Sábado, Fevereiro 18, 2012

Partilhas. António José Dias de Almeida

Gostava de brincar aos professores quando era pequenito. E agora, já sexagenário adiantado, ainda gosto... Talvez pelo prazer de palavrear  com a presunção de que  ensino alguma coisa...

Livro(s)- Se pensar  muito, esbarro em muitas lombadas que me lembram  leituras variadas com matizes e intuitos diferenciados. Viagens na Minha Terra de Almeida Garrett, sec. XIX ,são um prodígio de modernidade. Afinal, aí nasceu tudo nessa fantástica aliança de realidade e ficção, num tom coloquial que o “benévolo leitor” sempre apreciará. E então, não digo nada de poesia? Digo e refiro como sugestão a obra poética de Rui Belo, com destaque para Boca Bilingue . Ando a ler e a gostar muito das Memórias de Rómulo de Carvalho.

Da Música, dita erudita, também de clássica rotulada, não sou assíduo ouvinte. E bem me penitencio, porque, quando a ouço, é um completo deleite. Perguntam-me “ Aimez-vous Brahms?” Sim, digo eu. E Tchaikovski. E Mozart e muitos outros, Vivaldi incluido. Da música portuguesa sou incondicional ouvinte de Zeca Afonso e afins, onde incluo Adriano Correia de Oliveira. Acrescento Zé Mário Branco, Sérgio Godinho e Fausto. Que grande disco o seu Em busca das montanhas azuis. Dada a minha francofonia, música de língua francesa entenda-se, adoro Jacques Brel, boa e antiga companhia, a par de Georges Brassens e, noutro registo, a encantadora Piaf. Em língua inglesa, e para não me alongar, não excluo os Beatles, mas a minha preferência vai para a música “country”, relevando a traço grosso, Pete Seeger. Ah! Esqueci-me de Carlos Paredes. Imperdoável!

Cinema – E agora? Ainda verei com os mesmos olhos da década de 60 o Pierre le Fou de Jean-Luc Godard? Ou o Oito e Meio de Fellini? Se calhar... Sugiro-os a par de alguns bons filmes de Woody Allen e de A Vida é Bela de Roberto Benigni.

Exposição – É imperdível a exposição Fernando Pessoa - Plural Como o Universo que, na Fundação Gulbenkian, abriu ao público no dia 10 e estará patente até 30 de Abril. Aqui, à porta, vale bem a pena visitar as esculturas de Ângelo de Sousa, na Galeria de Exposições do TMG. Se pudesse, repunha a 1ª exposição que me fascinou, nos anos sessenta do século passado, na Sociedade Nacional de Belas Artes, em Lisboa, Cem Anos de Pintura Francesa. Guardo religiosamente o catálogo.

Também em Teatro, o outro que eu já fui recomendaria Morte e Vida Severina de João Cabral de Melo Neto... Das peças mais recentes que vi destaque para Amadeus com magnífica representação de Diogo Infante, no D. Maria II e também Quem Tem Medo de Virgínia Wolf? na mesma sala desse Teatro Nacional, em Lisboa. Creio que já acabaram as representações. Fiquei encantado com A Dama Pé-de Cabra, de Alexandre Herculano, aqui no nosso TMG, com encenação de Antónia Terrinha que também assumiu a representação. E de que forma, Deus meu...

Rádio – Gosto de ouvir Rádio e não só no carro. Sugiro na Antena 1, o programa de Ruben de Carvalho, Crónicas da Idade Mídia, nas noites de 2ª feira e Hotel Babilónia de João Gobern e Pedro Rolo Duiarte, aos sábados das 10 às 12h. E, claro, debates, crónicas e diversos aqui, na nossa Rádio Altitude.

Comer – Não gosto muito de nouvelle cuisine. De fusão, também não. Prefiro a tradicional portuguesa, sugerindo uma ou outra incursão ao Valleculla, à Colmeia, (nos Galegos) e à Tasquinha, mesmo aqui ao pé da porta. Seja onde for, uma boa morcela da Guarda, com couves e batata cozida; e seja onde for, uma boa fatia de queijo da serra. Do autêntico, claro!

Beber – De preferência, vinho tinto. Do Douro, por exemplo. A escolha é múltipla. O “Duas Quintas” é óptimo sem precisar de nos servirmos dos topo de gama. Aqui, bem perto de nós, existem hoje magníficos vinhos que vivamente aprecio: O “Quinta dos Termos”, por exemplo o “reserva do patrão” é excelente. Para um peixinho, o “Quinta do Cardo- Síria” agrada-me sobremaneira. No Caçador, para acompanhar o bom marisco que lá é servido, um “Muralhas” de Monção, bem fresquinho, vai mesmo a matar.

Visitar – Gosto muito de revisitar. Pudesse eu, e mais vezes iria a Paris; repito com gosto e proveito as idas a Salamanca e, quando calha, a Santiago de Compostela. Andar aqui por perto também é agradável, apreciando sempre algum pormenor que nos tenha escapado nas aldeias históricas de Marialva a Sortelha, passando por Castelo Rodrigo para deleite de um olhar vagabundo espraiando-se pela vastidão do horizonte encantador que nos enche a alma, principalmente em dias de sol límpido e refulgente. Para dar um toque exótico, gostaria de voltar a Macau e apreciar a sua evolução após 1999.

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