Segunda-feira, Junho 28, 2010

Música, vuvuzelas e poder local

Ontem assisti a algo que achava altamente improvável que acontecesse, tantos anos depois do 25 de Abril. E por ter acontecido aqui fica patente a minha indignação.
Por considerar ter sido uma excelente ideia fui ontem assistir ao concerto de música erudita que a Fundação Trepadeira Azul promoveu na Quinta de Sto. António, freguesia de Aldeia Viçosa, no fantástico Vale do Mondego. Poder ouvir boa música naquele enquadramento tão belo era um raro privilégio e eu não podia perder essa oportunidade. Mal eu sabia que a noite acabaria estragada.
De repente, ao portão da quinta e de acesso ao concerto, o presidente da junta da Aldeia Viçosa (Baltasar Lopes) vociferava. Aos berros e num ambiente de grande agressividade declarava que "só por cima do seu cadáver" ali se faria o concerto. E explicou o plano: ele e os acompanhantes tocariam "bobozelas" durante o concerto, de forma a impedir que ele se realizasse. O homem insultava o promotor do concerto (por questões estranhas à iniciativa) e os assistentes ("bananas" foi o mais meigo que lhes chamou) e vinha com um propósito declarado: impedir que os assistentes ouvissem o concerto. Impediria, com os seus gritos e com as tais "bobozelas", que os espectadores tivessem acesso ao concerto. A cena era inacreditável: Baltasar aos berros e a soprar na "bobozela" num ambiente caceteiro e arruaceiro. Os argumentos (?) que levaram Batasar a ter aquela iniciativa de boicote a uma iniciativa devidamente autorizada são do domínio
judicial e, portanto, não chamados para ali (Mário Martins tem ganho as acções que interpõe, e isso há-de significar alguma coisa). Assim, Baltasar, no fundo, protestou aos berros contra decisões judiciais... boicotando activamente um ... concerto de música erudita. Ninguém se lembraria disso mas... este presidente da junta lembrou-se!!! Ele e o grupo criaram uma situação de ameaça, de insultos, de pressão psicológica insustentável. Quem chegava deparava com aquela cena. O medo pairava no ar. A intimidação era tal que os espectadores se sentiram ameaçados com a atitude do presidente da junta Como é possível que um autarca boicote (assumidamente) uma iniciativa que promove a sua terra? Quem se revê no se comportamento de intimidação e de força?
O concerto não podia começar e então chamou-se a GNR, que prontamente explicou ao autarca o absurdo da situação. Espectadores mais afoitos tentaram que Baltasar percebesse o desequilíbrio da cena, mas ele não queria ouvir ninguém. Há uma centena de testemunhas do seu comportamento (uma vereadora da Câmara, um deputado municipal e gente de todo o país, que não queria acreditar no que estava a acontecer). O homem não se acalmou com a GNR: afirmou que continuaria a tocar "bobozela" pois ninguém o poderia prender por comemorar a vitória da... Argentina. Dito isto, a GNR (que parecia conhecê-lo) percebeu que tipo de pessoa estava a enfrentar. Baltasar declarou ainda que pagava as multas que fossem precisas (só pode haver ruído até às 22 horas). A GNR não o deteve apesar da atitude de desafio à autoridade.
Decidiu-se e bem que o concerto começaria. E o que aconteceu é inimaginável: apesar da presença da GNR o som das "bobozelas" sobrepunha-se aos temas de rara beleza. Com requintes de malvadez: as "bobozelas" espalharam-se à volta da quinta, como se cercassem aquela iniciativa artística e... nos cercassem ( a nós que fomos ouvir... um concerto). Só no tema final se calaram as cornetas. Finalmente.
Eu sei que este assunto é um caso de polícia mas é também um caso de política. Que dirá o presidente da Câmara, que autorizou o concerto? Baltasar não se cansou de dizer que " a culpa era da Câmara que apoia isto. Que fará a Câmara depois desta cena? E o senhor Governador (garante da "ordem") que dirá, ele que é um democrata? Calar-se-ão todos? Como se calaram, ontem, os moradores de Aldeia Viçosa, envergonhados pelo facto de um representante do poder local proceder de uma forma que... nos envergonha a todos?

33 comentários:

pedro fiuza disse...

ó meu deus...

FT disse...

Visto de fora e por quem, sendo da Guarda, está longe, parece-me faltar apenas descrever os argumentos (deve-os haver) do autarca para tomar tal posição.
Mesmo sendo do foro judicial, penso que seria louvável que, caso os conheça, os expusesse à plateia do blogue.
Eu, que o leio com interesse, agradecia o esclarecimento.

Cumprimentos,
Telmo Frias

Anónimo disse...

Concordo com Telmo Frias.
Não se pode ver a questão de um só lado.
Provavelmente estão ambos, presidente da junta e presidente da trepadeira, um para o outro.
Só é de lamentar que o sucedido tenha prejudicado o trabalho dos intérpretes, que nada têm a ver com a situação.

Américo Rodrigues disse...

Caro Telmo Frias:
Os "argumentos" para o boicote, pela "voz" do presidente da junta:
- "por causa dele (Mário Martins) pagámos várias multas e fomos condenados em Tribunal"
-"esse gajo já veio corrido de ??? e quis acabar com a nossa festa religiosa por que dizia que os foguetes assutavam as suas borboletas!"
- "ele tira-nos fotografias e faz queixas de nós e nós andamos a pagar multas".

Os "argumentos" são deste tipo. Têm a ver com questões de ordem ambiental (MM é o responsável pela Fundação Trepadeira Azul") e patrimonial. Ao que sei MM intentou uma acção contra responsáveis de uma festa e o Tribunal deu-lhe razão.


De qualquer forma considero que mesmo que tais argumentos tivessem pingo de sentido nada justificaria a acção do presidente da junta em boicotar um iniciativa de cariz cultural prejudicando terceiros.

Anónimo disse...

Estão pois um para o outro como diz o leitor das 14:19

Américo Rodrigues disse...

Sou indiferente à argumentação do senhor presidente, pois são contas de outro rosário. O acto que praticou não pode ser "branqueado", com base numa remota possibilidade de senhor ter alguma razão ou de "serem todos iguais". Não, nessa não alinho. Divergências judiciais esclarecem-se no Tribunal. Ali havia um concerto que não fazia mal a ninguém!!!
Por outro lado quem vi a tocar vuvuzela e a boicotar foi o presidente da junta. Mário Martins estava sereno e na sua propriedade.

Se há assuntos a esclarecer entre os dois... que os esclareçam. Mas não com gritaria, ameaças e em ambiente de violência latente.

Por outro lado, o comentário que fiz não é favor de ninguém, como se pode confirmar. É contra a atitude de um autarca!

Por fim: quem assim procede acaba por perder a razão. O que o presidente conseguiu foi que os assistente deixassem de acreditar nele. Uma mulher chegou a dizer-lhe: "Mas o senhor é o presidente da junta? Era a última coisa que imaginava era ver um presidente a tocar vuvuzela num concerto!".

natalia bispo disse...

Um concerto numa envolvente de paisagem puramente campestre...mas... com sons e cenas irreais...podem crer!

Rui Sousa disse...

Nem dá para acreditar...

Como é possível numa freguesia tão bonita haver pessoas assim!

Anónimo disse...

esse baltazar também já é dono da aldeia viçosa e da praia fluvial e do rio mondego.
já trabalha ou é só presidente profissional?

Anónimo disse...

Verdadeiramente surreal!
É por essas e por outras que eu tenho tanto medo da regionalização. Isso que descreves é autêntico caciquismo. Ao menos espero que o homem soprasse bem na “bubuzela”;(

Pertenço a uma associação de defesa do ambiente – Vento Norte, e sei o que é mexer com determinados interesses. As nossas autarquias AINDA não querem saber das questões ambientais – acho que não dão votos, mas nunca assisti a nada desse calibre!

Ao presidente da Trepadeira Azul, que não conheço, dou desde já os meus parabéns. Para deixar um homem nesse estado “tresloucado” é sinal que o vosso trabalho é importante!
Maria

trepadeira disse...

Quero agradecer ao Café Mondego a denúncia.
Não,não estão um para o outro.
São afirmações assim que nada querem explicar,tudo querem desresponsabilizar,evitando esclarecer,racionalmente,as situações.
São afirmações assim,de aceitação e fechar de olhos que tem levado a ditaduras da pior espécie.
Não quero ser melhor ou pior do que quem quer que seja.Quero ser diferente.
Não confundo caciquismo,abuso de autoridade e abuso de poder com democracia.Nunca fui ditador,fascista ou explorador do próximo.Também nunca vivi de expedientes ou à custa do trabalho de outros.
A Fundação Trepadeira Azulé uma ONG,sem fins lucrativos e com o objecto social de "preservação da natureza também pela cultura".
Vive do trabalho de mais de uma centena de voluntários,especialistas e professores universitários que o fazem por lhe reconhecerem grande importância.
No cumprimento do objecto social,e em consenso,por não ser possível qualquer diálogo(embora tentado recebemos apenas atitudes de pouca ou nenhuma educação)recorremos a uma providência cautelar,para evitar a matança de todas as crias de aves,na fase de incubação,por foguetes de grande intensidade.Não sendo fabricados na região,por ilegais,foram buscar ao litoral bombas com 75 gramas de explosivo,bombas essas proibidas (fabrico e utilização) desde 86.Foguetes esses lançados propositadamente e ilegalmente para dentro da propriedade da fundação.Julgo que a sensibilidade e interesse pela preservação da natureza está bem claro na frase,várias vezes vociferada aqui à porta "borboletas e passarada é para matar tudo".
O acordo feito em tribunal nunca foi cumprido.
Este ano,por iniciativa da Comissão de Festas,foi obtido um acordo.Não tendo resolvido inteiramente o problema permitiu,pelo menos,a sobrevivência de algumas crias de aves.Aconteceu pela primeira vez em dez anos.Algumas das aves estão protegidas pela directiva comunitária AVES.Acresce que a zona onde são lançados os foguetes é considerada,no Plano de Ordenamento do Parque Natural da Serra da Estrela,ZONA DE INTERVENÇÃO ESPECÍFICA,estando expressamente proibidas actividades perturbadoras da fauna e flora.
Não sobreviveram mais porque,o mesmo grupo ou parte dele,poucos dias depois da festa,a depropósito e ilegalmente,foram lançar foguetes para o cume da serra.
Os processos e multas referidos,resultam não de qualquer procedimento judicial da Fundação ou do seu Instituidor mas,isso sim,de autos levantados pelo SEPNA da GNR pelo lançamento de lixos e entulhos de forma continuada e ilegal com total abuso de poder e desrespeito pela lei,pelas autoridades e pelo ambiente,em frente da Capela de Santo António.
Era autuado e avisado hoje e passados poucos dias voltava a fazê-lo no mesmo local.Repetidamente.Imagino eu que ninguém gostará que lhe façam,ostensivamente,uma lixeira à porta,ainda por cima num Parque Natural e REDE NATURA 2000.
Julgo ter esclarecido algumas dúvidas a quem quer ser esclarecido.
Ao contrário dos anónimos,sempre assinei o que digo e escrevo.
Cordialmente,
mário

kim tomé disse...

Deixamos o nosso país ser governado por pessoas que não tem cultura e que destroem o património de todos.
Estamos nas mãos de gente sem escrúpulos que prepotentemente destrói tudo o que de melhor temos.
Como dizia o Rei de Espanha, "a diferença entre os Portugueses e os Espanhois é que os Portugueses embolam os bois os Espanhois lidam-nos em pontas".
Somos um povo sem cultura que permite que tudo se destrua em nome da mediocridade de alguns.
Assim se destrói um país!

Anónimo disse...

Quando tudo vem de cima o que se espera???
São estas personalidades que acabam por governar o País ou não são estes o suporte dos que estão mais acima na hierarquia?

Anónimo disse...

Uma sugestão se me permitem: vamos substituir os burros da política por borboletas! Assim a Guarda fica mais verde.

Já agora os presidentes (trepadeiro e da junta) trabalham ou somos todos nós que lhes pagamos o ordenado?

Anónimo disse...

Há pessoas que tendo nascido sob a ditadura nunca foram capazes de assumir a democracia e continuam a querer impor as suas ideias: verdadeiros caciques locais querendo controlar tudo e todos. Infelizmente há mais por aí! Um abraço solidário ao amigo Mário Martins.
JM

Anónimo disse...

É vergonhoso um autarca ter uma atitude dessas. Será que também é assim que resolve os restantes problemas da freguesia?

Lénia

César Prata disse...

Américo... A situação descrita é incrível e muito, muito triste. Tenho pena que estas coisas aconteçam na Guarda. Nenhum motivo justifica atitudes destas.

FT disse...

Agora que conheço, pelo menos pela rama, os argumentos que o autarca usou para o boicote, não posso deixar de condenar a atitude sem nexo, despropositada e que, certamente, envergonha os habitantes da freguesia.

Por outro lado não posso deixar de comentar uma frase de Américo Rodrigues (14:27): "nada justificaria a acção (...) em boicotar um iniciativa de cariz cultural prejudicando terceiros".

Não posso discordar mais desta afirmação. Toda a gente tem o direito à indignação e a insurgir-se contra o que entende não estar correcto. Mesmo que possa prejudicar terceiros! Obviamente que nesta situação e olhando para a forma como o fez, não tem qualquer cabimento e, pelo que sei, os argumentos não fazem sentido algum...

Se assim não fosse, como poderiam as classes reivindicar os seus direitos? Reivindicar é um direito que nos assiste! Convém é ser feito com modos, sem violência (verbal, psicológica ou física).

Fica o meu singelo reparo...

Cumprimentos,
Telmo Frias

Américo Rodrigues disse...

A Telmo Frias:
Talvez não tenha percebido o assunto. O que aconteceu não foi uma greve ou uma manifestação autorizada e com propósitos claros de reinvidicação. O que aconteceu foi um boicote (através de vuvuzelas e gritos) a um concerto clássico. Tão só.

Américo Rodrigues disse...

Como se previa, as "tropas" já foram arregimentadas. Várias anónimos já me bombardeaream com insultos. Porém, só serão aqui publicadas as opiniões que respeitem as partes envolvidas.
A esse propósito, quero esclarecer algumas coisas:
- o povo de Aldeia Viçosa merece todo o respeito, como é óbvio.
- a minha posição é tomada como espectador que assitiu a toda a cena e que foi impedido de usufruir plenamente de um espectáculo.
- Na ocasião falei com o Sr. Baltazar, dando-lhe conta do despropósito da acção. Disse-lhe também que a "a mim não me mete medo".
- Não tenho nenhum tipo de relacionamento pessoal com o Sr. Baltazar.Tenho, há muitos anos, uma opinião altamente negativa da sua acção pública. Nunca votaria nele.
- Há anos, o senhor Baltazar esteve na origem de uma proposta que me afectou. No entanto, fê-lo com toda a legitimidade, razão pela qual nada tenho contra ele, nesse particualar. Agiu também com correcção formal. Outra questão é a ética e a moral.
- O pagamento do concerto foi feito pela Trepadeira Azul, tendo leiloado um quadro para suportar as despesas. O TMG não gastou um cêntimo nesse concerto, como pode ser confirmado. Emprestou estantes musicais e cadeiras.
- O concerto, do ponto de vista artístico, era excelente.
- O concerto tinha as devidas autorizações afixadas na porta. Não carece de autorização de pgamento de "direitos de autor" pois os compositores são já do "domínio público".
- O que está em causa foi a forma trauliteira que Balatazar encontrou para protestar contra Mário Martins. A preocupação de Baltasar não é com "direitos de autor" (seria uma novidade esse interesse). Porém, devia ter usado os tribunais ou outros mecanismos para esclarecer as divergências com MM.
- Baltasar foi o responsável por um episódio grotesco que a GNR pode testemunhar. E para isso não há qualquer justificação.
- Conheço há pouco Mário Martins. Nada sei da sua vida. Nem isso me interessa, como não me interessa a vida pessoal de Baltazar.
- Colaborei com a organização do concerto nas minhas pequenas possibilidades da mesma forma que colaboraria com alguma iniciativa de qualidade que o sr. Baltazar realizasse.
- O sr. Baltazar deveria pedir desculpa ao público e músicos presentes pelos transtornos que causou. No que se refere ao resto (as queixas que tem contra MM) se está confiante na justeza das suas convicções deve continuar a pugnar por elas. Com correcção e respeitando os outros.

Anónimo disse...

e de quem era o quadro?

Anónimo disse...

nao discordo da forma de protesto , nem discordo da forma como o protesto foi encarado!acho simplesmente que devem existir problemas entre eles(mario e baltazar), e embora se tenha prejudicado o decorrer do evento foi possivelmente a unica e mais facil forma de demonstrar o desagrado perante situaçoes tristes que o senhor mario fez passar a populaçao de aldeia-viçosa!todas as pessoas tem problemas e tentam sempre resolve los , nao pensando em terceiros como diz americo rodrigues , que oncerteza ja teve os seus problemas /rivalidades com alguem que tentou resolver prejudicando assim outras pessoas

sem mais argumentos me dispeço

anónimo

trepadeira disse...

Boa tarde.
Ao anónimo das 21,44:
O "trepadeiro",que por acaso tem nome e usa-o,sempre,por baixo daquilo que escreve,nunca viveu de esquemas ou,à custa do trabalho dos outros,trabalhou mais de 37 anos,até se aposentar.Não beneficia de qualquer reforma política de excepção,ou de subsídios e senhas de presença.
A Fundação Trepadeira Azul nunca recebeu qualquer donativo,subsídio ou outro proveito do erário público,pelo trabalho que faz.
E comparando com outras instituições,das tais que recebem do orçamento sem se saber muito bem para quê,talvez,perdoando-me a imodéstia,o merecia:
a)Regista e cataloga as fauna e flora do Vale do Mondego,com a ajuda de mais de uma centena de voluntários,professores,especialistas e técnicos.
b)Divulga-a,em fotografia,por todo o país,com especial atenção às escolas.Exposições em Guarda (várias),Bragança (Escola Superior de Educação),Torre de Moncorvo,Vinhais,Vila Franca de Xira,Celorico da Beira,etc.,etc..
Divulga-a,também no blogue com visitas de todo o mundo.
Ao divulgar as imagens,divulga também a região e o país.
A importância do número e qualidade das visitas ao blogue está reconhecida,nos pedidos de divulgação de iniciativas culturais,desde o Museu da Presidência da República ao Museu de História Natural da Faculdade de Ciências de Lisboa.
Para quem estiver interessado o relatório de actividades está publicado.
Concordo com a sugestão de substituir alguns por borboletas.
mário

Américo Rodrigues disse...

Um anónimo pergunta de quem era o quadro leiloado que serviu para pagar o concerto. Foi dito na introdução ao concerto que era da autoria de José Carlos Midões.
No entanto se quer mais explicações por favor contacte a Fundação Trepdeira Azul.

trepadeira disse...

Olá.

Ao anónimo das 12,35,pedia o favor de ler o comentário que escrevi a este post.Ficará assim com mais elementos de análise.

Depois,se quiser algum esclarecimento prestá-lo-ei com todo o gosto.
mário

godgil disse...

Ao contrário de alguns comentadores que aqui li, não me surpreende nada esta actuação do presidente da Junta de Aldeia Viçosa e seus capangas. Este senhor reúne todos os ingredientes de um cacique trauliteiro da pior espécie. O seu percurso político ziguezagueante e oportunista fala por si. Mas são os tiques de capataz feudal, que "governa" uma freguesia como se fosse o seu quintal das traseiras, aquilo que melhor o definem. Só ainda não renunciou ao cargo com medo do que se possa vir a encontrar quando sair. Alguns elementos da Junta que conheciam o fundo do poço acabaram precisamente por se demitir. Mas há mais. Na aldeia, à semelhança de muitas outras, praticamente não há exigência de licenciamento para obras particulares. Ora, num caso que estou a tratar e que, por razões deontológicas, não identifico, discute-se o que levou o citado "Plesidente" a dar o dito por não dito. Isto é, depois de ter posto nos píncaros um projecto de recuperação de um imóvel, vem depois a criar, abusivamente, todo o tipo de obstáculos à sua concretização, só porque um amigalhaço que habitava ao lado não gostou de ver aquilo que pensou ser uma janela. A seu tempo, as manobras referidas serão devidamente publicitadas, pondo a nú uma situação intolerável e de abuso de poder. Seja como for, pude aperceber-me que há imensa gente descontente na aldeia com a actuação do actual Presidente, mas que publicamente têm medo de expressar.
Quanto à Fundação Trepadeira, tanto quanto sei, tem feito um trabalho notável, sobretudo de carácter ambiental e cívico. É de saudar igualmente esta iniciativa cultural.

Anónimo disse...

"Sempre ganha quem permanece sereno"

Doctor Spider disse...

E pensar que, por este país fora, a nível local e central, somos "liderados" por gente assim!...

A cultura sempre foi algo que incomoda. Incomoda porque desperta ideias, faz ver mais além, educa, forma cidadãos mais críticos e mais interventivos. No fundo, cria cidadãos que exigem mais e isso, para que está no poder, é uma ideia pouco bem-vinda...

Anónimo disse...

Por outro lado, não posso deixar de comentar uma frase de Américo Rodrigues (14:27): "nada justificaria a acção (...) em boicotar um iniciativa de cariz cultural prejudicando terceiros", referindo-se à actuação do autarca. No entanto, apresentar uma previdência cautelar para impedir a realização de uma festa popular, não se enquadra também na frase em epígrafe? Cultura será tão somente, espectáculos eruditos para alguns? Em prol da defesa das borboletas? Longe vão os tempos das caçadas com os amigos em Chaves...

Américo Rodrigues disse...

"Providência cautelar" é uma ferramenta legal.
O que o senhor Baltazar fez é, apenas, arruaça!
As diferenças são abissais. Se o sr. Baltazar quer lutar contra o sr. Mário Martins use os dispositivos legais que estão à sua disposição e não prejudique terceiros.

Anónimo disse...
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Anónimo disse...

Anónimo disse...Sou visitante esporádico do blogue da fundação Trepadeira Azul. Na "visita" virtual de hoje, vi que se tinha feito um concerto de música clássica, promovido pela Fundação (o mesmo é dizer, por Mário Martins) e o mesmo tinha sido boicotado. E acabei por vir parar a este excelente blogue, onde li mais sobre o assunto. E nem quis acreditar! Parece-me indubitável que houve uma atitude de boicote deliberado, por certos antecedentes. E parece-me óbvio que Américo Rodrigues tem toda a razão ao dizer que nada o justificava. Parece-me que as questões de MM (que conheço há muitos anos e de quem sou amigo, sem que todavia ele me tivesse falado neste assunto, e MUITO MENOS!, me tivesse encomendado este "sermão") com o dito presidente da Junta, foram resolvidas em sede própria: os tribunais! É patente que o que aconteceu, no caso vertente, foi "resolvido" não por essa via, mas na RUA. Ora isto tem um nome, que deriva de rua: "ARRUAÇA!" (como aqui já foi dito por alguém) e quem o pratice é, obviamente... "arruaceiro"! Que o dito sr. presidente da Junta mandasse uns rapazes fazer barulho e tocar vovozelas, seria esperável de quem tem o conceito de exercício destes cargos como algo similar ao de "xerifado" (do tipo Western do séc. XIX, uma vez na América, ou até no séc. XX - basta ver o Rambo I). Mas, prestar-se o dito sr. presidente da Junta a esse papel, em nada dignifica um cargo que já há muito anda pela rua da amargura, pois é fácil o mais pitoresco chefe de tabanca, por processos habilidosos, ser eleito para esses lugares, infelizmente cada vez mais ermos de massa crítica (resultado da desertificação do interior) - lembram-se daquela personagem ridícula do Herman, que se dava ares de importante, com a famosa frase "Porque eu é q sou o Prrresidente da junta!" ?...
- poix, assim não vamos lá.
Aproveito para mandar um abraço ao amigo Mário e que continue as fazer coisas interessantes que tem feito, como aquela excelente exposição das Borboletas que aqui nos trouxe (às suas expensas, transporte e tudo). Às vezes mais valia fazer como muitos dos outros reformados, ler o jornal (a Bola, de preferência), ir para o tasco jogar à bisca-lambida e dar ao chinelo banalidades sem interesse. Pode crer que assim era muito mais popular(ucho) e o dito p.J. até o convidava para fazer parte da lista dele. Agora assim, meu caro, escolheu o caminho mais difícil: o caminho das pedras, como bem sabemos os que andamos nisto. Mexe com questões de territorialidade, de protagonismos feridos, etc., e daí ao enfrentamento pela via do quero-posso-e-mando é só um passo. E se por acaso se se recorre a vias judiciais, "só lança no fogo mais lenha", como diria o Camões sobre o Perdigão.
Se me permite um conselho, meu caro, a melhor arma, para estas coisas, é a indiferença, na convicção de que "vozes (ou vovozeladas) de burro, não chegam ao Céu" (bradam ao Céu, isso sim).
Com um abraço, extensivo ao corajoso autor deste blogue, que não tenho o prazer de conhecer pessoalmente, mas a quem saúdo pela sua assertividade e correcção no tratamento deste assunto, inclusive dando voz a opiniões divergentes. Peço-lhe desculpa pelo espaço que lhe tomei.
N.Campos

10 Julho, 2010

Anónimo disse...

Hoje voltei a este blogue,e li os post's posteriores sobre o mesmo assunto - e soube do extremo de retaliação que foi levado sobre o Dr. Américo Rodrigues, com propostas de cortes orçamentais! É inaudito!!! Afinal para que é que serviu o 25 de Abril, o 5 de Outubro? Está tudo ao gosto e ao modo do pior caciquismo e caceteirismo de séc. XIX!... Afinal onde é que fica a Guarda? - um Far-East de capangas e pistoleiros que procuram expulsar da região quem "se mete com a gente"? - E alguns comentários postados no blogue (que o administrador democraticamente até publica) são de vómitos, pois q tocam as raias do insulto soez...
Caros Américo e M.Martins, fujam daí depressa porque decididamente essa terra não vos merece.
Cps.,
N.Campos