Sábado, Fevereiro 25, 2012

Partilhas.Fátima Freitas

Sou mulher a maior parte do tempo. Sou menos livre do que gostaria. Adoro rir-me. Gosto muito dos meus amigos. Amo o meu filho. Sou feliz com alguns pequenos prazeres da vida. Sou inconstante. Sou espontânea e nem sempre penso no que digo.

Livros: Não vivia sem livros. Sou feita, também, dos seus pedaços. Agora exercito a minha compreensão em “O livro da consciência” de António Damásio e vou descansando, se assim posso dizer, com “Uma vida pela metade” de V.S. Naipaul. Há muitos livros e muitos autores de quem gosto. Últimos lidos: “Uma viagem à India” do Gonçalo M. Tavares, que muito aprecio, “A terra das ameixas verdes” de Herta Muller e “A mulher certa” de Sándor Márai. Escritores que descobri há pouco tempo. Dos outros, da vida, destaco o José Saramago. No meio de tantos livros e porque se trata de eleger, há dois que marcaram a minha adolescência: “1984” de George Orwell e “O admirável mundo novo” de Aldous Huxley.

Música: Depende da minha disposição. Nem sempre me apetece. Gosto do silêncio. Nos outros dias gosto dos Doors, Sting, Genesis, Supertramp, U2… Mas também gosto de música jazz, alguma clássica e de portuguesa.

Cinema: Só nas salas de cinema. Sem pipocas nem cochichos. Era ainda uma adolescente quando descobri os grandes realizadores, como Roman Polanski, Fassbinder, Werner Herzog, Fellini, Pasolini… E na altura, tudo na Guarda, à conta do dono deste café…Muitos filmes me marcaram. Confundiram-me. Fizeram-me densos pesadelos como a “Repulsa”, “O Enigma de Kaspar Hauser” ou “Querelle”…Talvez tivessem sido estes os culpados por agora não gostar de muitos dos filmes que vejo. Gosto de realizadores como o Lars Von Trier, apesar de perverso, do Gus Van Sant, do Kubrick, do Tim Burton e de outros. Não consigo seleccionar apenas um filme. Tenho muitos de eleição onde também estão as cores do Krzysztof Kieślowski.

Exposição: Gosto de visitar mas será a manifestação que menos me conquista, talvez por ignorância, porque nem sempre tenho referências para apreciar. A que mais gostei, e que memorizei com maior entusiasmo, foi uma que visitei há seis anos, no museu de arte moderna Georges Pompidou. Outra mais recente: a do Daniel Gamelas no TMG. Muito interessante.

Teatro: É uma das cores mais fortes da minha vida. Adoro teatro. Não vou tantas vezes como ao cinema mas ainda assim vejo sempre que posso, ou sempre que acontece no TMG. Os que guardei na memória, pela excelência, foram todos vistos aí. “O vulcão”, com a actriz Custódia Galego, e “Começar a acabar” com João Lagarto. Impressionaram-me quer pela densidade dos textos quer pelo brilhantismo da interpretação. Excelentes monólogos!

Rádio: Oiço sempre a TSF quando ando de carro. Gosto dos programas do Carlos Vaz Marques, o “Pessoal e Transmissível” e também o “Governo sombra”. Por vezes alterno com a antena 2 e antena 3. Mas só no carro! Porque será? Acho que vou tentar mudar este hábito…

Comer. Gosto muito, especialmente acompanhada de amigos. Prefiro comida portuguesa. Umas boas sardinhas, um cozido à portuguesa, uma feijoada transmontana, umas migas do Alentejo…Também gosto muito de boa comida vegetariana ou de alguma do mundo, como a tailandesa e alguma indiana. Beber: Bom tinto! Pode ser do douro mas também há bons vinhos pela nossa zona. Tenho uns amigos que descobrem vinhos fantásticos.

Visitar: Portugal sempre, porque tem sítios lindos que importa guardar para resistir aos tempos áridos que vivemos. O Gerês ou Marvão. Depois visitar tudo o que não conheço e voltar a Paris.

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