A Câmara da Guarda decidiu adquirir o edifício "Bacalhau", onde está instalada a Ensiguarda, uma escola profissional. O "Bacalhau" era propriedade, maioritariamente, da firma Gonçalves&Gonçalves. A decisão da autarquia produziu grande polémica na cidade, tendo em conta que é conhecida a frágil situação financeira da Câmara. Relaciona-se com este negócio,, directa ou indirectamente, três partes que têm marcado profundamente a cidade: a Câmara (desta vez dirigida por Joaquim Valente), a família Raimundo (mentores da escola) e a família Gonçalves. É assim há muito: este "triângulo" tem determinado, de maneira diversa e continuada, a história recente da cidade. Só o presidente da Câmara é eleito, os outros pertencem à chamada sociedade civil ou ao mundo dos negócios.
O presidente da edilidade explicou à Assembleia Municipal, em cuidadosa intervenção, por que se decidiu pela aquisição do Bacalhau. Basicamente, ele acha que é dever da Câmara apoiar os 400 alunos (e famílias) da Escola, que considera importante. Também disse que não ofereceu as instalações à Ensiguarda e que, portanto, elas serão "património municipal". Finalmente, referiu que a actual situação de fragilidade financeira da autarquia não deve impedir que se façam investimentos considerados de interesse público. Porém, há quem se oponha a esta ideia e discuta a adequação e oportunidade de tal negócio. Foi o caso do militante do PS Armando Reis, que se demitiu, em protesto, dos órgãos directivos concelhios. Na saída, Reis criticou também a falta de debate interno e a ausência de ligação entre o PS e os seus eleitos na autarquia.
A controvérsia existe. Acredito que ela ganhou mais força pelo facto de serem aqueles os intervenientes no negócio. As dúvidas acompanham sempre transacções daquele género. Por outro lado, mais uma vez, a comunicação (por parte da autarquia) não funcionou, deixando que a opinião pública procedesse às maiores especulações ( que não beneficiam ninguém). Quando é que a Câmara começa a difundir comunicados esclarecedores, baseados em argumentação credível, que permitam aos cidadãos conhecer "a posição da Câmara"?
A polémica vai continuar, conduzida por alguns sectores da oposição (um deles vai calar-se, por ligações a esta ou aquela família). Haverá também muitos outros silêncios, até daqueles que comentando tudo e todos não têm coragem, neste caso, de dizer o que pensam. Prestem, pois, atenção, aos silêncios esclarecedores. E aos próximos desenvolvimentos.
Domingo, Fevereiro 26, 2012
A controvérsia bacalhoeira
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7 comentários:
Seria interessante perceber se este não foi sempre o objectivo da firma Gonçalves, tendo em conta o seu "historial" na compra deste emblemático edifício às famílias Rabaça, Gaspar e Martins das Neves,à cerca de uma década.
Independentemente desse historial e da oportunidade ou não da compra do Bacalhau pela Câmara, relembro que este foi construído, pelas famílias atrás referidas, para que a cidade da Guarda tivesse uma Escola Industrial em condições, coisa que à época não existia.Outros tempos, outros protagonistas!
Parece que a Guarda está a falir e os guardenses sem bulir. Fico commovido quando vejo que esta cidade está a pedecer...
Estejam atentos à entrega do edifício da antiga Loja do Concelho à Cruz Vermelha, ja que falamos de famílias.
Quando leio posts como este e os respectivos comentário, fico a pensar.... quando penso que sei tudo, há sempre alguém a abrir-me os olhos e a dizer bem o contrário!! Não sei é nada!!
Há por aí mais famílias, outros interesses de "interesse publico" a juntar a estes???
Então não há?
Um milhão de euros que a Câmara gastou num pavilhão no parque para instalar um call centre... encerrado
Parece-me bem...e as antigas piscinas são de quem?
Estejam atentos....
Os senhores paus-mandados-laranjas não abrem o bico pois estão cheios de medo da mama e do padrastro...
Quem dá mais??? Só há isto???
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