De regresso de Coimbra, paramos (eu e a minha mãe) num restaurante perto de Penacova. Melhor, numa "casa de pasto". Depois de alguma hesitação decidimos ficar e partilhar a mesa com três desconhecidos. Nos primeiros dez minutos não trocámos qualquer palavra, eles empenhados em dar cabo de um cozido à portuguesa e nós evitando engolir as inúmeras espinhas de um pargo.
A certa altura, a senhora diz-nos: "Sabe, este é o padre da nossa terra e este é o meu marido que é operado amanhã!" Estava quebrado o gelo e a conversa decorreu à volta do tema "hospitais e maleitas". O homem que ia ser operado era serralheiro mas gostava muito de cozinhar e usar e abusar de ervas aromáticas. A mulher, porém, detestava "ervas", especialmente "orégãos" ... porque lhe faziam lembrar... escaravelhos! Foi ela que explicou porque estavam ali: era ela quem ajudava o vizinho padre em tarefas como "coser bainhas das calças". O cura decidiu agradecer-lhe os favores convidando o casal para um almoço.
Não conversámos mais do que dez minutos. Contudo, o padre disse-nos que quando passássemos pela sua terra tinha todo o gosto em receber-nos em sua casa. O serralheiro/cozinheiro parou de emborcar o digestivo para completar: "E eu posso preparar um petisco. De carnem porque às visitas oferece-se carne"!. A mulher quando saiu quis dar um beijo à minha mãe e a mim também, rindo: "como a sua mulher não está cá...".
E lá foram embora. Nós ficámos a pensar: "É engraçado! Afinal, ainda há pessoas boas"". Sensibilizou-nos o gesto. E alegrou-nos o dia! História lamechas? Que seja: gostei de encontrar estas pessoas. Genuínas e boas.
4 comentários:
Tem toda a razão; ainda há pessoas simpáticas e acolhedoras. Foi foi um testemunho bonito da vida real. Gostei!
"Lamechas", além de gostar do título...gostei da cena contada como só o Américo Rodrigues sabe.
As pessoas simples e boas...transmitem-nos este tipo de sensações que marcam momentos simples...mas especiais...
mesmo com esse ar.. inda há quem simpatize contigo. heheheheh. Até o meu pai te achava piada.
Mas também tem que se ser especial e ter sensibilidade... para aceitar este género de "Lamechas".
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