Sábado, Dezembro 31, 2011

Bom Ano!



Bom Ano de 2012 para todos os clientes e amigos do Café Mondego!

Coisas boas

Como sabem, gosto de valorizar o que a Guarda tem de bom. E também de criticar o que ainda não é bom.
Pois bem, dois exemplos de coisas boas:
- A Guarda tem uma magnífico cappuccino. É servido na gelateria Martucci (uma gelataria na fria Guarda!), que uma família italiana abriu no centro da Guarda (Lg. Humberto Delgado, ao lado do jardim José de Lemos). Pode trazer-se num copo fechado e beber-se enquanto se caminha e se enfrenta o frio cortante da cidade.
- Ontem provei uma magnífica compota de abóbora feita pela Bella Caroça, do Soito. Na Guarda não sei onde se vende. No Sabugal vende-se na Casa do Castelo, de Natália Bispo. Mas a empresa criou também uma loja (virtual) de Compotas, através da qual pode encomendar o que lhe agradar mais. Há muito por onde escolher: marmelo, tomate, morango, melão,etc.

A vez de Cumeada


O disco "Cumeada" dos Campanula Herminii foi considerado, no balanço do Expresso, como um dos dez melhores da música portuguesa, publicados neste ano. Na definição da escolha participaram cinco críticos de música do prestigiado jornal.
Campanula Herminii é um projecto da Guarda (encabeçado por Marcos Cavaleiro) e a edição do disco foi do TMG. A mim não me admira nada esta distinção, visto que o disco é um pequeno tesouro.
Porém, proponho-vos um desafio. Tentem procurar documentos da repercussão deste cd nos órgãos de comunicação guardenses (quantas críticas, entrevistas ou referências? Quantas passagens na rádio?). Hão-de concluir aquilo que é uma evidência: a Guarda tem projectos artísticos que apenas adquirem visibilidade e reconhecimento fora da cidade. A comunicação social da Guarda continua desleixada e, frequentemente, incompetente. Continua a ignorar o que de bom se faz na Guarda, entretendo-se com jogos florais entre políticos e comentadores de políticos (na imprensa escrita e falada).
O JL já tinha distinguido "Canções de Cordel" de César Prata. Hoje foi o Expresso a valorizar "Cumeada" de Campanula Herminii.

PS. O disco continua a vender-se no TMG.

Sexta-feira, Dezembro 30, 2011

Os javalis do Feital

quatro javalis
atravessam os campos
do feital
acossados
uma mãe e três filhos
fogem
ao meu lado
só velocidade
e medo
e giestas
e um dia amaldiçoado
estonteados
uma mãe
e três crias atrás
a confusão do tropel
o emaranhado das árvores
e nuvens sinistras
e fúria
e fúria
e fúria
escapando à morte
ao meu lado

29/11/12
Américo Rodrigues

Balanxo 2011. José Monteiro

"BALANXO / BALANXÉ!

2011, hum!
Já foi.
Deixou alguma coisa de bom?
Provavelmente pouco!
Mesmo assim vejamos o que se pode arranjar.

NEGATIVO (muito e mau):
1. - o arrastar das obras do hospital com a respectiva dívida em banho-maria e a paragem das mesmas;
2. - o “vulcão” da António Sérgio e a inépcia da CMG;
3. - o estacionamento na Praça Velha e a “incompetência” das autoridades para resolver o assunto;
4. - a criminalidade a aumentar;
5. - o acentuado abandono das aldeias sem ninguém que as ajude a recuperar – só há dinheiro para a cidade;
6. - as portagens;
7. - a morte anunciada da Delphi;

POSITIVO (de boa qualidade!):

1. o ar da guarda que continua a ser puro e a dar que falar;
2. o TMG, claro!, e a sua programação de excelência;
3. a criação literária - dois livros de poesia de autores da Guarda, manuel.a.domingos e Américo Rodrigues;
4. a poesia – no espectáculo de aniversário da cidade;
5. um disco de um autor da Guarda (boa César Prata!) entre os dez melhores de 2011 para o conceituado JL;
6. a juventude: escritores (Bárbara Ferreira), encenadores (João Neca), fotógrafos (Ricardo Marta), designers (Tiago Rodrigues), empreendedores (Tiago Gonçalves), … e tantas outras promessas (a quem peço desculpa por não nomear) que fazem ter esperança num futuro cultural risonho para a cidade;
7. os já consagrados, mas mesmo assim, premiados Manuel António Pina e Eduardo Lourenço;
8. a projecção que o CEI e a BMEL continuam a dar à Guarda;
9. a medalha de Mérito Cultural ao Director Artístico do TMG, como reconhecimento do trabalho realizado em prol da cultural;
10. a intervenção social da igreja na ajuda aos mais necessitados e a voz atenta e actuante do nosso Bispo.
11. …

Assim enumerado parece que a cidade cresceu, progrediu e vivemos todos felizes. A verdade é que infelizmente não é bem assim: as dificuldades aumentaram; o galo morreu mais uma vez e levou com as culpas; mas a auto-estima(-te) deve aumentar porque é nas crises que surgem grandes figuras.
Ah! e o balanxé? Tivemos a sorte das visitas encenadas à Sé. E pró ano onde é?
O desejo de que a pujança cultural da cidade continue crescer e a projectá-la para além dos nossos limites montanhosos!"

José Monteiro

Viver numa pequena cidade

Continuo em férias e gosto de caminhar pela cidade. Hoje fui com o meu irmão e a minha cunhada comprar morcelas ao sítio mais afamado para tal tarefa: Talhos Reduto, na rua Direita.
No percurso reparei que cumprimentei mais de 80% das pessoas que se cruzaram comigo. Ou seja, conheço muita gente da Guarda e, pelos vistos, muitos me conhecem. À primeira vista isto agrada-me: viver numa pequena cidade em que quase todos nos conhecemos, criando laços de afectividade, fortalecendo laços de pertença a uma terra. Mas também já me aconteceu desejar que ninguém me conhecesse e eu fosse, apenas, um anónimo na cidade. Passaria despercebido, seria "mais um" cidadão com direito à privacidade e à tranquilidade.
Viver em pequenas cidades tem vantagens evidentes. Mas, às vezes, pode ser um pouco "opressivo".

Morreu o Barateiro

José Neves "O Barateiro" morreu hoje. Socialista e republicano "Zé Barateiro" era o único comerciante da Guarda que por iniciativa própria comemorava a implantação da República, decorando a montra da sua loja com a bandeira nacional e um busto da dita cuja. Era através daquela montra (no Largo Frei Pedro) que eu ia sabendo da morte dos outros. Zé Barateiro afixava os anúncios da morte dos seus conterrâneos. Hoje está lá o anúncio da sua morte.

Balanxo 2011. Lima Garcia

"Balanço cultural da Guarda no ano de 2011


1-Aspectos Positivos

- Animação: visitas encenadas à catedral da Guarda, durante o Verão; “a hora do conto”, na biblioteca Eduardo Lourenço. O retomar da biblioteca itinerante pelas aldeias da Guarda.

- Blogues: Ar da Guarda, Boca de Incêndio, Café Mondego, Capeia Arraiana, Meia-Noite Todo o Dia, Notícias Luzlinar, Sobre o Risco, Trepadeira. Ainda, portal da República, do Arquivo Distrital da Guarda.

- Cinema: festivais Cine Eco, da Serra da Estrela e Cine Côa, de Vila Nova de Foz Côa sob a direcção de João Trabulo. Ainda filme de Anabela Saint-Maurice sobre “Eduardo Lourenço”, com Gonçalo M. Tavares, Hélia Correia e Pedro Mexia.

- Discos: Canções de Cordel, de César Prata e Em Busca das Montanhas Perdidas, de Fausto Bordalo Dias (entre os dez melhores do ano, para o Jornal das Letras). Ainda disco de referência: Psicotic Jazz Hall, de Kubik, vulgo Victor Afonso.

- Exposições: “À Luz do Sol”, de Ana Pimentel; “Labirinto de um Heterodoxo”, sobre a vida de Eduardo Lourenço; “Memórias. Os Contos. Os Sonhos”, de Evelina Coelho; “Transversalidades”, sobre o olhar fotográfico da raia luso-espanhola.

- Festivais e Espectáculos Culturais: “ciclo Manuel Poppe”; “segundo festival de memória sefardita” e “Tão perto do azul do céu”.

- Homenagens: “Medalha de Mérito Cultural”: Américo Rodrigues, pelo Ministério da Cultura; Medalha de Mérito Cultural da Câmara Municipal do Sabugal para Manuel António Pina; “Percurso de Vida”: Eduardo Lourenço, em São Pedro de Rio Seco, Almeida, pelo Centro de Estudos Ibéricos e Associação Rio Vivo.

- Livros: Américo Rodrigues, Acidente Poético Fatal; Antonieta Garcia, Carolina Beatriz Ângelo: Médica, Republicana e Sufragista; Célio Rolinho Pires, Na Rota das Pedras; Jaime Ferreira, Pangeia; Jesué Pinharanda Gomes, Agostinho da Silva – História e Profecia; João Rasteiro, Divina Pestilência; Maria João Lopo de Carvalho, Marquesa de Alorna; Paulo Leitão Batista, Manuel Gouveia Mourão e Joaquim Tenreira Martins, Sabugal e as Invasões Francesas; Vários, Euforia Breve – Memórias da Primeira República na Guarda.

- Museus: “Museu do Côa” entre os três museus portugueses finalistas do Museu Europeu do Ano de 2012 (os outros: O Hotel-Museu do Convento de São Paulo e o Centro de Interpretação do Vulcão dos Capelinhos, nos Açores); Melhor Catálogo Nacional para a exposição de Carolina Beatriz Ângelo, do Museu da Guarda.

- Património: monumental: recuperação da capela do Mileu; escavações arqueológicas na área da Misericórdia e do Mileu; abertura do Museu de Arte Sacra da Covilhã, da diocese egitaniense; tradicional: queijo “Serra da Estrela” entre as “sete maravilhas” gastronómicas portuguesas; mostra de produtos regionais guardenses em Lisboa; abertura da loja gourmet Alquimia do Paladar; divulgação do azeite do vale da Teixeira nos cadernos “Fios da Memória”.

- Prémios: “Camões”: Manuel António Pina; “Eduardo Lourenço”: Mia Couto; “Manuel António Pina”: João Rasteiro; “Pessoa”: Eduardo Lourenço; “Maior Impacto”: Virgílio Ferro Bento; “Stuart”: Luís Veloso.

- Revistas: dois números (nºs 29 e 30) da Praça Velha e um da Altitude (nº 13). Ainda, Agenda Cultural, da Câmara Municipal da Guarda.



2-Aspectos Negativos

Adiamentos: da abertura do Museu de Arte Sacra da Guarda; da reabilitação da judiaria e dos principais bairros urbanos; da gestão do estacionamento anárquico de carros e camiões; da reconversão da linha da Beira Baixa entre a Covilhã e a Guarda.

Encerramentos: construtora ARL, Delphi e Egitécnica; Hotel Turismo (ainda no final de 2010); Governo Civil; loja gourmet Leão Real; jornal Nova Guarda. Ainda, do possível desaparecimento da Assembleia Distrital (incluindo a revista Altitude), da Maternidade da Guarda, da Rádio Televisão Portuguesa; do programa das comemorações republicanas do Governo Civil da Guarda, com a não concretização da entrega dos prémios das montras mais sugestivas, da exposição iconográfica e do livro sobre as figuras republicanas do distrito.

Mortes: pintores: Barata Moura e Júlio Resende; professores: António Saraiva de Melo, Cacilda Janela Afonso, Maria Alexandrina Cavaleiro e Paulo Tenreiro; radialista: António Jorge Branco."

Quinta-feira, Dezembro 29, 2011

Balanxo 2011. António Quintela Oliveira

"Balanxo 2011

O Balanxo possível para os tempos de crise

O final do ano reservou-nos uma surpresa:
Os Guardenses ajuntaram-se à volta do balão tal como se ajuntaram à volta da fogueira. Nunca se tinham ajuntado tantos.

Não se ajuntaram à volta do Hospital.
Não se ajuntaram à volta das A23,A25
Não se ajuntaram à volta dos Deputados do Distrito. Quem sabe deles?
Não se ajuntaram à volta da Câmara.
Não se ajuntaram à volta do Orçamento
Não se ajuntaram à volta do TMG
Não se ajuntaram à volta da Biblioteca
Não se ajuntaram à volta da Linha da Beira Baixa
Não se ajuntaram à volta da PLIE
Não se ajuntaram à volta do Hotel Turismo
Não se ajuntaram à volta do IPG
Não se ajuntaram à volta da DELPHI
Não se ajuntaram aos órgãos de decisão
Não se ajuntaram à volta dos novos políticos, que não apareceram, mas também não se ajuntaram à volta dos velhos políticos, pois são os de sempre.
Ajuntaram-se à volta do balão para dizer mal
Ajuntaram-se à volta da fogueira para se mostrarem e dizerem que existem
Ajuntaram-se nos arredores da Praça Velha para poder dizer mal.
Ajuntaram-se à volta do Galo para ouvirem dizer mal
Quase que se ajuntavam à volta do Governador Civil, mas um capricho de menino, matou-o (o Governador, não o ajuntamento)
Ajuntaram-se no café, porque no café é fácil.
Cada vez mais, na Guarda, os projectos são pessoais e não colectivos.

Notas finais
Em ano de crise e na crise que está para vir, é preciso poupar.
Deve-se poupar nas letras, no lápis e na caneta, no papel e nos cadernos, nas palavras e nos actos, não se ajuntar nem se divorciar.
O Balanço, só depois da tempestade, durante a tempestade é preciso estar abrigado. Estar quietinho, com se comprometer. A recompensa virá mais tarde, na bonança.

E há coisas boas neste final de ano.
É bom ouvir alguém que vem da Suécia e dizer: O Centro da Guarda está cada vez mais bonito e continuo a gostar muito da cidade

E também durante o ano
É bom saber que há TMG
É bom saber que se continua a investir, público e privado, no Centro Histórico.
Foi boa a visita à Sé
É bom o Ar
É bom ver lojas a abrir no Centro da Guarda e não se verem muitas a fechar.
É mau, porque o subsídio de desemprego está a chegar ao fim.
É bom passear pela Guarda, ainda segura
É bom viver na Guarda."

António Quintela Oliveira

Perguntas um bocadinho incómodas

Se o futuro ex.presidente da Câmara de Trancoso vai concorrer à Câmara da Guarda pelo PSD, não será oportuno que o PS indique um ex.presidente da Câmara? Por exemplo, um de Gouveia, Santinho Pacheco? Dito de outra maneira: se um ex.presidente de uma Câmara de uma localidade do distrito se apresenta como candidato à Câmara da Guarda não será melhor responder-lhe com a mesma moeda?
Julgo que ambos têm a mesma legitimidade e que ambos terão hipótese de vencer (esta parece uma daquelas tiradas de alguns comentadores locais!). Pacheco (e sua experiência gouveense) derrotaria Sarmento ( e a sua experiência trancosense)? Quem geriu melhor a sua respectiva Câmara? O que fez um e fez outro pelo concelho e por si próprio?

Gostei de

Regressado de pequenas férias noutras paragens gostei de saber:
- O Bispo da Guarda é interveniente e mostra ter consciência social e política. Em várias ocasiões tem mostrado a sua preocupação com estes tempos de desemprego (e fome). Mas também com as questões ligadas, por exemplo, ao acesso aos cuidados de saúde. Mesmo que eu não partilhe a opção assistencialista (ou a caridadezinha) de certos sectores da Igreja Católica, reconheço que este Bispo da Guarda não se tem calado. Muitas vezes ele toma posições antes que os políticos locais o façam (às vezes não chegam a fazê-lo)sobre assuntos da actualidade.

Marketing ou convicção?

Não gostei nada

Regressado de pequenas férias noutras paragens não gostei nada de saber:
- As obras de construção dos novos espaços do Hospital da Guarda foram interrompidas por falta de pagamento às empresas que estavam a realizá-las. E que tendo em conta as dificuldades económicas do país... ninguém sabe quando serão retomadas.

Isto é azar ou condenação?

Balanxo 2011. César Prata

"A democracia é a pior forma de governo, exceto todas as outras que têm sido tentadas de tempos em tempos."
Apesar de tudo, quero continuar a concordar com a celebrada afirmação de Winston Churchill. Todavia, nos tempos que correm acrescem as hesitações e as dúvidas e abalam-se as certezas.
A democracia portuguesa está doente; muito doente. Se provas fosse necessário apresentar bastar-nos-ia compaginar as diversas dimensões da vida política, económica e social do nosso país. Aqueles que desde 1974 escolhemos para nos governar não mereceriam, genericamente, a nossa confiança. A recessão e a diminuição da qualidade de vida e as inúmeras análises que fazem recuar diversos parâmetros para os níveis de três décadas atrás são disso prova irrefutável. Que fizemos? Onde deixámos perdido o progresso? Onde enterrámos o sonho? Vamos legar aos nossos filhos um país pior do que aquele em que nós próprios vivemos? Parece-me que o caso nos deve preocupar, fazer pensar e, sobretudo, agir.
Tenho para mim que a coisa pública deveria ser governada como se de um interesse privado se tratasse. Os políticos, isto é, as pessoas que escolhemos para nos governarem, deveriam tratar dos assuntos coletivos como se da sua casa se tratasse. Se este princípio básico e universalmente compreendido fosse seguido, talvez não chegássemos à situação de descalabro em que vivemos.
A vida política está longe de ser compreendida como um serviço ou como uma atividade humana destinada ao bem comum. A classe política criou para si própria situações inadmissíveis de exceção, misturou interesses públicos e privados, construiu teias de gestão por interesses.
Assim, o meu balanço de 2011 não pode ocultar as sombras que me pairam no espírito. Todavia, a luz teima em brilhar se recordar algumas coisas que fiz (banda sonora da peça “A acácia vermelha” para o Projé~c e a criação do Coro Infantil da Sequeira, por exemplo), a participação no belíssimo e guardense espetáculo “Tão perto do puro azul do céu” e a distinção com que o “Jornal de Letras” brindou o disco “Canções de cordel”, referenciando-o no lote dos dez melhores editados em Portugal.
Apesar de tudo quero acreditar que a necessidade aguça o engenho. Assim, quem sabe, talvez 2012 nos traga tudo aquilo que desejamos para a Guarda: crescimento harmonioso e a afirmação do desenvolvimento alicerçado na cultura."

César Prata

Balanxo 2011. António Matos Godinho

"Balanxo 2011 - ano do medo

2011 foi o ano do medo:
Medo do desconhecido:
Medo do Sócrates;
Medo do Passos e do Gaspar;
Medo da troika;
Medo do frio do inverno;
Medo da fome;
Medo do desemprego;
Medo de 2012;

Foi também ano de esperança:
Esperança no Sócrates (da clientela);
Esperança no Passos e no Gaspar (das clientelas);
Esperança na salvação dos mineiros do Chile;
Esperança na vitória do Porto (para os portistas);
Esperança na vitória do Braga (para os benfiquistas);
Esperança no fim do saque;
Esperança no 3.º da trilogia do Fausto;
Esperança de o ver e ouvir no TMG (esta é uma cunha);
Esperança em 2013;"

António Matos Godinho

Quarta-feira, Dezembro 28, 2011

Venda directa


Aceitam-se encomendas através do mail:americo.j.rodrigues@sapo.pt. Venda também no Quiosque Moinho, na Guarda.

Nova temporada do TMG


"(...)os destaques da programação do TMG para os primeiros três meses do ano de 2012. Na música, destaque para o concerto de Sérgio Godinho, que traz ao TMG o seu mais recente álbum, “Mútuo Consentimento”, a 21 de Janeiro, e para Amor Electro, com “Cai o Carmo e a Trindade”, a 24 de Março. Lugar ainda para Paus e a sua bateria siamesa, com actuação a 4 de Fevereiro. Ainda em Fevereiro, estreia e lançamento do novo disco do projecto Assobio, Fado 2.0. No Café Concerto, o espectáculo ”Movie Poster”, de Kubik. Mais concertos distribuídos pelos três meses: Filho da Mãe, Quarteto Elisa Rodrigues, Aquaparque, One Man Riff e o trio do pianista João Paulo dos Santos, No Project.
A 11 de Fevereiro, a Magia andará à solta pelo TMG: Luís de Matos, o ilusionista português mais premiado e reconhecido internacionalmente, apresenta o seu novo espectáculo intitulado “Chaos”.
No Teatro, os Artistas Unidos apresentam a peça “Não se brinca com o amor” a 27 de Janeiro. O Projéc~, estrutura de produção teatral do TMG, apresenta mais duas produções: “A Dama Pé-de-Cabra”, de Alexandre Herculano, com Antónia Terrinha, de 8 a 10 de Fevereiro, e a estreia de “Fragas”, a partir de textos de Miguel Torga, numa encenação de João Neca, de 7 a 10 de Março.
Ainda este trimestre, a iniciativa “Famílias ao Teatro” vai contar com o musical em patins “Cinderela”, pelo Palco Partilhado, a 14 de Janeiro, com o espectáculo de teatro, música e desenho ao vivo “Daqui vê-se melhor – uma viagem pela História do Teatro”, no dia 18 de Fevereiro, e com o filme “Fantasia”, um clássico da Disney, a 17 de Março.
Na dança contemporânea, o espectáculo “You never know how things are going to come together”, pela Tok'Art, peça do bailarino e coreógrafo André Mesquita inspirada no livro “O Animal Social”, de David Brooks, sobe ao palco do Grande Auditório a 24 de Fevereiro.
Nas artes plásticas, duas exposições de grandes mestres. “Ainda as Esculturas”, de Ângelo de Sousa, artista plástico português falecido em Março de 2011, e a exposição “Vivência a cores d’um andarilho”, com pinturas do artista moçambicano Roberto Chichorro.
No cinema, filmes de Rainer W. Fassbinder, João Canijo, Jia Zhang-Ke, Edgar Pêra, Gus Van Sant e Jafar Pahni.
Numa estreita relação com a programação, o Serviço Educativo continua a desenvolver actividades como OfiCena 2, Caixinha de Música, Chá Dançante, A música é tudo o que eu quiser, Teatro com a academia sénior, entre outras actividades e oficinas. Destaque ainda para a estreia do espectáculo /oficina “A Escolinha do Mar”, criado pelo Serviço Educativo do TMG para os alunos das escolas de 1º CEB e jardins-de-infância e que decorrerá nos dias 27, 28 e 29 de Fevereiro e nos dias 1 e 2 de Março."
Fonte:TMG

Balanxo 2011. Márcio Fonseca

"Houve um dia em que os Cidadãos da Guarda fartos da crise, fartos de promessas e fartos da usurpação derrubaram o “G” da rotunda e no seu lugar colocaram um “Cu da Guarda” gigantesco. Disseram nesse dia que o “G” da Guarda já não guardava nada.
Depois disto foram para casa e, como não tinham mais que fazer, semearam a horta. E como para além de emprego, também não tinham dinheiro para ir ao café, em vez de meia dúzia de leiras semearam o terreno inteiro. E como a colheita correu extremamente bem, no final do ano venderam os produtos a restaurantes, hotéis e supermercados da Cidade. Perante esse exemplo quem não tinha terrenos férteis comprou cabras e ovelhas e quem só tinha cabeços, limpou-os e plantou lá pinhos. Com o ressurgimento da floresta criaram-se empresas com tecnologia para prevenção de incêndios, cura de doenças das árvores e limpeza dos resíduos das matas (que foram valorizados). Até das giestas se extraiu riqueza, exportando-se as maias para uma loja de cosméticos de Milão. Semearam-se os campos de linho para as grandes marcas de roupa mundiais e inclusivamente apareceu uma marca na Guarda que se tornou muito conceituada. E assim surgiu o embrião de uma Escola de Agricultura.
A Plataforma Logística tornou-se um espaço fundamental para a gestão das mercadorias. Valorizou-se o caminho-de-ferro para o escoamento dos produtos (a Guarda tornou-se nessa altura auto-sustentável e com excedentes) e os Cidadãos puseram a funcionar um comboio de alta velocidade entre a Plataforma Logística e a Europa. Deixou de haver desemprego e o número de habitantes cresceu.
Souto Moura e Siza Vieira foram convidados a desenhar o Centro de Arte Contemporânea da Guarda que viria a abrir com uma retrospectiva da pintura de Miró, Picasso e Salvador Dali em colaboração com os principais museus europeus. Naquele ano trouxe milhares de pessoas à Guarda e uma notoriedade sem precedentes. Estes dois arquitectos viriam a apaixonar-se pela Cidade, instalaram-se em casas na Praça Velha e trouxeram para cá jovens arquitectos dispostos a mudar a imagem da Guarda, demolindo o que era feio e valorizando o que já era bonito. O Centro Histórico ganhou dinâmica, vida e tornou-se espaço de discussão. E assim nasceu uma nova Cidade e o embrião de uma Escola de Arquitectura.
Passou a ser hábito encontrar no Café Concerto Alberto Diniz da Fonseca, Manuel António Pina, Eduardo Lourenço, Miguel de Unamuno, Manuel Poppe, José Pires Sanches… a discutir calorosamente as grandes questões do Mundo. Já Aquilino Ribeiro e Miguel Torga preferiram os sossegados outeiros do Rochoso, para grandes caçadas. Tinham-se rendido completamente aos peixes que apanhavam no rio Noémi que fora completamente despoluído. Jovens criadores na música, arte e literatura instalaram-se na Guarda e fizeram dela porta para o Mundo. A Guarda tornou-se um centro cosmopolita, multicultural, de discussão e experimentação de ideias novas. Sem limites e em completa liberdade. Surgiu até um centro de investigação mundial para o estudo da relação entre Arte, Ar Puro e Felicidade. E o Ar Puro até foi vendido em frasquinhos de auto-estima!
O TMG continuou a ser uma referência nacional e internacional apresentando sempre espectáculos de grande qualidade. Criou naquele ano o maior festival de teatro da Europa. A Cidade tornou-se o destino do ano para o jornal New York Times. Esse jornal destacou a cultura, o ambiente, o património e a gastronomia como pontos fortes. E o MoMA organizou uma mostra dedicada ao “Cu da Guarda” e na sua influência na transformação da Cidade.
Os políticos velhos tiveram de sair da Cidade. Para a Covilhã, Castelo Branco ou Viseu. Deputados e ministros deixaram de vir à Guarda porque não compreenderam o que se estava aqui a passar e os Cidadãos da Guarda agradeceram. Terá isto tudo acontecido no ano que passou ou os Cidadãos da Guarda irão fazê-lo em 2012?"

Márcio Fonseca

Terça-feira, Dezembro 27, 2011

Livros e discos neste Natal



Tive sorte. Ofereceram-me prendas de Natal (livros e discos), de que gostei muito:

- "Puta que os pariu", a biografia do meu herói de adolescência Luiz Pacheco.

- "Como se desenha uma casa" de Manuel António Pina.

- "poesia completa"de João Luís Barreto Guimarães.

- "Animal" de Osso Vaidoso.

- "Terra" de Sete Lágrimas.

Canções de cordel: um dos melhores de 2011



"Canções de cordel" de César Prata, editado pelo TMG, foi considerado um dos dez melhores discos de música portuguesa, neste ano. O balanço é do Jornal de Letras.



Parabéns, César! E um abraço cúmplice.

Segunda-feira, Dezembro 26, 2011

Prognóstico reservado

uma pedra
irregular
desprendeu-se da falésia
contra o poema
o escrevente morreu
imediatamente
a criança que vive
dos
(nos)
versos
talvez se salve

24/11/12
Américo Rodrigues

A voz do rapaz

nesta pequena ilha
deserta
não ouviremos
a voz do rapaz

ensimesmado
e melancólico

nem mesmo quando
um pássaro
se matar
em pleno céu

nesta pequena ilha
deserta
fazem ninho
setenta espécies
de aves madruga-
doras
e duas
de lagartos sono-
lentos
mas esses dados
científicos
e até um pouco
poéticos
não interessam
ao rapaz

ensimesmado
e melancólico

não merecemos
ouvir a sua
voz
diz ele
interior-
mente

23/11/12
Américo Rodrigues

Amortalhado em dez andamentos de camões

1.
o homem está amortalhado
na igreja da misericórdia
rodeado de velhas
carpindo
e um poeta
entorpecido

2.
um cão branco
sujo
e cego
de um olho
camões é o seu nome
atravessa a rua
à procura de um
amigo
ou à falta deste
de
um osso

3.
telefonaram-me
para vir
aqui
e trazer
o meu cinismo

4.
incorrigível

5.
recito poemas
em funerais
há quem vista
os mortos
há quem lave
e perfume
os mortos
eu trato de animar
os que restam
os que sobram

6.
camões
lírico
atravessa a cidade
camões
com pulgas
camões
atira-te ao osso
lírico

7.
as velhas
envelhecem
ouvindo poesia
e carpindo
mortos

8.
a igreja da misericórdia
é um templo barroco
da cidade da guarda

9.
ninguém sabe
o nome do morto
choramos porque
nos habituámos
recito poemas
porque me
pagam

10.
o homem amortalhado
estranho ao poema
e a camões

21/11/12
Américo Rodrigues

Ciclistas

no dia em que morreu
o meu pai
sonhou com bicicletas
e ciclistas
subindo
à serra da estrela
dezenas de homens
subindo
numa atrapalhação de corpos
e suor
num esforço inumano
impiedoso

o meu pai soube
ele soube
com a precisão
dos que vão morrer
o nome do camisola amarela
o rosto do primeiro
ciclista
a chegar às penhas
caindo
extenuado
esvaindo-se
na ideia de ganhar
morrendo por segundos

o meu pai soube
no dia em que morreu
o nome do vencedor
beijado
erguendo o troféu

o meu pai
morrendo
pedalando
dentro de um último
sonho


Américo Rodrigues
20/11/12

Nitidez

a rapariga
esbracejando
no meio do laranjal
os frutos sobre
o colo
o rapaz beijando-lhe
os cabelos
até à nuca
os lábios à espera
dos lábios
os seios à espera
dos dedos
talvez dos lábios
açucarados
a rapariga deitada
sobre as ervas
no meio do laranjal
os frutos caindo
do colo
rebolando
até encontrarem
o centro da fotografia
a nitidez

silêncio

silêncio
calma
apenas um corpo
submerso
pela confusão dos verbos
apenas um livro
em chamas
caíndo em desgraça
apenas um animal
perplexo
ainda vivo no interior
do medo
calma
silêncio
apenas eu
vendo o nome
parado
na desesperança
de olhar-te

19/12/11
Américo Rodrigues

Domingo, Dezembro 18, 2011

Cesária e a Guarda


A grande cantora Cesária Évora morreu, aos setenta anos. A Diva da música caboverdiana era uma referência mundial das "músicas do mundo". Cesária era excessiva, como todos os génios.
Felizmente ela cantou na Guarda. Em plena Praça Velha e nas festas da cidade, antes de elas se apimbalharem. Outros tempos, em que havia uma grande exigência na selecção do que se apresentava ao povo. Quase sempre, qualidade. Será possível voltar o espírito daqueles tempos? Acredito que sim.
Já repararam? O povo da Guarda teve acesso (é disso que se trata, afinal)a ver um grande concerto da impressionante Cesária Évora. Eu, por exemplo, posso dizer: Vi-a e ouvia-a! Na Guarda. A grande Cesária!

O livro vai à sua vida

Pronto, já está! O lançamento do meu livro "acidente poético fatal" foi ontem apresentado.
Agradeço à Luzlinar (Maria, César, Carlos e Barbara) a co-edição; ao Tiago por ter feito a paginação e cedido a foto de capa; ao Pedro pela brilhante apresentação; à Biblioteca (Alice) pela cedência do espaço para o lançamento. Agradeço muito aos amigos e outros leitores que encheram por completo a sala. Nem calculam o prazer que me deram: tanta gente e com tanta qualidade! E pessoas que tanto significam para mim!

À noite, no café do TMG, a mesma coisa: sala cheia de gente interessada. Quando li os poemas os espectadores ouviram-me pacientemente e em silêncio, mostrando que aquele é um café muito especial.

A partir de agora, o livro vai à sua vida. Vende-se, na Guarda, no Quiosque Moinho (ao lado deste Café Mondego), no centro da cidade. Pode também pedir-se por mail: americo.j.rodrigues@sapo.pt~

Um feliz Natal!

Sábado, Dezembro 17, 2011

Acidente às dezoito horas


É hoje às 18 horas, na Biblioteca Eduardo Lourenço (Guarda) que Pedro Dias de Almeida apresenta o meu livro "acidente poético fatal" (poesia). Estará patente também uma pequeníssima exposição bibliográfica.
Às 23 horas, depois do concerto do fantástico Omar Souleyman, lerei alguns poemas no Café Concerto do TMG.
Todos convidados!

Omar na Guarda: baile popular e frenesim


O espectáculo que hoje se realiza no TMG poderá ser o mais surpreendente do ano. E é o último de 2011. Omar Souleyman vem da Síria para animar um baile frenético. Eu não perco esta oportunidade de ver aquele músico, que tem entusiasmado plateias de todo o mundo! É uma das últimas descobertas de Bjork, o que diz muito acerca da qualidade de Omar. Vamos lá dançar ao som deste caso sério (sírio) das músicas do mundo.

"O músico sírio Omar Souleyman traz a sua festiva música de dança ao Grande Auditório, num concerto/baile exclusivo. O espectáculo está marcado para as 21h30.
Omar Souleyman iniciou a carreira na música electrónica em 1994 na sua terra natal, Ras Al Ain, com um pequeno grupo de músicos que recriavam em sínteses mais electrónicas a música tradicional da Síria, Iraque, Turquia e do povo curdo (na fronteira). Gravou mais de 500 cassetes, mas o seu nome só ficou realmente conhecido quando assinou pela editora norte-americana “Sublime Frequencies”. Entretanto lançou três discos – “Highway to Hassake”, “Dabke 2020” e “Jazeera Nights” – e correu mundo. Recentemente, o músico sírio foi convidado a participar no novo disco da artista islandesa Björk, intitulado “Biophilia”. A artista conta que descobriu Omar Souleyman através de vídeos no Youtube.
A música de Omar Souleyman é destilada por cânticos árabes e teclados, numa variação pop mais perto do folk dançante. Garantidamente, um concerto de Omar Souleyman é uma grande festa. O músico esteve recentemente em Portugal, na última edição do no festival de Paredes de Coura.
Neste concerto/baile no TMG (exclusivo em território nacional), Omar Souleyman será acompanhado nas teclas por Rizan Said.". Fonte: TMG

O azeite do Vale da Teixeira

Que boa ideia! Na quinta feira, depois da apresentação de mais cinco números dos cadernos "fio da memória", a Junta de Freguesia da Ramela ofereceu a todos os presentes uma degustação (como agora se diz) de "tibornas". Ou seja, de pão torrado embebido em azeite do Vale da Teixeira (Ramela, Aldeia Nova). Tão simples e tão bom! A ideia era promover o azeite daquele vale às portas da Guarda. Fiquei convencido da sua excelência. Era consumidor de azeite do Vale do Mondego mas... vou passar a comprar o do Vale da Teixeira. Tudo por causa de meia dúzia de tibornas e de dois copos de vinho. Sou um "vendido"!

Sexta-feira, Dezembro 16, 2011

O ar da Guarda. O melhor do mundo e etc.



Acaba de ser apresentada a colheita seleccionada do inimitável e inigualável Ar da Guarda. Não deixe de adquirir, para o que der e vier. Vendem-se no TMG.

Ver mais aqui.

O ar comprimido, nunca! O ar condicionado, jamais!


Protesto energicamente! Não concordo com a comercialização do ar da Guarda. O ar é de todos! O ar é livre, deve continuar livre! Ainda por cima é um embuste, pois o ar que vem lá dentro deve ser chinês, não pode ser guardense. E a fragrância de morcela nem sequer se sente quanto mais o extracto de queijo da serra! Afinal, aquilo é, apenas, um rótulo e um frasco!!! Malandros! A pureza daquele ar deixa muito a desejar. Inalei uma grande quantidade e fiquei com a cabeça à roda, ia desmaiando e tudo! Não faz efeito nenhum! Julgava que ia curar a depressãozita que me atormenta mas ainda fiquei pior. Só me apeteceu partir o frasco mas pensei melhor e vou oferecê-lo à minha mãe para lá meter doce de abóbora, que é mais saboroso do que este pseudo ar da Guarda! Tornei a inalar ainda com mais força (como lá diz, até que os pulmões vibrassem de emoção) e o que me saiu foi... uma flatulência! À terceira lá consegui um pequeno efeito: na minha cabeça apareceram imagens do Sanatório, de árvores do parque, do frio da cidade... e de repente aquilo apagou-se!!! Que raiva! Um efeito de breves segundos. Pergunto eu: onde está a certificação de que aquilo é ar da Guarda! Andam há anos para tratar disso e agora saem-se com os frasquitos! Suspeito também que não ganharam prémio nenhum, ao contrário do que lá vem. Devem ter comprado os selos e nem sequer terem ido a qualquer concurso, como fazem alguns que eu conheço!!!
Isto é um engano! Dizem que recolheram o ar através de um captador instalado na Sé mas eu sei, de fonte segura, que é mentira. Importaram o ar e agora exportam-no. Ainda por cima gastam nisto uma fortuna! Cada frasco custa a enormidade de 5 euros. Malandros! Marketing puro é o que é!

Assinado: Um anónimo com falta de ar.

Mileu


Está a ser recuperada a Capela do Mileu. Há muito que precisava de uma intervenção, pois tinha um fractura visível. É, portanto, uma boa iniciativa. Trata-se de um dos mais importantes monumentos da cidade. Quando eu era pequeno a minha escola fazia, anualmente, uma visita à capela do Mileu. E nós lá ouvíamos, todos os anos, a lenda que lhe está associada. Para mil, eu! Para mil, eu!
É pena que não se possa voltar atrás no tempo. Aquelas bombas de gasolina (que tapam a Capela) nunca deveriam ter sido autorizadas.

Prémio Pessoa para Eduardo Lourenço


Eduardo Lourenço é o Prémio Pessoa deste ano! Não é um prémio qualquer, é o mais importante do nosso país.
Não me admira que lho tenham atribuído. Aliás, sinceramente, eu julgava que ele já o tinha recebido. Lourenço é o mais destaco pensador acerca de Portugal e está tudo dito. E ele tem-se habituado a que o seu vigor intelectual seja reconhecido.

Por tabela, a cidade da Guarda deve estar muito satisfeita. Lourenço é, neste momento, o intelectual vivo que mais tem projectado a Guarda. Ele é um ícone da Guarda. A figura da Guarda (e seu distrito) que maior amplitude tem, na área da Cultura. E a Biblioteca da cidade tem o seu nome.

Parabéns a Eduardo Lourenço, para quem escrevi este poeminha:

nesta casa
nasceu
em 1923
eduardo lourenço
especialista
em heterodoxias
e andorinhas

(8/8/11)

Acidente na biblioteca


Lançamento amanhã na Biblioteca Municipal da Guarda, às 18 horas, por Pedro Dias de Almeida. Às 23, no Café Concerto do TMG, lerei alguns poemas. Até amanhã.

Terça-feira, Dezembro 13, 2011

Maternidade

"O presidente da Câmara Municipal de Figueira de Castelo Rodrigo defendeu hoje a manutenção da maternidade do hospital da Guarda, para evitar que os bebés sejam «condenados a ir nascer em Espanha». Em carta enviada ao ministro da Saúde, Paulo Macedo, o autarca social-democrata António Edmundo alertou o governante «para a necessidade de acautelar a especificidade» do distrito da Guarda. «Não podemos ser condenados a ir nascer em Espanha, dada a proximidade geográfica, quando o país carece de maiores taxas de natalidade que invertam o “inverno demográfico” que assola a Europa, Portugal e sobretudo o interior do país», escreveu o António Edmundo. Segundo o autarca, tomou a decisão de escrever ao titular da pasta da Saúde após as recentes notícias que dão conta «da possibilidade do encerramento das maternidades que não registem 1.500 partos por ano», como é o caso da Guarda. «As maternidades que tiverem menos de 1.500 partos por ano, de acordo com os indicadores da Organização Mundial de Saúde, não deveriam estar a funcionar», afirmou o ministro Paulo Macedo, no dia 08 de novembro, admitindo o encerramento e a fusão destas unidades. António Edmundo admite a reestruturação de alguns serviços na área da saúde, imposta pelas contingências às quais o país se encontra sujeito, mas rejeita o «possível encerramento de uma unidade de importância transversal e de uma mais-valia inquestionável para todo o distrito». A maternidade do Hospital Sousa Martins, na Guarda, «não pode ficar à mercê de um entendimento meramente numérico, uma vez que esta decisão acarreta consigo um conjunto de perplexidades, dúvidas e incertezas, para um sem número de atores, sejam eles os próprios profissionais de saúde como todos os possíveis utentes dessa instituição que tem parâmetros de qualidade reconhecidos por todos», lê-se na carta a que a agência Lusa teve hoje acesso.O autarca considera ainda que «fazer pender um possível encerramento de uma deslocalização desse serviço para Castelo Branco ou Covilhã não se coaduna com o entendimento de que o país é uno e coeso, tendo a Guarda a centralidade geográfica necessária para continuar a ser um pólo aglutinador de interesses comuns». Acrescenta que o bloco de partos da Guarda, em comparação com os outros dois da Beira Interior, é o que, nos últimos anos, tem registado o «maior número médio de partos». Dados da Direcção Geral da Saúde (DGS), referentes a 2009, indicam que houve 690 partos na Unidade Local de Saúde da Guarda, 473 na de Castelo Branco e 594 no Centro Hospitalar da Cova da Beira (Covilhã)". Fonte: Guarda Digital e Lusa.

O presidente da Câmara de Figueira já tomou posição. Mas quem mais? Que presidentes de Câmaras do distrito da Guarda já falaram (ou fizeram algo acerca do assunto)? Se disseram qualquer coisa... deve ter sido muito baixinho. Ou, então, António Edmundo sabe mexer-se bem na imprensa (o que é uma evidência)e os outros continuam a ter problemas de comunicação.
O que eu gostaria de ouvir (e bem!) era protestos enérgicos e determinados. Que Lisboa não pudesse ignorar! Estou farto de tibiezas e falinhas mansas!

Revista e cadernos sobre a Guarda


"No próximo dia 15 de Dezembro, Quinta-feira, na Sala Tempo e Poesia da Biblioteca Municipal Eduardo Lourenço, pelas 18h00 decorrerá o lançamento do nº 30 da Revista Cultural Praça Velha e dos números 100 ao 104 da Colecção “O Fio da Memória”.
O 30º número conta com colaborações de Aires Dinis, António Morgado, Augusto Moutinho Borges, Carlos d´Abreu e Emilio Rivas Calvo, Francisco Manso, Franklin Braga, Hermínio Ferraz, Jesué Pinharanda Gomes, José d´Encarnação, José Luís Lima Garcia e Roberto Merino. A Grande Entrevista à Pintora Evelina Coelho é conduzida por Américo Rodrigues. Poemas e Contos conta com a participação de Daniel Rocha, João Esteves Pinto e José Ferraz Alçada. Portfolio é da responsabilidade de Pedro Carvalho. Recensões críticas de livros e Cd’s inclui colaborações de António Morgado, Carlos Canhoto, Cecília Falcão, Cristina Fernandes, Daniel Rocha, Helena Santana, Jorge Torres, José António Afonso Rodrigues, José Pires da Cruz, José Pires Manso, Manuel Abrantes Domingos, Manuel Sabino Perestrelo, Maria Antonieta Garcia e Rosário Santana. Este número termina com a já habitual Súmula de Actividades Culturais.
A Colecção “O Fio da Memória”, uma edição da Câmara Municipal da Guarda, cujo objectivo é divulgar e não deixar cair no esquecimento as tradições, as memórias e a Memória… chegou ao centésimo caderno! Iniciada em 2003 a colecção mantém uma periodicidade semestral que, de cinco em cinco cadernos, vai avolumando o arquivo de memórias do Concelho! Estes números são dedicados aos seguintes temas: N.º 100 – “Andarilhando pela Memória” de Ana Maria Barbosa e Ana Leonor Pereira da Silva; N.º 101 - “Azeite do Vale da Teixeira - Ouro líquido da Ramela”, de Vanda Sá Rodrigues e Joana Sá Rodrigues; N.º 102 - “Do lenticão ao LSD”, de Américo Rodrigues; N.º 103 – “Memórias dos divertimentos e jogos das crianças, no Centro Histórico da Guarda, nos anos 50 e 60 do século XX”, de Mário Cameira Serra e N.º 104 – “Aldeia Escolhas”, de Ana Couto.". Fonte: Nac-CMG

Vinhos

Abriu um wine bar na Guarda e isso é uma boa notícia para quem gosta de vinhos (como eu) e de queijo e presunto. Chama-se "4 you" e está instalado numa tranversal da Rua do Comércio (no antigo Birras). Ainda não fui lá experimentar. Um dia destes.

O novo burel

Ponham aqui os olhos! Exemplar! Como a partir de um tecido tradicional e em desuso se desenvolveu um trabalho criativo adequado aos nossos tempos. Gostaria muito que na minha cidade aparecessem projectos assim. Mas já fico que na minha região haja ideias destas.

A RTP Guarda

A delegação da RTP na Guarda (que inclui a RDP) vai fechar. Mesmo discordando de algumas opções editoriais (às vezes marcadas por um certo espírito de confraternização), reconheço que o serviço público que a RTP presta é indispensável. Já pensaram o que é ficarmos à mercê dos impulsos e motivações das televisões privadas, com correspondentes na Guarda? Que imagem é que estas transmitem da Guarda? A RTP era essencial para... equilibrar o meterial televisão.
Tudo indica que, a partir da reformulação, a Guarda seja um assunto da RTP de Castelo Branco! No fundo, mais uma coisa que perdemos.

Táxi!

Sabia que a partir das 21 horas não há táxis no centro da Guarda? Ou seja, que a Guarda, altaneira e vetusta cidade, não tem serviço de táxis no coração da cidade, à noite. Se "deixar tocar o telefone durante muitos minutos´" talvez consigo um, vindo da Guarda-Gare, que esteja à espera do Intercidades, mas antes das 23 horas?
O que diz este facto sobre a nossa Guarda? Que importância tem este indicador? Queremos ser cidade de turismo mas "táxis só até às 9 da noite"?
Antes de termos "uma imagem de marca" temos, obviamente, que resolver questões pequenas mas estruturais.

Para se perceber melhor: não pode haver política de turismo para a Guarda sem se resolver a questão Sé Catedral (funcionamento, animação, merchandising, aquecimento, estudo). Querem mais exemplos?

O comércio em debate

Prossegue hoje às 21h30, no Café Concerto do TMG, o ciclo de debates «Rádio Café», organizado pela Rádio Altitude e pelo Teatro Municipal da Guarda.

"O tema desta edição é «O comércio da Guarda». Numa época do ano que é das mais importantes para os comerciantes, vamos cruzar testemunhos e opiniões sobre projectos, problemas, anseios e oportunidades deste sector fundamental na economia da Guarda. Com mais este debate queremos continuar a motivar uma reflexão de comunidade. Cada cidadão dará o seu melhor contributo: as ideias. O painel de intervenientes será formado por Carlos Guerra, Delfim Gomes, José Grilo e Miguel Frias: quatro comerciantes de diferentes gerações e áreas de actividade, que têm em comum o investimento no comércio da Guarda. O debate terá como moderador o jornalista Rui Isidro e será aberto a todos os presentes no Café Concerto. O objectivo é uma troca de ideias informal e descomprometida, à vista de todos – e a contar com todos. Não haverá "especialistas" nem "instituições", apenas cidadãos empenhados em pensar a Guarda. A entrada é livre e a opinião também."
Fonte: Rádio Altitude.

Como já disse várias vezes é preciso, sistematicamente, discutir a Guarda. Todos os sectores. Pensando no futuro.

Paulo Tenreiro morreu

Paulo Tenreiro morreu. O meu antigo professor de Geografia, no Liceu da Guarda, morreu ontem e é enterrado hoje nas Freixedas.
Guardo dele a memória de um homem digno. Haverá melhor elogio?
Paulo Tenreiro era o pai dos meus amigos Carlos e Mário Paulo.

Domingo, Dezembro 11, 2011

Nova palavra

Na Guarda. Dois homens.

- Comprei este livro num alfarrobista em Lisboa!
- Como?
- Sim, num alfarrobista!
- Como?
- É muito antigo.
- Como?
- O livro que comprei num alfarrobista.

O mundo aqui

Amanhã serei o convidado do programa "O mundo aqui" do Rádio Altitude. Faço parte de um pequeno painel de convidados que se revesam nas conversas, conduzidas por Rui Isidro. Amanhã é a minha (primeira) vez. Às 11 horas da manhã. Lá estarei a falar do mundo. Ou seja, "O mundo lá".

Ridículo

Ridículo! No dia em que entrou em vigor o pagamento das portagens nas antigas Scuts, em Vilar Formoso (e noutros lugares) era a confusão total. No próprio dia é que se começaram a instalar os painéis informativos. E, pasme-se, os quiosques electrónicos não funcionavam. Os espanhóis e os emigrantes portugueses nem queriam acreditar! A confusão era total! Chegaram a ser enviados para a estação de serviço de Celorico da Beira!
Aqui está um retrato do nosso país. Nos últimos anos insistiu-se na febre dos computadores, do on line, dos portais para tudo e mais umas botas, da "sociedade do conhecimento". O frenesim foi tanto (e tão caro) que quem não aderisse a tal moda era logo considerado ignorante e infoanalfabeto. Muitas das coisas criadas não servem, agora, para quase nada: os cibernãoseiquê, os nãoseiquêdigitais. Nenhuma eficácia comunicativa; apenas "novos ricos" deslumbrados com as novas tecnologias!
Porém, vai-se ver, e quando se espera que esse investimento funcionasse... ninguém sabe como e quando (os empregados das Estradas de Portugal nem sequer sabiam o que dizer). "Olhe, vá ali à estação de serviço de Celorico e pode ser que...!!!
Apesar de tanta tecnologia, Portugal mostrou-se no seu melhor, a partir de Vilar Formoso. Um país rural e incompetente. Os espanhóis que o digam!!!

Como comprar o meu livro

Dia 17 apresentarei o meu livro "acidente poético fatal". Por opção, o livro não terá qualquer distribuição comercial, pois as percentagens cobradas pelos intermediários são elevadíssimas. Acresce o facto de o livro nada ter a ver com as lógicas actuais do comércio da literatura. Ou seja, não tem qualquer dos "ingredientes" necessários para ser vendido pelo comércio livreiro. Assim, a obra terá distribuição directa, feita e controlada por mim. Com uma única excepção: vender-se-á também num quiosque de jornais, o quiosque de toda a minha vida, o quiosque que desde sempre vendeu o que eu escrevia. Ao lado de jornais e revistas. No Quiosque Moinho, no centro da Guarda.
Se preferir encomendar e recebê-lo pelo correio, contacte-me para americo.rodrigues@iol.pt e eu dir-lhe-ei como proceder. No dia do lançamento estará à venda por 8 euros. Recebê-lo por correio, custa-lhe 10 euros, que é também o preço de venda no quiosque.

Júlio Sarmento e a Guarda

Júlio Sarmento é o novo presidente da Distrital do PSD, sucedendo a Álvaro Amaro.Surpreendentemente (ou talvez não) ganhou também no concelho da Guarda (apesar do líder local figurar na lista opositora). Ou seja, Sarmento "venceu" Batista Rodrigues e isso dar-lhe-á renovada força para se apresentar como candidato à Câmara da Guarda. Sarmento já o disse de forma clara: está disponível para essa batalha eleitoral. Batista Rodrigues está, hoje, mais enfraquecido do que nunca. Sarmento não escondeu o seu prazer em vencer, também, na Guarda. Muito provavelmente será ele a lutar por ser presidente da Câmara da Guarda, argumentando com a experiência homóloga de Trancoso. Torna-se, pois, determinante conhecer o que Sarmento fez (ou não fez) naquele concelho. É certo que para os eleitores da Guarda ele é um ilustre desconhecido. É necessário conhecê-lo melhor e descobrir o poder que adquiriu em Trancoso, onde dirige diversas instituições. O jornalismo guardense tem aqui pano para mangas. Uma coisa é ouvir o seu tom cordato, outra coisa é saber quem é, verdadeiramente, Júlio Sarmento. Aspectos positivos e negativos. O bom e o mau.
Desconheço a ligação de Sarmento com a cidade da Guarda. Julgo que nem sequer aqui terá estudado e, muito menos, exercido a sua profissão. Desconheço, portanto, como apresentará a sua relação com a cidade. Porém, é certo que ele já demonstrou mais "coragem" do que o poderoso Álvaro Amaro: tentar retirar ao PS a Câmara da Guarda.

A morcela, disse ele

Anthony Bourdain, o cozinheiro e apresentador de um programa de televisão dedicado à gastronomia, veio a Portugal e isso é um "acontecimento mediático". Dizem as crónicas que ele foi, com o escritor Lobo Antunes, comer e ouvir fados à Tasca do Chico, no Bairro Alto. Ontem disse à Única (revista do Expresso) que tinha "adorado morcela". Pois bem, estamos em condições de garantir que a morcela que ele comeu era da Guarda. O homem comeu uma morcela da Guarda e adorou. A nossa fonte no local (um empregado que nasceu na Covilhã), testemunhou como ele se atirou à morcela, agarrando-o com ambas as mãos, como se fosse um "gaita de beiços". Num ápice a morcela foi abocanhada e devorada, refere a nossa fonte. A seguir, arrotou e gritou "Merda!Isto é o melhor que comi na puta da vida", em inglês, pois soa melhor!. Ainda, perguntou ao seu deprimido acompanhante de onde é que vinha aquela iguaria mas Lobo Antunes entendeu outra coisa e respondeu-lhe que não gostava de fados.
Claro que não é preciso que um americano nos venha dizer o que é óbvio. A morcela da Guarda é mesmo muito boa!

Não me posso queixar

Ao almoço na casa da mãe: míscaros com pequeníssimas tiras de entremeada, tudo guizado; batatas cozidas e esparregado de nabiças. Divinal!
Míscaros amarelos "apanhados" por um irmão, batatas de um tio, nabiças de uma vizinha.
A terra é benemérita. E as pessoas muito solidárias. Não me posso queixar. É um privilégio comer um manjar daqueles.

Sábado, Dezembro 10, 2011

Hoje há absinto, teatro, poesia e música




"Eis o audiolivro do Senhor Henri, o primeiro dos habitantes do “Bairro” de Gonçalo M. Tavares a entrar no catálogo da editora Boca, numa co-produção com o Teatro Municipal da Guarda, e inaugurando a colecção “Boca de Cena”, dedicada ao teatro radiofónico.

José Neves é o Senhor Henri, que alia às qualidades do absinto a um saber enciclopédico. A sonoplastia, de José Neves e Nuno Veiga, não fica atrás em taxa de inspirada alcoolemia, tal como a ilustração de Luís Henriques, o grafismo de Pedro Serpa e os textos de enciclopédicos especialistas que compõem o livro.

No lançamento deste audiolivro, que tem lugar no TMG a 10 de Dezembro às 21h30, voltamos a apresentar a peça radiofónica que o Projéc~ estreou em 2010 na Antena 2 e na Rádio Altitude e que é agora apresentada no Pequeno Auditório, num espectáculo que apenas se ouve. A entrada é livre.

O audiolivro "O Senhor Henri" será apresentado em Lisboa, no Bartô no dia 14 de Dezembro às 22h00." Fonte: TMG

A seguir a esta apresentação, hoje,no TMG, realiza-se uma iniciativa intitulada "Absinto: Fada verde". Projecção de fragmentos de filmes (selecção de Vitor Afonso), leitura de poemas de Baudelaire, Rimbaud, Verlaine e Michaux, por José Neves, Vasco Queirós, Fátima Freitas e eu próprio. A música original é de Micro Animal Voice.
E, claro, há absinto servido de diversas formas.

Sexta-feira, Dezembro 09, 2011

Reinvenção

O que sinto pela Guarda é, muitas vezes, inexplicável. Outras vezes, indizível.

Dizem que tenho uma relação de amor/ódio pela Guarda. Duvido. Frequentemente, não a entendo. Não entendo quem lhe quer fazer mal. Quem se quer aproveitar dela. Quem a trata como terra de parolos. Quem não a respeita. Quem a destrói. Quem explora as suas fragilidades. Quem a torna feia.

Escolhi viver aqui. De uma forma crítica. Às vezes, com distanciação. Não tenciono baixar a cabeça. Acho, até, que a Guarda deve ser salva pela cidadania.
Participemos activamente. Com reparos, sugestões, acções. Não desistemos porque, a cada opinião, nos dizem que não gostamos da Guarda. Não entreguemos a Guarda à mediocridade. Reinventemos a Guarda!

Dois lançamentos




Na revista Praça Velha publico uma grande entrevista que fiz à pintora Evelina Coelho. Para a colecção Fio da Memória escrevi o caderno "Do lenticão ao LSD". Apresentação no dia 15 de Dezembro na Biblioteca Municipal.


Filosofia extravagante

"Este terceiro volume dos Cadernos de Filosofia Extravagante é o primeiro que se publica após a partida de António Telmo, que os imaginou, concebeu e fundou. Constitui por isso, na íntegra, um preito de homenagem ao autor da História Secreta de Portugal, nele se inserindo, bem a propósito, as actas do Colóquio “A Obra e o Pensamento de António Telmo”, realizado em 14 e 15 de Fevereiro de 2011, no Palácio da Independência, em Lisboa, por iniciativa do Instituto de Filosofia Luso-Brasileira, documento a que acrescem alguns testemunhos de amigos que, por uma ou outra razão, não puderam participar naquela comemoração, e duas entrevistas, uma das quais se encontrava por publicar, pelo filósofo concedidas na última década.
Por outro lado, nestas páginas o leitor poderá ainda encontrar dois escritos do autor de O Bateleur – um poema e um conto – nunca antes dados ao papel em letra de forma. E, o que talvez seja mais, uma série significativa de correspondência epistolar até agora mantida inédita, tendo o filósofo por destinatário. São missivas de Álvaro Ribeiro, José Marinho, Agostinho da Silva, Dalila Pereira da Costa e António Quadros, definindo um arco temporal que vai da publicação de Arte Poética, em 1963, à de Filosofia e Kabbalah, em 1990. Quase trinta anos de uma vida filosófica singular em que, a cada passo, são bem notórias a admiração e a amizade que mestres e condiscípulos lhe dedicam.
Autores: António Telmo, Pedro Martins, Renato Epifânio, Américo Rodrigues, Helena Estriga, António Braz Teixeira, Joaquim Domingues, Abel de Lacerda Botelho, Roque N. Brás de Oliveira, M. N. Vieira, Luís Paixão, António Carlos Carvalho, Cynthia Guimarães Taveira, Rui Lopo, António Quadros Ferro, Carlos Aurélio, António Cândido Franco, Rodrigo Sobral Cunha, Carlos Vargas, Manuel Ferreira Patrício, Pedro Sinde, Paulo Santos, Pedro Paquim Ribeiro, Maurícia Teles da Silva, J. Pinharanda Gomes, António Quadros, Avelino de Sousa, Elísio Gala, José Paulo Ribeiro Albuquerque, Helder Cortes, Eduardo Aroso, Isabel Xavier, Jesus Carlos, Álvaro Ribeiro, José Marinho, Agostinho da Silva, Dalila Pereira da Costa." Fonte: Zéfiro edições.

O livro inclui uma entrevista que fiz a António Telmo, emendada pelo próprio filósofo.

Quinta-feira, Dezembro 08, 2011

A Feitoria

É, seguramente, uma referência de bom gosto, na Guarda! A Feitoria da Bélgica está aberta todo o ano, na Rua Lopo de Carvalho, mas é no Natal que ela faz "perder a cabeça" aos admiradores, que não resistem aos doces ou às belas antiguidades. Se continua a ter algum "poder de compra" não deixe de visitar a Feitoria da Bélgica. Mas também pode ir lá... só para ver.

Ana Manso nomeada

Ana Manso acaba de ser nomeada Presidente da Administração da Unidade Local de Saúde da Guarda. A nomeada foi dirigente do PSD local e distrital, deputada à Assembleia da República e vereadora na Câmara Municipal da Guarda. É licenciada em Economia e administradora hospital, "de carreira". Não há, pois, que admirar que a escolha tenha recaído sobre ela, visto que para além de ser do partido do Governo é também da área da gestão hospitalar. Isto se considerarmos como legítima e correcta a prática de substituir os dirigentes das ULS's (e de outros organismos) cada vez que muda o Governo. Apesar de eu preferir concursos públicos isentos compreendo a escolha de Ana Manso, nas actuais circunstâncias.
Preterido terá sido José M. Biscaia, que contava ser nomeado. Ele apressou-se a revelar que chegou a ser convidado pelo Ministro da Saúde! Se foi convidado acabou de ser desconvidado! Claro que este episódio revela o clima de "guerrilha interna" para obtenção de lugares, no PSD. Mas mostra também como um ministro tecnocrata é incapaz de lidar com a pressão das clientelas partidárias.

Alquimia

Abriu recentemente na Guarda, na praça mais central, uma nova loja que pode contribuir para a dinamização de uma zona tão esquecida. Oxalá houvesse mais lojas a querer instalar-se na Praça Velha (também, Praça Luís de Camões), recuperando casas (algumas, a cair) e ajudando na dignificação de tão nobre espaço, apesar da desastrosa intervenção de que foi vítima aquela que é considerada a "sala de visitas" da cidade.
A "alquimia do paladar" acaba de abrir as suas portas. Funciona nas antigas instalações da sapataria Topin, ficando na posse da mesma família. Ou seja, soube renovar-se e perceber os sinais dos tempos. E a Guarda passou a ter mais uma loja de qualidade. Vende-se mel, bolachas, chocolates, chá, vinho, queijos, enchidos, conservas, azeites, produtos biológicos e reigionais. Uma oferta diversificada e de categoria superior.
Uma boa ideia para este Natal é adquirir um cabaz bem fornecido (e os preços nem sequer são elevados).

Sobrevoa

a tua beleza
sobrevoa
o bosque de homens
frágeis
e repteis fugidos
ao inverno

acendo o fogo
só para iluminar
as tuas mãos

só para inundar
de beleza
o campo desprezado
as pedras semeadas

a tua beleza
inesperada
sobrevoando
os rios parados
na infância
os pequenos prazeres
de cio e erva
evocados

a tua beleza vista
de baixo
um sulco no céu
da escrita

7/12/11
Américo Rodrigues

Quarta-feira, Dezembro 07, 2011

Ar da Guarda



Lançamento da colheita de 2011 do inimitável Ar da Guarda. Não há ar como este. Eu, se fosse a si, comprava alguns exemplares para usar no próximo ano.

Segunda-feira, Dezembro 05, 2011

Arte para todos


"O Teatro Municipal da Guarda promove no Café Concerto, de 9 a 11 de Dezembro (de Sexta a Domingo), a iniciativa “ARTEMTRÂNSITO”, com o objectivo de tornar a arte acessível a todos. A ideia é simples: o TMG pediu a vários artistas trabalhos em formato A5, que serão expostos no CC e vendidos por sorteio, ao preço simbólico de 10€. A cada compra corresponderá, aleatoriamente, uma obra. Foram muitos os artistas e escritores que quiseram associar-se a esta iniciativa: João Currais, Jorge dos Reis, Tiago Rodrigues, José Monteiro, Daniel Rocha, Manuel António Pina, José Vieira, José Teixeira, Bernardete Fernandes, Maria Lino, Barbara Assis Pacheco, Bartolomé Ferrando, Pedro Figueiredo, José Oliveira, Alda Nobre, José Alçada e Manuel Poppe, entre outros."
Fonte: TMG

O globo de neve

Foi inaugurado hoje, "com dezenas de crianças", um globo de neve, em plena Praça Velha. Parece que é uma atracção de Natal. Um globo de plástico com neve de esferovite. Na televisão parecia que as crianças batiam com as cabeças no tecto. Aquilo é tão pequeno que a Sé ainda parece maior do que já é.
Eu, cidadão da Guarda, não gosto de "saltitões" para crianças. Nem de relva sintética. E, claro, de globos de plástico com neve de esferovite. Parece-me, assim, fraquito. Mas devo ser eu que sou exagerado e gosto de músicos e actores na rua e de crianças a pintar e a representar. Mais baratos, de certeza, do que os 40 mil euros(*) que custa o tal globo (que daria para manter em funcionamento um equipamento cultural de referência nacional, durante 2 meses, no mínimo). Dir-me-ão que tudo é um questão de opções. É certo: eu não gastaria dinheiro com uma coisa daquelas. Mas talvez sirva para algo que eu não esteja a topar. Já sei! Para que as crianças saltem dentro de uma bola de plástico. Que emocionante!
Talvez seja demagógico falar de dinheiro, nos termos em que o fiz. Mas que me fazem confusão algumas opções lá isso fazem!
Uma televisão nacional esteve na abertura, com toda a disponibilidade. A mesma televisão que não mostrou ao país um espectáculo de celebração da Guarda. Talvez por ter sido muito, muito, mais barato. Ou talvez porque, nele, a neve era de papel. Enfim... critérios jornalísticos. Mas, às vezes, eu preferia que Portugal não nos conhecesse pelo globo de neve, "da mesma empresa que fez a praia de Mangualde". Preferia que fossemos conhecidos por termos uma forte política de imagem e pela capacidade de atrairmos os turistas através de iniciativas contínuas de qualidade.
-Atenção! Interrompo este relato porque acabei de saber que há duas excursões que se aproximam da Praça Velha, vindas da Covilhã. Vêm ver a neve! Boa!

(*)- valor que irá ser comparticipado em 80% pela UE.

Um poema do meu livro



Apresentação do livro "acidente poético fatal" de Américo Rodrigues
Edição Luzlinar e Bosq-íman:os
Dia 17 de Dezembro, pelas 18 horas, na Biblioteca Municipal Eduardo Lourenço (Guarda)
Apresentação por Pedro Dias de Almeida

Às 23 horas, no Café Concerto do TMG, o autor lerá alguns poemas do livro.

Domingo, Dezembro 04, 2011

Prendas da Guarda

E se neste Natal fizéssemos uma opção radical: só oferecer prendas, de uma forma ou outra, ligadas à Guarda? Talvez ajudasse a economia local. Pelo menos servia para que o país soubesse que produzimos muita coisa de que nos podemos orgulhar! Mas nem tudo o que se produz na Guarda é bom, como também acontece noutras cidades. Por isso temos que estar atentos.

Aqui fica uma lista de hipotéticas prendas, que pode ser complementada pelos leitores:
- Um boião da "ar puro da Guarda". A colheita de 2011 vai ser apresentada no próximo dia 15, no CC.
- Uma ou duas morcelas. Há nos talhos da cidade e na firma Enchidos da Guarda.
- Compotas várias. A Quinta da Maúnça produz várias. Por exemplo, doce de mostajo.
- Um queijo da serra de um produtor de confiança.
- Mel. Há várias produtores individuais. E há uma marca conhecida: Apiguarda.
- Uma tshirt divertida (Guarda shirts)
- Um dos inúmeros cestos (tamanhos e feitios) feitos em Gonçalo e Famalicão.
- O último livro de Célio Rolinho Pires (Na rota das pedras) ou a obra "Euforia breve", acerca da República e a Guarda. Mas também pode ser o meu livro "acidente poético fatal" que sai no próximo dia 17. Se quer jogar pelo seguro, qualquer obra de Vergílio Ferreira, Eduardo Lourenço ou Manuel António Pina.
- Um caderno ou livro encadernado à mão, da linha "Livrecos" (Nuno Tavares).
- Uma obra de arte de Maria Lino, Daniel Gamelas, Pedro Figueiredo, Júlio Cunha, José Teixeira, por exemplo.
- uma cartão Amigo TMG, que é uma assinatura para todo o ano.
- Um "boneco" do artista popular António Albardeiro, de Famalicão. Um trabalho artesanal em ferro de Rui Miragaia.
- Um cobertor de papa de Maçainhas ou um conjunto de facas do Verdugal.
- O último disco do Kubik, do César Prata, da Campanula Herminii ou do Síntese. Ou, então, a audiolivro que sai esta semana: Senhor Henri, interpretado pelo José Neves.
- Um "cu da Guarda" da autoria de Daniel Martins.
- Um litro de azeite de agricultura biodinâmica, do Domínio do Vale do Mondego.
- Uma réplica da Sé Catedral ou um globo de neve com o D. Sancho I..

Aqui ficaram algumas ideias relativas a produtos do concelho da Guarda. Porém, se alargarmos o conceito ao distrito... a oferta é muito maior. Por exemplo, nos vinhos.

Sábado, Dezembro 03, 2011

Feira de Natal

Está a decorrer, hoje e amanhã, a iniciativa "Ideias Natal", organizada pelo associação "Ideias. Guarda". Trata-se de uma feira, principalmente, de artesanato urbano e contemporâneo, complementada por enchidos, mel, doces e bolos. A feira está instalada no edifício que há-de albergar (quando as galinhas tiverem dentes?) o Museu de Arte Sacra, que começa a apresentar algumas mazelas, por falta de uso.
Há vários aspectos associados a esta iniciativa, que considero positivos:
- A oportunidade. Por ser Natal.
- A utilização de um espaço bonito e recuperado. Para alguns, a "apresentação" daquele espaço.
- A surpreendente quantidade de jovens criadores na área do artesanato contemporâneo.
- O facto de ser uma iniciativa de jovens que em vez de se queixarem fazem algo para dinamizar a economia. Não ficaram quietos e meteram as mãos na massa.

Agora, um aspecto menos convincente:
- Espero sempre que os jovens me surpreendam, através de propostas criativas e inovadoras. Porém, a maioria do que os jovens vendem na feira segue o gosto comum, correspondendo a estereótipos. Faltam, pois, na minha opinião, mais ideias criativas. Produtos mais imaginativos.

Apesar da ressalva, como se percebeu, sugiro que os meus leitores visitem a feira e ajudem os novos da Guarda.

A23 será a ex-SCUT mais cara do país

A23 será a ex-SCUT mais cara. É esta a notícia que hoje me está a perturbar. A "nossa" A23 é a mais cara! Ou seja, aquela que atravessa a Beira Interior, umas das regiões mais pobres do país, é a que nos vai custar mais dinheiro. Da Guarda a Torres Novas pagar-se-ão quase 20 euros (19.3o euros)! Claro que tais preços vão prejudicar gravemente o desenvolvimento das nossas terras (e a economia local) mas este Governo (e o anterior) nada querem saber acerca disso. É um "luxo" viver aqui, numa terra como a Guarda. Se é um luxo, temos que o pagar! Com tantos "benefícios" quem quer vir viver para este "paraíso"?

Vaias e freguesias

João Prata, presidente da Junta de Freguesia de São Miguel, foi vaiado no Congresso Nacional da Associação Nacional das Freguesias por defender a aglomeração de freguesias. E isso foi notícia nacional é há-de ser notícia-repetida-até-à-exaustão na nossa fiel cidade da Guarda.
1º- Não gosto de vaias. Parece-me mais própria dos futebóis do que de um congresso de autarcas.
2º-João Prata tem todo o direito de defender a junção de freguesias, explicando porquê.
3º- João Prata não deve ser responsabilizado por... ser vaiado. Há-de haver quem, na Guarda, diga que ele faz má figura (e que isso envergonha a Guarda). Mas... foi ele que se vaiou a si mesmo?
4º- Não estou bem informado sobre a proposta do Governo a respeito da aglomeração das freguesias. Nuns casos fará sentido e noutros não. É preciso que o processo seja conduzido com muito rigor e com critérios claros para todos os envolvidos, consultando as populações.
5º - Naquilo que eu tenho mesmo muita esperança é na "reforma" (e impossibilidade de se recandidatarem) de alguns autarcas. Alguns deles já não fazem nada pelas populações, há anos. Mantêm-se no poder à custa de truques de caciquismo. Esses devem ser substituídos por novos protagonistas que coloquem o bem público à frente dos interesses pessoais.
Veja mais Aqui acerca do episódio João Prata.

Sexta-feira, Dezembro 02, 2011

A raia

A propósito de uma notícia de hoje

A Nestlé merece um destaque positivo pois vai transferir para umas das suas instalações em Portugal( mais concretamente, para Avanca) parte da produção que era realizada em França (ou seja, a produção das marcas Nesquik e Chocapic). Uma boa notícia, protagonizada por António Reffóios, administrador delegado daquela multinacional suiça.
O nome Reffóios diz-vos alguma coisa? E Saraiva Reffóios que são os apelidos de António? Que ligação tem à Guarda ou ao seu concelho? Pensem lá!
Existe na Guarda um chafariz, na chamada Alameda de Sto. André ou Rádio Altitude, da "família Saraiva Reffóios". Veio da Vela, da casa daquela família.Não sei se foi oferecido ou não. A outra parte (com sereias mamudas) ficou na Vela. Trata-se de um chafariz barroco-rococó.
Oxalá António Reffóios possa interessar-se um pouco pelo concelho da Guarda, de onde a sua família é originária. Vinha mesmo a calhar.

Quinta-feira, Dezembro 01, 2011

O turismo e a Serra

É quase indecente a propaganda que a Sic da Covilhã faz à Turistrela. É porque há neve ou porque não há. É porque as camas estão esgotadas ou porque não estão. É porque é Natal ou porque não é Natal. É porque é Carnaval ou não é Carnaval. Por tudo e por nada.
Persiste a ideia de que a Serra da Estrela é da Covilhã. E de que a Covilhã é uma cidade-neve. A Turistrela é, anacronicamente, a concessionária da exploração de turismo da Serra. Ao mesmo tempo, entende-se que a Serra é um destino de neve. Erros e más decisões.
A Serra é de todos os serranos, senhor La Palisse! Há mais mundo, na Serra, para além da neve e da Turistrela. Basta estar atento.

Os nossos produtos


Maternidade da Guarda vai encerrar

Preparem-se para o choque que esta notícia vai originar na nossa cidade: A Maternidade da Guarda vai fechar em breve, assim como a de Castelo Branco. Fica a da Covilhã, claro.
Mais. Vai ser criado o Pólo de Saúde da Beira Interior, com sede, claro, na Covilhã. As ULS da Guarda e Castelo Branco vão ser integradas no Centro Hospital da Cova da Beira.

Desta vez é de vez! Pouco adiantará protestos ou fraldas nas janelas. Ate ao final do primeiro trimestre de 2013 a machadada será dada.

A proposta das medidas que divulgo é da autoria do Grupo de Reforma Hospitalar que só ontem foi divulgado na íntegra.
A Guarda não tem força, nem protagonistas políticos, nem movimentos de cidadania capazes de lutar contra a decisão que, ao que tudo indica, será irreversível.

Depois das portagens na A23 e A25 aqui está outra contribuição para que a Guarda seja ainda mais pobre e inexpressiva.

Confirmar aqui.

Lugar onde. A infância

ausento-me da escrita
que insiste em
adoecer-me
quero
por dias
por horas
atravessar a cidade
onde neva
para mim
e para a infância
lembrada
vejo-me
desocultando a casa
abrindo um caminho
que vai da mãe
à tipografia
onde em caracteres
móveis
escrevi a palavra
merda
e a palavra
vida
sou pobre
esquecido
e um pouco cínico
agradeço à caritas
o leite em pó
e a roupa que um norueguês
da minha idade
já não quis
vivo em frente
a um galinheiro
e vou à escola em frente
à delegação da polícia
política
quero avivar
tudo
a infância é o
lugar onde
não me esqueço
de mim
e do que sou

30/11/11
Américo Rodrigues