sentados
na margem do rio
os sete rapazes
abrem as pernas
aquecem as mãos
afagam o músculo
cobra que desperta
sete cobras que crescem
quase que não cabem
na concha das mãos
destes sete rapazes
que surpreendem o sexo
com a velocidade
dos dedos subindo e descendo
os próprios peixes suspensos
do acto de enfurecer
o vento o sopro
punhos e respiração
até que da cobra fonte
como gárgula íntima
brote o cálido leite
que o rio leva
na correnteza
os rapazes deixam-se
cair para trás
limpam as mãos
à erva
que cabras venham comer
o mundo todo foi
deles
electricidade
mar
frenesim
calma
o tempo parado por causa de nós
sete rapazes
14/5/11
Américo Rodrigues
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