Esta história "está-me aqui atravessada". Aqui, na garganta. Se não falo dela, não me vejo livre... dela.
Há uns tempos, uma entidade pública e respeitável contratou uma empresa para fazer um determinado serviço (desconheço se houve concurso, como a lei obriga, pois é sempre a mesma empresa a fazer o mesmo serviço). O serviço custava 5000 euros. O dono da empresa, que tinha muito trabalho nessa altura, não esteve com meias medidas e convidou duas pessoas a fazerem o servicinho, fornecendo ele o equipamento. Pagou-lhes 3000 euros. Que pessoas?
- um funcionário da entidade oficial contratante, que estava de baixa médica.
- um técnico da área que tinha "metido" a entidade pública em tribunal, num processo de aproveitamento das fragilidades da lei do sector.
Se em relação ao segundo pouco há dizer do ponto de vista da forma, no que se refere ao primeiro e à estranheza da situação muito haveria a comentar.
"Armado" em cidadão e alertado por outros contei a situação a um dos responsáveis da entidade oficial, aliás, pessoa honesta. Não só desvalorizou a situação (já a conhecia!) como não fez nada para a resolver. Ou seja, quando o homem honesto e "público" nada faz... o mundo (a Guarda) só pode piorar.
O mundo será dos oportunistas sem escrúpulos? Que há-de um cidadão fazer se ninguém se rala com expedientes e desonestidades várias? Calar-se?
Obviamente, o homem público com quem falei desiludiu-me profundamente. Nada fazer é a pior atitude. Torna-nos cúmplices. Ele devia saber disso.
8 comentários:
É assim que se chega a presidentes de qualquer coisa...de concelhias de federações...de partidos...de institutos...
O problema disto tudo é que somos um povo submisso, invejoso, falso,dependente,e mesmo aqueles que aparentemente o não são já foram engolidos por este sistema.
Mais grave ainda os presidentes de qualquer coisa representam o pior que temos que são os dependentes os falsos e os submissos, a larga maioriua da população e o país que temos é reflexo disso.
Depois há os outros que já não ligam nenhuma a isto e só pensam que os seus descendentes devem ir daqui para fora , e até Marrocos já é melhor.
Peço desculpa ao anónimo que "identificava" a situação por não publicar o seu comentário.
Eu não quero prejudicar nenhum dos envolvidos (por isso não os identifiquei) mas sim chamar a atenção para determinados comportamentos... e responsabilidades (ou a sua ausência).
Trabalhar por via de biscato indirecto para a entidade/organismo/empresa que lhe paga o ordenado recorrendo a baixa, ou mesmo estando de baixa real, e com isso tirar proveitos, o mesmo não tirando proveito nenhum em termos financeiros, é não só imoral como é ilegal.
Numa empresa dava direito a despedimento com justa causa, sem esperar sequer pelas novas causas atendíveis.
Num organismo público, pelos vistos tudo passa ao lado, mesmo que comprometa os deveres de correcção e lealdade.
Tanto é culpado o funcionário como os chefes.
Tudo isto gera imoralidade e desconfiança entre pares e dos cidaddãos para com o organismo.
Se o funcionário não é responsabilizado, demitam-se os chefes que o não responsabilizam.
Vale para este caso e para todos os casos
Bem se nos limitamos a lamentar os factos e não agimos, denunciando a quem de direito, somos então parte do problema, se não querem denunciar claramente o melhor é estar calado!
Falar é facil ter a coragem de denunciar é mais complicado...
agora so falta:
1. igal
2. PJ
como querem melhorar o mundo? Com comentários anónimos?
há a lei dos contratos públicos que permite a adjudicação directa, sem concurso público até um determinado valor, bem alto, devo dizer! até 50 000€ penso eu.
A alguns anónimos:
- Como sabem se o assunto não foi já denunciado no sítio certo? Se o "sítio certo" não fez nada há-de assumir as responsabilidades desse acto de silenciamento.
- O blogue foi usado para denunciar publicamente uma situação que acho reprovável. Não me parece que seja aqui o lugar para dizer nomes. O que adiantaria?
- Os raivosos do costume aproveitaram para me morder as canaelas. Este post é um acto de cidadania (condição que não está à venda) e não trai a confiança de ninguém. Isso é colocar o assunto ao contrário, pois quem está chocado sou eu! Só faltava que os responsáveis pela situação ainda se sentissem "ofendidos"!
Por outro lado, caro anónimo moralista que me enviou um post impublicável: está enganado em relação à situação laboral da pessoa de quem fala. Ela não está na minha dependência mas sempre lhe digo que cumpre tudo o que foi estabelecido com a tutela em relação a horários e funções. Resta-me dizer que é miserável a sua técnica. Tenho nojo de pessoas assim!
É inacreditável ( e sintomático) que haja quem se preocupe mais em desejar que a entidade (hipoteticamente) referida "acerte contas" comigo do que em condenar e prevenir actos como os que descrevi. Para algumas pessoas o que referi não é sequer condenável. Ao contrário, a sua denúncia é que devia ser punida!
Não contem comigo para qualquer silenciamento ou branqueamento. Doa a quem doer (já alguns "amigos" deixaram de o ser por praticarem actos eticamente ou legalmente condenáveis). A minha consciência não tem preço. Prefiro ter meia dúzia de labregos agarrados às canelas a ser considerado cúmplice de desonestidades. Portanto, não tentem calar-me. Seja quem for.
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