De vez em quando sou assaltado por recordações de cheiros e sabores da minha infância. Sempre que isto acontece não descanso enquanto não os reencontro, os torno a sentir (nem que seja de outra maneira). Claro que já tive desilusões pois o tempo não parou, propriamente, na minha infância, passada entre a aldeia do Barracão e o Bairro do Bonfim, na Guarda.
Andava há dias a "sonhar", isto é, a "falar" de um bolo de canela que havia na Padaria do Bonfim. A minha mãe trazia-nos, de quando em vez, alguns exemplares desse bolo castanho que era... uma delícia deliciosa. Hoje, eu e ela (a minha mãe) voltámos à Padaria do Bonfim, que já não é do Sr. Farinha (um padeiro chamado "Farinha"!!!). Já não é, apenas, uma padaria mas sim uma pequena pastelaria. Os tais bolos lá estavam. Há quem lhes chame "roscas" mas lá conhecem-nos por "caracóis". Comprámos meia dúzia. E, surpresa das surpresas, sabiam como antigamente. Tinham o sabor dos meus tempos de criança. Ou seja, sobreviveram à passagem dos tempos! Vou passando por lá, a partir de hoje. À procura dos bolos maravilhosos dos meus sete anos.
2 comentários:
A canela é quase um tormento para mim, mas essas roscas da Padaria do Bonfim ainda as vou suportando, sobretudo quando mergulhadas em leite morno.
Ficam muito melhores.
Eu ainda sou cliente da padaria
A Oliveira
Vou passar por lá! Esses bolos eram — pelos vistos são — tão bons! Deixa-me também partilhar algumas memórias da Padaria do Bonfim. Os meus pais, quando vieram para a Guarda, viveram no Bonfim. E eu também, durante o primeiro ano de vida. Os meus pais eram amigos do senhor Francisco, o dono da padaria. (Nos aniversários eram sempre convidados certos.)
Todos os dias de manhã o senhor Joaquim — um empregado da Padaria — passava pela minha casa (na Pedro Álvares Cabral) para deixar pão fresco. Daí seguia para a escola preparatória. (o bar era fornecido pela Padaria do Bonfim) E eu ia de boleia com ele, numa velha Ford Transit de cor creme.
Também me lembro da D. Rosa, a mulher do senhor Francisco. Era uma mulher cheia de energia!
E o pão espanhol era muito bom! Na manhã em que estava fresco barrava-o com manteiga e chamava-lhe "tração". No dia seguinte era bom em torradas.
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