Sexta-feira, Dezembro 31, 2010

Passar o ano


O meu pai teve um carro igual a este. Comprou-o em segunda mão à família de um juiz de Videmonte (se bem me lembro). Quis que o meu pai mo vendesse, logo que tirei a carta. Recusou porque eu nunca o conseguiria estacionar. Talvez tivesse razão. Mas que é um belo carro é. É um Chevrolet Fleetline. Era a conduzi-lo que eu gostava de passar deste ano para o próximo. Em viagem. Cale lá a família e a gata. Cabem lá os sonhos todos. E talvez, até, um frigorífico.
Durante muitos anos (demasiados?) o meu pai teve outro Chevrolet. Quer dizer, uma Chevrolet de 1933. Com caixa aberta. A família era numerosa e era na "caixa aberta" que os miúdos costumavam andar. De pé, vento no cara, agarrados à estrutura da caixa. Íamos da Guarda para o Barracão pelo "caminho velho", julgo que para fugir à polícia. Sim, porque nós íamos empoleirados lá atrás, na caixa, com a bagagem. Era preciso dar à manivela para que a "Cacharra" pegasse. Cacharra? Sim, era assim que lhe chamávamos. Não tenho aqui à mão nenhuma fotografia dela. Velha, a cair aos bocados (mas o meu pai era um excelente mecânico). Atravessou muitos anos. Não percebo, agora, porque me lembrei dela.

Escrever no navio

Há dez anos
mais ano menos ano
decidi que escreveria
um poema
por dia
na Sé Catedral da Guarda.

A Sé é um navio de pedra (*)
encalhado
pousado
numa cidade medieval
que nos guardava dos espanhóis.
Prometi escrever
um poema
por dia
dentro do navio de granito
naufragado
parado
no centro de uma terra
que hoje aguarda os espanhóis.
Prometi mas não cumpri.
Escrevi um único poema
dentro do templo sem tempo.
Ao segundo dia desta aventura
sentado no convés do navio
a caneta caiu-me da mão
o corpo enregelou
e ficou imóvel
num barco imóvel.

Ainda lá estou.
Paralisado pelo frio
em estado de sólida quietude.
Um dia (amanhã, talvez)
o meu corpo de gelo
partir-se-á em mil pedacinhos.
A Guarda
que antes acolhia a Sé Catedral
e viaja agora a bordo do navio
de pedra
nem sequer o saberá.

30/12/10
Américo Rodrigues

(*) Estou convencido de que foi Eduardo Lourenço quem, pela primeira vez, o avistou.

Lâmina

a lâmina que corta as palavras
ao meio
às postas
aos bocados

a lâmina que corta a carne
das palavras
o osso das palavras
o tutano da palavra tutano

a lâmina que corta a alma
das palavras
o incêndio que existe
nas palavras
o cheiro a morte
que às vezes
há nas minhas palavras

essa lâmina
(faca de emaranhar poemas?)
não é capaz de de me matar

no meu sangue
não navegam sílabas
de espanto
tão pouco
de sossegado conformismo
no meu corpo público
não moram fonemas
(sirenes?)
da surpresa

não
essa lâmina que mata
as palavras
(e as suas crias,o seu rebanho)
não me pode matar.

30/12/10
Américo Rodrigues

Contradança

Os braços contra o vento:
a contradança.
Preciso aprender a dançar
contra o vento
mesmo se na vertigem
perder braços e rumo.
Quero roubar ao vento
a força indomável
a loucura dos gestos
a perdição da corrida
a substância de que é feito
o vento.
Com um só dedo
penetro no turbilhão
com um só dedo
perfuro o teu olhar
de testemunha
indiferente
ao vento que me leva
lágrimas, dores, silêncios.

30/12/10
Américo Rodrigues

Quinta-feira, Dezembro 30, 2010

Balanxo 2010- César Prata

Balanxo 2010 [César Prata]

Acontecimentos que marcaram 2010 [recortes da imprensa local]


• Começaram as obras da Praça do Teatro

• O estudo destinado a racionalizar o trânsito automóvel no centro da cidade trouxe melhorias assinaláveis à circulação

• Antigo Cine-Teatro dá lugar a escola de artes

• Concurso de ideias para os pisos inferiores do parque de estacionamento do Vivaci

• Continua-se a aguardar o início das obras de requalificação da Praça Velha

• Auspiciosa estreia da orquestra sinfónica de vuvuzelas da Guarda. Próxima paragem: sala Suggia da Casa da Música

• Culturguarda passa a gerir toda a actividade cultural do Município

• Comissão da UNESCO visita casas projectadas por José Sócrates — em causa uma eventual indicação para “Património mundial”

• Afinal a Guarda tem uma biblioteca de leitura pública

• José Albano inaugura o centro de dia do Vivaci — em estudo um futuro lar da terceira idade

• Abriu o museu de arte sacra

Quarta-feira, Dezembro 29, 2010

A prenda necessária


De todas as prendas que recebi nesta época gosto particularmente de uma. Um megafone. Vinha com esta dedicatória: "Para poderes falar AINDA mais alto! Usa-o!"
É o que vou fazer, usá-lo. Tem sirene e tudo.

Zimbro

Antes de ir
ouvir
a música electrónica de João Pedro Oliveira
quis saber o mistério
da aguardente de zimbro.
O homem do restaurante
diz que é clandestina
que é proibida
que é proscrita
que é maldita.
Não sabe explicar porquê.
Ninguém sabe explicar porquê.
Mas o homem disse-me que tinha
aguardente
bagaço
sem zimbro.
Apetecia-me acompanhar este café
com um boa aguardente de zimbro.
Assim
este café é um simples café
igual a todos os outros.
O zimbro é uma simples baga
que se mergulha
em mar de aguardente
em plena Serra da Estrela.
Clandestina? Proibida? Proscrita? Maldita?
Hei-de comprar uma garrafa
(nem que seja numa barraca que venda cães de pelúcia)
beber um cálice
por dia
(talvez um pouco mais).
Clandestinamente, claro.

Américo Rodrigues
28/12/10

Desterro particular

E se te desterrassem?
E se te desterrassem de ti?
Se perdesses terra, família, livros?
Que lugar escolherias?
Que canção entoarias?
Que grito lançarias?

E se te desterrassem?
E se te desterrrassem de ti?
Se abandonasses terra, casa, gatos?
Que raiva te assistiria?
Que pistola usarias?
Que homem-bomba serias?

E se te desterrasem?
E se te desterrasem de ti?
Se me desterrassem de ti
em mim?

Américo Rodrigues
28/12/10

Dormente

Uma dor antiga
- a infância, lugar onde -
que regressa ao encontro
do corpo
com os objectos da casa
ia escrevendo
"com os afectos da casa"

Roubaram-me o ar que havia
na escrita
dos sítios íntimos
inomináveis.
Roubaram-me o ar que havia
na alegria
dos espaços a perder de vista
sercretos
invisíveis.
Roubaram-me o ar que ardia
no peito
na voz
(vozeando, ardendo, nas palavras
e no poema).

Uma dor antiga que persiste
originária
ferida:
morrendo pelos outros
ia escrevendo
"morrer para os outros".

Américo Rodrigues
28/12/10

Balanxo 2010. Márcio Fonseca

A Guarda de 2010

Rebeldino e Álvaro Gil Cabral são as personalidades do ano na Guarda.
O primeiro por ousar sonhar uma República na Guarda dos repúdios. O segundo por, século após século, se recusar a entregar as chaves da Cidade aos baronetes, tiranetes e outros entes que tais, que por aqui vão aparecendo. Ambos representam a intensa actividade cultural que tem tomado conta da Cidade e que é urgente guardar. A excelente programação do TMG, os Passos à Volta da Memória, a Morte e o Enterro do Entrudo, Guarda: A República, o Prémio Literário Manuel António Pina colocaram a nossa cidade no mapa. Será este o sólido pilar que sustenta o edifício do desenvolvimento da Guarda.
Na Saúde, 2010 foi o ano da construção do novo Hospital. Um desejo antigo, uma promessa frequentemente adiada, uma necessidade bem actual. As obras decorrem a bom ritmo e brevemente será uma realidade. De ar puro, frio e neve vive (poderia viver melhor) a Guarda. O frio que enrijece o carácter e a neve cuja vinda deveria ser motivo de fortuna e não de paralização. Não deixemos os visitantes à porta, que a Guarda coberta de neve é realmente um postal lindo de vender!
E depois há os restantes pilares do desenvolvimento que continuam coxos: o drama do desemprego na região acentuado com o recente encerramento da Delphy. E a PLIE que nunca mais arranca: faz falta tirar partido da localização da Guarda, factor de vantagem competitiva nas trocas comerciais. Criar emprego na região requer não só capital, mas também imaginação. Saber atrair as empresas que suportem a nossa estratégia (onde está ela?) e incentivar a criação local. Gerar (gerir, divulgar, fomentar) conhecimento.
2010 voltou a ser o ano em que não se resolveu a poluição do rio Noéme. Todos os dias continua a morrer; todos os dias se continua a deixar matar. Mais um problema que transita para 2011. Que Ambiente queremos para a Guarda?
E num balanço de 2010 não podem faltar as felicitações aos naturais de cá que se destacaram (dentro ou fora de portas) nas diversas áreas: o cientista Rui Costa, distinguido com a mais importante bolsa europeia para estudo do cérebro; a ASTA galardoada com o prémio Manuel António da Mota que distingue associações que se destacam no combate à pobreza e à exclusão social e a Fanfarra Sacabuxa que venceu o concurso nacional do INATEL.

Segunda-feira, Dezembro 27, 2010

Balanxo 2010. António Oliveira

Balanço 2010

O vai que não vai, parece que vai mas não vai, pensamos que vai e há-de ir
O meu balanço não é um “balanxo”, apenas uns desabafos, por não me sentir confortável neste ano de 2010. Aconteceu tanta coisa que não consigo descrever.

A Guarda ficou mais velha e eu também
No inverno nevou e a Guarda paralisou
No Primavera choveu tanto que a Guarda ia desaparecendo paralisada
No Verão foi tudo de férias para esquecer o Inverno e a Primavera
No Outono voltou a neve e a Cidade voltou a parar
Os ideais republicanos morreram no final de Novembro
Os políticos mantêm-se fiéis aos seus princípios
Não apareceu político novo nem Sebastião salvador
Os comentadores são os mesmos e comentam exactamente a mesma coisa
Os jornalistas abdicaram da sua função de informar e investigar
A sociedade civil mantém-se no seu cómodo canto de conforto
A sociedade da Segurança vai reivindicando os seus novos quartéis
A sociedade eclesiástica tem uma voz mais interventiva
Os quintais continuam incultos e não querem aderir ao emparcelamento e formar quintas e latifúndios
Os “lobbiesinhos” não vão ter força enquanto não se transformarem em “lobbiesões”
Por preguiça frequentei pouco o TMG e a Biblioteca
Passeei muito pelo Centro Histórico e já há coisas muito bonitas
A AM passou a ser atracção turística
A “Fábrica” fechou e o que se segue não vai ser fácil
As duas fábricas que aumentam, podem não ser suficientes
A PLIE ainda está “pliesada” e quem podia ajudar só critica
Os discursos delirantes de alguns dirigentes e empresários continuam
O ar da Guarda já não é o que era e ainda o queriam fechar no Hotel Turismo
A iniciativa privada continua com muito dinamismo e a apostar na cidade
A Cultura está viva
O Turismo é de crise e as visitas do Alcaide à volta da Guarda foram um sucesso
O Posto de Turismo foi pouco ambicioso e esperava-se mais
A “Casa da Memória” não se lembra de nada
E eu também já não tenho mais nada para dizer
E 2011 será sempre melhor que 2010

António Quintela Oliveira

Mais dados

António Godinho, advogado e escritor, acaba de tomar uma posição que acrescenta bastante ao que até aqui foi publicado sobre o caso do "repudiado" pela Assembleia Municipal da Guarda. Ver aqui e aqui.
Como se perceberá o assunto não morrerá tão cedo.

Música electroacústica em Seia

Decorre desde ontem e até depois de amanhã o festival Dias de Música Electroacústica em Seia, sob direcção do compositor Jaime Reis.
O porgrama é vasto e constituído por concertos e vários debates. Lá estarei amanhã para participar em dois deles.
Ver aqui o programa.

Clarividência? Premonição?


Em Novembro encenei (com Pompeu José) o espectáculo comunitário "Guarda: a República". Quase ignorado pela imprensa local (e também pela SIC e TVI locais), o espectáculo conseguiu cumprir todos os seus objectivos principais (grande participação de criadores locais e colectividades populares, e comemoração do centenário da República).
Nesse espectáculo, havia uma personagem (Rebeldino Velho) que eu próprio representei (depois de duas outras pessoas terem recusado fazê-lo). O texto foi escrito por Hélder Sequeira. Eu juntei-lhe, improvisando, uma referência a Salazar e ao jornal fictício "Para a Lucta". Acontece que, apesar do texto se referir ao período que conhecemos por Estado Novo), muitos espectadores julgaram tratar-se de uma referência concreta aos tempos que vivemos. A ambiguidade fez do texto um momento muito crítico e forte daquele espectáculo.
Aqui fica o texto original, do Hélder Sequeira. Reparem como ele diz coisas que são de uma extrema clarividência e actualidade. Outras não, claro.

"REBELDINO

(Com mãos trémulas pega no jornal. É um velho exemplar de “A Actualidade”, 1911. Começa a ler)

“Da onda cadente e rubra candente e rubra que nos corações dos portuenses tumultuou numa álgida madrugada de Janeiro; do sangue com que as balas dos pretorianos empoçaram as ruas estremunhadas do velho burgo que a esta Pátria deu o nome, foi que brotou numa rútila manhã de Outubro – após a lenta, formidanda e ansiada gestação de vinte anos – a República imaculada e redentora”.

(Fica pensativo, olhar no infinito; num impulso, brusco, arremessa com jornal para o chão)

Ah Poeta, meu Amigo, foi uma luta inglória…
Para aqui estou transformado num trapo velho, olhado com repulsa por aqueles que, outrora, me idolatravam.
Compreendo a dor que atravessa alguns dos teus versos, meu saudoso Gil…

(Declama, num misto de entusiasmo e tristeza alguns versos da “Carta a Diogo Peres”, de Augusto Gil)

“ (…) Quando lhes veio o dia da vitória
E o do prestígio que o dinheiro alcança
Entre gente venal e transitória,
Lançaram-me calúnias por lembrança
E rudes vitupérios por memória…”

Cedo me esqueceram os falsos amigos…
Enquanto estive na vanguarda da luta, os abutres de hoje disfarçavam-se de pombas…elogiavam-me por aquilo que alcançara…
Subi a pulso na vida e foi na sua escola que aprendi a importância de sentimentos como o Amor e Amizade...
Hoje são moeda barata...
Como o dinheiro e a inveja transformaram os homens desta cidade.
Desta Guarda onde os correligionários de ontem se banqueteiam agora com os antigos adversários, espezinhando valores, a honra, a nobre causa da República; desprezando o povo que os apoiou na sua afirmação pública e política.
E o que vejo nesta, que deveria ser, Guarda da República?...

(Faz uma breve pausa após esta interrogação, para deixar a resposta num tom de profunda tristeza...)

Vejo um povo desiludido, descrente dos políticos e da política...
Vejo a mediocridade e a incompetência instaladas nos mais diversos sectores da nossa vida pública...
Vejo um desenfreado caciquismo que tolhe as consciências e fomenta o medo.
Vejo um permanente derrotismo e uma teia burocrática que mata os sonhos e projectos.
Vejo a ostracização daqueles que, com mérito e valor deram o seu melhor à região, a Portugal.
Vejo pessoas para quem a cultura é uma ameaça constante à sua pequenez moral e intelectual… como se a cultura não fosse a luz da civilização, a chama libertadora dos povos.

(Faz uma breve pausa)

Vejo uma crise de ideias.
Um doentio conformismo, o endeusamento do individualismo, a corrupção moral e económica...

(Fica pensativo, triste, olhar perdido …)

Já não conheço esta Guarda, forte, farta, fria, formosa e fiel… Hoje até ela é infiel à República, a todos quantos por ela lutaram.

Que saudades dos tempos da luta, de coragem… desse tempo de permanente aprendizagem, das minhas primeiras leituras, do contacto com os meus escritores, da velha tipografia…
Mil sacrifícios e trabalhos em vão.
Bati-me por esta terra, sacrifiquei a minha família em prol da afirmação dos ideais republicanos.
Sinto no meu corpo débil as chagas do frio e da fome que passei no cárcere, os dias de vento gélido que fustigaram impiedosamente o rosto.
Hoje essas memórias fustigam-me a alma.
São memórias feitas de dor, de trabalho, de doença, de entusiasmo e paixão…mas igualmente de raiva, de revolta pelos sonhos traídos!
Sinto que a morte está perto…cada vez mais perto...
E como é penoso ouvir os lamentos e os murmúrios das nossas gentes, que sofrem e choram com medo dos senhores, dos actuais senhores do poder.

(Fica pensativo antes de prosseguir. Apanha do chão o jornal que inicialmente tinha abandonado. Fixa-se num artigo escrito na última página)

“Os homens só valem pelo que de bondade e verdade tragam aos outros homens (…)”…

(Ergue-se energicamente e abre um enorme sorriso, olhando em frente)
Tens razão poeta!...
Enquanto tiver forças não vou desistir do meu ideal. O meu sofrimento não pode ter sido em vão.
É preciso sonhar uma nova madrugada!
É preciso lutar pela Liberdade, pela justiça, pela paz, pelo trabalho, por este povo que sofre e precisa de reencontrar o seu caminho no mundo.
É preciso voltar à luta, reerguer a bandeira verde e rubra; rubra de sentimentos, verde de esperança.
É preciso romper com este pântano de conformismo e interesses instalados, dar vida à República, abraçar este povo fraterno e solidário que clama um novo presente e um novo futuro!

(Lança um grito final, num misto de apelo e desejo)

É preciso ficar em Guarda pela República!!!" . Fim de citação.

O próprio autor já fez uma declaração a respeito deste texto. Aqui.

Domingo, Dezembro 26, 2010

Caderno


O TMG (equipamento cultural que é uma referência nacional) apresentou já a sua programação para os meses de Janeiro a Março de 2011, cheia de propostas para todos os públicos. Dezenas de actividades que se constituem como uma oferta de verdadeiro serviço público.
Veja aqui o sítio de onde pode descarregar o caderno de programação. Repare que também pode, no mesmo sítio, comprar os bilhetes de acesso às várias actividades.

PS. Uma das coisas que me preocupa (como cidadão, não vá o diabo tecê-las) é reparar que a maioria (ou quase totalidade) dos que tentam prejudicar ou apoucar o TMG... nunca entraram no edifício ou participaram em qualquer iniciativa. No entanto, têm sólidas opiniões acerca do que lá se passa e das necessidades da sua gestão! Noutra terra, a isso que fazem determinadas figuras, chamava-se usar de... desonestidade intelectual. Aqui, como vão as coisas, essa gente ainda há-de ser tratada como... vítima.

O Portugal


Acaba de sair na Guimarães. António Telmo, filósofo, natural de Almeida, faleceu há poucos meses. Já aqui falei, por diversas vezes, deste nome importante da Cultura Portuguesa.

Prémios

O Dicastério da Cúria Romana, “Pontificio Consiglio della Cultura”, que coordena a actividade das Academias Pontifícias, galardoou com o prémio anual das “Pontificie Accademie in Mariologia 2010” a Tese de Doutoramento do Prof. Doutor Luís Alberto Casimiro, no Ramo do Conhecimento em História da Arte, apresentada à Faculdade de Letras da Universidade do Porto, subordinada ao tema: "A ANUNCIAÇÃO DO SENHOR NA PINTURA QUINHENTISTA PORTUGUESA (1500-1550). Análise geométrica, iconográfica e significado iconológico". O autor é natural de Vilar Formoso.
Ver fonte.
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Bruno José Navarro, natural de Freixo de Numão (Foz Côa, Guarda), venceu a 19ª edição do Prémio de História Contemporânea – Dr. Victor de Sá, atribuído pela Reitoria da Universidade do Minho, com a obra “Governo de Pimenta de Castro: um General no Labirinto da I República”
Ver fonte.


Parabéns!

Sexta-feira, Dezembro 24, 2010

Prenda de Natal



Queria oferecer esta prenda de Natal aos amigos, aos "inimigos" e aos assim-assim. Boas festas!
O poema é de Natália Correia e a música de José Mário Branco. E chama-se "Queixa das jovens almas censuradas".
Assina: Américo Rodrigues, objecto de um voto de repúdio, pela Assembleia Municipal da Guarda. Por ser um "livre pensador". Ou, como diz um amigo verdadeiro, por ser um iconoclasta.
Viva o Natal iconoclasta!

A colecção

Fui ver, finalmente, a exposição de presépios da colecção de Ana Manso. Não fui ao autêntico acontecimento xuxial que foi a inauguração desta mostra.
Há centenas de presépios expostos e esse é o maior problema desta exposição. Eles estão instalados uns em cima de outros, não há espaços vazios, "não respiram". Sendo assim, a olhar dispersa-se e é impossível concentrarmo-nos neste ou naquele. A confusão é enorme! Não parece que estamos numa exposição mas sim num armazém de presépios. A exposição merecia que se usassem todas as salas e não, apenas, uma (a que tem menos condições expositivas). Sinceramente, a colecção perde com este tipo de opção: tudo ao monte e fé em Deus.
Não sei se existe um projecto de coleccionismo ou não por parte da proprietária. Vi presépios muito bonitos e raros mas outros de um mau gosto assustador. Vi presépios de todo o mundo, de materiais diversos, mas não tive acesso a nenhuma informação que me ajudasse a situar a origem ou o material daqueles presépios. Essa é outra falha: cada presépio não está acompanhado de uma ficha ou de uma simples legenda.
No meio da confusão vi dois presépios absurdos (e de que gostei): um, que julgo de Barcelos, que para além da burra e da vaca tem um músico a tocar... num piano de cauda! E outro que é feito a partir de uma carteira de fósforos que tem o símbolo do PSD. Mas há, de certeza, mais motivos para que a exposição seja apresentada nas devidas condições. Que não é o caso.

O Natal e a Praça Velha

Ontem tive, por assim dizer, uma experiência radical. Passeando pela cidade, dirigi-me à Praça Velha. Aí, confirmei a degradação de várias casas, ao lado da antiga Câmara, fazendo da Praça (quase) um lugar lúgubre. Depois, fiquei à conversa, durante duas horas, com um pequeno comerciante ali instalado há décadas.
Falámos do "abandono" da Praça, da falta de estacionamento ali perto, da condenação do pequeno comércio, da falta de vida no centro histórico. E eu próprio testemunhei: durante aquele tempo, mais ou menos duas horas, ninguém entrou naquele estabelecimento e foram raras as pessoas que apareceram na Praça (5 ou seis). Assisti à evidência: a morte lenta da PV e do comércio tradicional do centro histórico. O que fazer para contrariar a tendência? O assunto já foi discutido por várias vezes e qualquer solução deve implicar os comerciantes (que devem ser criativos, simpáticos e modernos). As lamúrias não bastam. Há que agir.
No dia anterior, o Vivaci (não gosto particularmente de centros comerciais) estava a abarrotar de gente. Por estar quente, ter estacionamento e variedade na oferta. Talvez tenha que ser pensada uma solução realmente inovadora e surpreendente para o comércio tradicional: ser quente, ter estacionamento e variedade.
Quando se afirmou, com despudor, que o Vivaci favoreceria o comércio do centro histórico... enganaram-se as pessoas. Não, ele veio para acabar com os pequenos comerciantes. Pondo de lado a ideia de demolir o Vivavi (mesmo que metaforicamente), a autarquia deve coordenar os esforços no sentido de animar (dar vida) ao centro histórico, ajudando assim os comerciantes tradicionais. Mas estes também têm que fazer algo por eles próprios, para além de se queixarem.
Mas, por favor, não criem mais uma comissão ou gabinete. Os que há já são suficientes.

Quinta-feira, Dezembro 23, 2010

A imprensa local

Vejamos como a imprensa local viu o caso do "voto de repúdio", pela Assembleia da Guarda, do cidadão autor deste blogue.

"Nova Guarda":-
- O título da peça é "Baltasar Lopes espera "demissão" de Américo Rodrigues". Demissão... de quê, de onde? Isso, o NG não indica. Lendo o artigo percebe-se que será do cargo de Director do TMG. Já lá vamos.
O artigo é ilustrado por uma valiosa e expressiva voto. O presidente da Assembleia Municipal(AM) recebe, com um sorriso de orelha a orelha, o voto de Baltasar ( a partir de agora, B.). O fotógrafo captou um momento de rara felicidade. Parabéns ao NG por este "instantâneo" que vale mais do que mil palavras.
O NG dedica (quase) uma página ao tema que diz que "trouxe maior suspense" à sessão da AM. Fora deslizes na escrita, o articulista conta com rigor o processo: B., boicotador de um concerto, reacção minha num blogue "pessoal", proposta de B. para reduzir orçamento do TMG, reacção do cidadão AR no seu blogue e, agora, este caso do voto de repúdio. Porém, o NG, apesar de falar várias vezes em "blogue pessoal" arranjou uma forma inteligente de me identificar ("que também é director do TMG"), nunca assumindo (ao contrário de B. e AM) que o blogue é do director do TMG. Parece um pormenor mas não o é, pois eu nunca escrevi, como director da TMG, uma única linha sobre os assuntos em causa. E este dado é fundamental, apesar da Assembleia ter optado por o ignorar, aprovando um voto de repúdio às declarações do "director do TMG, Dr. Américo Rodrigues". Apesar das evidências...
O artigo fala de "contenda" e "polémica" entre mim e B., mas isso é excessivo: eu nunca troquei mais de duas ou três frases com tal figura. Nos últimos tempos escrevi um pouco mais sobre B.... mas ele não usa o mesmo processo, utilizando a Assembleia para me atacar (e ao meu local de trabalho) e nunca para argumentar, reflectir, replicar. Para isso seria necessário ter capacidades de pensar e discutir o que eu digo. O termo correcto não é "polémica" ou "contenda" mas sim... perseguição e manipulação, a partir da Assembleia. Conduzida por B. em relação a um cidadão que o enfrentou.
O NG ouviu (e muito bem) "reacções" ao voto. Correcto, como sempre, o presidente da Câmara afirmou que aquele voto tinha um carácter pessoal e que "não estava em causa o director do TMG". O líder da bancada do PSD, João Correia, afirmou também que "não foram as palavras do director do TMG que foram repudiadas" mas sim "uma pessoa que colocou em causa os elementos da Assembleia" . Paradoxal! João Correia diz que a moção não é contra o director (diz até que o director do TMG tem o seu pessoal apoio e consideração) mas vota a favor de uma proposta que claramente o identifica como tal. Sinceramente, não percebo a decisão do PSD. Diz também que eu coloquei "em causa a honorabilidade e postura dos deputados enquanto agentes políticos". Mas eu não entendo onde e como. O que aconteceu (e é verdadeiramente extraordinário) é que, mais uma vez, B., na apresentação do voto, se comportou como um manipulador, tirando palavras do contexto, usando-as de modo avulso e para incendiar os ânimos. Disse, por exemplo, que eu chamei aos deputados da AM, "estrume"! Vendo o que eu escrevi, a palavra "estrume" refere-se à... crise. Portanto, se acreditam num homem destes... não se queixem, depois.
A surpresa veio de um tal Leocádio, do Bloco de Esquerda, que resumiu o voto contra um cidadão a um "arrufo de comadres" (?!). Que ideia de cidadania este senhor tem?!! E, perdoe-me o Leocádio, comadre do senhor B. será você, populista de outro pendor! O BE, que tem sempre comentários a fazer em relação a tudo, tem na Guarda o senhor Leocádio que não se pronuncia sobre uma questão daquelas (em que está em causa um processo de liberdade de expressão). O mais significativo é que o companheiro de Leocádio esteve naquela fatídica noite do desconcerto de vuvuzelas e, portanto, conhece o processo desde o início! O BE, da Guarda, tão diferente do nacional (de Miguel Portas ou Catarina Martins) não foi capaz de assumir uma posição clara. Como se chama a esta atitude?
Noutra página, o NG publica uma foto com balões, que pretende ter graça. Nela vemos Joaquim Valente a chamar por mim e alguém a responder-lhe "Não pode vir por estar a actualizar o blogue!". Até parece ter graça. Mas eu queria dizer a António Pissara que escrever no blogue nunca me impediu de cumprir com competência as minhas funções profissionais, nem nunca misturei as coisas do Teatro com as de cidadão. Espero que Pissarra (que é professor do IPG e director do NG) possa dizer o mesmo! Para o confirmarmos temos que ler alguns números do jornal que falam do IPG.
Finalmente, a questão da "demissão" do director do TMG, esperada por B. Pode esperar sentado ou a tocar vuvuzela! A Assembleia não discutiu a minha performance enquanto programador ou director artístico. Não avaliou o meu desempenho profissional ou a forma como exerço o cargo, pelo que só alguém desprovido de senso é que se lembrará de insinuar uma demissão. Por outro lado, a demissão só acontecerá quando o Conselho de Administração da Cultuguarda me retirar a confiança (que, ao invés, reafirmou por várias vezes) ou eu não me identificar com a política cultural seguida em relação ao TMG. Porém, mesmo que isso já me tivesse passado pela cabeça, episódios como os de voto de repúdio (na forma como foram propostos por B.) só fazem com que tenha ganhado novo ânimo. Sabe, eu já fui insultado, censurado, ameaçado, repudiado, por várias vezes. Algumas das vezes, por gente sem escrúpulos. E foram, precisamente, esses episódios que fizeram com que eu lutasse com maior entusiasmo. E também foi por isso (por oposição a um conservadorismo paralisante) que ganhei prestígio, prémios nacionais e locais e vários votos de louvor e muitos elogios. Sem falsas modéstias: em termos culturais a Guarda é assim, porque eu e outros nos opusemos a fascistas, reaccionários, demagogos e a autarcas mal preparados. Este voto de repúdio é, pois, entendido por mim como um acidente de percurso (embora grave) e deve-se a uma perseguição de carácter pessoal. Sabendo o que vale o perseguidor, as suas razões e métodos, o voto significa pouco para mim. Fiquei triste, é certo, por causa de uma Assembleia se associar a uma proposta contaminada pelo ódio, mas... a vida continua! E é tarde para eu desistir de uma luta em que acredito há muitos anos. E, realmente, não tenho culpa desta AM não conhecer aquilo que fiz pela valorização da Guarda.
O NG não respeitou o exercício do contraditório. Não fui ouvido. Mas também a propria AM não me ouviu. O jornal fez o mesmo.

"Terras da Beira":
O título é "AM aprova moção de repúdio pelas afirmações do director do TMG". Portanto, o jornal assumiu que o director do TMG tinha afirmado.... o que nunca afirmou. Palmas! Bastava o uso de aspas em relação a "moção de..." para que o título estivesse correcto.
O TB conta a história de forma breve. Cita também João Correia, que nem parece o mesmo que falou para o NG. Considera "ofensivas e injuriosas" as minhas palavras(sem documentar o que diz). Afirma que "minimizo o papel dos presidentes das junta" (como se minimizar pudesse ser pretexto para um voto de repúdio!) e concluiu que o PSD votou a favor por "solidariedade" entre eleitos. "Não está em causa o TMG" (mais uma vez o paradoxo, porque o voto refere expressamente o "director do Teatro"). Por fim, diz que as afirmações "não ficam bem" (o que é que ficará bem? Ou que será "mal"?) a um director municipal.
O TB fala da intervenção isolada de Quelhas Gaspar (que grupo do PS é aquele que...fica em silêncio?!Não é essa a tradição humanista do PS!) que colocou o assunto no devido lugar ("coisas pessoais") e elogiou o TMG. Aires Dinis é citado, referindo que eu defendi a instituição que represento e que é "inaceitável o comportamento do B. no caso do boicote ao concerto da Trepadeira Azul". Ainda há gente que tem memória e coragem.
A foto escolhida para ilustrar a notícia é a de B. e a legenda é "Ao defender que os cortes nas transferências para o TMG sejam canalizados para as juntas de freguesia, Baltasar Lopes conseguiu o apoio de muitos autarcas". Em rigor, não foi ele que introduziu a ideia das transferências. Mas, já agora, o TB tem a certeza de que haverá aqueles cortes e aquelas transferências?
O TB esteve bem ao publicar uma caixa sobre os desentendimentos entre B. e a Trepadeira Azul. Assim, os leitores ficam esclarecidos acerca do tipo de acção de que B. usou. Noutra página, numa coluna de avaliação/opinião, a Assembleia é avaliada negativamente: "Os deputados têm discutido muito pouco sobre os problemas do concelho... e preferiu perder tempo com questões de ordem pessoal."

A Guarda:

Título: "Assembleia Municipal aprovou o Orçamento camarário para 2011". E assim se percebe, graças a este jornal, que todos os outros dedicaram mais atenção a mim próprio, e ao voto de repúdio, do que ao Orçamento Camarário! Algo está mal no reino da Dinamarca!
A foto usada é do executivo camarário, o que está de acordo com o título do artigo.
O voto de repúdio merece uma frase sem qualquer desenvolvimento. Minimalista.

O Interior:
Título "Moção contra Américo Rodrigues aprovada". Este é o título mais acertado de toda a imprensa guardense. Duro mas correcto.
Sem fotografia.
O artigo refere-se ao voto de repúdio como sendo um "facto inédito" e diz que B., "escolheu a AM para dirimir um diferendo de ordem pessoal com o também director do TMG". Mais uma vez, correcção. Quem escreve... escreve bem, nota-se. Conta a história e os resultados da votação e revela-nos que Almeida Santos, presidente da AM terá dito, antes da votação: "o que está em causa é o direito da AM defender o seu bom nome, nada mais". Se isto não é uma presumível influência na orientação do voto... não sei o que é (Quem é que resistiria a defender, através do voto, o seu bom nome?). Mas já nada me admira.
"O Interior" ouviu Quelhas Gaspar (PS) que refere que o assunto "não devia ser debatido naquele órgão cuja missão é fiscalizar a acção da Câmara". Leocádio do BE volta com aquela das "comadres" (que é objectivamente uma desvalorização do interesse político do tema, logo, do próprio partido a que pertence) e Aires Dinis, que comenta que eu devia ser "alvo de reconhecimento em vez de repúdio". João Correia "cortou a direito" (sic), diz o jornal, e repete argumentos: "que eu fui além do que pode ser o pensamento livre em democracia. Ultrapassei o que pode ser o pensamento???. O deputado, que também é médico, reafirma que achou "insultuosas as minhas opiniões", sem explicar em concreto do que fala.
B. "avivou a memória" (sic) dos deputados, voltando a "ler excertos dos polémicos posts". Aqui o articulista falta à verdade. B. não leu nenhum excerto de posts. Referiu vários expressões descontextualizadas e, nalguns casos, com outro sentido do que ele lhe atribuiu. Uma peça rigorosa dispensava uma erro factual como este. Por fim, "O Interior" anuncia o novo "inimigo". de B. à sua "causa": Mário Martins (MM) da Fundação Trepadeira Azul. Primeiro: MM é já um velho "inimigo" de B. Segundo: "Causa"? B. move-se por causas??? Para mim essa é uma novidade em que não acredito.
Mas o maior problema desta notícia é anunciar que apresentei uma queixa contra B. Não, não apresentei ainda porque estou à espera da gravação das suas declarações. "O Interior" leu mal o que eu escrevi. Realmente, apresentei queixa contra alguém (que não revelo para que não desapareçam meios de prova), por grosseiras difamações, mas não é B. O Interior deduziu... mal.
No habitual "no fio da navalha" a Assembleia é avaliada negativamente. Diz-se que ela "aprovou uma moção de repúdio a Américo Rodrigues, por alguns escritos no seu blogue pessoal. Ora, um caso que é pessoal devia ser tratado nos tribunais e não naquele órgão, que agiu corporativamente numa história mal contada. O resultado deste episódio é que um presidente da Junta satisfez a sua vingança - que não vai ter qualquer efeito prático- e arrastou consigo a credibilidade de uma instituição, que, pelos vistos, também se predispõe a defender interesses individuais". Concordo inteiramente com esta opinião que, aliás, julgo corajosa. E sou insuspeito, dado o historial de controvérsias que mantive com o director do jornal. Acho, aliás, motivo para elogio dizer o que o jornal diz: Almeida Santos é colunista do jornal e João Correia é sogro do director da publicação. Quanto ao segundo não tenho nenhuma dúvida que respeitará esta opinião. "O interior" comportou-se, pois, com toda a justiça.Melhor resumo não vi em toda a imprensa local.
Também "O Interior" não recolheu a minha opinião acerca do assunto.
A surpresa final vem na crónica de Cláudia Teixeira (deputada do CDS na Assembleia). Ela revela que o CDS/PP votou contra a proposta, por achar que ele "não devia ser tratado no AM, cuja competência maior é acompanhar e fiscalizar a actividade da Câmara". Uma surpresa que se regista com agrado. Afinal há quem, apesar das diferenças ideológicas, se oriente por princípios ( e não se cale ou assobie para o ar).

PS. Não ouvi os trabalhos das Rádios locais nem elas me ouviram. Disseram-me que ouviram B., esse ouviram. E que ele se referiu a posts que não existiram da forma como ele os descreveu. Ora, sendo o director da RA um dos seguidores deste blogue, está particularmente bem informado. Mas não achou necessário ouvir o... repudiado.

Logo de manhã

Levantei-me cedo e nem dei conta de que estava a nevar na Guarda. Liguei a televisão, uma espécie de "ruído" de fundo. Porém, não deixei de ouvir um director de um aeroporto de Londres a assumir a responsabilidade (a sua e dos serviços)na demora na remoção da neve e na reposição das condições de funcionamento daquele equipamento, na sua plenitude. Admitiu todas as críticas, assumiu publicamente a fragilidade da sua acção e dos seus subordinados, a falta de prevenção, a escassez de equipamento (porque nada fizeram antes para o ter) e chegou a dizer que, por isso, se recusava a receber o seu "bónus"! Se fosse em Portugal, na Guarda, a culpa seria, com toda a certeza, dos cidadãos... que não limpam os passeios à frente de casa.

Outra notícia, com direito a entrevista a um médico. Colocar o computador no colo pode criar problemas de fertilidade e, sem dúvida, origina a produção de espermatozóides de má qualidade. Tudo por causa do calor excessivo. O homem chegou a dizer que os homens quando se sentam devem deixar as pernas bem abertas... por causa do excesso de calor nas partes pudibundas.
Ó caraças! Estou com com um computador no colo e, ainda, por cima, estou de cuecas a ver televisão! Os meus espermatozóides estão tramados! Arrefecimento, já!
Confesso que às vezes não sei se estamos a ver peças científicas ou trabalhos de humor para nos alegrarem as manhãs.

PS. Vem-me à memória o conselho de um velho sábio guardense (astrólogo e inventor de árvores genealógicas): "Para ter espermatozóides de boa criação não há como andar de... tractor. Porquê? Por causa das vibrações, claro, seu estúpido!"
PS2- O corrector ortográfico que uso não conhece a palavra "espermatozóide" nem a palavra "pudibunda". Acho que o computador está a aquecer demasiado.

Quarta-feira, Dezembro 22, 2010

A foto do repudiado


Aqui está: O cidadão Américo Jorge Monteiro Rodrigues, da Guarda, objecto (!) de um voto de repúdio pela Assembleia Municipal da Guarda, por opiniões publicadas no seu blogue pessoal Café Mondego.

Terça-feira, Dezembro 21, 2010

Pelo Noéme

Pode assinar aqui a petição em favor do Noéme, dinamizada pelo Márcio Fonseca. Ele, através do blogue Crónicas do Noéme, bem tem chamado a atenção para o crime de poluição do rio Noéme (que é também o rio da minha infância), sem resultado à vista. Tem lutado contra o silêncio e a impunidade. É tempo de tomar uma posição colectiva. Assine também a petição.

A revista


Saiu finalmente o prometido número da revista "Praça Velha" (o nº28). Ele aí está! Não me perguntem onde se vende porque eu não sei dizer-vos. Talvez só se ofereça ou se assine. No entanto, há muito que merecia divulgação nacional.
Este nº apresenta um núcleo temático dedicado à "República" e não à "República na Guarda", como estava estabelecido (o que fazia todo o sentido e se enquadrava no espírito e objectivos da revista). Para ler há artigos de Adriano Vasco Rodrigues (acerca da contribuição da Inglaterra.../o processo republicano na Guarda), Aires Diniz (sobre o Sidonismo na Guarda), Antonieta Garcia (acerca do feminismo), António Rafael Amaro, Augusto Moutinho Borges, Carlos d'Abreu e Emilio Rivas Calvo, Dulce Helena Borges (sobre o Paço Episcopal e Seminário), Ernesto Rodrigues, Helder Sequeira (sobre Augusto Gil, director de jornal) e José Manuel Mota da Romana (acerca do orador Afonso Costa). Há pelo menos dois textos de conferências.
Publicam-se tambem artigos sobre Património e História da autoria de Alexandre Costa Luís e Carla S. Xavier, António Salvado Morgado e José A. Esperança Pina.
O portfólio é ocupado com fotos de Luís Rebelo que nada com as perspectivas de sempre da nossa cidade.
Fernando Paulouro Neves (o excelente jornalista) faz uma boa entrevista a Gomes Canotilho (mas que é uma peça, surpreendentemente, pequena em relação ao que tem sido habitual na PV). Não seria expectável uma "grande entrevista"?
O poeta manuel a. domingos (de que tanto gosto) publica poemas inéditos. É a única contribuição "criativa" neste nº. Não há contos, teatro, crónicas. Neste aspecto, da criação, a revista é pobre.
Mas o maior problema é nas "recensões de obras de autores" da cidade ou sobre ela. Ao mesmo tempo que se incluem críticas rigorosas publicam-se também notas "impressionistas" com pouca valia. Por outro lado, continuam a ser divulgadas apreciações por quem não tem "distância" suficiente em relação ao objecto analisado. Há casos até em que parece ter sido o autor da obra a escolher o recensor! Também não parece haver critério de ocupação de espaço. Uns escrevem uns escassos parágrafos e outros duas ou três páginas. É, portanto, uma secção muito irregular.
A revista termina com uma súmula das actividades culturais realizadas na Guarda. Cabe lá quase tudo mesmo o que não é da Cultura. É uma súmula pouco súmula.

Foram também apresentados, entretanto, novos cinco números de o Fio da Memória: “Carvalhal Meão: tradição e religiosidade” de Carlos Carvalheira, “Ranchos Folclóricos da Ramela” de António Sá Rodrigues e Vânia Sofia Pires da Cunha, “Dr. José Pereira da Silva - Médico, Filantropo e Humanista” de Isabel Coelho Antunes, “Raiz de Trinta - Associação Juvenil - 11 anos a criar raízes” de Carlos Fonseca e “Sete Nomes de Terra” de Joaquim Martins.
Penso que a colecção devia ser repensada em termos de projecto editorial. Neste caso assume-se, desde o início, que é "irregular por natureza" (como a memória de cada um) mas... qual será o critério usado para publicar ou não? É em regime de self service? E, depois, o que justificará editar um nº com 6 páginas impressas ocupadas com recolhas, breves comentários de ligação e agradecimentos? Noutros tempos cada caderno tinha que ter no mínimo 20 páginas. Obviamente, não são os autores que estão em causa mas sim o... critério.E essa é a parte mais difícil: definir uma orientação editorial do projecto. Se alguém dissesse à pessoa que escreveu 6 páginas que isso não daria para um caderno (mas sim para um folheto) ele completaria o trabalho, estou certo disso.
Porém, há sempre um ou outro caderno que salva a honra do convento. Leia-os atentamente em vez de os... coleccionar, apenas.

Protesto


Como estou de férias da empresa que dirijo, julgo que pelo menos durante este período poderei ser um cidadão de primeira, que não se sujeitará a qualquer forma de "censura social", por causa das suas opiniões.
Sendo assim, apresento-vos a t-shirt que passarei a usar, nos próximos dias. É a forma que tenho de protestar. Chama-se usar o direito à indignação.
O trabalho gráfico é de Mecca e é particularmente feliz e incisivo. REP remete para a ideia da República e "udiado" para a maneira como alguns analfabetos caciqueiros escreveriam o que eu sou para eles.

Segunda-feira, Dezembro 20, 2010

Luz e sombra


Hoje na Bertrand do Vivaci, onde fui à procura de livros de Gonçalo M. Tavares, tropecei, literalmente, num livro de outro nosso conterrâneo (natural de Foz Côa)chamado António Trabulo. A obra chama-se "República, luz e sombra" e foi editada pela Parceria A M Pereira.

"Esta obra proporciona ao leitor não só uma original estória de amor, como uma visão "cinematográfica" do dia-a-dia dessa época conturbada de revoltas constantes, bombas, governos de brevíssima duração. Uma época onde emergem políticos, uns de envergadura, outros medíocres, mas unidos em cumplicidades suspeitas", diz a Bertrand.

O cisne submerso


Devia ter falado antes mas só há pouco soube que tinha sido editado um livro póstumo do poeta Fernando Pinto Ribeiro, nosso conterrâneo.
Ele é quase desconhecido do público guardense, cidade de que se tinha afastado ainda jovem. Muito mais tarde, a "Praça Velha" publicou alguns inéditos dele, dentro de um quadro de aproximação à sua terra natal. Porém, a Guarda sempre foi madrasta para os seus e essa vontade de renovar a relação afectiva não teve consequências.
Aqui fica a capa do livro póstumo e a promessa de que o livro há-de ser lançado na nossa terra, num dia destes. Veja aqui a notícia do lançamento.

Justiça

Numa reunião da Assembleia Municipal, cuja competência maior é "acompanhar e fiscalizar a actividade da Câmara Municipal" foi aprovado um voto de repúdio pelas declarações, consideradas ofensivas, da minha autoria e publicadas neste blogue pessoalíssimo. A coisa é estranha mas mais tarde ou mais cedo há-de perceber-se.
Claro que, numa sociedade democrática, um cidadão que se sente insultado ou difamado por outro cidadão deve recorrer aos tribunais e não a um órgão político fiscalizador da acção da Câmara. Ninguém dos presumiveis ofendidos accionou contra mim qualquer processo, pela simples razão de que não ofendi, pessoalmente, quem quer que fosse (e muito menos o órgão Assembleia), limitando-me a dar opiniões acerca de vários actos, de que fiz a respectiva leitura política. Porém, mesmo assim, a Assembleia achou que fazia sentido aprovar um voto de repúdio às minhas opiniões. Abriu um precedente gravíssimo. Atenção aos cidadãos que escrevem nos jornais ou falam na rádio: não critiquem a acção de deputados ou da própria Assembleia! Podem ser repudiados. Ou talvez não e este acto tenha sido dirigido a um alvo concreto: eu próprio. Se for assim, sinto-me honrado em me terem escolhido. É sinal de que me atribuem mais importância do que às dezenas de cronistas de rádio e de jornais (alguns são só... opinião, notícias quase não há). Agora percebo por que razão vários órgãos de comunicação queriam a minha colaboração. No fundo sabiam que eu lhes podia dar uma enorme publicidade, logo que fosse repudiado! (Aos analistas de blogues: esta última parte é irónica!).

Ao inverso do que parece acontecer com os presuntos ofendidos (que nem sequer sei, com exactidão, quem são) eu acredito na Justiça. Sendo assim, acabei de apresentar, hoje, uma queixa contra uma pessoa que sistematicamente me ofende e difama. Farto de tolerar mentiras, insultos e uma perseguição irracional, intentei um processo judicial contra o citado senhor. Useiro e vezeiro em me insultar, diminuir e maltratar, através de uma continuada campanha psicológica, vai ter que provar em Tribunal tudo aquilo que ele julgava dizer em ambiente de total impunidade. Enganou-se. A honra e a honestidade é o que eu tenho de mais valioso e jamais deixarei de o defender. Espero que o Tribunal faça, agora, o seu papel.
Outros casos se seguirão: humilhar um cidadão tem que ter consequências.

Contra a vergonha

No Facebook dezenas de pessoas tomam/tomaram posição contra o voto de repúdio de que fui alvo por parte da Assembleia Municipal da Guarda, por "declarações ofensivas" publicadas neste meu blogue pessoal. O assunto é comentado no panorama nacional como sendo uma "vergonha": um órgão político contra um cidadão que, apenas, expressou a sua opinião.
O voto contribuiu, assim, para um súbito desgaste da imagem da Guarda. A Assembleia prestou, na opinião de dezenas de cidadãos, um péssimo serviço à cidade e à democracia. Se, por estas afirmações, me quiserem re-repudiar ou, quiçá, expulsar da cidade... estejam à vontade!
Agora percebe-se melhor a intervenção do Presidente da Assembleia neste processo. Vejam aqui (jornal O Interior) o que ele disse em anterior reunião e perceba-se quem poderia acabar à nascença com o caso mas preferiu alimentá-lo. Espero que em futuras reuniões da Assembleia alguém tenha a coragem de confrontar os responsáveis pelo que de negativo fizeram pela dignidade e imagem da nossa terra (de repente, "falada" como sendo uma cidade onde se repudiam as afirmações de cidadãos livres).

Mais reacções aqui e aqui.
E veja aqui também ... uma ficção.

Domingo, Dezembro 19, 2010

Processo: Chamam o Sr. Kafka ao telemóvel

Tendo receio de que os que procuram saber mais acerca do que levou ao voto de repúdio da minha pessoa pela Assembleia Municipal da Guarda se percam no meio de tanto informação, apresento aqui uma sistematização dos acontecimentos, sendo o mais rigoroso e imparcial possível, apesar das circunstâncias:
1. A fundação Trepadeira Azul promove um concerto de música erudita, na sua quinta, ao ar livre, na freguesia de Aldeia Viçosa, em pleno Verão.
2. O presidente daquela freguesia (e mais um grupo a tocar vuvuzelas) promove uma manifestação em frente à quinta, pretendendo impedir o concerto, argumentando contra o presidente da Fundação e referenciando conflitos entre ambos.
3. Foi chamada a GNR que deu ordem de retirada ao autarca (que não cumpriu). Não foi detido. Eu, na presença das autoridades, disse-lhe que "era uma vergonha um autarca resolver conflitos daquela forma,prejudicando terceiros, e que ele poderia recorrer a processos legais". A GNR afastou-me do local.
O concerto começou mas foi boicotado pelo som de vuvuzelas.
4. No dia seguinte denunciei o comportamento e acção do presidente da junta no meu blogue pessoal.
5. Na primeira Assembleia Municipal, a seguir àqueles incidentes, o mesmo presidente da junta apresentou uma proposta de corte de 20% no orçamento do Teatro Municipal da Guarda (de que sou director, para quem não sabe), fazendo várias considerações sobre a minha pessoa.
6. A Assembleia aprovou esse voto/recomendação, completado pelo PSD com a indicação de que o dinheiro correspondente aos 20% deveria ser distribuído pelas juntas de freguesia.
7. Como cidadão e no meu blogue pessoal insurgi-me contra aquilo que eu considero uma vingança (Baltasar vingava-se do episódio acontecido na Fundação Trepadeira Azul) e contra a recomendação do corte ao TMG.
8. Na sessão seguinte da Assembleia Municipal, o presidente da junta citado apresentou um voto de repúdio contra as minhas declarações publicadas no blogue. Fez considerações, mais uma vez, sobre a minha pessoa, remunerações e progressão na carreira, pretendendo diminuir-me ou fragilizar-me. Por iniciativa dos grupos do PS e do PSD a votação foi adiada para a próxima Assembleia, para que se analisasse o que escrevi no meu blogue pessoal e como cidadão.
9. Da ordem de trabalhos da Assembleia, realizada anteontem, fazia parte, então, o ponto "Discussão e votação das declarações públicas do Director do TMG, Dr. Américo Rodrigues". Ou seja, apesar de todas as declarações terem sido publicadas no meu blogue pessoal e como cidadão, a Assembleia dirigida por J. Almeida Santos considerava que as declarações eram do Director do TMG, que nunca fez a mínima consideração neste processo todo. A AM juntava também uma versão resumida e outra completa de vários posts que publiquei aqui no Café Mondego, na etiqueta "cidadania", considerados ofensivos da Assembleia e dos seus deputados.
10. O voto de repúdio foi apresentado e votado. Foi aprovado, por voto secreto, pela Assembleia, presumivelmente, com os votos do PSD e de vários elementos do PS, e com votos contra da CDU e de alguns elementos do PS. O repudiado não foi ouvido em todo o processo.

Notas sobre a história de um repúdio

Soube-se no Café, de fonte segura, que o PS, em reunião preparatória, decidiu não falar na discussão da proposta de repúdio do cidadão Américo Rodrigues. Ou seja, decidiu calar-se. Lavar as mãos como Pilatos. Como se o exercício de liberdade de opinião (seja de quem seja) não fosse um assunto fundamental da vida democrático. O PS decidiu-se pois pelo silêncio. Significativo. Como é significativo que o líder da bancada se tenha ausentado antes da votação.
Felizmente, há sempre quem não acate a absurda lei do silêncio. Desta vez, este papel foi desempenhado por Quelhas Gaspar que, na Assembleia Municipal, disse o que pensava. Como o fez também Aires Dinis da CDU.
O PSD, liderado por alguém que sempre me disseram ser um homem íntegro, apelou ao voto no "repúdio". Não me surpreendeu, tendo em conta a posição anti-cultural de alguns dos seus membros. O BE enrolou-se em explicações para dizer que nada tinha a ver com aquele assunto. Aqui está uma posição confortável: nada dizer, nada querer saber acerca de um assunto onde o que está em causa é a ...liberdade dos cidadãos.
O Café soube também (por mera amostra) que muitos dos deputados não leram o processo (gosto desta designação: "O processo"), nem tão pouco o resumo das minhas opiniões. Votaram baseando-se na introdução feita pelo presidente da Junta de Aldeia Viçosa que entre, outros mentiras, disse que eu tinha chamado "estrume" à Assembleia. A título de mero exemplo, veja-se o que eu realmente escrevi: "Estes tempos (de "crise") são estrume para o florescimento de novos populistas e demagogos. Não há, pois, que estranhar que apareçam mais uma vozes a reinvidicar cortes na área da cultura (o TMG é um dos seus alvos preferidos, tendo em conta a dimensão nacional que conseguiu, que jamais eles conquistarão) ou transferências daqui para ali. Porquê? "Porque sim", é a resposta de gente que nunca fez nada que se visse, em geral, gente sem profissão e que vive à custa de expedientes e cunhas.". Vê o leitor qualquer referência à Assembleia ou aos deputados municipais? Não, claro. A técnica usada pelo tal Baltasar foi essa, a de recorte sem contextualização, o da manipulação vergonhosa. Tão vergonhosa que, logo que eu obtenha a gravação da sessão, ele será responsabilizado por via judicial. Pelos vistos é a única forma em que se pode confiar, tendo em conta o que aconteceu na última Assembleia Municipal, espaço democrático onde foi aprovado um voto de repúdio a um cidadão (talvez inédito a nível nacional!).
Responsabilizando o autarca de Aldeia Viçosa pela condução de um processo vingativo, que não se pense que desvalorizo o voto dos deputados. Poderiam ter lido os documentos todos, poderiam ter criado uma comissão de inquérito, poderiam ter-me ouvido, poderiam ser respeitadores da liberdade de opinião de um cidadão. E, claro, o presidente da AM poderia ter evitado tudo o que aconteceu, se tivesse atalhado o ímpeto inicial de ajuste de contas pessoais que movia Baltasar. Não o fez e na minha opinião ele é o principal responsável político por tudo o que aconteceu. Sendo certo que eu não vislumbrava qualquer coisa que ele tivesse feito pela Guarda (ao contrário deste que se subscreve, desculpem a imodéstia), apercebo-me agora de um verdadeiro acontecimento da sua lavra: Foi na sua presidência que um cidadão foi repudiado por dizer o que pensava. Pode limpar as mãos à parede, Professor Doutor João Agostinho de Almeida Santos (*)!

(*) Acham possível que nos mandatos de Almeida Santos (o original), Rogério Nabais ou José Igreja fosse possível aprovar um voto de repúdio de um cidadão? Eu acho que seria impossível.

Sábado, Dezembro 18, 2010

O repudiado


Vergonhoso

Ontem, na Assembleia Municipal da Guarda, foi aprovado um voto de repúdio em relação ao cidadão Américo Rodrigues, por opiniões publicadas neste blogue pessoal. Em todo o processo não foi ouvido e foi designado como "Director do TMG", apesar de, a olhos vistos, este ser o seu blogue pessoal.
O voto é uma vergonha para a Assembleia Municipal, para a Guarda e para a democracia. Os responsáveis por tal acto, dirigido ad hominem contra um cidadão com direito a opinião, serão, um dia, responsabilizados por terem transformado um órgão respeitável numa tribuna para acertos de contas pessoais e para a perseguição de quem se lhes opõe com frontalidade.
Para mais informações ler aqui, aqui, aqui, aqui, aqui.

PS. Espero que, pelo menos, a AM me envie uma certidão ou declaração para que eu a possa guardar ao lado do diploma relativo à medalha de mérito municipal que me foi atribuída.

Sexta-feira, Dezembro 17, 2010

Uma coisa

Uma coisa é certa, nesta manhã. Se eu tivesse vivido em tempos de Inquisição há muito que tinha sido torturado e queimado vivo.
Uma coisa é certa, nesta manhã. Se eu tivesse vivido em tempos da Pide (ela era para mim, apenas, a casa em frente à minha escola) há muito que tinha sido torturado e preso por delito de opinião.
Uma coisa é certa, nesta manhã. São incertos os dias.

Sangria

As novas paragens de autocarro estavam, agora, limpas, na sua sobriedade de paragens de autocarro. Simples, com um horário e uma frase que nos promete razões para sermos mais felizes (ai estes marqueteiros!). Pois bem, há sempre quem borre a pintura. Há sempre alguém que estrague. Há sempre alguém que ache que tem deixar a sua marca: cartazes feios e fita cola. E pronto: aí temos o anúncio. Um bar qualquer vai fazer uma festa de sangria. Nem mais, era o que nós precisávamos neste Natal. Uma festa de sangria.
Parece uma questão pequenina. Exactamente, parece pequenina. Mas um simples cartaz de uma festa sangrenta serve para aferir do nosso "grau de cidadania".

Quarta-feira, Dezembro 15, 2010

Carta aberta



Carta aberta que Mário Martins/Trepadeira Azul dirigiu ao Presidente da Assembleia Municipal da Guarda. Clicar na imagem para aumentar.

Discos



Há uns, numa atitude quixotesca, tentei que existisse na Guarda uma actividade discográfica contínua. Mas, rapidamente, percebi, que estava sozinho nessa luta. Foi o tempo das "Canções do Ceguinho" do César Prata, de "A morte do príncipe D. Afonso e outros romances tradicionais da Guarda" de Teresa Gonçalves, de "ora doba deira doba" da divinal Júlia Fonseca, da edição das várias bandas sonoras de exposições no Paço, de "Maçainhas" de Campanula Herminni, do CD colectivo "Ar", do " Guarda vozes", dos meus próprios discos e de tantos outros projectos que agora não me ocorrem.
O panorama, neste final de anos, animou-se, surpreendentemente. Há dias saiu o disco do grupo "Síntese" (música contemporânea) e amanhã e depois serão apresentados mais dois: "Canções de cordel" de César Prata e "Cumeada" de Campanula Herminii. Três projectos de elevada qualidade. A estes discos juntar-se-á também no início do próximo ano o novo disco da cantora Maria Salgado (que acabo de receber). Tem temas dos dois lados da fronteira e chama-se Abraço/Abrazo. No disco (editado no âmbito da cooperação entre o TMG e a Junta de Castilla y Lèon) participam os músicos guardenses Rui Pedro Dias, César Prata e Vanda Rodrigues. No disco há vários temas da nossa região.

Dedicação

Não interessa o nome. O nome é o que menos interessa. Ele não faz isto por causa do nome.
O meu barbeiro (que nunca me fez a barba mas corta-me o cabelo), que tem mérito e clientela, abandona o seu trabalho, todas as terças feiras de manhã (ele e a esposa), para ir fazer voluntariado junto de uma instituição de portadores de deficiências. Esquece o dinheiro que podia ganhar continuando a trabalhar e lá vai ele (e a esposa) dedicar uma manhã a praticar atletismo com os jovens, que anseiam a sua chegada.
A ele se deve muito do que se fez na área do atletismo na Guarda. É um activista e treinador há muitos anos. E, agora, decidiu dedicar-se àquela equipa de jovens deficientes. Há cinco anos que se alegra com aqueles jovens!
Vós não acreditais (que sois cépticos!) no brilho do olhar deste homem. Da intensidade com que se dedica aqueles jovens. Da alegria que tem em vê-los crescer e começarem a correr (às vezes, dir-se-ia que seria impossível a sua tarefa). Da maneira cúmplice como fala deles, sem que, jamais, os trate como "coitadinhos". Não há caridadezinha na atitude de se dedicar ao voluntariado. Há, sim, sentido de que os homens têm que ser solidários e que se completam em actos como o que acabei de descrever.
Ele e outros vão anunciar em breve a criação de uma associação que trabalhe na área do desporto e da cultura com "deficientes". Confessou-me que se quer dedicar a tempo inteiro a esta causa, do desporto de "deficientes". Logo que possa. Entretanto, guarda as terças feiras para se dedicar à sua equipa. Nós ficamos surpreendidos por haver gente assim. O dinheiro, realmente, não é tudo. A realização deste homem é, para além do seu trabalho diário, apoiar os outros. Os mais frágeis.

O amor possível

Todos os dias levo o meu filho à escola (a que eu chamava Liceu). E todos os dias, à mesma hora, regresso usando o caminho que passa ao lado do Castelo. E todos os dias, antes de chegar ao cemitério (que fica do lado direito), no mesmíssimo lugar, encontro dois adolescentes a beijarem-se. Todos os dias, aquele grande amor. Nunca faltam. Há dias, lá estavam eles a beijar-se à chuva. Que amor aquele?! Confesso: são amores destes que me ajudam a enfrentar o dia a dia. Ao vê-los, concentrados numa ternura imensa, ganho resistências para enfrentar o desânimo.
Um dia deste paro o caro e vou lá agradecer-lhes. Agradecer-lhes o facto de se amarem tanto e serem uma lição para quem passa. Mal eles sabem o bem que nos fazem! Tenho medo, no entanto, que se assustem se os abordar. É melhor. O melhor é que eles continuem ali, à mesma hora, beijando-se perdidamente. E eu, perdidamente, confirme todas as manhãs de que o amor é, ainda, possível.

Terça-feira, Dezembro 14, 2010

"Repúdio"

Na próxima sessão da Assembleia Municipal da Guarda, a realizar na próxima sexta feira, vai ser discutida e votada a seguinte proposta:

"Ponto nº. 2.8

«Discussão e votação de Moção proposta pelo senhor
Deputado Municipal Baltasar Lopes, nos termos da Proposta subscrita
pelos Grupos Municipais do PS e do PSD e aprovada na sessão da AMG de
24.09.2010»:
«Moção de Repúdio
Considerando que os membros desta Assembleia foram, todos eles, eleitos
democraticamente; que, por isso, representam legitimamente os seus
eleitores, tendo sempre votado em consciência - o que aconteceu na
Assembleia Municipal realizada em Junho, na Freguesia do Marmeleiro -
proponho o seguinte:
Tendo em conta que o senhor Director do Teatro Municipal da Guarda,
Dr. Américo Rodrigues, tem vindo a insultar publicamente esta
Assembleia - que é constituída por Deputados Municipais e por
Presidentes de Junta de Freguesia – por esta ter votado favoravelmente
uma Recomendação de corte de verbas ao TMG, a Assembleia Municipal
da Guarda, reunida em Sessão Ordinária em 17 de Dezembro de 2010,
aprova uma Moção de Repúdio pelas afirmações insultuosas que o
senhor Director do TMG, Dr. Américo Rodrigues, tem vindo a proferir em
relação à Assembleia e aos seus membros.
a) O Deputado Municipal proponente, Baltasar Lopes"



Acontece que esta proposta está redigida a partir de uma inexactidão grave (que julgo ser intencional). É que o director do TMG não escreveu uma única linha sobre o assunto a que se refere o deputado. Nunca fez declarações públicas como director do TMG acerca daquele tema. Portanto, é formalmente e factualmente errado/incorrecto afirmar o que o deputado afirma. Aliás, o director do TMG recusou, inclusive, fazer qualquer comentário sobre o assunto dos "cortes", na altura em que isso lhe foi solicitado por uma rádio e um jornal da terra (RA e O Interior).

O que Baltasar considera insultuoso é o que escrevi no meu blogue pessoal "Café Mondego" que, antes de ser blogue, era um programa radiofónico da R. Altitude. No blogue, como tantas vezes o tenho repetido, falo como cidadão livre. E, obviamente, o que escrevo apenas me responsabiliza a mim. E jamais vincula o TMG. A separação de papéis é clara (no meu blogue pessoal falo de política da cidade, de cultura, da família, do quotidiano, do que sinto). Claramente, não é um blogue do TMG (ou do seu director), que, aliás, tem também um blogue para divulgar as suas actividades.

Percebo que Baltasar queira confundir as coisas. Isso interessa-lhe no seu afã vingativo. Porém, já acho estranho que a Assembleia (dirigida por alguém que tanto se considera intelectualmente) assuma a posição de Baltasar e tenha enviado aos deputados extensa documentação intitulada:
"6. Declarações públicas do senhor Director do TMG, Dr, Américo
Rodrigues".
É que vai-se ver e nada do que a Assembleia compila é da autoria do director do TMG mas sim do cidadão Américo Jorge Monteiro Rodrigues. Todo o material compilado é extraído do blogue pessoal do citado cidadão. Como é possível que quem dirige a Assembleia não queira ver/estabelecer as diferenças entre o direito à opinião, de Américo Rodrigues, e as posições públicas (que não existiram) do Director do TMG? Talvez alguém consiga, mais tarde, compreender o que move os protagonistas deste assunto.

Uma coisa é certa: a Assembleia (nem ninguém) não pode atribuir afirmações ao Director do TMG que ele não fez, naquela qualidade/função. É indevido e, formalmente, incorrecto. Espero que o erro seja corrigido.

Vejo a documentação que foi enviada aos deputados. Que trabalheira! Tanto trabalho para fundamentar uma moção de repúdio. E tantos assuntos importantes para o futuro da cidade à espera de serem tratados e debatidos. Mas o "meu" caso é, presumivelmente, prioritário! Não é todos os dias que se "acertam contas" com um cidadão... indefeso!

Na citada documentação (e na ânsia de bem fundamentar a proposta de repúdio) chega-se ao cúmulo de incluir posts que nada têm a ver com presidentes da junta , deputados ou Assembleia. Por que estão juntos, então, se não se referem ao mesmo assunto? Não vou dizer que Freud explicaria isso, mas, seguramente, Maquiavel teria aplaudido essa decisão. A certa altura até tive receio de ver também compilado algum poema meu ou um palavrão qualquer. Ou seja, tudo que que servisse para me "incriminar"!

Mas o mais estranho (e, na minha opinião, inaceitável numa democracia) é terem juntado também um post que... não existe. Ou seja, um post que apaguei dois dias depois de escrito, por considerar que estava apoiado em opiniões que não se revelaram fidedignas. Deitei-o para o lixo do computador e pronto. Deixou de existir, pois eu retirei-o. Porém, alguém o foi recuperar para o juntar à documentação (metaforicamente: como se alguém fosse buscar o papel amarrotado que deitei para o caixote do lixo). Inclassificável, nos métodos e na substância. E kafkiano: um papel virtual deitado para o lixo e, portanto, inexistente, é assunto de debate numa AM!



Sexta feira, a AM votará a moção de repúdio.Moção contra o cidadão Américo Jorge Monteiro Rodrigues. Será aprovada ou não. O cidadão, serenamente, espera. Não há, em todos os escritos, qualquer falta de respeito ao órgão que se chama Assembleia. Mas isso pouco há-de interessar.

PS- O senhor Presidente da Assembleia Municipal quando escreve crónicas nos jornais ou posts no seu blogue... vincula a AM da Guarda ou o Gabinete do Primeiro Ministo? Escreve como cidadão ou como assessor do Primeiro Ministro, por exemplo? O teor do que escreve é ou não da sua exclusiva responsabilidade enquanto cidadão?

Domingo, Dezembro 12, 2010

Direitos

Às vezes é preciso lembrar:
Artigo 37.º da Constituição Portuguesa

"Liberdade de expressão e informação

1. Todos têm o direito de exprimir e divulgar livremente o seu pensamento pela palavra, pela imagem ou por qualquer outro meio, bem como o direito de informar, de se informar e de ser informados, sem impedimentos nem discriminações.

2. O exercício destes direitos não pode ser impedido ou limitado por qualquer tipo ou forma de censura. "

Na próxima sexta feira se saberá se no território da Guarda se aplica esta norma constitucional. Ou se ela se aplica mesmo a "todos".
É um crime impedir alguém de divulgar o que pensa. E a censura (use a forma que usar) é inadmissível em democracia.
Vou lutar pelos meus direitos até ao fim, custe o que custar. E não deixarei de responsabilizar quem atentar contra eles.

Sábado, Dezembro 11, 2010

A felicidade é... fácil?

Chego, de Coimbra, ainda de manhã. À entrada da Guarda vejo que a Super Bock descobriu outro "F" para a Guarda, o de "fácil". Fácil, pois então!
Passeio pelo Centro Histórico, já que tenho tempo. Primeiro, o sorriso da senhora do Quiosque, senhora que está sempre bem disposta. Depois, o Paço da Cultura entreaberto e, no claustro, o presépio e os sinos do Rui Miragaia. Rui é um artesão talentoso que aprendeu com o pai a trabalhar o ferro e outros materiais dóceis. O presépio fica ali bem. Disseram-me que um jornal local dedicou uma manchete (se calhar não há assuntos mais importantes para noticiar!!!) ao assunto "presépio emprestado à Câmara". Fico confuso. Este presépio é ou não é da Câmara? Eu estava convencido que sim. Não posso deixar de reparar, também, nos candeeiros partidos, o que é inexplicável num edifício que é um monumento nacional.
Prossigo.
Na rua do Comércio instalaram uns postes para anunciar as lojas das ruas transversais. No entanto, em vez de ver publicidade cuidada ou simples sinalética, o que se vê são papéis presos por fita cola ou plástico amarrotado.
Chego à Praça Velha. Reparo que colocaram o tradicional presépio numa sala com portas de vidro. Vejo-o ao longe. Quando tento aproximar-me, para ver melhor, dou conta que o portão de acesso ao edifício está fechado a cadeado. Nunca tinha visto, um presépio fechado a cadeado e que só pode ser visto, à distância, atrás das grades! Péssima ideia, péssima imagem. Havia risco de as peças desaparecerem? Sempre houve. Mas antes o risco (ou desistir de uma vez de o ter ali) do que esta cena de um presépio inacessível. Um presépio com medo de ser roubado! Para a próxima levo uns binóculos...
Ao lado desse edifício (que albergou a Mediateca e o Turismo), dois outros prédios abandonados, a cair. Que imagem tão degradante! Na sala de visitas da cidade, duas casas a ruírem, com as janelas abertas, cheias de teias de aranha, sujas e feias!!! Sei que são de particulares e que se vivêssemos num país de jeito aqueles seriam obrigados a recuperá-las ou a pagarem a intervenção. Ali, à frente da Sé, que vergonha!!! Mas a Câmara não poderá sensibilizar, motivar ou obrigar os donos (que deviam ser condenados a indemnizar a Guarda por danos de imagem)? Ou, então, cobrir as casas com uma tela (barata!) bonita? Tela que, por exemplo, mostrasse uma foto do edifício no seu antigo esplendor? Os proprietários opor-se-iam? Sei é que a imagem actual é intolerável!
Foi nesta altura, olhando para o ar, que pisei abundante caca de canídeo! Na Praça Velha. A cena que se segue... só filmada: como quem não quer a coisa arrasto o sapato, na tentativa desesperada de me ver livre da merda alheia. Como ali não há passeio nem relva lá fui eu a arrastar o pé, como um tonto coxo. A certa altura aparece-me à frente um quadrado de relva de plástico. Ó divina providência! Está ali à minha espera: para que eu esfregue o sapato merdoso. A relva de plástico é algo tão desprezível que merece tratamentos de polé!
Por causa da caca de cão (bonita aliteração!) lembro-me de uns dispositivos que foram colocados nos jardins, julgo que pelo Pólis, que distribuíam sacos de plástico, para que cada dono tratasse da caca do seu animal. Fui ver. Lá estavam eles mas sem sacos! Claro! Um semana depois de serem inaugurados (!) já não forneciam nada, nem sequer papel higiénico!!! Tratou-se, pois, de uma daquelas iniciativas que os urbanistas adoram. Julgam eles que, pelo facto de instalarem aquele mobiliário urbano (adoro esta designação), todos os munícipes percebem subitamente que têm que tratar da recolha da merda do seu cão e de ser cidadãos responsáveis (ou vice versa)!!! Santa ingenuidade! A coisa (que é cultural) é mais complicada do que pode parecer à primeira vista. Podem demorar-se anos a conseguir que um dono de um cão perceba que os dejectos que este larga são da sua responsabilidade (sua, do dono do canídeo). E a Guarda não fica na Dinamarca!
Encaminho-me para o sítio onde estacionei o carro. No percurso ainda deparo com um anúncio. "Ensina-se guitarra. Método fácil!". Fácil? A Superbock é que, afinal, a sabe toda! Estamos, mesmo, no tempo da facilidade e do facilitismo.
Só agora reparo que a viatura está à frente de uma paragem de autocarro. Leio o anúncio: "Em breve vai ter 6 novas razões para andar mais feliz!". Como? Lá está o "F" sublinhado, o "F" de feliz. E diz... "mais" E até fala de "novas razões", partindo, então, do princípio de que há velhas razões? Quais? O anúncio refere "em breve" mas está plantado há vários dias e nada de surpreendentemente feliz aconteceu na cidade, nos últimos dias! Ou a palavra "feliz" está ali banalizada/subvalorizada ou vêm aí mesmo tempos de novas razões para sermos felizes!!! Eu, claro, nem quero acreditar que as tais razões sejam... 6 paragens de autocarro. É pá!!! Isso é felicidade a mais!! É uma overdose de felicidade!
A felicidade é fácil? Ou a facilidade é feliz? Olhe, feliz Natal!

Quarta-feira, Dezembro 08, 2010

Nova rede de transportes

A ideia de haver na Guarda um nova rede de transportes urbanos, numa iniciativa da autarquia e da RBI, parece-me muito positiva. Acredito que é.
Mais autocarros, outros percursos, melhor e maior informação (pelo menos, há horários disponíveis)e, até, uma campanha de imagem, fazem com que eu pense que se avançou e se melhorou. Talvez porque o passado (de há dias) era o de uma cidade de Terceiro Mundo. Nem sequer se podia falar de uma "rede". Horários e percursos desajustados, terminologias ultrapassadas (como caricatura: um autocarro cujo destino era o inexistente Banco de Portugal), erros básicos (não havia nenhuma coordenação com os comboios), inexistência de informação, etc.
Espero que tudo o que foi apontado como negativo tenha sido tido em conta (a democracia deve funcionar!) e que a Câmara tenha exigido que a RBI (da Transdev) proporcione, realmente, um serviço público de qualidade.
Estava eu contente com a iniciativa quando, pelo canto do olho, deparo com um título do jornal "O interior". Anunciava que havia muitos cidadãos descontentes com a nova rede. Não cheguei a abrir o jornal. Tenho receio que haja mesmo muita gente insatisfeita (e que não seja, apenas, um tipo a protestar por o autocarro não parar à frente da sua vivenda!) e que, afinal, a campanha (que nos custou dinheiro) não tenha sido, apenas, uma operação de cosmética. É, que nos tempos que correm, há quem ache que resolve tudo através de acções de "imagem".
Prefiro acreditar que a CMG e a empresa ouviram, realmente, as pessoas da cidade e que houve planeamento, discussão e acção determinada.

Bispo surpreende

Não sou uma das ovelhas do rebanho (se sou, sou tresmalhada) e até regressei a um certo anti clericalismo (levando demasiado a sério as comemorações do centenário da República). Apesar disso, fiquei contente (e surpreendido) com o que o Bispo da Guarda terá dito à Rádio Altitude acerca do encerramento da Delphi na Guarda:

«As empresas às vezes deviam ser um bocadinho mais contemporizadoras e atentas aos problemas das pessoas. Ontem estive a falar com uma engenheira que trabalha na Delphi de Castelo Branco, e eles estão a trabalhar noite e dia, e feriados, para responder a encomendas».
«O que significa que esta concentração poderia, para já, ter sido evitada porque neste momento temos Castelo Branco com excesso de trabalho e esta gente [da Guarda] à míngua de trabalho. Portanto, uma racionalização teria sido possível».
«A desactivação do maior empregador da nossa cidade [Guarda] tem efeitos imediatos e que são diferidos no tempo. Muitos [dos trabalhadores] irão ficar com subsídio de desemprego durante três anos, outros durante mais algum tempo. Isso para nós é uma responsabilidade».

Esta questão é, deveras, importante. Em Castelo Branco trabalha-se noite e dia (e parece que a empresa contratou mais pessoas) e na Guarda... a fábrica vai fechar.
Fico contente pelo facto de o Bispo ter consciência social e de ter... voz (todos sabemos como a Igreja, por vezes, é silenciosamente cúmplice).

Claro que os defensores de um capitalismo selvagem (os neoliberais de palavra fácil) hão-de vir justificar com rapidez as opções da empresa. Só que o tipo de explicações desses senhores baseia-se, apenas, no dinheiro e no lucro e esquece as pessoas. O facto de ser uma empresa privada não a desobriga de proceder com humanismo!!!
Um facto positivo nesta semana: o bispo da Guarda não benze o capitalismo!

Terça-feira, Dezembro 07, 2010

Aula aberta sobre a minha poesia sonora

O Professsor Osvaldo Silvestre, no âmbito do programa de um curso de doutoramento, vai dar uma aula aberta sobre a minha poesia sonora, na Universidade de Coimbra, na próxima sexta feira. O Professor e poeta João Camilo (Universidade de Santa Bárbara- USA) dá pormenores aqui.

Perguntinha

O concelho de Montalegre teve ao seu serviço, no mais recente nevão, doze (12) limpa-neves.
No mesmo período quantos estiveram ao serviço do concelho da Guarda?

Domingo, Dezembro 05, 2010

Petição para a criação de uma unidade específica de combate a intempéries invernais da Guarda

Petição para a criação de uma unidade específica de combate a intempéries invernais da Guarda.
Veja aqui.

Victor Baía e a neve

Ele tornou-se "incontornável" nos últimos dias. O que dizia e o que escrevia no Facebook era "devorado" por cidadãos, entidades e comunicação social. Tornou-se (ou já era?) a voz mais credível em relação à previsão do tempo, para a Guarda. Numa altura em que não se sabe em quem confiar, nele confiava toda a gente. Estou a falar de Victor Baía que, com uma precisão notável, ia avisando a Guarda dos caprichos do tempo. E nunca falhou. Ele já era um colaborador do montanhista João Garcia. Mas, agora, tornou-se numa espécie de "porto de abrigo" dos cidadãos da Guarda, em relação à meteorologia. E, por isso, foi citado, seguido, "partilhado". Ele desenvolveu uma técnica eficaz de leitura das informações disponíveis na net, que fez dele um autêntico especialista. E, numa terra como a nossa, em que um nevão pode significar atrapalhação e falta de informação serena e objectiva, é uma sorte podermos contar com a tranquilidade competente de Victor Baia. E aqui está um caso de como um cidadão pode ajudar fortemente a sua cidade. Se for ouvido por quem deve, de imediato, agir.

PS. Espero que o último nevão (e consequente gelo) tenha ajudado as entidades de protecção civil a melhorar o inestimável serviço que devem prestar. Mais uma vez, a neve e o gelo iam paralisando a Guarda. Mais uma vez, se evoluiu da descontracção ao alarmismo. Mais uma vez, o cidadão não sabe onde obter informações rigorosas, a par e passo. Mais uma vez houve grande esforço mas também grande falta de meios. Mais uma vez a neve foi uma grande preocupação em vez de ser "beleza" e "cartaz turístico".
Assim, oxalá este nevão sirva para uma profunda reflexão. A Guarda, já o disse, tem obrigação de saber lidar, com eficácia, com os nevões.
PS2. Afinal, qual é a "cidade-neve"?