Só hoje, liberto da azáfama dos dias, visitei aquilo que julgo chamar-se "Patrimonium" e que eu, para facilitar, refiro como Torre de Menagem da Guarda.
Como sabem, depois de anos e anos de tempo perdido, chegaram ao fim as obras de requalificação da zona envolvente do que resta do "Castelo" da Guarda. O sítio está agora agradável e bem realizado, pese embora aquela antena da PT (que é uma vergonha inestética mas que, ao que dizem, é indispensável que esteja ali). Todos preferiríamos que fosse mudada, apesar de não haver lugar como aquele!
Há passeios (há, pois, um percurso), bancos, luzes, uma pedreira... cénica.Tudo arranjadinho. Há também um centro de interpretação (ninguém escapa a eles). É aí que podemos ver uma pequena exposição arqueológica da Guarda, com recurso ao toque... multimédia (Ydreams, claro!). Apesar de pequena, parece-me bem montada(reúne peças do Tintinolho e do Mileu, por exemplo)e eficaz. Temos também acesso a conteúdos sobre arqueologia, arquitectura, etnografia e geografia, a partir de um toque num mapa do concelho. Sítios, pois! Não vislumbrei nenhuma "máquina" dedicada à História da cidade até aos nossos dias, o que é pena.
Seguimos depois para a Torre de Menagem. Podemos visitar a cobertura e deslumbrarmo-nos com uma vista ímpar da cidade e da região. No primeiro andar, abrimos dois livros "mágicos" (folheiam-se através de sensores) projectados num grande écran: um livro de bd acerca da Guarda (está preparado para crianças) e o Foral da Cidade (os dois com voz off). Este andar, dizem-nos, está preparado para receber grupos de crianças (grandes almofadas espalhadas pelo chão).
No rés do chão assistimos à projecção de um filme em 3D. Colocam-se os óculos e o que vemos são imagens bonitas de "monumentos" que, a partir de uma imagem geral da cidade, se destacam do casario. A Sé, a Misericórdia, São Vicente e algo a despropósito (meu Deus, o que fui dizer?!) o TMG, entre outros. Filme por partes, numa espécie de apresentação da cidade através dos edifícios e espaços históricos. Não há narração oral nem a narrativa habitual neste tipo de filmes. Não sei se fazem falta uma e outra pois as pessoas saem da Torre com uma imagem muita positiva do que são as pedras da cidade (nem uma pessoa, nem uma pessoa!). E como disse a menina estagiária... "isto serve para que tenham vontade em descobrir, realmente, a nossa cidade!". As pessoas saem de lá agradadas com as imagens e, principalmente, com a técnica usada. Eu preferia que saíssem de lá a saber mais sobre a História, a Vida, a Cultura, as Pessoas da terra que visitam. Foi outra a opção...
Não fosse o frio que ali se sente (ninguém pensou num sistema de aquecimento?) e o cheiro a mofo (ai as minhas alergias!) e eu diria que tive hoje um tarde impecável.
Espero que este equipamento seja melhor divulgado e que consiga atrair muitos visitantes. Merece todo o apoio e divulgação.
PS. Encontrei finalmente (é caso para deitar foguetes?) o Roteiro Arqueológico do concelho. É uma obra bem feita e indispensável a quem queira conhecer melhor a nossa terra.
PS2- Permita-se-me uma nota mais pessoal. No fundo eu visitei a... concretização de uma proposta que fiz à Câmara há muitos anos (1989?)logo que cheguei. Em papel azul e à mão (era assim) propus ao executivo a recuperação da Torre de Menagem: no rés do chão assistir-se-ia a uma apresentação audiovisual da cidade e no primeiro andar a reconstituição da Sala do Trono de D. Sancho I, para animação com crianças. Todos os meses seria nomeado um Alcaide da Cidade, que seria uma criança. No fundo, o que propus acabou por se concretizar...
Anos depois, Adriano Vasco Rodrigues, desconhecendo a minha proposta, sugeriu algo semelhante.
E agora aí está o novo... Castelo.