Segunda-feira, Abril 05, 2010

Casas e casos: Sócrates, de novo

A Guarda vem hoje no "Público", por via de... Sócrates. José António Cerejo, um competente jornalista de investigação, publica um artigo elucidativo acerca da actividade do engenheiro Sócrates no concelho da Guarda. Apoiando-se na documentação existente na Câmara da cidade, o jornalista revela que Sócrates assinou 21 projectos de casas quando era deputado com exclusividade. Por outro lado, apoiando-se em pareceres técnicos, a Câmara afastou Sócrates da direcção de obras e repreendeu-o em 1990, por "desleixo profissional". O artigo de Cerejo é muito rigoroso e mostra-nos um Sócrates-engenheiro de uma falta de qualidade e de responsabilidade (não acompanhava os projectos) que nos chega a preocupar. Cerejo completa o artigo principal com outro intitulado "História de lapsos, enganos e clientes que nunca o foram". Um amontoado de episódios que mostram (pelo menos a mim) que tipo de pessoa era (é?) Sócrates.
Este trabalho de Cerejo junta-se a outros que nos elucidam acerca dos procedimentos e comportamentos da pessoa que é o nosso Primeiro-Ministro. Por muito que se berre contra os jornalistas, factos são factos.
Convém recordar que este trabalho jornalístico só foi possível pelo facto do Tribunal ter obrigado a Câmara da Guarda a abrir os arquivos ao jornalista do "Público". A Câmara da Guarda, num primeiro momento, inviabilizou na prática o trabalho de Cerejo. Considero, como cidadão da Guarda, que a tentativa de dificultar o acesso a documentação de interesse público (o homem governa-nos, caramba!) foi um erro do anterior executivo camarário. Que nada adiantou (a não ser ter contribuído para uma má imagem da Câmara, que já estava abalada pelo facto de um dos seus antigos presidentes ter sido preso por corrupção), pois Cerejo acabou por investigar e publicar. Ainda bem, pois nós temos direito à verdade, doa a quem doer.
Julgo que o assunto não está suficientemente esclarecido, pois faltam apurar as responsabilidades/cumplicidades locais. Mas esse é um assunto tabu e como não há investigação jornalística local... ficamos a conhecer, apenas, o envolvimento de Sócrates.

PS. O Gabinete de Sócrates (apesar de não ter respondido, na altura certa, ao "Público") já veio dizer que o engenheiro não recebeu dinheiro pelos trabalhos citados, que considerou ter feito a pedido de amigos. Acredito. Mas alguém teve de receber o dinheiro pelo trabalho (mal) feito. Os amigos? Tema que dava uma oportuna reportagem.
PS2. Na reportagem do "Público" revela-se o exemplar comportamento da Repartição Técnica e dos seus directores (eng. Almiro Lopes e arq. Maria José Abrunhosa, por exemplo) que sempre escreveram o que deviam escrever!

4 comentários:

Anónimo disse...

em vez de andarmos a inventar armários e patrimónios judaicos..., homenagem nacional e da beira dita 'interior' à saudosa arquitecta Maria José Abrunhosa
a voz da diferença na destruição total do nosso modelado cultural
?
pedro salvado

Anónimo disse...

Os elogios a este género de investigação jornalística podem ser perigosos. Afinal já todos percebemos que a relação existente entre Sócrates e Cerejo só eles entendem. Quem lê "Cerejo a respeito de Sócrates" e vice-versa fica na dúvida sobre os motivos de uns e de outros e sobre quais as verdadeiras razões de tanto entusiasmo. Quanto a esta matéria do jornal O Público, penso que foi mais um momento de vaidade jornalística e de rentabilidade dos recuros anterimormente investidos.
Sendo mais concreto: Qual foi
a inovação referente a qualquer dos assuntos tratados anteriormente? Nada. Tudo já tinha sido escrito e o que se acrescenta agora é matéria do passado. Mas enquanto houver quem leia o jornal agradece.

Anónimo disse...

Quem disse que escreviam o que devia? Que provas tem para afirmar isso? Opinião? Onde está o seu rigor?

Ainda continua a contecer isso n asua entidade patronal?

Você é um homem de coragem e por isso admiro-o, mas responder Às questões que coloco é que seria relevante

Anónimo disse...

Um cidadão como o Dr. Américo, sempre disponivél para ajudar a melhorar a nossa cidade, devia começar por impôr alguma pedagogia, explicando que um «engenheiro técnico» não é um «engenheiro». Explicando a diferença...