Vejamos como a imprensa local viu o caso do "voto de repúdio", pela Assembleia da Guarda, do cidadão autor deste
blogue.
"Nova Guarda":-
- O título da peça é "Baltasar Lopes espera "demissão" de Américo Rodrigues". Demissão... de quê, de onde? Isso, o
NG não indica. Lendo o artigo percebe-se que será do cargo de Director do
TMG. Já lá vamos.
O artigo é ilustrado por uma valiosa e expressiva voto. O presidente da Assembleia Municipal(
AM) recebe, com um sorriso de orelha a orelha, o voto de Baltasar ( a partir de agora, B.). O fotógrafo captou um momento de rara felicidade. Parabéns ao
NG por este "instantâneo" que vale mais do que mil palavras.
O
NG dedica (quase) uma página ao tema que diz que "trouxe maior suspense" à sessão da
AM. Fora deslizes na escrita, o articulista conta com rigor o processo: B.,
boicotador de um concerto, reacção minha num
blogue "pessoal", proposta de B. para reduzir orçamento do
TMG, reacção do cidadão AR no seu
blogue e, agora, este caso do voto de repúdio. Porém, o
NG, apesar de falar várias vezes em "
blogue pessoal" arranjou uma forma inteligente de me identificar ("que também é director do
TMG"), nunca assumindo (ao contrário de B. e
AM) que o
blogue é do director do
TMG. Parece um pormenor mas não o é, pois eu nunca escrevi, como director da
TMG, uma única linha sobre os assuntos em causa. E este dado é fundamental, apesar da Assembleia ter optado por o ignorar, aprovando um voto de repúdio às declarações do "director do
TMG, Dr. Américo Rodrigues". Apesar das evidências...
O artigo fala de "contenda" e "polémica" entre mim e B., mas isso é excessivo: eu nunca troquei mais de duas ou três frases com tal figura. Nos últimos tempos escrevi um pouco mais sobre B.... mas ele não usa o mesmo processo, utilizando a Assembleia para me atacar (e ao meu local de trabalho) e nunca para argumentar, reflectir, replicar. Para isso seria necessário ter capacidades de pensar e discutir o que eu digo. O termo correcto não é "polémica" ou "contenda" mas sim... perseguição e manipulação, a partir da Assembleia. Conduzida por B. em relação a um cidadão que o enfrentou.
O
NG ouviu (e muito bem) "reacções" ao voto. Correcto, como sempre, o presidente da Câmara afirmou que aquele voto tinha um carácter pessoal e que "não estava em causa o director do
TMG". O líder da bancada do PSD, João Correia, afirmou também que "não foram as palavras do director do
TMG que foram repudiadas" mas sim "uma pessoa que colocou em causa os elementos da Assembleia" . Paradoxal! João Correia diz que a moção não é contra o director (diz até que o director do
TMG tem o seu pessoal apoio e consideração) mas vota a favor de uma proposta que claramente o identifica como tal. Sinceramente, não percebo a decisão do PSD. Diz também que eu coloquei "em causa a honorabilidade e postura dos deputados enquanto agentes políticos". Mas eu não entendo onde e como. O que aconteceu (e é verdadeiramente extraordinário) é que, mais uma vez, B., na apresentação do voto, se comportou como um manipulador, tirando palavras do contexto, usando-as de modo avulso e para incendiar os ânimos. Disse, por exemplo, que eu chamei aos deputados da
AM, "estrume"! Vendo o que eu escrevi, a palavra "estrume" refere-se à... crise. Portanto, se acreditam num homem destes... não se queixem, depois.
A surpresa veio de um tal
Leocádio, do Bloco de Esquerda, que resumiu o voto contra um cidadão a um "arrufo de comadres" (?!). Que ideia de cidadania este senhor tem?!! E, perdoe-me o
Leocádio, comadre do senhor B. será você, populista de outro pendor! O BE, que tem sempre comentários a fazer em relação a tudo, tem na Guarda o senhor
Leocádio que não se pronuncia sobre uma questão daquelas (em que está em causa um processo de liberdade de expressão). O mais
significativo é que o companheiro de
Leocádio esteve naquela fatídica noite do
desconcerto de
vuvuzelas e, portanto, conhece o processo desde o início! O BE, da Guarda, tão diferente do nacional (de Miguel Portas ou Catarina Martins) não foi capaz de assumir uma posição clara. Como se chama a esta atitude?
Noutra página, o
NG publica uma foto com balões, que pretende ter graça. Nela vemos Joaquim Valente a chamar por mim e alguém a responder-lhe "Não pode vir por estar a actualizar o
blogue!". Até parece ter graça. Mas eu queria dizer a António
Pissara que escrever no
blogue nunca me impediu de cumprir com competência as minhas funções
profissionais, nem nunca misturei as coisas do Teatro com as de cidadão. Espero que Pissarra (que é professor do
IPG e director do
NG) possa dizer o mesmo! Para o confirmarmos temos que ler alguns números do jornal que falam do
IPG.
Finalmente, a questão da "demissão" do director do
TMG, esperada por B. Pode esperar sentado ou a tocar
vuvuzela! A Assembleia não discutiu a minha performance enquanto programador ou director artístico. Não avaliou o meu desempenho
profissional ou a forma como exerço o cargo, pelo que só alguém desprovido de senso é que se lembrará de insinuar uma demissão. Por outro lado, a demissão só acontecerá quando o Conselho de Administração da
Cultuguarda me retirar a confiança (que, ao invés, reafirmou por várias vezes) ou eu não me identificar com a política cultural seguida em relação ao
TMG. Porém, mesmo que isso já me tivesse passado pela cabeça, episódios como os de voto de repúdio (na forma como foram propostos por B.) só fazem com que tenha ganhado novo ânimo. Sabe, eu já fui insultado, censurado, ameaçado, repudiado, por várias vezes. Algumas das vezes, por gente sem escrúpulos. E foram, precisamente, esses episódios que fizeram com que eu lutasse com maior entusiasmo. E também foi por isso (por oposição a um conservadorismo paralisante) que ganhei prestígio, prémios nacionais e locais e vários votos de louvor e muitos elogios. Sem falsas
modéstias: em termos culturais a Guarda é assim, porque eu e outros nos opusemos a fascistas,
reaccionários,
demagogos e a autarcas mal preparados. Este voto de repúdio é, pois, entendido por mim como um acidente de percurso (embora grave) e deve-se a uma perseguição de carácter pessoal. Sabendo o que vale o perseguidor, as suas razões e métodos, o voto significa pouco para mim. Fiquei triste, é certo, por causa de uma Assembleia se associar a uma proposta contaminada pelo ódio, mas... a vida continua! E é tarde para eu desistir de uma luta em que acredito há muitos anos. E, realmente, não tenho culpa desta
AM não conhecer aquilo que fiz pela valorização da Guarda.
O
NG não respeitou o exercício do
contraditório. Não fui ouvido. Mas também a
propria AM não me ouviu. O jornal fez o mesmo.
"Terras da Beira":O título é "
AM aprova moção de repúdio pelas afirmações do director do
TMG". Portanto, o jornal assumiu que o director do
TMG tinha afirmado.... o que nunca afirmou. Palmas! Bastava o uso de aspas em relação a "moção de..." para que o título estivesse correcto.
O
TB conta a história de forma breve. Cita também João Correia, que nem parece o mesmo que falou para o
NG. Considera "ofensivas e
injuriosas" as minhas palavras(sem documentar o que diz). Afirma que "minimizo o papel dos presidentes das junta" (como se minimizar pudesse ser pretexto para um voto de repúdio!) e concluiu que o PSD votou a favor por "
solidariedade" entre eleitos. "Não está em causa o
TMG" (mais uma vez o paradoxo, porque o voto refere expressamente o "director do Teatro"). Por fim, diz que as afirmações "não ficam bem" (o que é que ficará bem? Ou que será "mal"?) a um director municipal.
O
TB fala da intervenção isolada de Quelhas Gaspar (que grupo do PS é aquele que...fica em silêncio?!Não é essa a tradição humanista do PS!) que colocou o assunto no devido lugar ("coisas pessoais") e elogiou o
TMG. Aires Dinis é citado, referindo que eu defendi a instituição que represento e que é "inaceitável o comportamento do B. no caso do boicote ao concerto da Trepadeira Azul". Ainda há gente que tem memória e coragem.
A foto escolhida para ilustrar a notícia é a de B. e a legenda é "Ao defender que os cortes nas
transferências para o
TMG sejam canalizados para as juntas de freguesia, Baltasar Lopes conseguiu o apoio de muitos autarcas". Em rigor, não foi ele que introduziu a ideia das
transferências. Mas, já agora, o
TB tem a certeza de que haverá aqueles cortes e aquelas
transferências?
O
TB esteve bem ao publicar uma caixa sobre os desentendimentos entre B. e a Trepadeira Azul. Assim, os leitores ficam esclarecidos acerca do tipo de acção de que B. usou. Noutra página, numa coluna de avaliação/opinião, a Assembleia é avaliada negativamente: "Os deputados têm discutido muito pouco sobre os problemas do concelho... e preferiu perder tempo com questões de ordem pessoal."
A Guarda:
Título: "Assembleia Municipal aprovou o Orçamento camarário para 2011". E assim se percebe, graças a este jornal, que todos os outros dedicaram mais atenção a mim próprio, e ao voto de repúdio, do que ao Orçamento Camarário! Algo está mal no reino da Dinamarca!
A foto usada é do executivo camarário, o que está de acordo com o título do artigo.
O voto de repúdio merece uma frase sem qualquer desenvolvimento. Minimalista.
O Interior:Título "Moção contra Américo Rodrigues aprovada". Este é o título mais acertado de toda a imprensa guardense. Duro mas correcto.
Sem fotografia.
O artigo refere-se ao voto de repúdio como sendo um "facto inédito" e diz que B., "escolheu a
AM para
dirimir um diferendo de ordem pessoal com o também director do
TMG". Mais uma vez, correcção. Quem escreve... escreve bem, nota-se. Conta a história e os resultados da votação e revela-nos que Almeida Santos, presidente da
AM terá dito, antes da votação: "o que está em causa é o direito da
AM defender o seu bom nome, nada mais". Se isto não é uma presumível influência na orientação do voto... não sei o que é (Quem é que resistiria a defender, através do voto, o seu bom nome?). Mas já nada me admira.
"O Interior" ouviu Quelhas Gaspar (PS) que refere que o assunto "não devia ser debatido naquele órgão cuja missão é fiscalizar a acção da Câmara".
Leocádio do BE volta com aquela das "comadres" (que é objectivamente uma desvalorização do interesse político do tema, logo, do próprio partido a que pertence) e Aires Dinis, que comenta que eu devia ser "alvo de reconhecimento em vez de repúdio". João Correia "cortou a direito" (
sic), diz o jornal, e repete argumentos: "que eu fui além do que pode ser o pensamento livre em democracia. Ultrapassei o que pode ser o pensamento???. O deputado, que também é médico, reafirma que achou "insultuosas as minhas opiniões", sem explicar em concreto do que fala.
B. "avivou a memória" (
sic) dos deputados, voltando a "ler excertos dos polémicos
posts". Aqui o articulista falta à verdade. B. não leu nenhum excerto de
posts. Referiu vários expressões
descontextualizadas e, nalguns casos, com outro sentido do que ele lhe atribuiu. Uma peça rigorosa dispensava uma erro factual como este. Por fim, "O Interior" anuncia o novo "inimigo". de B. à sua "causa": Mário Martins (MM) da Fundação Trepadeira Azul. Primeiro: MM é já um velho "inimigo" de B. Segundo: "Causa"? B. move-se por causas??? Para mim essa é uma novidade em que não acredito.
Mas o maior problema desta notícia é anunciar que apresentei uma queixa contra B. Não, não apresentei ainda porque estou à espera da gravação das suas declarações. "O Interior" leu mal o que eu escrevi. Realmente, apresentei queixa contra alguém (que não revelo para que não desapareçam meios de prova), por grosseiras difamações, mas não é B. O Interior deduziu... mal.
No habitual "no fio da navalha" a Assembleia é avaliada negativamente. Diz-se que ela "aprovou uma moção de repúdio a Américo Rodrigues, por
alguns escritos no seu
blogue pessoal. Ora, um caso que é pessoal devia ser tratado nos tribunais e não naquele ó
rgão, que agiu
corporativamente numa história mal contada. O resultado deste episódio é que um presidente da Junta satisfez a sua vingança - que não vai ter qualquer
efeito prático- e arrastou consigo a credibilidade de uma instituição, que, pelos vistos, também se predispõe a defender interesses individuais". Concordo inteiramente com esta opinião que, aliás, julgo corajosa. E sou insuspeito, dado o historial de
controvérsias que mantive com o director do jornal. Acho, aliás, motivo para elogio dizer o que o jornal diz: Almeida Santos é colunista do jornal e João Correia é sogro do director da publicação. Quanto ao segundo não tenho nenhuma dúvida que respeitará esta opinião. "O interior" comportou-se, pois, com toda a justiça.Melhor resumo não vi em toda a imprensa local.
Também "O Interior" não recolheu a minha opinião acerca do assunto.
A surpresa final vem na crónica de Cláudia Teixeira (deputada do CDS na Assembleia). Ela revela que o CDS/PP votou contra a proposta, por achar que ele "não devia ser tratado no
AM, cuja competência maior é acompanhar e fiscalizar a actividade da Câmara". Uma surpresa que se regista com agrado. Afinal há quem, apesar das diferenças ideológicas, se oriente por princípios ( e não se cale ou assobie para o ar).
PS. Não ouvi os trabalhos das Rádios locais nem elas me ouviram. Disseram-me que ouviram B., esse ouviram. E que ele se referiu a
posts que não existiram da forma como ele os descreveu. Ora, sendo o director da
RA um dos seguidores deste
blogue, está particularmente bem informado. Mas não achou necessário ouvir o... repudiado.