos poéticos da minha autoria.

Sexta-feira, Dezembro 11, 2009

Tiago fotógrafo


O Tiago é um bom designer, um bom fotógrafo e um bom amigo. E, não, não é da minha família. Não deixem de visitar esta sua exposição, feita a convite da Luzlinar.

Quinta-feira, Dezembro 10, 2009

Nova viagem


A estreia da peça foi ontem (espero críticas) e já estou metido noutra aventura. O meu novo disco vai ser apresentado no dia 21 de Dezembro (dia do Solstício). Portanto, objectivo seguinte: o disco cicatrizando.

Quarta-feira, Dezembro 09, 2009

Hoje


A estreia é hoje às 21.3o horas. Agora já não posso voltar atrás.
"São Francisco de Assis" e "Mundus Imaginalis num quadro de Van Gogh" de Vicente Sanches, pelo Projéc~

Terça-feira, Dezembro 08, 2009

Menção

O "meu" designer (o meu preferido) acaba de obter uma menção especial do júri do Prémio de Design João Branco, revela hoje o jornal "Público". Falo de Jorge dos Reis, evidentemente.
O seu trabalho agora considerado - "Speechant: Chanting & Speeching"- foi executado ao vivo e em estreia absoluta,no TMG, no dia Mundial da Música. Portanto, mais uma vez, a Guarda esteve um pouco à frente.
Parabéns, Jorge!

Uma manhã na cidade

Só consigo passear pela cidade nalguns fins de semana ou nos feriados (e é quando consigo...). Hoje consegui. E foi assim que fiquei a saber/conhecer:
- que Fernando Matos (antigo director do PNSE) tinha morrido. Homem simpático e afável.
- que um filho de um antigo colega tinha morrido jovem. Morrem sempre jovens os que os deuses amam.
- que um comerciante conhecido, depois de ter triunfado voltou ao pequeno negócio inicial, porque quer viver "honradamente". Que raro!
- que no Museu da Guarda decorre a habitual feira do livro de catálogos editados pela rede de museus. Há verdadeiras pechinchas! É de aproveitar.
- que o Museu tem paredes de MDF esburacadas,com buchas dentro. Uma vergonha que se deve à falta de dinheiro. Imagem degradante de um museu que deveria ser exemplo.
- que o Museu editou um roteiro juvenil de nome "Salto ao Museu". Boa ideia, muito boas ilustrações e aspecto gráfico, e um título que não resulta (por exemplo: confunde-se com "Assalto ao museu"). O texto é de uma "equipa de educação" do museu. Neste tipo de publicações, invariavelmente, o maior problema está na forma como se conta a história (narrativa, ao mesmo tempo que se chama a atenção para os conteúdos do museu ou similares). Não sei se esse objectivo foi conseguido pois abandonei a leitura quando deparei com a palavra "Magestade". Chamem-me fundamentalista mas julgo que num trabalho pedagógico não se podem dar erros. Fico à espera de uma recensão crítica...
- que no Paço da Cultura há um novo presépio feito por Rui Miragaia (aderecista da televisão e ferreiro criativo). A imagem resulta bem e serve os propósitos. Os grandes chocalhos/sinos são um achado. A luz é kitsch como todas as do Natal.
- que a cidade parece não ter vida, a adivinhar pelos escassos passeantes.

Segunda-feira, Dezembro 07, 2009

Projéc~ e Assobio

Diário de Notícias fala da estreia do Projéc~aqui.
A "Trompa" (um blogue de referência na área da música) fala do Assobio. Ver aqui.
Dois projectos a merecerem atenção nacional.

Domingo, Dezembro 06, 2009

Uma por dia

Uma boa notícia por dia: é o meu desejo, a minha expectativa, a minha meta.
A de hoje é que o Instituto de Estudos da Literatura Tradicional, da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (Universidade Nova, Lisboa) vai apoiar a edição do meu próximo disco "cicatrizando". O disco, de acção poética e sonora, baseia-se na tradição oral da nossa região.

Património musical


Não sei se a cidade reparou na qualidade da investigação (e da sistematização pedagógica) do trabalho que está exposto no Paço da Cultura acerca do património musical da Sé da Guarda? A exposição foi comissariada por João Pedro Delgado (músico e professor no Conservatório da Guarda) e é ums bela mostra daquele que continua a ser um tesouro egitaniense: a música dos compositores da nossa Catedral. A ver e a recomendar. Os alunos da cidade (e não só os de música) deveriam passar por lá, pois a partir daquela temática pode conhecer-se (ou aprofundar-se) a História da Guarda.
Esta exposição serve como complemento brilhante do concerto ( e vice-versa), que se realizou no dia da Cidade, no TMG, baseado na mesma temática. Faltam mais iniciativas como estas na cidade. Iniciativas concertadas que resultam de uma visão organizada do que deve ser a política cultural de uma cidade.

"A exposição "O Esplendor Musical Egitaniense - Mestres de Capela na Sé da Guarda - Séc. XVI a XIX".(...) A inciativa pretende trazer a público um pouco da História Musical da cidade, dos seus Bispos e Mestres de Capela. Por aqui terão passado eclesiásticos formados nas Universidades de Paris, Coimbra ou Salamanca, bem como Mestres de Capela que mais tarde vieram a ser Lentes da Cátedra de Música da Universidade de Coimbra, tendo assumido, também, cargos relevantes noutras Catedrais, cujas obras foram apreciadas, elogiadas e encomendadas por Reis como D. Sebastião ou D. Filipe II de Espanha, ou que terão visto, ainda, a sua música ser editada em casas Espanholas e Flamengas. O esplendor musical que se viveu nessa época na diocese Egitaniense é um indicativo seguro de que a Guarda alcançou uma espantosa importância social no contexto Ibérico."

Obsessão

O Godinho é que reparou. Mandei vir um branco, de agricultura biológica, Quinta das Vermelhas, de que gosto tanto. O vinho que veio e que bebi, deliciado, chamava-se, vejam só!, São Francisco! Começo a achar que sou perseguido por São Francisco, como tenho aqui contado. Até à próxima quarta-feira, dia em que farei de... São Francisco, na peça de Vicente Sanches.

Sábado, Dezembro 05, 2009

Capa


Jorge dos Reis é o meu desenhador gráfico preferido. Temos colaborado muito regularmente e o trabalho dele nunca me desiludiu. Aqui fica uma imagem do meu próximo disco, chamado cicatrizando. O lançamento é no dia 21 de Dezembro, a convite da Luzlinar.

Crítica do "Público" ao livro de que sou co-autor

Exemplo


Ora aqui está um exemplo do que a cultura e o jornalismo podem fazer por uma cidade. No roteiro da revista "Sábado", sugere-se que se veja a peça "São Francisco de Assis" e aproveita-se para fazer outras propostas, nomeadamente, comer bem.
Duas evidências:
- a Cultura pode ajudar a desenvolver a cidade, dinamizando também o tecido económico do território onde se insere.
- o jornalismo pode ajudar a desenvolver a cidade, informando os seus leitores convenientemente e de uma maneira que relacione a Cultura com as outras ofertas.

Os sentados

Outro dia vi um jornal local em que todas as fotografias mostravam pessoas sentadas atrás de uma mesa. Ou seja, obtidas em conferências de imprensa. Numa dessas fotos até uma revista era apresentada através de uma... fotografia de duas pessoas atrás de um microfone. Claro que este tipo de opções não abona a favor dos jornais mas, convenhamos, a responsabilidade não é só sua. Isto porque estamos perante uma praga de conferências de imprensa. Por tudo e por nada chama-se a imprensa e a imprensa (alguma) lá vai, obediente e bem comportada. Às vezes nem confere nada, apenas ouve, grava ou fotografa. Por tudo e por nada.
É tempo, pois, das diversas entidades reinventarem a sua relação com os jornalistas. Devem deixar de os "usar", encarando-os como aquilo que verdadeiramente são: intermediários que devem ser bem tratados enquanto pessoas e profissionais. Dito de outra maneira: os jornalistas têm que ser respeitados, afastando a ideia de que são, apenas, "correias de transmissão" ou "papagaios". Neste processo, os jornalistas têm uma palavra a dizer, não alinhando em manobras que visem manipular o seu trabalho (é conhecida a atitude de uma vereadora que dizia aos jornalistas coisas diferentes do que dizia na sessão da Câmara; as declarações à imprensa eram, para ela, o essencial, porque sabia que os jornalistas alinhariam...).
Encontremos outras formas de comunicar... com os comunicadores. Formas criativas, imprevistas, envolventes. Para que não vejamos mais jornais de gente sentada.

PS- Tenho andando aqui a zurzir na comunicação social. Porque gosto muito, desde jovem, de jornalismo e jornalistas (há alguns excelentes!). Mas não posso continuar a insistir, como se fosse uma cruzada pessoal, perante incompreensões e... censuras.
Por outro lado, consta que há na Guarda especialistas em comunicação social (juro que vi há dias um curriculum de um que dizia ter um mestrado) que até dão aulas e tudo. Ora, sendo assim, interrogo-me por que nunca vi uma linha escrita por eles acerca das questões que aqui tenho abordado. Ou não sabem o que dizer ou refugiam-se num prudente silêncio, esperando a recompensa por esse "serviço". Por que não escreverá essa gente? Por que não dará opiniões? Por que não investigará?
Sendo especialistas (mas todos sabemos como às vezes se dão aulas de coisas que nunca se estudaram) esperava-se outra atitude. Ou talvez não.

Beatriz

O "jornal do fundão" publica nesta edição um óptimo artigo de Nuno Francisco acerca do livro - recentemente editado - "Carolina Beatriz Ângelo", editado pela Câmara da Guarda. O artigo baseia-se numa entrevista com a autora, Maria Antonieta Garcia. O JF dedica a este assunto uma página inteira. Às vezes tenho pena que não haja um Jornal da Guarda. Se virem bem, na Guarda a edição do livro passou quase despercebido. Como tantas outras coisas.

Quarta-feira, Dezembro 02, 2009

Viva o cu da Guarda!

Para mim é a notícia da semana: Daniel Martins, artista plástico e,também, investigador de genealogias, criou e duplicou a mais original das prendas: o cu da Guarda. Ou seja, inspirou-se na célebre gárgula da Sé - que representa um cu virado para Castela - e fez umas originalíssimas obras de arte que hão-de fazer furor neste Natal. Pequenos cus, mas cus da Guarda! A primeira fornada já saiu: cem cuzinhos maneirinhos! Daniel juntou uma frase à recriação daquela cavidade anal e mítica: "muito me tarda o meu cu na Guarda"! Parece gozo mas não é. Porém, confesso que não gosto da frase e até acho que o cu bastava(-se).
Por agora só venda directa,apesar dele querer colocar os cus à venda nalgumas lojas da Guarda. Está na hora!

Memória: cadernos


Amanhã serão lançados mais alguns números da colecção Fio da Memória. Eu, por coincidência, participo em dois cadernos. Naquele onde se divulgam os textos do Julgamento do Galo deste ano (sim, fui eu que fiz o discurso de Odete Santos) e num outro dedicado às memórias de um grupo que fundei, o "Aquilo". Em relação a este último, que é feito de vários depoimentos, tenho grandes expectativas para ver/ler como algumas das pessoas convidadas lidam com a memória. O que dirão? Lembrar-se-ão de alguma coisa ou fugirão... à memória? Vamos ver. Mas, para mim, é, nesta e noutras circunstâncias, indispensável perceber como as pessoas se relacionam com a sua memória. Há quem prefira... a amnésia ou a fuga. Porque percebem que a memória é sempre um ajuste de contas consigo próprios.

Terça-feira, Dezembro 01, 2009

E os amigos


Aqui está uma foto da outra personagem que interpreto (peça "Mundus Imaginalis") no espectáculo que estreia dia 9. Estamos na fase final de ensaios e agora é que "os nervos" atacam. Ainda por cima eu fui atacado por uma constipação/rouquidão que custa a passar. Mas os amigos (sempre os amigos) estão cá para ajudar. Maria Lino mandou-me um saco de folhas de salvia para eu fazer chá e um rábano para eu ralar (ralado estou eu) e comer acompanhado de maçã. E o Zé Neves (grande actor) veio de Lisboa "corrigir-me" e apoiar-me na construção das personagens. Já cá tinha o Carlos (sempre presente para resolver... tudo), o Freixo (a imaginar a luz), o Armando (para me compor o laço e se preocupar comigo), o Eduardo (com as suas engenhocas sempre inacreditáveis), o César (que ontem se esqueceu da gaita de foles. Ó homem, esquecer-se da gaita?!) e tantos outros. O teatro é sempre um trabalho de equipa e a minha equipa é óptima (eu sei que há quem não suporte ler elogios destes!). Sempre trabalhei com equipas, no teatro, e sei que são essenciais (neste caso eu sou, apenas, o actor e encenador).
Estamos a falar de duas pequenas peças de V. Sanches que, graças ao esforço daquela gente, irão ser estreadas um dia destes (9). Espectáculo simples e despretensioso que visa divulgar o trabalho de um dramaturgo português tão esquecido.