O novo disco de viola de arco solo de João Pedro Delgado já está disponível no iTunes, Zune e outras plataformas electrónicas, e poderá ser consultado aqui.O disco inclui obras de J. S. Bach, H. Vieuxtemps e César Viana, para além de uma peça da autoria do próprio João Pedro Delgado, tudo para viola solo. Foi gravado no Verão passado numa capela com boa acústica perto de São Pedro do Sul. A versão em suporte CD estará também disponível em breve.
João Pedro Delgado é professor no Conservatório da Guarda e excelente intérprete e, pelos vistos, compositor.
Quarta-feira, Fevereiro 29, 2012
Disco de João P. Delgado
Maria Lino no Museu do Côa


A Maria Lino expõe uma obra de escultura, a partir do primeiro dia de Março, no belo Museu do Côa. E se tudo correr bem no próximo ano fará uma grande exposição no mesmo local. A escultura que agora expõe é, pois, uma espécie de introdução à obra de Maria Lino.
Segunda-feira, Fevereiro 27, 2012
Para a Maria que perdeu um cão
maria
encontrou
um dos seus cães
morto
à porta de casa
morto
por outros cães
enraivecidos
pelo cio de uma
cadela
"é a vida!"
digo eu
que não sei
que dizer
nunca vi
um cão morto
gelado
ferido
na garganta
ferido
nas pernas
perante o cão
morto
é um disparate
dizer
"é a vida!"
que por si
própria
já
é um disparate
nada mais
tenho a dizer
sobre a morte
Américo Rodrigues
27/2/12
One Man Riff apresenta o seu primeiro disco
Depois do duo "Assobio" ter apresentado o seu novo disco (no passado sábado) é a vez de participarmos no lançamento do primeiro trabalho de "One Man Riff". No próximo sábado no CC do TMG. One Man Riff é Hugo Ramone a solo. Aliás, Hugo Anarca. Aliás, Hugo Dantas.
Hugo é um músico conhecido na Guarda por ter pertencido a vários grupos e projectos. É persistente e batalhador. Já teve várias profissões e ocupações (agora trabalha numa agência funerária) mas a sua verdadeira paixão sempre foi a música. É como "One man riff" que ele se revela totalmente. Mas Hugo Ramone é um personagem multifacetado. Não deixem de o ir ouvir...
Vejamos como Hugo apresenta o seu mais recente projecto: "A ideia surgiu em Julho de 2011 no âmbito de voltar a criar temas originais só que desta vez a solo, cantando e tocando vários instrumentos, tais como baixo, guitarra eléctrica e bateria. Durante os últimos 15 anos Hugo“Ramone” fez parte de vários projectos e bandas quase todos criados na cidade da Guarda - PT, e que fizeram parte do movimento underground da região tendo editado algumas maquetes e actuado com bandas mais conhecidas no meio alternativo cujo papel fundamental foi intervir e divulgar ideias libertárias sem preconceitos. Não fugindo às raízes One Man Riff tem de tudo um pouco, uma fusão do Punk Old School e do Rock mais alternativo. As músicas são na maior parte instrumentais, aparecendo uma ou outra cantada pelo meio".

Domingo, Fevereiro 26, 2012
A controvérsia bacalhoeira
A Câmara da Guarda decidiu adquirir o edifício "Bacalhau", onde está instalada a Ensiguarda, uma escola profissional. O "Bacalhau" era propriedade, maioritariamente, da firma Gonçalves&Gonçalves. A decisão da autarquia produziu grande polémica na cidade, tendo em conta que é conhecida a frágil situação financeira da Câmara. Relaciona-se com este negócio,, directa ou indirectamente, três partes que têm marcado profundamente a cidade: a Câmara (desta vez dirigida por Joaquim Valente), a família Raimundo (mentores da escola) e a família Gonçalves. É assim há muito: este "triângulo" tem determinado, de maneira diversa e continuada, a história recente da cidade. Só o presidente da Câmara é eleito, os outros pertencem à chamada sociedade civil ou ao mundo dos negócios.
O presidente da edilidade explicou à Assembleia Municipal, em cuidadosa intervenção, por que se decidiu pela aquisição do Bacalhau. Basicamente, ele acha que é dever da Câmara apoiar os 400 alunos (e famílias) da Escola, que considera importante. Também disse que não ofereceu as instalações à Ensiguarda e que, portanto, elas serão "património municipal". Finalmente, referiu que a actual situação de fragilidade financeira da autarquia não deve impedir que se façam investimentos considerados de interesse público. Porém, há quem se oponha a esta ideia e discuta a adequação e oportunidade de tal negócio. Foi o caso do militante do PS Armando Reis, que se demitiu, em protesto, dos órgãos directivos concelhios. Na saída, Reis criticou também a falta de debate interno e a ausência de ligação entre o PS e os seus eleitos na autarquia.
A controvérsia existe. Acredito que ela ganhou mais força pelo facto de serem aqueles os intervenientes no negócio. As dúvidas acompanham sempre transacções daquele género. Por outro lado, mais uma vez, a comunicação (por parte da autarquia) não funcionou, deixando que a opinião pública procedesse às maiores especulações ( que não beneficiam ninguém). Quando é que a Câmara começa a difundir comunicados esclarecedores, baseados em argumentação credível, que permitam aos cidadãos conhecer "a posição da Câmara"?
A polémica vai continuar, conduzida por alguns sectores da oposição (um deles vai calar-se, por ligações a esta ou aquela família). Haverá também muitos outros silêncios, até daqueles que comentando tudo e todos não têm coragem, neste caso, de dizer o que pensam. Prestem, pois, atenção, aos silêncios esclarecedores. E aos próximos desenvolvimentos.
Seguro na Guarda
Ouvi dizer que o novo secretário geral do PS, António José Seguro, esteve na Guarda. Não sei bem a fazer o quê, pois o que disse na Guarda poderia tê-lo dito em Lisboa (coisas como "a austeridade é um disparate" e suas variações). Esteve em Seia, em Linhares e na Guarda. Na cidade o PS distrital levou-o a ver a Quinta da Maúnça e o Parque do Rio Diz, boas obras que já têm uns aninhos (convenhamos que há poucas novas obras para mostrar e estava fora de causa a possibilidade de lhe mostrarem obras culturais, ai que horror!, que são demasiado visíveis na Guarda!). O JN revela um fantástico pormenor: Seguro terá provado as óptimas compotas da Maúnça! A peça não clarifica se Seguro disse uma única palavra acerca do desenvolvimento do distrito da Guarda. Terá falado das portagens da A23 e da A25, por exemplo?
Mas, claro, há outra possibilidade. Que sejam os jornalistas que não cobriram devidamente a visita.
Um jovem
Um jovem morreu hoje de manhã, durante o incêndio que tomou de assalto o tugúrio onde vivia, no centro da Guarda. Tinha 21 anos e muito provavelmente morreu por negligência (um cigarro esquecido). A televisão mostrou imagens do sítio onde vivia, digo, onde dormia. O rapaz morreu de miséria. De negligênica, é certo. Mas nossa!
Partilhas. Cristina Fernandes
Vivo em Lisboa, mas nasci na Guarda, que será sempre a minha cidade. Toquei piano e cravo, mas pouco a pouco a investigação em Musicologia Histórica foi ganhando terreno e hoje domina a minha actividade. Também faço crítica no jornal Público e dei aulas durante vários anos. Desde pequena que adoro ler, sempre me senti fascinada pelas artes em geral e estou sempre pronta para viajar.
Livros: São tantos que a escolha deixará sempre muitos de fora. Por isso começo por um livro que tem dentro muitos livros e cujo tema é a própria leitura: “Se numa noite de Inverno um viajante”, de Italo Calvino. Outros livros, bem diversos entre si, com um lugar de topo nas minhas preferências: “Cândido”, de Voltaire; “Doutor Fausto” e “A Montanha Mágica”, de Thomas Mann; “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, de Machado de Assis; “O retrato de Dorian Gray”, de Oscar Wilde; “Ficções”, de Jorge Luís Borges; “O Náufrago”, de Thomas Bernhard; “A espuma dos dias”, de Boris Vian; “O Nome da Rosa”, de Umberto Eco; “Memorial do Convento”, de Saramago (mas também a “Viagem do Elefante” e “Todos os Nomes”, entre outros); “O vendedor de passados”, de José Eduardo Agualusa...
Música: Se a escolha dos livros é difícil, a da música ainda mais. Sou receptiva a outras músicas (sobretudo jazz e músicas do mundo), mas acabo quase sempre mergulhada na música “erudita” (não gosto do termo, mas à falta de melhor). Tentei fazer uma lista de compositores de que gosto desde a Idade Média ao séc. XXI e verifiquei que era quase um resumo da história da música! Assim, vou deixar de fora os nomes óbvios (dos séculos XVIII, XIX e 1ª metade do séc. XX) e convidar-vos a descobrir compositores da época anterior: Léonin e Pérotin (quem gosta do minimalismo vai apreciar), Machaut, Cicognia (música de vanguarda dos finais do séc. XIV!), Dufay, Josquin Desprez, Gesualdo, Lassus, Monteverdi, Cavalieri, Stradella, Schütz, Charpentier, Lourenço Rebelo, Dias de Melgaz... E também as minhas preferências relativas aos tempos recentes: Messiaen, Ligeti, Kurtág, Berio, Scelsi, Sciarrino, Grisey, Sofia Gubaidulina.
Cinema: Alguns realizadores que aprecio: Hitchcock, Tati, Visconti, Fellini, Kubrik, Almodóvar... Há também filmes que me marcaram pela relação com a música, por exemplo “Crónica de Anna Magdalena Bach”, de Jean-Marie Straub e D. Huillet (bem como os filmes com as óperas de Schoenberg “Moisés e Aarão” e “Von heute auf morgen”) e “Tous les Matins du Monde”, de Alain Corneau. Das últimas coisas que vi destaco “Uma Separação”, de Asghar Farhadi. Uma última sugestão, descoberta há uns anos no Doc Lisboa: “Salvador”, de João Moreira Salles, sobre a figura absolutamente extraordinária do mordomo da família... Está disponível em DVD.
Exposição: A última foi na Gulbenkian “A perspectiva das coisas. A natureza-morta na Europa (1840-1955)”. Excelente, tal como a anterior (em 2010 salvo o erro) sobre a Natureza Morta nos sécs. XVII e XVIII, que a complementa. As exposições que preservo na memória são geralmente as que versam um determinado artista ou época que me apaixona, por exemplo “Caravaggio e caravaggeschi a Firenze”, que vi em 2010 em Florença.
Teatro: No último Festival “Próximo Futuro” da Gulbenkian assisti ao extraordinário “Woyzeck on the Highveld”, na versão que William Kentridge fez para a Handspring Puppet Company e que transforma a famosa personagem de Buchner num trabalhador da África do Sul nos anos 50... “Eu sou o vento”, de Jon Fosse, na encenação de Patrice Chéreau, no último Festival de Almada foi também um ponto alto dos meu percurso teatral do último ano. Recuando mais, recordo o “Don Carlos” de Schiller encenado por Luís Miguel Cintra na Cornucópia e “Viaje del Parnaso”, de Cervantes, pela companhia de Ana Zamora que também já esteve no TMG creio eu. A partir daí comecei a seguir o trabalho desta encenadora espanhola (vi também o “Don Duardos”, de Gil Vicente, “Mistério del Cristo de los Gascones”, “Dança da Morte”) que recupera as importantes componentes da música antiga e da dança no teatro clássico numa perspectiva “historicamente informada”.
Dança: Do panorama das últimas décadas o meu coreógrafo preferido é William Forsythe (as apresentações do extinto ballet de Frankfurt no CCB foram inesquecíveis assim como a recriação de “Impressing the Czar” pelo Real Ballet da Flandres). Gosto de “verdadeira dança”, com todo o virtuosismo e sofisticação que implica, e menos das experiências da dança-teatro, onde o movimento e a preparação técnica são menos exigentes. Também gosto de coreógrafos como Matts Ek, Preljocaj, Nacho Duato e da dupla Montalvo-Hervieu, com o seu delirante diálogo entre a história e a contemporaneidade e entre diferentes culturas. Há pouco tempo vi as coreografias de Anne Teresa de Keersmaeker “Fase” e “Bartók/Mikrokosmos” no CCB, que são também uma notável aula de análise musical. Até ao fim do ano é possível continuar a acompanhar o trabalho de Keersmaeker em Portugal, já que é artista associada da temporada do CCB.
Rádio: Ouço pouca rádio, apenas um pouco pela manhã (serve-me de despertador) a Antena I, a Antena II ou a TSF. Decerto valeria a pena ouvir mais, mas em questões de música acabo por colocar CDs. Por vezes procuro coisas específicas em emissoras estrangeiras na internet (por exemplo na BBC 3). Ainda assim sugiro um programa da Antena II: “Musica Aeterna” de João Chambers, o sucessor do mítico “Em Órbita” de Jorge Gil.
Comer: Apesar de gostar de experimentar culinária de outras paragens, a boa comida portuguesa acaba por vencer a corrida. Sou gulosa e portanto apreciadora de bolos e sobremesas, mas sem açúcar em excesso. Escolho duas coisas bem simples: uma sobremesa beirã que é um verdadeiro manjar (requeijão com doce de abóbora) e outra combinação genial: passas de uvas cobertas com chocolate negro, uma oferta que me trouxeram outro dia da Adega de Campo Maior.
Visitar: Adoro viajar, mas por enquanto tenho visitado sobretudo países europeus, com excepção do Japão (onde estive poucos dias em trabalho em Tóquio) e da Turquia que está metade na Europa e metade na Ásia e como tal tem uma oscilação constante de identidade entre o Ocidente e o Oriente (não é apenas um cliché, essa dualidade sente-se de maneira muito forte quando estamos lá). Como é uma experiência recente deixo a Turquia como sugestão. Além de Istambul, é obrigatório visitar a locais incríveis como a Capadócia, Pamukkale e Efeso. De resto, regresso sempre a Itália e reconheço que Portugal tem ainda muito para descobrir, incluindo lugares paradisíacos como os Açores.
Partilhas. Alexandre Gamelas
Alexandre Gamelas, nascido no Porto, criado na Guarda até aos 18 anos, vivido em Roma, Londres e Nova Iorque. Hoje arquitecto no Porto.
Livro: "The invention of the past", do filósofo tornado decorador Roberto Peregalli, com imagens subtilmente surreais de espaços modernos construídos com elementos antigos.
Música: ouço para trabalhar, e não compro CDs. Tudo o que apanhar do Jordi Savall, Christina Pluhar, Marco Beasley em streaming, de graça e legal.
Cinema: "Io sono l'amore" de Luca Guadagnino, pelos interiores e pela celebração de um modo de vida que é rodeado de beleza.
Exposição: a do meu irmão no TMG, que vai estar no Porto em Abril.
Teatro ou Dança: as últimas vezes que fui ao teatro foram uma desilusão terrível. O Teatro de Marionetas do Porto foi a última boa experiência; infelizmente o seu mentor morreu há pouco mais de um ano.
Rádio: East Village Radio, EVR.com, e Antena 2 para acordar de manhã ou ouvir no carro.
Comer: tudo o que for fresco, local, e de preferência produzido em pouca quantidade. Carne barrosã, laranjas da Batalha, castanhas da Guarda, azeite do Douro. Com ingredientes bons quase não é preciso saber cozinhar. Mas se se quiser, há sempre as sobremesas da Julia Child para ir buscar à Internet.
Beber: cerveja Sovina IPA, feita no Porto, que tem uma bela garrafa. E sabor.
Visitar: todos os sítios a que vou com a Catarina para fotografar o nosso blog, Old Portuguese Stuff: tudo o que é velho, simples e belo em Portugal, e que está a desaparecer na sopa da normalidade contemporânea.
Morreu Raul Saraiva
perseguição
persigo
uma certa urgência
de ti
na casa em chamas
os braços em súplica
e o grito atravessando
o mistério das aves
em susto
as pessoas correndo
contra a história
contra a memória
de si
quando regressam
à infância
ao rosto sem
notícias
e uma cicatriz
esperando o sorriso
que há-de vir
Américo Rodrigues
25/2/12
Sábado, Fevereiro 25, 2012
Partilhas.Fátima Freitas
Sou mulher a maior parte do tempo. Sou menos livre do que gostaria. Adoro rir-me. Gosto muito dos meus amigos. Amo o meu filho. Sou feliz com alguns pequenos prazeres da vida. Sou inconstante. Sou espontânea e nem sempre penso no que digo.
Livros: Não vivia sem livros. Sou feita, também, dos seus pedaços. Agora exercito a minha compreensão em “O livro da consciência” de António Damásio e vou descansando, se assim posso dizer, com “Uma vida pela metade” de V.S. Naipaul. Há muitos livros e muitos autores de quem gosto. Últimos lidos: “Uma viagem à India” do Gonçalo M. Tavares, que muito aprecio, “A terra das ameixas verdes” de Herta Muller e “A mulher certa” de Sándor Márai. Escritores que descobri há pouco tempo. Dos outros, da vida, destaco o José Saramago. No meio de tantos livros e porque se trata de eleger, há dois que marcaram a minha adolescência: “1984” de George Orwell e “O admirável mundo novo” de Aldous Huxley.
Música: Depende da minha disposição. Nem sempre me apetece. Gosto do silêncio. Nos outros dias gosto dos Doors, Sting, Genesis, Supertramp, U2… Mas também gosto de música jazz, alguma clássica e de portuguesa.
Cinema: Só nas salas de cinema. Sem pipocas nem cochichos. Era ainda uma adolescente quando descobri os grandes realizadores, como Roman Polanski, Fassbinder, Werner Herzog, Fellini, Pasolini… E na altura, tudo na Guarda, à conta do dono deste café…Muitos filmes me marcaram. Confundiram-me. Fizeram-me densos pesadelos como a “Repulsa”, “O Enigma de Kaspar Hauser” ou “Querelle”…Talvez tivessem sido estes os culpados por agora não gostar de muitos dos filmes que vejo. Gosto de realizadores como o Lars Von Trier, apesar de perverso, do Gus Van Sant, do Kubrick, do Tim Burton e de outros. Não consigo seleccionar apenas um filme. Tenho muitos de eleição onde também estão as cores do Krzysztof Kieślowski.
Exposição: Gosto de visitar mas será a manifestação que menos me conquista, talvez por ignorância, porque nem sempre tenho referências para apreciar. A que mais gostei, e que memorizei com maior entusiasmo, foi uma que visitei há seis anos, no museu de arte moderna Georges Pompidou. Outra mais recente: a do Daniel Gamelas no TMG. Muito interessante.
Teatro: É uma das cores mais fortes da minha vida. Adoro teatro. Não vou tantas vezes como ao cinema mas ainda assim vejo sempre que posso, ou sempre que acontece no TMG. Os que guardei na memória, pela excelência, foram todos vistos aí. “O vulcão”, com a actriz Custódia Galego, e “Começar a acabar” com João Lagarto. Impressionaram-me quer pela densidade dos textos quer pelo brilhantismo da interpretação. Excelentes monólogos!
Rádio: Oiço sempre a TSF quando ando de carro. Gosto dos programas do Carlos Vaz Marques, o “Pessoal e Transmissível” e também o “Governo sombra”. Por vezes alterno com a antena 2 e antena 3. Mas só no carro! Porque será? Acho que vou tentar mudar este hábito…
Comer. Gosto muito, especialmente acompanhada de amigos. Prefiro comida portuguesa. Umas boas sardinhas, um cozido à portuguesa, uma feijoada transmontana, umas migas do Alentejo…Também gosto muito de boa comida vegetariana ou de alguma do mundo, como a tailandesa e alguma indiana. Beber: Bom tinto! Pode ser do douro mas também há bons vinhos pela nossa zona. Tenho uns amigos que descobrem vinhos fantásticos.
Visitar: Portugal sempre, porque tem sítios lindos que importa guardar para resistir aos tempos áridos que vivemos. O Gerês ou Marvão. Depois visitar tudo o que não conheço e voltar a Paris.
Quinta-feira, Fevereiro 23, 2012
Desenho gráfico
Um dos protagonistas é João Bicker, de Gouveia, um dos melhores designers gráficos do país:
O biólogo e o estudante que encontraram o 'design' - Especiais - DN
Partilhas. Filipa Assis
46 anos... a minha atividade profissional foi errante. Atualmente trabalho na área da promoção da cultura científica e tecnológica, num Centro Ciência Viva (Aveiro). Nasci em Viseu, cresci na Guarda, estudei em Coimbra, vivo em Aveiro...
Começo pelas exposições... São poucas as pessoas que têm a possibilidade de conviver com a arte por isso as exposições / exibições são importantes para dar a conhecer. Mas uma obra não se vê, vai-se vendo... Por isso, quando falo em exposições: "fui ver uma exposição"... retraio-me na ideia. Faz falta o convívio com as obras e os objetos que fazem história. Fazem falta museus (vivos!) e casas (centros!) que na relação que estabelecem com as pessoas nos convidem a entrar e a ficar e a voltar. O trabalho criativo de um produtor de exposições ressalta quando se pretende expor o invisivel, o que não se vê. Uma ideia por exemplo... Uma exposição se (do meu ponto de vista) for uma boa exposição, toca, faz-nos sentir, exalta! Por isso estou curiosa com a exposição sobre o Fernando Pessoa em Lisboa...
teatro... o "não se brinca com o amor" dos Artistas Unidos, serve-me para evocar o TMG, um espaço de oportunidades, e onde vi a peça. http://www.artistasunidos.pt/pessoas/803-nao-se-brinca-com-o-amor-de-alfred-de-musset Sabem do que tenho pena? Que a par da representação não haja a oportunidade de falar "sobre" com as pessoas envolvidas com o trabalho... Veja-se por exemplo a generosidade do João Botelho no acompanhamento que fez do filme do desassossego... Curioso que a 13 de Março, 19h gravação para Antena 2 no Teatro da Politécnica (entrada livre no limite dos lugares disponíveis) e 27 de Março (Dia Mundial do Teatro), transmissão na Antena Dois (Teatro Sem Fios) O Festival de Teatro de Montemor-o-Velho - CITEMOR (já com 33 anos de existência!) é também ele um espaço de oportunidades! O último espetáculo de dança que vi (minto, mas foi o que me marcou) foi o de Francisco Camacho, no charmoso teatro Esther de Carvalho, http://lazer.publico.pt/espectaculosdedanca/261852_nova-criacao-2010-francisco-camacho http://www.citemor.com/http://www.cm-montemorvelho.pt/patrimonio_historico.asp?ref=53MOV
cinema... fui avessa à ideia do 3D em cinema. Não vi nem o Avatar nem o Alice do Tim Burton por casmurrice. Mas o "invenção de Hugo" apanhou-me. É um filme muito bonito que, com o suspense normal de quem caminha para uma descoberta, chega à ponta do principio do cinema! É um filme cheio, para ver e rever. O Artista e o Albert Noobs com a Glenn Close são filmes que chegam em breve e que tenho na agenda para ver!...
música... John Cage, Eric Satie, Giacinto Scelsi, Sciarrino, Stockhausen, Xenakis, Arvo Part, Brunno Cocset, Annea Lockwood, Jonathan Harvey, Kronos quartet, Steve Reich, Paul Hillier… … Estive a dar uma vista de olhos na minha lista de discos dentro deste género musical e porque é a música que estou a ouvir neste momento... Eu diria que gosto de música simples. A que muita gente diz que não é música ou que chama de erudita para ressalvar distâncias... Muito dela conheci-a aí, na Biblioteca Eduardo Lourenço!
Este ano, pelo Natal, ofereci-me dois livros: "Haja Luz" de Jorge Calado e uma antologia de poesia e ciência do Vasco Graça Moura. E ofereceram-me o audiolivro "Senhor Henry" que achei fantástico! Parabéns Zé, pelo tão perfeito trabalho!
comer e beber... para mim, a imagem do que é comer e beber está estampada no filme "a festa de Babbet" http://www.youtube.com/watch?NR=1&feature=endscreen&v=tNRlgj316ZM Descobri agora que as receitas que fizeram a festa estão na net!...
visitar... a Rota dos Ventos é uma das empresas que proporciona viagens que me enchem as medidas. Para quem gosta de viajar sozinho de maneira segura, para sítios não turísticos esta será uma das formas. Relativamente a outras empresas (talvez a mais conhecida seja a Nomad (pelo nome de Gonçalo Cadille), esta tem a grande vantagem de ter guias locais. Os meus planos para este ano vão para a Turquia http://www.rotasdovento.pt/viagens/20/turquia
Partilhas. António Norberto Rodrigues
António Norberto Perestrello Rodrigues, filho do Toneca Bicho do Barracão, 59 anos, sociólogo do trabalho, amante da fotografia, igual aos outros, para pior.
LIVRO:
Pela importância para o meu entendimento do mundo - Subterrâneos da Liberdade de Jorge Amado e Confesso que Vivi de Pablo Neruda. Pela história, a Voz dos Deuses de João Aguiar.
MÚSICA:
Pelo itinerário de cariz social e afectivo, sempre, Bruce Springsteen, Leonard Cohen e Patxi Andion. Pela beleza simples Lullaby de Cohen, pela força e alegria Blinded by the light de Bruce (concerto de Dublin),por aqueles que “não abrem a caixa do seu respeito” Padre, de Patxi.
Pela revelação Pablo Alboran, Solamente tu (sim Filipa, tu). Por fim, ainda me comovo quando oiço Yesterday dos Beatles.
CINEMA:
Definitivamente Forrest Gump, pela força da história e pela interpretação de Tom Hanks.
EXPOSIÇÃO:
A última que vi, no TMG, de Ângelo de Sousa. Estou mais atento à fotografia e aí recomendo a fotografia de rua do meu amigo Rui Palha.
TEATRO/DANÇA:
Marcante a peça que vi na Comuna, Mãe Coragem, com Manuela de Freitas e música de José Mário Branco.
RÁDIO:
Só oiço rádio no carro, nomeadamente noticiários na Antena 1 e na TSF.
COMER:
Míscaros feitos pela minha mãe, morcela da guarda com batatas cozidas e grelos, caldeirada (de peixe) feita por mim e caril feito pela minha mulher. E queijo da serra, claro.
BEBER:
Vinho Tinto. Duorum (douro), Convento da Comina (Alentejo) e Quinta de Cabriz reserva (Dão).
VISITAR:
Excelente o cruzeiro no mar adriático, vale a pena a Itália e a Croácia. Gostava de visitar o Perú e o México, pela história.
Partilhas. Maria de Lurdes Morgado Sampaio
Nascida na Beira Alta e mais de metade da vida a viver no Porto e cidades vizinhas depois da passagem por vários lugares. Conheci o Café Mondego (o outro, o "mítico"), quando estudei na Guarda.
Professora, com gosto de o ser (ainda… malgré tout) e investigadora de muitas coisas.
LIVRO: Reler até morrer os grandes romancistas do século XIX (muitos já aqui indicados). Os escritores portugueses e africanos - e sobretudo os poetas - que me perdoem, mas indico os três livros que li ou reli recentemente: A Mancha Humana, de Philip Roth (revelação, ainda a tempo, de um gigante da literatura universal), Pickwick Papers, de Charles Dickens (porque o humor e o nonsense são precisos) e um livro maravilhoso de contos que uma colega brasileira (recém conhecida) me ofereceu há uns dias: Liberdade Clandestina, de Clarice Lispector.
MÚSICA: Reforço as sugestões de dois amigos: Bach e Chopin, sempre. Os fantásticos músicos do Mali e doutras partes de África (destaco-os, porque são descobertas de há poucos anos). De resto, música de todas as partes do mundo: erudita, popular, instrumental ou não, todos os géneros e espécies; hibridismo, sincretismo…O grande Zeca Afonso. Boa música, acima de tudo. E…sem que me fosse "encomendado": música editada pelo TMG (ou em parceria). Fiquei encantada com o Psicotic Jazz Hall, de Kubik, e Canções de Cordel, de César Prata (que já oferecera antes de ambos serem premiados). Vejam-se as novidades no site.
CINEMA: A tentação das aspas é grande. Bastava percorrer as listas dos convidados e citar nomes e títulos já referidos (as sugestões do Manuel Poppe, de César Prata, da Maria João Falcão, e, claro, de Victor Afonso - Tarkovsky e Kubrik obrigatórios! - e… muitas outras). Nos últimos tempos, atracção em crescendo pelo cinema iraniano (Dez, Uma Separação, etc.), latino-americano e de outros horizontes culturais para lá da Europa e da América do Norte. Mas revejo clássicos destes lugares sempre que posso.
EXPOSIÇÃO: Difícil a escolha. No Porto: gostei imenso da de Juan Munoz (em Serralves) e da Exposição Salvador Dali (com obras de que raras vezes são referidas). Em Lisboa - por/a ver: Pessoa Plural, sem dúvida.
TEATRO: Por vários motivos, vou pouco ao teatro. Um grande problema: como recomendar uma peça que esteve em cena uns escassos dias? Cartas Intimas, de Brian Friel, em tradução e única encenação de um amigo prematuramente morto? Peça levada ao palco pela companhia ASSéDIO. Espero que voltem a encená-la. Não é um tributo; era uma peça muito bela. Nunca perder espectáculos de rua (de simples performances a breves peças mais elaboradas); os melhores são os que vêm ao nosso encontro, como me aconteceu em Madrid.
RÁDIO: Como muitas pessoas da zona da Guarda, cresci a ouvir a Rádio Altitude. Agora, ouço (mais no carro) Antena 2, Antena 3, TSF e outras estações (depende dos programas). Tenho um particular fascínio por este meio de comunicação.
COMER: Pratos simples; cozidos e grelhados de preferência, com salada de meruges (nada de "nouvelle cuisine" e afins). Fugas: a morcela da Beira Alta.
BEBER: Água. Vinho tinto em ocasiões especiais na companhia da família e de amigos/as.
VISITAR: Sem patriotismos e sem a desculpa da crise, visitar todos os cantos e recantos de Portugal (como alguém já aqui sugeriu). De preferência, de comboio. Atentar bem nas esculturas em granito "algures a Nordeste" e na região da Guarda (a começar na Sé-Catedral da cidade, a "nave de pedra" como lhe chamou Eduardo Lourenço).
No estrangeiro, cidades como Londres, Berlim e Madrid são, para mim, sempre inesgotáveis.
Que é feito do PS da Guarda?
Quarta-feira, Fevereiro 22, 2012
Partilhas. Tila Hewson
Tila,36 anos (quase 37),natural de Tinalhas (Castelo Branco) adoptada pela Guarda,desde os 4 anos. Agrónoma,vendedora de rações e agricultora sem terra.
Livro- O ano da morte de Ricardo Reis,Memorial do convento,O Remorso de Baltasar Serapião e tudo o que li até hoje do magnífico Fernando Pessoa, ainda tenho muito para ler e reler. Também gosto muito de ler sobre vinho. Recomendo a Revista de vinhos.
Teatro - tantas peças magnificas...pela espectacularidade do cenário e actores destaco assim recentemente... o Senhor Puntila e o seu criado Matti, no Teatro Aberto, e a Dama pé de Cabra, o último a que assisti.
Música- Hummm! Gosto de rock,muito. Também gosto de clássica e de jazz. Gosto muito dos u2,na fase The unforgettable fire e achtung baby!
Cinema - os dois últimos que vi : "carnage" e "os homens que odeiam as mulheres", brutalíssimos!
Exposição- gosto de quase tudo o que vejo na galeria do Tmg ,gostei muito da casa da Paula Rego em cascais e do guggenheim em Bilbau, amei.
Gastronomia - sopa (da minha mãe),peixe grelhado,mariscos,saladas e massas. Não como carne. Estou a descobrir aos poucos a comida vegetariana.
Beber- vinho tinto,que me saiba bem e que esteja bem feito.O Douro é a minha região favorita,também gosto de Borgonhas e dos vinhos da Toscania, sou uma apaixonada pela enologia mas não vou destacar nenhum em particular.Também gosto muito de água e de Guinness.
Rádio- a antena 3, também ouço a radio 3 de Espanha, sempre no carro.Quando era miúda gostava de sintonizar a bbc.
Visitar- O Mundo! Que pretensão! Adoro viajar, a Irlanda sempre. A última grande viajgem que fiz,Macau, Hong Kong,Tailândia...ou a barragem da Capinha aqui bem perto, onde há pouco estive parada ao sol.
Partilhas. Rui Carvalhinho
Técnico de Farmácia. Amante como ninguém, da sua terra natal.
Livro:Colecção "Fio da Memória" caderno 20, por razões óbvias.
"O Código da Vinci" por me ter devolvido o gosto pela leitura.
Música:José Afonso "Menino do bairro negro"
Cinema: "A Vida é Bela" de Roberto Benigni, pela forma como nos apresentou uma das grandes vergonhas da humanidade, numa quase-comédia.
Exposição: Há muitos anos na então FAOJ a primeira exposição de um artesão da nossa terra, Guilhermino Carvalhinho. Pelo arrojo de quem lhe deu essa oportunidade.
Teatro:"Até o Anjo é da Guarda" do Aquilo, peça que vi num barracão de uma aldeia com o mesmo nome.
"Os Bichos" na zona envolvente da Sé da Guarda pela maneira como obrigou o público a interagir com o seu elenco.
Rádio:Programa "O Postigo da Noite" de Fernando Alves, pela companhia que me fez durante muito tempo.
Estação "Rádio Altitude" pela sua história mas sobretudo pela actual envolvência na tentativa de resolução dos problemas do nosso Distrito.
Comer: Os enchidos da Guarda, com destaque para o Bucho.
A Sopa de Castanhas, desde que feita pelas minhas manas.
Beber: Não sendo muito apreciador de Vinhos (o que lamento), não deixo de recomendar como é natural, os que são produzidos na nossa zona.
Visitar:De todos os itens, este é o mais fácil de referir. A Guarda!
Nenhum de nós se pode dar ao luxo de dizer que conhece inteiramente A Guarda. Por isso há que a "visitar" mesmo que nela se resida. Há sempre locais que nunca vimos e histórias que desconhecemos...
Partilhas. João Aristides Duarte
Natural de Soito (Sabugal). Nascido em 1960. Estudos em Soito, Sabugal e Guarda. Tropa em Viseu e Coimbra. Trabalha em Trancoso como professor do 1.º Ciclo. Bombeiro Voluntário durante 25 anos, actualmente no Quadro de Honra. Divulgador de música através de um blogue e com dois livros já editados sobre essa temática (“Memórias do Rock Português, volumes I e II”).
LIVRO “Raiz Comovida”, de Cristóvão de Aguiar. Porque me emocionou a história das vidas dos açorianos, contadas nesse livro.
“A Relíquia”, de Eça de Queiroz. “Viagem a Portugal” e “Ensaio sobre a Cegueira”, de José Saramago. E muito mais… Gosto de livros sobre História Contemporânea.
Agora: “Clarabóia” de José Saramago
TEATRO Não vivendo em cidades, não tenho grande proximidade com o teatro. Quando andava a estudar na Guarda lembro-me de ter visto a peça “O Visitador Extraordinário”, pelo Teatro Aquilo, que me marcou profundamente. Já há bastante tempo que não assisto a uma peça de Teatro, excepto Teatro de rua.
MÚSICA No passado: “Cantigas do Maio” e “Venham Mais Cinco”, de José Afonso, o imortal; “Que Nunca Mais” de Adriano Correia de Oliveira, ”Movimento Perpétuo”, do Mestre Carlos Paredes e “London Calling” dos The Clash.
No presente próximo: ”Por este Rio Acima”, de Fausto e tantos, tantos que dava pano para mangas e não há espaço que chegue.
Agora: “A Caruma” de A Caruma e, sendo eu um homem do Pop/Rock, “ L’Art Brut”, o novo dos Wraygunn, bem como qualquer um de Sean Riley and The Slowriders .
O último concerto que vi: Sérgio Godinho no TMG. Muito Bom!!!
CINEMA “O Ovo da Serpente” de Ingmar Bergman foi um filme que me marcou profundamente. Talvez um dos melhores filmes que vi até hoje.
GASTRONOMIA Para comer: Cabrito em todas as suas variantes, na zona raiana do concelho de Sabugal. E trutas do rio Côa, nas suas diversas formas gastronómicas.
Para beber: Vinho tinto Quinta dos Termos.
RÁDIO Por ordem de procura e de sintonia automática: TSF e Antena 1. Não ouço rádio a não ser para ouvir notícias. Quando vou no carro, às vezes, deixo ficar o rádio no “on” e vou ouvindo conversas interessantes. Um defeito meu: não ouço rádios locais.
VISITAR Gosto do Norte de Portugal, dos seus castelos e outros monumentos. Foi aí que fiz a minha última visita, no Verão passado. Portugal tem cantos e recantos a descobrir ou (re)descobrir.
Próxima: Talvez rumo ao Sul…
Partilhas. Norberto Gonçalves
Um livro (ou mais, muitos mais):
Aquilino sempre: O Malhadinhas, Volfrâmio…
Torga: Ai aquele A Criação do Mundo!...
Gabriel Garcia Marquez e o seu Cem Anos de Solidão entremeado por Crónica de uma Morte Anunciada…
Ah, e um livro que me caíu nas mãos, assim sem mais nem quê. Stonehenge, de Bernard Cornwell
Um disco seria redutor. Aí vão obras (ou vidas…): em português a do eterno Zeca Afonso; lá por fora dois registos bem diferentes: os Pink Floyd e Patxi Andion.
Cinema: sem sombra de dúvidas A Lista de Schindler.
Exposição: a salientar pela sua abrangência planetária a Expo 92 de Sevilha e a nossa Expo 98.
Teatro: a inesquecível prestação de O Bando na encenação de Os Bichos de Torga em torno da Sé da Guarda…
Rádio: Um programa bem antigo da RDP 1 que dava pelo nome de O 2 do Quelhas conduzido por Júlio César. Isto para além do eterno companheiro de almofada de seu nome de baptismo Oceano Pacífico.
Comer: por aqui o recente Cova da Loba em Linhares. Andando por aí fora, já experimentaram ir até Moscoso, uma aldeia quase fantasma perdida lá pelas bandas do concelho de Cabeceiras de Basto? A viagem não é curta mas… é experimentar senhores antes que a fama chegue mais depressa que nós…
Beber: de preferência tinto e do Douro.
Visitar: não sou muito de cidades. Prefiro perder-me pelas estradas secundárias, isto mesmo antes de nos esmifrarem as carteiras com portagens… Um salto ao norte do país, ao Gerês, e depois aproveitar a embalagem e deixar-se encantar pelos recantos da Galiza nem que seja só para poder ouvir aquele português adocicado de “x”…
Duas novidades editoriais na área da música protagonizadas por gente da Guarda que merece um título tão comprido


O "Assobio" vai fazer o lançamento do seu novo disco, “fado 2.0”, no prximo dia 25 de Fevereiro (sábado) no Pequeno Auditório do TMG às 21h30. Trata-se do segundo trabalho deste projecto da dupla César Prata / Vanda Rodrigues.
Por outro lado, a editora inglesa Third Ear vai editar em vinil o Ep "In Theory" de B.Riddim, ou seja, do guardense Luís Sequeira.
Ao longo dos 4 temas do EP, B.Riddim conduz-nos "por uma viagem por entre sonoridades que vão do Dubstep ao Dub, do Grime ao Reggae sempre polvilhada com grande dose de baixos pesados e com um grande groove inerente".
Terça-feira, Fevereiro 21, 2012
Partihas. António J. Quintela Oliveira
Natural de Vila Nova de Tazem. 1947. Estudos em Gouveia e Porto. Guerra Colonial em Mafra e Moçambique. Trabalho na Guarda a montar Renault e cabos para automóveis. Dirigente associativo e desportivo alguns anos. Reformado por opção. Voluntário disponível.
LIVRO “Meu Pé de Laranja Lima”, não sei explicar porquê. Talvez porque fique sempre emocionado.
“A Relíquia”. “Quando os Lobos Uivam”. “Livro do Desassossego”. “Viagem a Portugal”. E muito que bastava escolher na biblioteca.
Agora: “Marquesa de Alorna” de Maria de João Lopo de Carvalho.
TEATRO Aos 10 anos “Amor de Perdição” pela Companhia itinerante Rei Colaço/Robles Monteiro. Aos 15 anos "Jorge Dandin" de Moliére pelo Teatro Experimental do Porto. Aos 27 anos “Mãe Coragem” representado em S. Romão. Para aí aos 50, “Os Bichos” pelo Bando” à volta da Sé. Agora o que vem ao TMG
Próximo: Qual é a próxima peça no TMG?
MÚSICA No passado passado: “Cantigas do Maio”, José Afonso, “O Canto e as Armas” de Adriano Correia de Oliveira, “Sargento Pimenta” dos Beatles
No presente próximo:”Por este Rio Acima”. Porgy and Bess,” com Louis Armstrong e Ella Fitzgerald que me abriu a porta para o Jazz e a Ópera. Depois disso, alguns clássicos, muitos portugueses, alguns franceses, espanhóis e resto do mundo.
Agora: “Os Fados e as Canções” de Fernando Alvim
CINEMA O primeiro filme que vi no Porto, com 12 anos, no Carlos Alberto, chamado “La Violetera” com Sara Montiel. Depois muitos clássicos, e os grandes “Sétimo Selo” e “Morangos Silvestres” de Ingmar Bergman. Os Italianos “Ladrão de Bicicletas”e “Leopardo”, os franceses de Godard. A nova geração com “ET”, e muitos Spielberg e outros.
Próximo: Se vier, “A Dama de Ferro”.
EXPOSIÇÃO Uma muito antiga no Porto: “Porto, esquinas de tempo” de fotografia. Malangatana no TMG.
As exposições sobre a Guarda no Paço da Cultura.
Um aparte: Ando muito desgostoso com algumas exposições, instalações e outros nomes muito pomposos que vão percorrendo o país. Algumas classifico-as de fraudes de artistas ditos consagrados.
Próxima: Espero por ela no TMG ou em Valladolid.
GASTRONOMIA Para comer: Cabrito em todas as suas variantes mas o melhor é “Arroz do dito com míscaros”, Arroz de lampreia, “Tapas em Castela”.
Comida em restaurantes inesquecíveis: A tasca do Zé Nabo no Redondo. A “Adega Parreira” em Cabeção. Já não devem existir. “
Para beber: Sou da região do Dão e só o Dão é bom, tudo o resto é sucedâneo. O vinho da minha terra é o melhor do mundo.
Próximo: Talvez regressar ao “Museu do Pão”
RÁDIO Por ordem de procura e de sintonia automática: TSF, Rádio Altitude, Antena 1, Antena 2, Rádio F. Se não me agrada, desligo e coloco CD ou MP3.
VISITAR Guarda cidade. Guarda concelho. Guarda distrito. Minho e Alentejo. Paris. Barcelona. Nova Iorque 48 horas. Viagem de barco entre Lisboa e Nacala (Moçambique)
Próxima: Talvez o Museu do Côa ou a Semana Santa em Espanha.
Prémio Café Mondego
Hoje entreguei o cartaz (elaborado pelo Jorge dos Reis) relativo ao prémio Café Mondego de 2011, cujo vencedor foi António José Dias de Almeida. Um prémio mais do que merecido!
Tozé Almeida, aceite esta singela (mas verdadeira e fraterna) homenagem!

Partilhas. Serip
Pires, (mais conhecido por "SERIP magic shows", PiresPortugal, SERIPires e Neo-Maciavelli):
Livro: "Deixem Passar o Homem Invisível" de Rui Cardoso Martins, prémio literário de 2009, onde o terceiro personagem tem não só o meu nome mas muito de mim romanceado com grande arte do autor.
Música: Amália Rodrigues com quem tive a honra de trabalhar num espectáculo.
Cinema: Adoro quase todos os filmes de Chaplin.
Exposição: Fiz uma de fotografia. Sonho fazer uma de "Imagens colagens e mensagens" para promover a reciclagem do lixo e contribuir a salvar crianças que morrem de fome.
Teatro e dança: Fiz um curso de mímica aplicada à dança e outro de teatro cómico que muito me ajudaram nos meus espectáculos de ilusionismo.
Radio: cresci com a "Rádio Altitude", a rádio mais escutada naquele tempo no meu meio.
Como para viver. Detesto perder muito tempo a cozinhar. Um dos meus sonhos é encontrar colaboradores para escrever um e-book: C3M=COZINHAR EM 3 MINUTOS. Alguém quer colaborar? Se publicar um e-book sobre técnicas de economizar tempo na cozinha poderá interessar a alguém?
Visitei 4 continentes. Gostaria de visitar USA.
Segunda-feira, Fevereiro 20, 2012
Hoje o Galo vai ser queimado na Guarda!
Julgamento e Morte do Galo do Entrudo from Município da Guarda on Vimeo.
Tem sido assim! O Julgamento e Morte do Galo do Entrudo realiza-se,mais uma vez, na Guarda. Sátira e humor. Participação Popular. Na Guarda, às 21.30 horas.
Morra o Galo que nos desgraça!
Prémio Manuel António Pina não foi atribuído
Fonte: NAC/CMG
Um único comentário: Assim é que é! Se nenhum dos originais merece ser associado ao nome do poeta Manuel António Pina acho muito bem que o prémio não seja atribuído.
Domingo, Fevereiro 19, 2012
Partihas. Victor Afonso
Dizem que sou tímido (mas só os que não me conhecem bem). Dizem que não tenho sentido de humor (mas só os que não me conhecem bem). Dizem que só gosto de música "vanguardista e esquisita" (mas só os que não me conhecem bem). Dizem que não aparento a idade que tenho (42), que sou um pai babado e que nem toda a gente gosta da música que faço. E é verdade.
Livro: Se tenho de escolher um livro, que seja "Siddhartha" de Hermann Hesse. Li-o quando tinha 16 anos e foi uma revelação: espantosa reflexão sobre a vida, a religião, a condição humana e sua finitude terrena. Chorei quando cheguei ao fim. Mas também chorei quando, com a mesma idade, li os romances trágicos de Mário de Sá-Carneiro e "O Estrangeiro" de Albert Camus. O último grande livro que li foi "Património" de Philip Roth e li em 2011 duas grandes revelações literárias: o inglês Julian Barnes e o norueguês Kjell Askildsen.
Música: Os Joy Division foram uma espécie de religião musical para mim e o álbum "Closer" estará sempre no altar da celebração. Mas depois ouvi outros choques estéticos dos quais ainda hoje não me recompus: Suicide, Einstürzende Neubauten, Cecil Taylor, Can, Diamanda Galás, Lydia Lunch, The Birthday Party, Steve Reich, John Zorn, Mr. Bungle, Amon Tobin, Philip Glass, e tantos, tantos outros. Mas se me perguntarem qual a discografia completa que levaria para a ilha deserta (o que quer que isto signifique), escolheria sem pestanejar a discografia dos Dead Can Dance.
Cinema: Como os discos, também há muitos filmes na minha vida. Quando tinha 18 anos, um amigo mais velho falou-me de um realizador russo (que desconhecia) que fazia fascinantes "filmes metafísicos": Andrei Tarkovski. Fiquei curioso, parti à descoberta e só parei quando consegui ver todos os seus sete filmes. Foi o mote para o início da minha cinefilia. Mas há mais cineastas da minha particular eleição: Sergei Eisenstein, Murnau, Chaplin, Buster Keaton, Jacques Tati, Kubrick, Sam Peckinpah, Fellini, Samuel Fuller, Woody Allen, Polanski, Cronenberg, Lynch, Bergman, Antonioni, Gus Van Sant, etc. Actualmente, o meu cineasta contemporâneo favorito é um obscuro, radical e genial realizador húngaro chamado Béla Tarr.
Exposição: Foi por volta de 1995 que vi, na Culturgest, uma exposição incrível do artista sul-coreano Nam June Paik, que enchia salas enormes com impressionantes instalações feitas de lixo e resíduos tecnológicos, especialmente recorrendo a dezenas de ecrãs de televisão (foi um pioneiro da videoarte). Também fiquei deliciado com uma exposição do artista espanhol Antoni Tàpies (recentemente falecido), que vi no Museu Reina Sofia; ou a sempre surpreendente arte de vanguarda na Feira de Arte Contemporânea ARCO de Madrid. No TMG, gostei especialmente das exposições de Nadir Afonso, Malangatana, Júlio Pomar e Daniel Gamelas.
Teatro: "Quem Dorme Sob os Ciprestes" do Aquilo Teatro, com encenação de Américo Rodrigues, levada à cena em meados dos anos 90. Cito esta peça porque foi a primeira para a qual compus música original (a convite do encenador), ainda hoje, um dos trabalhos musicais que mais gozo me deu fazer.
Rádio: Há uma figura incontornável da rádio que influenciou o meu gosto e a minha formação musical: António Sérgio, radialista da Comercial e da XFM. Ouvia religiosamente o seu mais mítico programa, "Som da Frente". Nos anos 90 também ouvia muita rádio espanhola na qual aprendi e conheci muito boa música. Nesses anos havia excelentes e diversificados programas de autor sobre todos os géneros musicais (jazz, étnica, rock, electrónica…) e os locutores eram cultos e informados. Hoje só ouço rádio como "pano de fundo" quando conduzo (geralmente a Antena 3 ou Antena 2, e o noticiário local com a Rádio Altitude). Infelizmente, a rádio portuguesa generalista actual está submetida à ditadura da playlist, é quase toda ela formatada e nivelada por baixo, sem inovação nem orientada para um serviço público de qualidade e diversidade.
Comer: Como um amigo costuma dizer, "não sou de grande alimento". O meu gosto não é gourmet, é simples e sem grandes devaneios gastronómicos. Comer bem é mesmo em casa, com a minha mulher a cozinhar aprimorados pratos tradicionais: da feijoada ao arroz de pato ou de polvo, do rancho ao bacalhau abafado com broa de milho. A cozinha de autor, ou "nouvelle cuisine", não me fascina. Mas fico-me pelo meio-termo: gosto de, quando em quando, ir com amigos a um restaurante mais requintado.
Beber: Vou desiludir os meus amigos especialistas em vinho, mas a minha bebida preferida é essa "água suja do imperialismo americano" que "primeiro se estranha e depois se entranha" (agora já não, mas enfim…): Coca-Cola. Simplesmente. Mas quando se proporciona também gosto de beber à refeição vinho tinto e, especialmente, branco com um ligeiro travo adocicado. Mas nem de perto, nem de longe, sou especialista em vinho de colheita-não-sei-de-quando ou da reserva não-sei-de-onde. Quando era mais novo gostava de uma bebida que quase ninguém bebe hoje: Pisang Ambon. Em espaços nocturnos e em convívio de amigos, gosto de beber cerveja, licor beirão ou vodka com sumo de laranja. Ah, e nada bate uma boa ginjinha ou vinho do porto acompanhado com tremoços ou amendoins (de preferência salgados)!
Visitar: Fico sempre com um certo sentimento nostálgico quando visito - cada vez mais raramente - a minha aldeia natal: Fóios (Sabugal). Era nessa aldeia que passava (quando era miúdo) as férias do Verão com os meus avós. E fiquei também assaz comovido quando, há uns anos, visitei a escola primária onde estudei bem no centro de Paris (fui emigrante em França até aos 8 anos). Já não ia lá há 33 anos. A última visita ao estrangeiro foi a Madrid, cidade fantástica de vitalidade e cultura. Cá dentro, gosto de regressar a Sesimbra e à Serra da Arrábida (onde tenho amigos), ao alto frio da Serra da Estrela ou ao quente das praias alentejanas e algarvias.
Partilhas. Helder Sequeira
Vive a/na Guarda. Continua a acreditar nesta cidade e na região, contra ventos e marés…
Livro. Vários. De autores como Thomas Mann (“A Montanha Mágica”, particularmente), Tolstoi (“Guerra e Paz”, por exemplo), Eça de Queirós (“A Cidade e as Serras”), Alexandre Herculano (“Eurico, o Presbítero”), Aquilino Ribeiro e Miguel Torga, entre outros.
Música. Naturalmente. Géneros e intérpretes diferenciados. Bob Seger (é sempre agradável recordar temas como “Against the wind” ou “Still the same”), Chris de Burgh, Patxi Andion (quem não se lembra de “Palabras” ou “El Maestro”…), The Eagles (e o destaque vai para o “Hotel California”…), Pink Floyd, Procol Harum, The Beatles, Abba, Agua Viva (“Los poetas andaluces de ahora”), Georges Moustaki, Paulo de Carvalho, Carlos Mendes ou Dulce Pontes. Em síntese, claro.
Cinema. A preferência vai para películas cujos argumentos têm um cunho histórico, seja qual for a época. Vários e excelentes filmes preenchem essa galeria. Mas outras histórias conduziram, igualmente, a filmes que gostei de ver. A título de exemplo: “Profissão Repórter” (de Michelangelo Antonioni), “Dossier Pelicano” (Alan J. Pakula), “Os Falsificadores” (Stefano Ruzowitzky) ou “A Intérprete” (de Sydney Pollack).
Exposição. Evocando as algumas mais recentes, e na Galeria de Arte do TMG, as exposições de Cutileiro, Evelina Coelho e a (actual) de Ângelo de Sousa.
Teatro. De há alguns anos atrás, “Felizmente há Luar” (de Sttau Monteiro), peça que me suscitou um trabalho académico, no âmbito da “História do Teatro”. De um período mais recente, os trabalhos, excelentes, apresentados pelo Projéct~ (nos palcos do TMG).
Rádio. Sempre, e por razões óbvias. São várias décadas de íntima e profunda ligação, que remonta aos tempos da onda média. O Rádio Altitude será sempre uma referência no percurso pessoal. Nas rádios, ditas nacionais (não esqueçamos que mesmo as locais podem ser ouvidas a milhares de quilómetros, via web… ) a sintonia, mais frequente, e sobretudo em viagem, é com a TSF e a Comercial.
Comer. Qualquer dos bons pratos da nossa gastronomia regional; a escolha é ampla, mesmo na doçaria; o queijo da serra é indicação obrigatória, nesta partilha.
Beber. Um bom vinho do Douro ou do Alentejo. Claro que não ponho de parte uma boa, e fresca, cerveja.
Visitar. No nosso país são inúmeros os locais que, pela sua riqueza monumental ou paisagística, merecem uma visita descontraída, sem horários. A Serra da Estrela, o Gerês, o Douro, a costa alentejana, as nossas aldeias históricas. Lá fora, e fugindo às sugestões turísticas tradicionais, recomendo Istambul, Praga e St Petersburg.
Sábado, Fevereiro 18, 2012
Partilhas. José Manuel Mota da Romana
A minha graça é José Manuel Trigo Mota da Romana. Nasci no ano da Graça de 1942.Não tem graça nenhuma ser sexagenário.Enfim, com graça ou sem graça, vão umas breves impressões acerca de certos tópicos que sugerem memórias, vivências, momentos de felicidade (não há felicidade)e muitos pensamentos...
Livro Não indico um. Foram tantos que me deram graça, encantamento à minha vida e que marcaram fases da vida no meu crescimento mental, intelectual, estético e literário, ético e político!Realço a obra poética de Camões, F. Pessoa, Eugénio de Andrade, Ruy Belo. Destacaria a Bíblia em todas as vertentes religiosas, culturais...Obras de filósofos que nos falam da condição Humana: Nietsche, Kierkegard,ou que me ajudaram a ler a vida social e cultural: Marx, Marcuse, Habermas.Refiro-me sempre às suas obras e a alguns dos seus livros.Tentei, graças a estes escritores, sempre que possível, criar sínteses e visões do mundo.Escrevi tanto e disse tão pouco!Cairei nas boas graças de quem me lê?
Música Gosto de música Gregoriana, quando executada com mestria.Procuro boas gravações com coros de conventos de monges beneditinos de referência. Ouço muita música clássica, dita erudita, como a de Bach, Mozart, Haendel e Beethoven e as suas composições:"A Paixão de Cristo, segundo S.Mateus", "Requiem", "O Messias" e a "Nona Sinfonia". Sempre com maestros de referência.Não quero esquecer músicos e autores, portugueses e estrangeiros, que me ajudaram a estar vivo e a lutar contra regimes opressivos e contra toda a repressão humana: L. Ferré,P. Ibañes, J. Afonso e outros. A música é uma Graça de Deus para os homens!
Cinema Tive sempre uma tendência para filmes neo-realistas de cineastas italianos. Assim:Lattuada, Fellini, Pasolini...E de realizadores franceses da década de 60.Aliás, sempre segui a cinematografia europeia com mais prazer estético: Orson Wells, Bergman...Destes, respectivamente," O Mundo a seus Pés" e "O Sétimo Selo".
Exposições Ando à boleia, de graça,daquilo que o T.M.G.oferece. Daqui,recordo as exposições de pintura de Malangatana, de J. Pomar.De Serralves a de Paula Rêgo e finalmente a de V. Franca de Xira, acerca do Neo-realismo português.
Rádio Ouço rádio em viagens.Num passado remoto, recorria muito à BBC, em termos informativos, à Rádio Argélia e à Rádio Moscovo.Para as rádios locais ligo, raramente, e mais quando solicitado.
Teatro Confesso que aprecio, sobretudo, o teatro em que a linguagem verbal predomine acima de todas as outras linguagens artísticas. Seja como for, sou um espectador atento, distante e amigo das novidades neste campo artístico.Recordo, como se fosse hoje, as peças de Brecht, "A Mãe"e " O Círculo de giz Caucasiano".
Comida Frequento os lugares onde tive boas experiências gustativas.A Casa de Pasto Pinto- uma tasca-em Viseu que me serviu a melhor lampreia.O Quartel, em Penamacor que confeciona um bacalhau à moda da Zézinha que é divinal: uma graça dos homens.Um bom cabrito da Malcata,acompanhado de meruges, no Robalo, Sabugal.
Beber é para mim um acto cultural. Um bom tinto da Região do Dão, talvez, um Quinta da Espinhosa de Vila Nova de Tazém em que o preço e a qualidade casam bem ou até um tinto do Poço do Canto- Meda.
Visitas Houve viagens que deveriam ser para mim fonte ou inspiração para alguns textos. Quem sabe? Em 1968 ma viagem a Berlim(às duas partes da cidade)quando ainda existia muro e a tensão política dos blocos era de cortar.Em 1969, um ano mais tarde do Maio de 68, a Paris, às livrarias de Saint Germain, ainda com vestígios e grandes fotografias desses acontecimentos que, sem dúvida, alteraram o mundo. Uma viagem em 1978 à Grécia.Lá estive em Atenas,em Corinto, em Delfos...Dói a alma como é tratada a Grécia pelos mercados e por certos estúpidos neo-liberais. Enfim,antigamente,pensava e corroborava a citação de Bernanos "que tudo é Graça". Hoje, desapontado e menos optimista, apesar de tudo, ""sou, estou e canto (Thiago de Mello) "Gracias a la vida", cantada por Mercedes Sosa.
Partilhas. Maria João Falcão Lopes Cardoso
LIVRO:
“Guerra e Paz” foi o livro que me acompanhou durante anos e anos, onde sempre descobri novas coisas importantes. Li-o três vezes! Se puder, gostava de o reler ainda.
MÚSICA:
Chopin, sem dúvida, o Príncipe Chopin!
CINEMA:
Hoje lembrei-me do François Truffaut e da Nouvelle Vague. Talvez porque ele nasceu há 80 anos.
EXPOSIÇÃO:
Inesquecível uma exposição sobre a Arte Etrusca, em Viterbo.
TEATRO/DANÇA:
Não me atrevo a falar de teatro. Escolho a Dança: O maravilhoso Teatro Bolshoi e “O Lago dos Cisnes”, que vi em Moscovo no ano de 2004. Depois, fechou para obras. Creio que reabriu há pouco.
RÁDIO:
O rádio era uma coisa maravilhosa! Não havia outra “comunicação”quando eu era pequenina, e as músicas eram as que apareciam. Havia alguns folhetins engraçados (muito Júlio Dinis, lembro-me).
COMER:
Pato com Arroz!
BEBER:
Água. Excepcionalmente Champagne...
VISITAR:
“Viajar? Perder países, ser outro constantemente”... Gosto de ir ver o mar. Ou visitar o meu Alentejo. Ou andar por aí.
Partilhas. António José Dias de Almeida
Gostava de brincar aos professores quando era pequenito. E agora, já sexagenário adiantado, ainda gosto... Talvez pelo prazer de palavrear com a presunção de que ensino alguma coisa...
Livro(s)- Se pensar muito, esbarro em muitas lombadas que me lembram leituras variadas com matizes e intuitos diferenciados. Viagens na Minha Terra de Almeida Garrett, sec. XIX ,são um prodígio de modernidade. Afinal, aí nasceu tudo nessa fantástica aliança de realidade e ficção, num tom coloquial que o “benévolo leitor” sempre apreciará. E então, não digo nada de poesia? Digo e refiro como sugestão a obra poética de Rui Belo, com destaque para Boca Bilingue . Ando a ler e a gostar muito das Memórias de Rómulo de Carvalho.
Da Música, dita erudita, também de clássica rotulada, não sou assíduo ouvinte. E bem me penitencio, porque, quando a ouço, é um completo deleite. Perguntam-me “ Aimez-vous Brahms?” Sim, digo eu. E Tchaikovski. E Mozart e muitos outros, Vivaldi incluido. Da música portuguesa sou incondicional ouvinte de Zeca Afonso e afins, onde incluo Adriano Correia de Oliveira. Acrescento Zé Mário Branco, Sérgio Godinho e Fausto. Que grande disco o seu Em busca das montanhas azuis. Dada a minha francofonia, música de língua francesa entenda-se, adoro Jacques Brel, boa e antiga companhia, a par de Georges Brassens e, noutro registo, a encantadora Piaf. Em língua inglesa, e para não me alongar, não excluo os Beatles, mas a minha preferência vai para a música “country”, relevando a traço grosso, Pete Seeger. Ah! Esqueci-me de Carlos Paredes. Imperdoável!
Cinema – E agora? Ainda verei com os mesmos olhos da década de 60 o Pierre le Fou de Jean-Luc Godard? Ou o Oito e Meio de Fellini? Se calhar... Sugiro-os a par de alguns bons filmes de Woody Allen e de A Vida é Bela de Roberto Benigni.
Exposição – É imperdível a exposição Fernando Pessoa - Plural Como o Universo que, na Fundação Gulbenkian, abriu ao público no dia 10 e estará patente até 30 de Abril. Aqui, à porta, vale bem a pena visitar as esculturas de Ângelo de Sousa, na Galeria de Exposições do TMG. Se pudesse, repunha a 1ª exposição que me fascinou, nos anos sessenta do século passado, na Sociedade Nacional de Belas Artes, em Lisboa, Cem Anos de Pintura Francesa. Guardo religiosamente o catálogo.
Também em Teatro, o outro que eu já fui recomendaria Morte e Vida Severina de João Cabral de Melo Neto... Das peças mais recentes que vi destaque para Amadeus com magnífica representação de Diogo Infante, no D. Maria II e também Quem Tem Medo de Virgínia Wolf? na mesma sala desse Teatro Nacional, em Lisboa. Creio que já acabaram as representações. Fiquei encantado com A Dama Pé-de Cabra, de Alexandre Herculano, aqui no nosso TMG, com encenação de Antónia Terrinha que também assumiu a representação. E de que forma, Deus meu...
Rádio – Gosto de ouvir Rádio e não só no carro. Sugiro na Antena 1, o programa de Ruben de Carvalho, Crónicas da Idade Mídia, nas noites de 2ª feira e Hotel Babilónia de João Gobern e Pedro Rolo Duiarte, aos sábados das 10 às 12h. E, claro, debates, crónicas e diversos aqui, na nossa Rádio Altitude.
Comer – Não gosto muito de nouvelle cuisine. De fusão, também não. Prefiro a tradicional portuguesa, sugerindo uma ou outra incursão ao Valleculla, à Colmeia, (nos Galegos) e à Tasquinha, mesmo aqui ao pé da porta. Seja onde for, uma boa morcela da Guarda, com couves e batata cozida; e seja onde for, uma boa fatia de queijo da serra. Do autêntico, claro!
Beber – De preferência, vinho tinto. Do Douro, por exemplo. A escolha é múltipla. O “Duas Quintas” é óptimo sem precisar de nos servirmos dos topo de gama. Aqui, bem perto de nós, existem hoje magníficos vinhos que vivamente aprecio: O “Quinta dos Termos”, por exemplo o “reserva do patrão” é excelente. Para um peixinho, o “Quinta do Cardo- Síria” agrada-me sobremaneira. No Caçador, para acompanhar o bom marisco que lá é servido, um “Muralhas” de Monção, bem fresquinho, vai mesmo a matar.
Visitar – Gosto muito de revisitar. Pudesse eu, e mais vezes iria a Paris; repito com gosto e proveito as idas a Salamanca e, quando calha, a Santiago de Compostela. Andar aqui por perto também é agradável, apreciando sempre algum pormenor que nos tenha escapado nas aldeias históricas de Marialva a Sortelha, passando por Castelo Rodrigo para deleite de um olhar vagabundo espraiando-se pela vastidão do horizonte encantador que nos enche a alma, principalmente em dias de sol límpido e refulgente. Para dar um toque exótico, gostaria de voltar a Macau e apreciar a sua evolução após 1999.
Sexta-feira, Fevereiro 17, 2012
O quarto interior
tão interior
que é lembrança
tão ténue
tão distante
que é apenas
uma linha
fenda
fissura
que avançava na parede
e ia na direcção
de outros quartos
interiores
vejo também
sem nitidez
um buraco
um furo
por onde espreitava
o mundo
dentro
um pequeníssimo bicho
fazendo a sua cama
17/2/12
Américo Rodrigues
Quinta-feira, Fevereiro 16, 2012
Partilhas. André Benjamim
André Benjamim (1981). Por enquanto os nomes ainda não pagam impostos, portanto ocupei este. Ou: apenas um número, cada vez mais um número. Ou: apenas um indivíduo que perdeu a réstia de fé que tinha na humanidade.
Livro: «Poesia» de Álvaro de Campos, de preferência a edição da Assírio & Alvim. Se isto der para o torto e a III Guerra Mundial começar, é este livro que levo comigo.
Música: O álbum «Grace» de Jeff Buckley.
Cinema: «A Vida é Bela». Porque mesmo nos momentos mais ultrajantes, devemos acreditar sempre que de algum modo, onde houver amor, o amor triunfará. E onde houver amor, há sempre beleza, mesmo que em volta só exista destruição…
Exposição: «Fernando Pessoa – Plural como o Universo», de 10 de Fevereiro de 2012 a 30 de Abril de 2012, na Fundação Calouste Gulbenkian. Entrada: 4€. Pena que eu esteja tão longe… Quem tiver a oportunidade, não perca.
Teatro: «Sonho de uma Noite de Verão», de William Shakespeare. De momento não tenho conhecimento de nenhuma representação em cena…
Rádio: Desliguei a rádio e a tv. Para a depressão sou auto-suficiente, não preciso de mais nada nem ninguém a alimentá-la.
Comer: Nunca fui grande comedor, e o estado da Europa tira-me o apetite. Literalmente. Mais importante que o prato, são as pessoas que se sentam em volta. Em casa ou no restaurante, juntem família e amigos e sentem-se.
Beber: Um bom whiskey duplo sem gelo, à temperatura ambiente. Sem esta regra «sem gelo, à temperatura ambiente» nem o melhor whiskey do universo pode em rigor chamar-se whiskey. Simpatizo com o Johnny Walker. Se puderem, blue ou black label. Eu contento-me com a red label.
Visitar: Machu Picchu. E família e amigos, sempre.
Partilhas. Élia Fernandes
Élia Fernandes, mulher sonhadora, optimista (nem sempre parece) e orgulhosamente Mãe.
Gosto de libélulas e caixinhas de música.
Adoro ouvir o crepitar do lume; ficava horas à lareira se pudesse.
Trabalho com crianças e aprendo muito com a visão que têm do mundo.
Não vivo sem música.
Livro: "Memorial do Convento" de José Saramago. Um romance que nos transporta para o século VIII no reinado de D. João V e da Inquisição. Todos deveriam conhecer os amores de Baltazar e Blimunda (mulher dotada do poder estranho de ver o interior das pessoas).
Música: Disco em vinil "Looking for Love" da cantora Maria João e da pianista Aki Takase e não poderia deixar de referir o fantástico álbum "Sacrificium" da poderosa Mezzo soprano Cecília Bartoli, com reportório dos castrati , acompanhada de belíssimos músicos- Imperdível! Eu tive a sorte de assistir ao vivo à apresentação deste CD; foi um espectáculo de três horas absolutamente inesquecível .
Cinema: Tenho pena de não ver mais cinema mas o último que vi valeu por dez, "Pina" de Wim Wenders , um maravilhoso tributo do realizador ao inigualável trabalho da coreógrafa alemã Pina Bausch.
Exposição: Ângelo de Sousa "Ainda as Esculturas"(a decorrer ainda na galeria de arte do TMG). Gostaria de salientar a surpresa que foram as esculturas de Daniel Gamelas, também no TMG, um jovem que vai dar que falar.
Teatro: Foram muitas as peças de teatro que vi e gostei mas dedico uma especial atenção à dança e jamais esquecerei "Café Muller" de Pina Bausch. Teatro a sério, a peça "Vulcão", uma interpretação brilhante da actriz Custódia Galego, pelo grupo de Teatro do Bolhão.
Rádio: Rádio Nacional Clássica Espanhola, boa música com pouca conversa, o que já não acontece na Antena 2.
Comer: Simples, um pratinho de percebes e uma imperial.
Beber: Vinho tinto, sempre. Tem que ser do bom, um Pancas, colheita seleccionada.
Visitar: Ilhas da Croácia e depois é só um saltinho para conhecer Montenegro, um pequeno país maravilhoso onde gostaria de viver, pois tem as montanhas e o mar (mar que tanta falta me faz) e um centro histórico que parece saído das histórias de encantar. Sensação única: para chegar a Montenegro tem que se atravessar uma "terra de ninguém", que ficou do tempo da guerra.
Partilhas. Márcio Fonseca
Márcio Fonseca, blogger de causas sem efeitos
Música O rock dos Franz Ferdinand. O dueto musical de 2011 "A Pele Que Há Em Mim (Quando o Dia Entardeceu)" que juntou Márcia e JP Simões. "O Bairro do Amor" de Jorge Palma porque a vida é um carrossel feito de lápis de cor onde há sempre lugar para mais alguém.
Livros Literatura de língua castelhana: "As Vozes do Rio Pamano" (um dos meus romances favoritos), o divertidíssimo "Pantaleão e as Visitadoras" e a descoberta actual, muito no início ainda, "Rixa de Gatos".
Cinema Um filme terno, bonito e reconfortante como todos deveriam ser: "Cinema Paraíso"... e a expectativa que o novo de Scorsese ("A Invenção de Hugo") assim o seja também.
Rádio O dia começa bem quando no percurso casa-trabalho ouço os "Sinais" e o "Tubo de Ensaio" na TSF. Aos sábados "Fala com Ela", na Radar. Quando estou na região, e muitas vezes online, a Rádio Altitude. Destaco pela grande qualidade o programa radiofónico desta emissora que no início de cada ano apresenta o balanço do que ficou para trás.
Teatro "A Cidade", uma peça de que gostei muito do Teatro da Cornucópia (é raro não sair satisfeito quando assisto a peças desta companhia). Na Guarda: os diversos "Julgamento e Morte do Galo do Entrudo" e os espectáculos comemorativos do Dia da Cidade ("Tão Perto do Puro Azul do Céu" e "Guarda: A República")
Comer Bucho, farinheira e chouriça dos meus padrinhos da Castanheira (vendem em feiras e têm loja aberta) acompanhados de costela cozida com batatas e couves do Rochoso. Tinto "Quinta dos Termos" reserva 2005. Coscuréis feitos pela minha mãe.
Beber Gin (Bombay) com água tónica, gelo e lima. Para conversas em boa companhia.
Visitar Um país: Itália. A geografia dos afectos, a Beira: Guarda (principalmente se calhar em altura de visitas encenadas), Sortelha e Castelo Mendo. E claro, o Rochoso, nas palavras de Alberto Diniz da Fonseca, "Capital do Mundo".
Ver O meu quadro preferido: "Perro ladrando a la luna" de Miró. A colecção de fotografia do Museo Reina Sofía em Madrid... e a esperança de um dia também eu conseguir dominar a técnica de contar histórias com imagens.
Quarta-feira, Fevereiro 15, 2012
Partilhas. manuel a. domingos
manuel a. domingos (1977), primo afastado de Pedro de Melo Fonseca, a quem este confiou toda a sua obra antes de partir para parte incerta.
Livro: “O Náufrago” de Thomas Bernhard. Tudo aquilo que li deste autor austríaco não me desiludiu; mas este está em primeiro na lista, talvez por também ter sido o primeiro que li dele.
Música: o álbum “Closer” dos Joy Division. A Guarda foi para mim, durante bons anos, a minha Manchester.
Cinema: “Os Idiotas” de Lars Von Trier. Foi um filme que me deixou de boca aberta.
Exposição: a exposição de esculturas de Daniel Gamelas no TMG.
Teatro: “Quem tem medo de Virginia Woolf” que vi no Teatro Nacional D. Maria II. Pela força do texto.
Rádio: o programa “Argonauta” na Antena 2.
Comer: Cozido à Portuguesa em casa dos meus pais.
Beber: um belo de um tinto, às escuras, enquanto ouço Joy Division.
Visitar: Manteigas.
Partilhas. Daniel Rocha
Homem de crenças e de valores bem vincados, nasci em 1982, apesar de acreditar que já por cá ando há bem mais tempo. Gosto da humanidade e das suas cambiantes, mas odeio tudo o que é a hipocrisia e a mentira. Dedico-me por estes dias que correm a cultivar-me e a cultivar a horta enquanto espero por boas oportunidades profissionais.
Livro: Terei de referir o último que me marcou profundamente e que li por influência do Mestre Poppe: "Mr. Chips", de James Hilton. Ode, em prosa, ao saber e ao respeito por ele. Ultimamente, ando com "O Medo", de Al Berto. Descobri uma pérola!
Música: Sou um pouco melancólico e, por isso, gosto de músicas mais calmas e relaxantes. Adoro a música "No Surprises", dos Radiohead. Rendo-me ainda à "velha guarda" e aos arrepiantes sons dos Deep Purple. Mas eles conseguem ainda mais do que arrepios, já ouviram "When a blind man cries"?
Cinema: Adoro cinema, mas vou poucas vezes às salas de cinema. Tenho vários filmes de eleição. Um deles é o brilhante "As Horas", de Stephen Daldry. Simplesmente mágico e envolvente. Por outro lado, adoro a adaptação ao cinema da ópera rock dos The Who: "Tommy", de Ken Russell. Dois filmes fabulosos!
Exposição: Terei aqui que referir a homenagem a Manuel Poppe e a exposição que esteve patente na Biblioteca Municipal Eduardo Lourenço. Apelou ao sentidos visuais e afectivos ao mesmo tempo que convidava para a leitura e a descoberta deste grande autor. Por outro lado e por terras hoje a ferro e fogo, a visita à exposição ao ar livre do Palácio de Knossos, em Creta.
Teatro: A primeira peça que vi em Coimbra, enquanto estudante, foi a "Venda do Pão", de Bertolt Brecht, e fiquei, se não estivesse já, ainda mais rendido ao mundo do teatro. Faz bem uma boa dose de Brecht de vez em quando, direi hoje. Depois, tenho de destacar a fantástica experiência do Teatro do Tintinolho, com a peça "Minimamente", onde alimentei o espírito durante alguns meses. Vamos lá regressar, Tintinolhos? Nota final: assistir à ópera "Dido e Eneias", de Henry Purcell, no TMG foi um sonho tornado realidade! E os dias com o Galo? Óptimos!
Rádio: A Altitude. Gosto imenso de rádio e divirto-me bastante a escrever as crónicas diárias para a Rádio Altitude. Foi curioso saber que a rádio me descobriu, quando eu já a ouvia desde miúdo (não conscientemente!). Agora sei o papel libertador que representa no meio do fechamento civilizacional que são "os meandros" da cidade. Espero que gostem das crónicas!
Comer: Ninguém substitui a minha mãe! Os pratos dela são únicos e, desculpem lá, é a melhor cozinheira do mundo. Adoro a Caldeirada de Peixe e uma Francesinha de vez em quando. E agora lembrei-me dos enchidos caseiros... (tenho de ligar para casa!)
Beber: Adoro vinho! Alentejano (da Quinta das Servas, de Estremoz) e, mais recentemente, aqui da nossa Beira (o Almeida Garrett, ali do Tortosendo). Principalmente tinto, mas não me importo que por vezes seja branco. E temos vinho tão bom aqui pela Beira! Para vinho verde é que não largo o do Minho. De resto, não sou bebedor de muitas bebidas. Quem me conhece bem sabe que não passo sem um chá. Curiosamente, o meu café de eleição tornou-se o Café Concerto, nas poucas (e cada vez menores) vezes que estou/vou à Guarda.
Visitar: Sou daqueles que, se mais ninguém se decide, pego nas pernas e vou sozinho. Tenho andado a conhecer o país (o último destino foi a Costa Alentejana), mas não descuro uma saída do meu capital para o estrangeiro. Para já, estou a visitar (para me familiarizar melhor) a zona Oeste da Serra da Estrela (Gouveia e Seia) e já descobri alguns espaços muito interessantes, como "A Quinta das Cegonhas" (ali perto de Folgosinho), que ainda não explorei porque tenho frio!
Post Scriptum: Texto escrito segundo os anteriores acordos ortográficos.
Morte ao Galo!
É já na próxima segunda feira que o Galo atravessa a cidade a caminho da condenação. O galo é, simbolicamente, o culpado de tudo o que de mal acontece à nossa comunidade (e, neste ano, há pano para mangas) e, portanto, vai ser devorado pelo fogo. O espectáculo baseia-se em rituais de expiação e, nesse sentido, é um carnaval que muito tem a ver com a nossa tradição. O Julgamento e Morte do Galo do Entrudo é também um acto mobilizador de milhares de pessoas, sendo a iniciativa pontual que mais ajuda a Guarda a divulgar-se. Participam criadores locais (autores, actores, músicos, etc) e muitas colectividades da região. Trata-se de uma festa, de um carnaval surpreendente que, de ano para ano, ganha novo fôlego, afirmando-se como um evento singular.Partilhas. Manuel Poppe
Música: seja o que for de Bach é a obra perfeita
Cinema: Senso, de Luchino Visconti, a beleza de uma mulher, Alida Valli, a maravilha de um teatro, La Fenice, o milagre de um país, a Itália, o sonho de uma cidade, Veneza
Exposição: a dos quadros de Aldo Zari, artista singular, alma pura, santo no sacrifício de ter sido sempre ele próprio
Teatro: todo o teatro de Tchekov, russo nosso irmão, não se sabe porquê, porque ninguém sabe por que somos tão parecidos, os portugueses e os russos
Rádio: Os anos da Rádio, de Woody Allen: esses eram os tempos!
Comer: buxo de ossos, no Belo Horizonte,na Guarda, ali bem perto do ex-Poço do Gado, onde viveu a linda Libânia e as suas bailarinas
Beber: Glenmorangie, sabe a poesia, bebido à lareira numa roda de amigos que tenham lido Malcolm Lowry
Visitar: a Sé da Guarda, porque o Poço do Gado fechou e convém andar perto de Deus
Ponto intermédio
esvaindo-se
a toalha bordada
pela mãe
o vinho tinto alfrocheiro
bebido
com lentidão
e
a noite matando os
corpos
a voz chamando
pelo passado
e
não estar no passado
nem em qualquer
ponto
intermédio
estar num lugar
entre ti
e desapareceres
no nevoeiro da cidade
Américo Rodrigues
14/2/12
Partilhas. José Monteiro
Livro - muitos haveria a referir dos que li. Duns mais doutros menos, alguma coisa ficou da sua leitura. Das memórias recentes gostei de ler “A máquina de fazer espanhóis” de Valter Hugo Mãe. Recomendo pela ironia e pela visão da terceira idade.
Música - não sou muito melómano, mas aprecio uma boa canção especialmente da nossa. Revisito muitas vezes enquanto trabalho Amália, Zeca, Mariza, … Dos estrangeiros ouço com frequência Leonard Cohen, Bryan Adams, José Luís Perales, …
http://www.youtube.com/watch?v=h8TpRnMU09M
Cinema - filmes históricos. Um que me marcou e que continuo a rever: “O Nome da Rosa”. A Idade Média não foi uma época de ignorância total: havia mentes iluminadas que preservaram muitos livros para nós podermos ler.
Exposição - a de Evelina Coelho, no TMG. Pelo imaginário, pela associação de ideias e figuras.
Teatro - “A Dama Pé de Cabra” do Projéc~. Quem não viu perdeu uma boa ocasião de revisitar Alexandre Herculano e ver uma boa interpretação de Antónia Terrinha.
Rádio - pouca agora, mas na juventude grande apreciador. Pela música, RFM, por ser nossa, por tradição, desde há muitos anos, a Rádio Altitude.
Comer - o “caseiro” feito por mim ou pela minha parceira.
Beber - um bom tinto do Alentejo; branco de Figueira de Castelo Rodrigo.
Visitar - viagem de desejo: Itália e Grécia (agora não é aconselhável); mas por cá há coisas bonitas a ver. O Jarmelo (Olá Agostinho!): aquela pedras contam histórias de amor e vingança e, ali ao lado, Penha de França.
Segunda-feira, Fevereiro 13, 2012
Partilhas. Agostinho da Silva
46 anos, mais a minha AMADA, temos um Gabriel.
livro - Principezinho, de Saint Exupery, um pequeno livro, que embora pareça para crianças, é pra gente grande.
música - Solo le pido a Dios (vários Latino-americanos cantam o tema)
http://www.youtube.com/watch?v=Sk-9RB76wTM&feature=related
http://letras.terra.com.br/leon-gieco/194409/traducao.html (tradução da letra)
cinema - O Nome da Rosa (vi já umas 4 vezes), o imaginário monástico/religioso fascinou-me, quer pela sapiência dos mais velhos, quer pela inocência do noviço (talvez porque essa experiência de um ano de noviciado, fez parte da minha caminhada em meados dos anos 80)
exposição - Na Guarda, Sandra Santos (Paço da Cultura, Verão 2011); uma espécie de desenho de pormenor, com deliciosas ilustrações do quotidiano, fazendo me recordar autores/pintores que aprecio.
teatro ou dança - Pedro e Inês. Pelo Bando Grupo de Teatro. Não tanto pela história, mas pelo cenário, na sua peça central sobre a qual se desenvolveu a acção, tratava-se de uma construção "modular" que à medida que se necessitava de novo cenário, essa peça era a uma solução engenhosa e fascinante.
rádio - Em casa, ouço pouco a rádio, no carro, se estiver só, tenho sintonizada a TSF (o mundo à volta), Altitude (o nosso mundo), Rádio F e RFM.
comer - Sou um fraco comedor de coisas boas (porque não bebo álcool, que ajuda a comer bucho e caldo de vagens secas), no entanto como-as.
beber - Fanta de limão, quando aos meus 20 anos estava em Espanha, nunca mais uma bebida voltou a ter o mesmo sabor.
visitar - Aconselho Taizé, uma experiência inter-religiosa (ecuménica) fantástica http://www.taize.fr/pt_article6564.html Uma pequena localidade em França, fundada pelo Irmão Roger. Tive a oportunidade de viver lá uma Páscoa com cerca de 10 000 jovens de todo o mundo.
O pecado do vinho
Não direi que "o futuro está no vinho" (como o terá feito um director de um jornal, que é também o responsável por uma campanha de promoção de vinhos da BI) nem exigirei um solar da Guarda para instalar a Comissão Vitivinícola. Mas verifico que o vinho da BI está na moda, lá isso está! E, portanto, deve aproveitar-se o bom momento que o sector atravessa. É uma pena que o concelho da Guarda não tenha uma única marca. Sei que tem a "Quinta do Ministro" mas sem expressão no mercado. Neste sector, como noutros, muito há a fazer no (e por) concelho da Guarda.
Parabéns! Mas... por que se chamará "Pecado de Virgílio Loureiro". Julgo que é por usar uma casta estrangeira e isso ser um pecadiho...
Os bolos da Padaria do Bonfim
Andava há dias a "sonhar", isto é, a "falar" de um bolo de canela que havia na Padaria do Bonfim. A minha mãe trazia-nos, de quando em vez, alguns exemplares desse bolo castanho que era... uma delícia deliciosa. Hoje, eu e ela (a minha mãe) voltámos à Padaria do Bonfim, que já não é do Sr. Farinha (um padeiro chamado "Farinha"!!!). Já não é, apenas, uma padaria mas sim uma pequena pastelaria. Os tais bolos lá estavam. Há quem lhes chame "roscas" mas lá conhecem-nos por "caracóis". Comprámos meia dúzia. E, surpresa das surpresas, sabiam como antigamente. Tinham o sabor dos meus tempos de criança. Ou seja, sobreviveram à passagem dos tempos! Vou passando por lá, a partir de hoje. À procura dos bolos maravilhosos dos meus sete anos.