Na próxima sessão da Assembleia Municipal da Guarda, a realizar na próxima sexta feira, vai ser discutida e votada a seguinte proposta:
"Ponto nº. 2.8
«Discussão e votação de Moção proposta pelo senhor
Deputado Municipal Baltasar Lopes, nos termos da Proposta subscrita
pelos Grupos Municipais do PS e do PSD e aprovada na sessão da AMG de
24.09.2010»:
«Moção de Repúdio
Considerando que os membros desta Assembleia foram, todos eles, eleitos
democraticamente; que, por isso, representam legitimamente os seus
eleitores, tendo sempre votado em consciência - o que aconteceu na
Assembleia Municipal realizada em Junho, na Freguesia do Marmeleiro -
proponho o seguinte:
Tendo em conta que o senhor Director do Teatro Municipal da Guarda,
Dr. Américo Rodrigues, tem vindo a insultar publicamente esta
Assembleia - que é constituída por Deputados Municipais e por
Presidentes de Junta de Freguesia – por esta ter votado favoravelmente
uma Recomendação de corte de verbas ao TMG, a Assembleia Municipal
da Guarda, reunida em Sessão Ordinária em 17 de Dezembro de 2010,
aprova uma Moção de Repúdio pelas afirmações insultuosas que o
senhor Director do TMG, Dr. Américo Rodrigues, tem vindo a proferir em
relação à Assembleia e aos seus membros.
a) O Deputado Municipal proponente, Baltasar Lopes"
Acontece que esta proposta está redigida a partir de uma inexactidão grave (que julgo ser intencional). É que o director do TMG não escreveu uma única linha sobre o assunto a que se refere o deputado. Nunca fez declarações públicas como director do TMG acerca daquele tema. Portanto, é formalmente e factualmente errado/incorrecto afirmar o que o deputado afirma. Aliás, o director do TMG recusou, inclusive, fazer qualquer comentário sobre o assunto dos "cortes", na altura em que isso lhe foi solicitado por uma rádio e um jornal da terra (RA e O Interior).
O que Baltasar considera insultuoso é o que escrevi no meu blogue pessoal "Café Mondego" que, antes de ser blogue, era um programa radiofónico da R. Altitude. No blogue, como tantas vezes o tenho repetido, falo como cidadão livre. E, obviamente, o que escrevo apenas me responsabiliza a mim. E jamais vincula o TMG. A separação de papéis é clara (no meu blogue pessoal falo de política da cidade, de cultura, da família, do quotidiano, do que sinto). Claramente, não é um blogue do TMG (ou do seu director), que, aliás, tem também um blogue para divulgar as suas actividades.
Percebo que Baltasar queira confundir as coisas. Isso interessa-lhe no seu afã vingativo. Porém, já acho estranho que a Assembleia (dirigida por alguém que tanto se considera intelectualmente) assuma a posição de Baltasar e tenha enviado aos deputados extensa documentação intitulada:
"6. Declarações públicas do senhor Director do TMG, Dr, Américo
Rodrigues".
É que vai-se ver e nada do que a Assembleia compila é da autoria do director do TMG mas sim do cidadão Américo Jorge Monteiro Rodrigues. Todo o material compilado é extraído do blogue pessoal do citado cidadão. Como é possível que quem dirige a Assembleia não queira ver/estabelecer as diferenças entre o direito à opinião, de Américo Rodrigues, e as posições públicas (que não existiram) do Director do TMG? Talvez alguém consiga, mais tarde, compreender o que move os protagonistas deste assunto.
Uma coisa é certa: a Assembleia (nem ninguém) não pode atribuir afirmações ao Director do TMG que ele não fez, naquela qualidade/função. É indevido e, formalmente, incorrecto. Espero que o erro seja corrigido.
Vejo a documentação que foi enviada aos deputados. Que trabalheira! Tanto trabalho para fundamentar uma moção de repúdio. E tantos assuntos importantes para o futuro da cidade à espera de serem tratados e debatidos. Mas o "meu" caso é, presumivelmente, prioritário! Não é todos os dias que se "acertam contas" com um cidadão... indefeso!
Na citada documentação (e na ânsia de bem fundamentar a proposta de repúdio) chega-se ao cúmulo de incluir posts que nada têm a ver com presidentes da junta , deputados ou Assembleia. Por que estão juntos, então, se não se referem ao mesmo assunto? Não vou dizer que Freud explicaria isso, mas, seguramente, Maquiavel teria aplaudido essa decisão. A certa altura até tive receio de ver também compilado algum poema meu ou um palavrão qualquer. Ou seja, tudo que que servisse para me "incriminar"!
Mas o mais estranho (e, na minha opinião, inaceitável numa democracia) é terem juntado também um post que... não existe. Ou seja, um post que apaguei dois dias depois de escrito, por considerar que estava apoiado em opiniões que não se revelaram fidedignas. Deitei-o para o lixo do computador e pronto. Deixou de existir, pois eu retirei-o. Porém, alguém o foi recuperar para o juntar à documentação (metaforicamente: como se alguém fosse buscar o papel amarrotado que deitei para o caixote do lixo). Inclassificável, nos métodos e na substância. E kafkiano: um papel virtual deitado para o lixo e, portanto, inexistente, é assunto de debate numa AM!
Sexta feira, a AM votará a moção de repúdio.Moção contra o cidadão Américo Jorge Monteiro Rodrigues. Será aprovada ou não. O cidadão, serenamente, espera. Não há, em todos os escritos, qualquer falta de respeito ao órgão que se chama Assembleia. Mas isso pouco há-de interessar.
PS- O senhor Presidente da Assembleia Municipal quando escreve crónicas nos jornais ou posts no seu blogue... vincula a AM da Guarda ou o Gabinete do Primeiro Ministo? Escreve como cidadão ou como assessor do Primeiro Ministro, por exemplo? O teor do que escreve é ou não da sua exclusiva responsabilidade enquanto cidadão?
20 comentários:
Força!
Deixe-os falar.
Não lhes dê a importância que querem ter, que julgam ter.
Um modesto e inconfessável auxílio:
http://www.mun-guarda.pt/index.asp?idEdicao=51&idSeccao=709&id=451&action=noticia
Todo este episódio é inacreditável!
O Réu será relaxado em fogueira pública?!
Força Américo!!
Deixe-os andar entretidos a brincar as Assembleias Municipais.
E o senhor Presidente da referida Assembleia que atente no seu ultimo artigo do jornal "O interior" intitulado "Razão e Região - Balanço", onde refere o seguinte:
"Que o leitor me desculpe, se, desta vez, uso este espaço de colaborador regular
deste jornal para escrever na qualidade de Presidente da Assembleia
Municipal da Guarda".
Pelo que me parece apenas neste artigo escreve na qualidade de Presidente do citado orgão, pelo que as restantes vezes nunca o teria feito. Américo, confesso que sou um leitor assíduo do seu blog e nunca em qualquer post o vi referir que escrevia como Presidente do Teatro Municipal da Guarda, ao que parece o senhor presidente da Assembleia Consegue nalguns momentos de ser presidente enquanto que ao Américo não lhe é conhecido esse "dom".
realmente como querem que a Guarda evolua quando se perde tempo, dinheiro e paciência a discutir coisas que n têm nada que saber.
Assim anda o país...
Vou repetir o comentário que fiz, há algum tempo, a um post sobre o mesmo assunto.
Muito muito pior que a atitude do "Regedor" foi a posição do Presidente da A.M.A primeira foi tomada por uma pessoa formalmente analfabeta a segunda por um doutorado numa universidade credível.
Será que vou ter também uma moção de censura?
Um abraço de solidariedade
Maria José Saraiva
Estou indecisa se hei-de dar-te os parabéns ou chorar.
E porquê? Passo a explicar. Os parabéns porque "eles" têm medo de ti enquanto cidadão. E se têm medo da tua opinião é porque te reconhecem valor! Ora toma!
Mas (parece que há sempre um), é lamentável que tenhamos chegado a isto. Na Guarda e pelo país fora! Parece que estamos num país terceiro mundista.
Eu que ainda comemoro o 25 de Abril (e pretendo continuar a lutar por ele) tenho-me interrogado como chegámos a isto. Só faltava termos "pides" de blogues;) Então, por seres Director do TMG, terias que "comer e calar" e não ter opinião enquanto cidadão? Essa é boa!
Bom, optei por me decidir pelos parabéns. Essa discussão vale mais que aqueles certificados que dão nos workshops (sem desprimor para estes)! Guarda a acta para a pores no teu currículo.
bj
E VIVA A LIBERDADE DE EXPRESSÃO!
Elisabete Rodrigues
É preciso escolher muito bem quem elegemos! Votar? Que grande responsabilidade!
Trabalho de investigação que implicou meter as mãos no lixo e tudo! Espero que tenham usado máscara e luvas. Estas energias canalizadas para tudo aquilo que o concelho precisa... Talvez conseguissem pôr a Guarda no mapa! Ou antes... a Guarda já está no mapa. Há uma coisa que a coloca no mapa constantemente: a sua actividade cultural. A programação do TMG para o próximo trimestre vem — mais uma vez — provar isto mesmo.
Eu estou também à espera. Depois, direi das minhas razões, no local adequado. Anda o Américo, há vinte ou mais anos, a lutar pela Guarda, pela sua, dela, Guarda, afirmação e divulgação; a lutar contra o analfabetismo ainda não erradicado e vêm un stotós, com vuvuzelas e um burro carregado de canudos, tentar eliminá-lo e à acção cultural impor a reacção imbecil???
Também eu quero ver, entre outras coisas, que PS é que anda por aí. Ou que PSs deixam miar aí...
Em resposta a essa moção, eu quero aqui deixar uma moção de apoio ao cidadão Américo Rodrigues.
Por acaso até concordo com quase tudo o que diz aqui no blog, mas isso é completamente secundário: ele tem o direito de escrever o que quiser, assim como todos (até os deputados da assembleia municipal) têm o direito de o processar, *no tribunal*, por difamação ou coisa parecida, se se sentirem insultados.
Usar a assembleia municipal para isto, isso sim, é repudiável.
Julgo que a Assembleia Municipal tem aqui uma oportunidade para mostrar a qualidade, ou não, dos membros que a compõem.
Lembro-me de uma revista sobre a cidade, título Praça Velha, versando várias temáticas. Coordenou-a Américo Rodrigues. Houve quem lhe desse modesta mas honrada (e nunca comparável) continuidade, mas somenete tentando prosseguir ensinamentos bebidos, antes de Américo Rodrigues a ter assumido de novo.
Lembro-me de quando cheguei Guarda, em finais de Maio de 1999, realizou-se uma performance poética vocalizada, com acompanhamentos musicais, que também era autoria e concepção de Américo Rodrigues.
Nesse Verão estreou uma peça do grupo "Aquilo" que interpretou "Avarias". Achei interessante que também na interpretação encontrasse o Américo Rodrigues.
Quem presidia ao Aquilo era também Américo Rodrigues.
Também as actividades em torno de uma pequena festa/feira do livro que costumava decorrer na Câmara Municipal da Guarda tiveram o dedo organizador deste homem que faria falta no sector cultural de muitas Câmaras. Mas o Américo além da organização é ele próprio criativo, quer se goste ou não.
Colaborou nos jornais locais com alguns excelentes apontamentos, sobre figuras de outro modo invisíveis.
Interveio no festival de música alternativa, interveio no festival de Teatro, que ele próprio ajuda a organizar.
Criou o Núcleo de Animação Cultural e ensinou muita gente. Dinamizou o Paço da Cultura, por cuja recuperação se bateu, revelando enorme sensibilidade para a História e o Património.
Fez daquela a sua/nossa casa. "O despertar do funâmbulo", disco de poesia sonora de Américo Rodrigues, foi lá lançado em Fevereiro de 2000.
Lembro-me de Nuno Rebelo, Gregg Moore, Jean François Lézé, Nirankar Khalsa e Élia Fernandes. Do bailarino Peter Michael Dietz, que apresentou uma coreografia original e improvisada a partir dos temas de Américo Rodrigues.
Força, Américo. Lembramo-nos de tudo, mesmo que pareçamos esquecidos.
Caro Américo
Lamento imenso o que lhe está a acontecer.
Sou solidária consigo e com o seu trabalho tão louvável e cheio de interesse e criatividade, no TMG, que fui conhecendo ao longo destes 5 anos.
Um abraço
o falcão
M,J,Falcão
Pôr em causa um cidadão por delito de opinião é admissível num Estado de Direito? Não,obrigado. Que seja uma Assembleia Municipal a fazê-lo, extravasando as suas competências, por causa desse cidadão ter livremente manifestado a sua opinião acerca de questões aí debatidas? Ainda pior. Só um Tribunal pode decidir se alguém usou ou abusou da liberdade de expressão. Poderá um órgão colegial eleito, que representa as escolhas dos munícipes da respectiva autarquia, funcionar como um tribunal sumário, onde as vendetas pessoais comandam, amparadas pelas "provas" reunidas? A resposta é só uma: pudesse a AM ser dissolvida pela tutela e se-lo-ia imediatamente. Sem apelo nem agravo. Há mínimos olímpicos de dignidade que, sobretudo em democracia, as instituições devem observar.
Ainda tenho uma muito moderada esperança de que a Assembleia Municipal não se repudie a ela própria.
Ainda tenho uma muito moderada esperança de que a carta aberta que dirigi ao Sr. Presidente da Assembleia Municipal seja,se não respondida,bem e devidamente utilizada.
mário
Só agora ao passar por aqui vi esta aberração. A cultura e o amor à liberdade, na Guarda, estão contigo: tudo o que façam os regedores do saudosismo será vergonha para eles próprios.
Abraço e Força!
JM
de facto e incrivel como AM ,perde tempo e dinheiro com coisas tao mesquinhas, nao haverá nada mais importante para discutir nessa Terrinha.A "qualidade" dos politicos vem sempre ao de cima
E bom continuarem a votar neles.....
Luis gaspar
Quem diria que uma “Moção de Repúdio” de Baltazar Lopes contra o cidadão Américo Rodrigues (por textos escritos num blogue pessoal )proposta à Assembleia Municipal da Guarda (discutida, votada e aprovada) , esta seta-feira, iria por a nu, de forma tão clara, a mentalidade dominante em sectores adjacentes ao poder instalado , na cidade da Guarda. Não se trata do salutar exercício da discordância , que deve ser sempre saudada, com palmas e foguetes, nos partidos onde reina o unanimismo, mas de comportamentos que traduzem um entendimento atávico e provinciano da política. Sabemos todos, menos os que fingem ignorar, que nestes anos de democracia as clientelas sentadas á volta da mesa do poder se refinaram na gestão das influências na gestão das influências, no tráfico de levar e trazer recados, no caciquismo da projecção pessoal.
A maturidade de uma região mede-se mais pela capacidade de saber equacionar os grandes problemas que a condicionam o desenvolvimnto do que pela expressão de serôdios bairrismos locais. Nessas capelinhas onde se rezam missas de outros tempos, vem às vezes á surprefície um conceito cacateiro da política, que neste início de novo século se julgava apenas memória de tempos idos. Então confunde-se tudo. Chega-se ao ponto da Assembleia Municipal da Guarda ter votar e aprovar uma “Moção de Repúdio” contra o cidadão Américo Rodrigues, director do Teatro Municipal da Guarda, por opiniões expressas no blogue pessoal Café Mondego. Quando uma sitação destas acontece é como se o espaço democrático de uma assembleia municipal tivesse sido expropriado e fosse já, e apenas, uma coutado dos idiotas úteis dos partidos. É isso que significa o seu comportamento quando, publicamente, vota uma imbecilidade de uma proposta, que inclui textos que nada têm a ver com presidentes da junta , deputados ou Assembleia.
Mais grave , contudo, a Assembleia Municipal da Guarda aprovou a moção de repúdio a textos de Américo Rodrigues em blogue pessoal, como se fosse um procedimento natural. Assim vai a política, cá por baixo.
Ricardo Paulouro In A23
Da política, cá por baixo
Quem diria que uma "Moção de Repúdio" de Baltazar Lopes contra o cidadão Américo Rodrigues (por textos escritos num blogue pessoal )proposta à Assembleia Municipal da Guarda (discutida, votada e aprovada) , esta sexta-feira, iria por a nu, de forma tão clara, a mentalidade dominante em sectores adjacentes ao poder instalado, na cidade da Guarda. Não se trata do salutar exercício da discordância , que deve ser sempre saudada, com palmas e foguetes, nos partidos onde reina o unanimismo, mas de comportamentos que traduzem um entendimento atávico e provinciano da política. Sabemos todos, menos os que fingem ignorar, que nestes anos de democracia as clientelas sentadas á volta da mesa do poder se refinaram na gestão das influências na gestão das influências, no tráfico de levar e trazer recados, no caciquismo da projecção pessoal.
A maturidade de uma região mede-se mais pela capacidade de saber equacionar os grandes problemas que a condicionam o desenvolvimento do que pela expressão de serôdios bairrismos locais. Nessas capelinhas onde se rezam missas de outros tempos, vem às vezes á surprefície um conceito caceteiro da política, que neste início de novo século se julgava apenas memória de tempos idos. Então confunde-se tudo. Chega-se ao ponto da Assembleia Municipal da Guarda ter votar e aprovar uma "Moção de Repúdio" contra o cidadão Américo Rodrigues, director do Teatro Municipal da Guarda, por opiniões expressas no blogue pessoal Café Mondego. Quando uma situação destas acontece é como se o espaço democrático de uma assembleia municipal tivesse sido expropriado e fosse já, e apenas, uma coutado dos idiotas úteis dos partidos. É isso que significa o seu comportamento quando, publicamente, vota uma imbecilidade de uma proposta, que inclui textos que nada têm a ver com presidentes da junta , deputados ou Assembleia.
Mais grave , contudo, a Assembleia Municipal da Guarda aprovou a moção de repúdio a textos de Américo Rodrigues em blogue pessoal, como se fosse um procedimento natural. Assim vai a política, cá por baixo.
Ricardo Paulouro
Abraço solidário, Américo! (Sem mais comentários que valorizem os tristes agentes envolvidos)
M. Francisco Teixeira
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