Terça-feira, Fevereiro 09, 2010

Depressão

O Presidente da República andou pela Beira Baixa a mostrar ao país "comunidades locais inovadoras", empreas, projectos, centros de interpretação, ideias de progresso. Em Castelo Branco medalhou o grande poeta António Salvado, poeta e pessoa por quem tenho estima e consideração.
Faço um exercício: que visitaria Cavaco e quem medalharia se a visita fosse à Guarda, na Beira Alta?
Há exercícios deprimentes!
Mas como as depressões são para serem vencidas, gostaria de sugerir que Cavaco visitasse a Casa de Sta. Isabel (São Romão), CISE (Seia), Luzlinar (Feital: se a Maria Lino o deixasse lá entrar), o Museu do Côa (Foz Côa), a Casa do Castelo (Sabugal), o TMG e a Biblioteca (Guarda), o Museu Abel Manta (Gouveia), a Luzku Fuzku (seria divertido ver Cavaco a descer dos Trinta até à Quinta do Dionísio), a "Trepadeira Azul" (Aldeia Viçosa: para que fotografasse borboletas), a Asta (Almeida). Faltam aqui empresas, não é? Mas... quais são as inovadoras? Assim de imediato só me lembro da Dom Digital. Proponham V. Exas outras.
Medalhas? Não há poetas na Guarda (que vivam cá) com a qualidade de António Salvado (que sempre viveu em Castelo Branco).

Domingo, Fevereiro 07, 2010

Memória da torre

Hoje voltei à Torre de Menagem, depois de tantos anos. Não pude deixar de me lembrar que foi ali que representei "A morte do príncipe" de Fernando Pessoa, em vários dias de 1989 (desta vez fui mesmo perguntar, antes que alguém me ponha em causa). Ali naquele primeiro andar, eu, a Élia, o Alexandre Gamelas (um puto), a Ana Dinis, o Carlos Paiva (que é feito de ti, homem?; Eu admirava-te tanto!) e outro rapaz (que não quer ser lembrado destas e doutras oportunidades que eu lhe dei) fizemos aquele espectáculo memorável. O Armando era o nosso técnico. E a bilheteira era no meu VW branco.
Naquela sala fria, eu fazia de príncipe, enfiado num manto enorme que os espectadores pisavam. 25 pessoas de cada vez. Que saudades!!! Antes, tínhamos representado esta peça no Solar Teles de Vasconcelos e nos telhados da Sé (!!!)

Furar o cerco da indiferença


É raro que as edições de livros que se fazem na Guarda se distribuam a nível nacional. Esse é, aliás, um grave problema. Editam-se obras mas não se logra estabelecer uma distribuição nacional (que é difícil mas não é inacessível, nem que seja através de pequenas livrarias). É esquisito que haja um esforço de edição e que depois os livros fiquem a apodrecer em armazéns.
É ainda mais raro que obras editadas por cá consigam visibilidade nacional. Nalguns casos, nem notícia local conseguem.
Assim, criam-se vários equívocos. Há quem pense que as obras que aqui se editam são de cariz, apenas, local e que os seus autores são... "autores locais" (termo que pode ser pejorativo). No entanto, todos o sabemos, há livros que aqui são feitos que deveriam ser distribuídos e lidos por todo o país. É o caso do livro que Antonieta Garcia escreveu acerca de Carolina Beatriz Ângelo (a única biografia acerca desta nossa conterrânea). O livro, apesar de não ser distribuído (nem cá nem em Lisboa, vendendo-se, apenas, na livraria municipal, mereceu a atenção do "Expresso" e a classificação de 4 estrelas (em rigor a crítica é, apenas, um parágrafo, pois os outros falam da biografada). Por ser rara esta atenção de um órgão nacional a um livro da Guarda (com toda a propriedade, um livro da Guarda)aqui se divulga, na esperança de que a Câmara, por exemplo, crie condições para uma efectiva divulgação daquilo que de bom por aqui se escreve.

Morceleiros uni-vos!

Os amigos da Morcela da Guarda entraram em acção. A Morcela já tem blogue.

O novo Castelo

Só hoje, liberto da azáfama dos dias, visitei aquilo que julgo chamar-se "Patrimonium" e que eu, para facilitar, refiro como Torre de Menagem da Guarda.
Como sabem, depois de anos e anos de tempo perdido, chegaram ao fim as obras de requalificação da zona envolvente do que resta do "Castelo" da Guarda. O sítio está agora agradável e bem realizado, pese embora aquela antena da PT (que é uma vergonha inestética mas que, ao que dizem, é indispensável que esteja ali). Todos preferiríamos que fosse mudada, apesar de não haver lugar como aquele!
Há passeios (há, pois, um percurso), bancos, luzes, uma pedreira... cénica.Tudo arranjadinho. Há também um centro de interpretação (ninguém escapa a eles). É aí que podemos ver uma pequena exposição arqueológica da Guarda, com recurso ao toque... multimédia (Ydreams, claro!). Apesar de pequena, parece-me bem montada(reúne peças do Tintinolho e do Mileu, por exemplo)e eficaz. Temos também acesso a conteúdos sobre arqueologia, arquitectura, etnografia e geografia, a partir de um toque num mapa do concelho. Sítios, pois! Não vislumbrei nenhuma "máquina" dedicada à História da cidade até aos nossos dias, o que é pena.
Seguimos depois para a Torre de Menagem. Podemos visitar a cobertura e deslumbrarmo-nos com uma vista ímpar da cidade e da região. No primeiro andar, abrimos dois livros "mágicos" (folheiam-se através de sensores) projectados num grande écran: um livro de bd acerca da Guarda (está preparado para crianças) e o Foral da Cidade (os dois com voz off). Este andar, dizem-nos, está preparado para receber grupos de crianças (grandes almofadas espalhadas pelo chão).
No rés do chão assistimos à projecção de um filme em 3D. Colocam-se os óculos e o que vemos são imagens bonitas de "monumentos" que, a partir de uma imagem geral da cidade, se destacam do casario. A Sé, a Misericórdia, São Vicente e algo a despropósito (meu Deus, o que fui dizer?!) o TMG, entre outros. Filme por partes, numa espécie de apresentação da cidade através dos edifícios e espaços históricos. Não há narração oral nem a narrativa habitual neste tipo de filmes. Não sei se fazem falta uma e outra pois as pessoas saem da Torre com uma imagem muita positiva do que são as pedras da cidade (nem uma pessoa, nem uma pessoa!). E como disse a menina estagiária... "isto serve para que tenham vontade em descobrir, realmente, a nossa cidade!". As pessoas saem de lá agradadas com as imagens e, principalmente, com a técnica usada. Eu preferia que saíssem de lá a saber mais sobre a História, a Vida, a Cultura, as Pessoas da terra que visitam. Foi outra a opção...
Não fosse o frio que ali se sente (ninguém pensou num sistema de aquecimento?) e o cheiro a mofo (ai as minhas alergias!) e eu diria que tive hoje um tarde impecável.
Espero que este equipamento seja melhor divulgado e que consiga atrair muitos visitantes. Merece todo o apoio e divulgação.

PS. Encontrei finalmente (é caso para deitar foguetes?) o Roteiro Arqueológico do concelho. É uma obra bem feita e indispensável a quem queira conhecer melhor a nossa terra.
PS2- Permita-se-me uma nota mais pessoal. No fundo eu visitei a... concretização de uma proposta que fiz à Câmara há muitos anos (1989?)logo que cheguei. Em papel azul e à mão (era assim) propus ao executivo a recuperação da Torre de Menagem: no rés do chão assistir-se-ia a uma apresentação audiovisual da cidade e no primeiro andar a reconstituição da Sala do Trono de D. Sancho I, para animação com crianças. Todos os meses seria nomeado um Alcaide da Cidade, que seria uma criança. No fundo, o que propus acabou por se concretizar...
Anos depois, Adriano Vasco Rodrigues, desconhecendo a minha proposta, sugeriu algo semelhante.
E agora aí está o novo... Castelo.

O Cidadão e a sua loja

Espero que haja uma explicação razoável para o facto da Loja do Cidadão se instalar no Centro Comercial Vivaci. E que, sobretudo, se perceba claramente que a decisão devia favorecer os utilizadores daquele serviço público. Sim, porque estes é que devem estar no centro das decisões.
Por que razão é que a Loja se instala num centro comercial, cuja implantação naquele local foi uma das piores decisões dos últimos anos? Percebe-se que para alguns consumidores a criação do Vivaci significou progresso e desenvolvimento. Para outros nem tanto. O que já não se percebe é que um serviço público funcione num centro comercial, numa terra que quer desenvolver o centro histórico e ajudar os pequenos comerciantes tradicionais. Tem sido este o discurso político...
Não teria sido mais sensato (e de acordo com o tal discurso) que a Loja do Cidadão se instalasse num edifício do Centro Histórico e que assim ajudasse, pela atractividade, a dinamizar aquela zona?
Quem ganha, pois, com a Loja do Cidadão no Vivaci? E já agora quanto é que o Estado (presumo) vai pagar? Para mim é uma novidade a instalação de um serviço público numa grande área comercial (haverá outros casos?), ainda por cima numa terra que tem um centro histórico a definhar. Afinal, o Vivaci não é, como nos disseram, um espaço âncora (um interface) de captação de clientes para o comércio tradicional estabelecido na zona histórica. Não, porque ainda por cima "desvia" para si serviços que podiam contribuir para a dinamização da área nobre da cidade.
Se a ideia for avante, talvez se possa pensar também na instalação das finanças, por exemplo, no Vivaci. A ideia é a mesma. Finanças, pipocas, sapatos e hamburgueres!!!

PS. Quando foi subtraído ao nosso património um largo inteiro para servir os interesses do Vivaci disseram-nos que a Câmara iria receber uma percentagem do dinheiro obtido com o pagamento de estacionamento. Agora, os utentes têm acesso a horas e horas de estacionamento gratuito, numa oferta do centro comercial e integrado no marketing que só ao Vivaci diz respeito. Estarão os direitos da Câmara a ser respeitados?
PS2. Soube que serviços pagos por nós vão garantir ou colaborar activamente numa iniciativa de animação do Vivaci chamada Semana da Leitura. A nossa Biblioteca, por exemplo. Ou seja, presumivelmente, nós pagaremos (ou ajudaremos a pagar) actividades a realizar num centro privado e comercial. Isto parece-me ser, claramente, o contrário do que seria normal: o Vivaci, dentro da responsabilidade social que lhe compete, deveria apoiar iniciativas que se realizem na terra e não o contrário.
Alguém me disse que a ideia é fazer acções onde há... público! E eu que julgava que a Biblioteca queria ter público... na Biblioteca! Pode fazer acções de promoção de leitura onde quiser mas sempre com o fito de trazer público para a Biblioteca. E nunca alinhar no marketing que visará dinamizar um centro comercial à custa do dinheiro público. Pois uma biblioteca (ou uma escola) não têm obrigação de ajudar ao comércio. Que eu saiba. Assim, espero que esteja salvaguardado o princípio de que o Vivaci pagará todas as despesas (inclusive do pessoal).
Por outro lado, se os alunos forem de forma institucionalizada o assunto parece-me grave. As crianças não podem ser instrumentalizadas. E as nossas instituições não podem ter comportamentos de novos-ricos deslumbrados com um centro comercial.
Cada um no seu galho. A iniciativa privada é desejável mas deve ser tratada como tal. Nem mais nem menos.

Quinta-feira, Fevereiro 04, 2010

Prémio Café Mondego 2009


Aqui está o cartaz/troféu/diploma do Prémio Café Mondego 2009. É de autoria do designer e professor Jorge dos Reis.
Mais dados acerca do prémio, aqui.

Partido castigador

Nas folgas de deputado da Nação, João Prata é também presidente da Junta de S. Miguel e presidente da Concelhia do PSD. Nesta qualidade veio anunciar que abriu a época da caça às bruxas, dito de outra maneira, que abriu a época do acerto de contas com uns militantes que não apoiaram a inquestionável lista de Crespo. Apesar de se ter demonstrado que o cabeça de lista foi um erro de casting, Prata quer sangue e disciplina. Para ele, as orientações do partido (mesmo que erradas e disparatadas) não podem ser criticadas. O partido é o rebanho, para Prata (e para outros de... outros partidos). Ai de quem ousar criticar o que o chefe Amaro e o sub chefe Prata decidiram, do alto do seu discernimento iluminado pelos deuses da social democracia!!! Os militantes que não quiseram alinhar com Crespo serão processados e, quiçá, condenados. Expulsos, se preciso for, que isto do partido é lugar de obediência e, até, de subserviência.
Em termos estritamente formais Prata terá razão. Infelizmente. Os militantes aceitam obedecer, em qualquer circunstância, ao partido(por isso é que não me apanham em nenhum). Mas talvez fosse conveniente que Prata se concentrasse mais em questões de substância, em questões de conteúdo. É um erro grave (e inaceitável) perseguir militantes, apenas, porque foram mais perspicazes e lúcidos do que os seus chefes!!! Talvez fosse mais acertado responsabilizar politicamente quem levou o PSD à pior derrota de sempre, na Guarda. Mas a ideia de auto crítica é estranha a Prata e Amaro.

A força da cidadania

Há dias, como devem estar lembrados, falei aqui de uma petição a favor da Casa de Sta. Isabel (ameaçada por uma estrada), em São Romão (Seia). Fui o seu primeiro subscritor, convencido da justeza do pedido e da força do exercício da cidadania.
Fui hoje informado de que a petição conseguiu os seus objectivos. A Câmara de Seia abandonou a proposta e encontrou um traçado alternativo. A autarquia está também de parabéns: ouviu, reflectiu e mostrou-se receptiva ao protesto apresentado. Assim, a Câmara reforça a sua imagem porque foi capaz de mudar e corresponder ao desejo da tantos cidadãos. Mostrou inteligência e sensibilidade. E, para além do mais, esteve atenta a uma causa de cidadania, numa altura em que é urgente desenvolver a democracia.
A petição on line revelou-se um êxito. Afinal, não estamos todos adormecidos e ainda somos capazes de lutar pelo que consideramos justo e certo.

Quarta-feira, Fevereiro 03, 2010

Foto de um leitor de MAP


Há dias participei num recital de poesia de Manuel António Pina. Aqui estou a ler um dos seus brilhantes poemas.
A foto é de J.Paulo Coutinho, a quem se agradece.

Terça-feira, Fevereiro 02, 2010

Morra o galaró e quem o apoiar!


"Na noite de 15 de Fevereiro, a partir das 21h30, as ruas da Guarda vão dar lugar à folia carnavalesca do espectáculo “Julgamento e Morte do Galo do Entrudo”. Tal como em edições anteriores, esperam-se milhares de pessoas para seguir o cortejo do galo entre a Alameda de Santo André e a Praça Velha da cidade. Trata-se de um espectáculo comunitário e de expiação, onde desfilam centenas de participantes oriundos das colectividades do concelho e também actores, músicos e animadores profissionais como a Companhia Kull D’Sac de Valladolid [Espanha], o Maracaibo Teatro de Alicante [Espanha], a Trupilariante – Companhia de Teatro-Circo [Lisboa] e ainda a Banda Filarmónica de Vila Nova de Tazem com um reportório de marchas fúnebres.
Ao desfile não faltará também o culpado por todos os males e injustiças acontecidas no ano que passou, ou seja, o galo, que na Praça Velha será punido! Ele acabará por arder na fogueira, libertando o povo de todos os males que aconteceram no ano anterior. Mas antes, porém, ele terá um julgamento “justo” e pelo meio haverá surpresas!

Estão convocados para esta audiência especial, cujos textos têm a autoria de Norberto Gonçalves, o juiz (interpretado do Agostinho da Silva), um polícia com aparência semelhante a uma das gárgulas da sé catedral (interpretado pelo actor profissional Rui Nuno), a advogada de acusação Carolina Beatriz Ângelo (interpretada por Cristina Fernandes), o advogado de defesa Rui de Pina (interpretado por Carlos Lopes), a mulher do povo (interpretada por Isabel Monteiro) e o homem trauliteiro (interpretado por Albino Bárbara).

Mas como de resto é sabido, o galo será condenado e “assado” na fogueira.

E no final da noite, à semelhança do sucedido na edição do ano passado, o público será convidado para uma deliciosa e quentinha Canja de … galo!

“O Julgamento e Morte do Galo do Entrudo tem coordenação geral de Américo Rodrigues, o Galo foi criado e construído por Daniel Martins e a voz do galináceo pertence a Joaquim Martins.

Como já referimos anteriormente, a edição de 2010 do Julgamento e Morte do Galo do Entrudo volta a contar com a forte adesão das colectividades do concelho da Guarda. Participam nesta actividade: Aldeia SOS da Guarda, Alunos de Artes da Escola Secundária da Sé, Alunos do Curso de Animação Sociocultural do Instituto Politécnico da Guarda, Aquilo Teatro, Associação Cultural Copituna D’Oppidana, Associação Cultural e Desportiva do Jarmelo, Associação Cultural, Social e Recreativa da Sequeira, Associação Desportiva, Recreativa e Cultural da Rapoula, Associação da Juventude Activa da Castanheira, Associação de Jogos Tradicionais da Guarda, Centro Cultural da Guarda, Centro de Cultura e Desporto de Aldeia do Bispo, Gambozinos e Peobardos – Grupo de Teatro da Vela, Grupo de Cantares da Arrifana – Associação Cultural, Grupo de Cantares de S. Miguel da Guarda “A Mensagem”, Grupo de Cantares “Ontem Hoje e amanhã” de Maçainhas, Os Barrelas – Grupo de Concertinas de Videmonte, Raiz de Trinta – Associação Juvenil e Rancho Folclórico de Videmonte.
O Julgamento e Morte do Galo do Entrudo é uma produção da Culturguarda EM para a Câmara Municipal da Guarda".
Fonte: Teatro Municipal da Guarda

Segunda-feira, Fevereiro 01, 2010

A capa


Reparem bem na capa do livro "Portugal in European and world history" de Malyn Newitt. Concentrem-se na imagem de baixo. Uma parede cheia de cartazes. Reconhecem aquele sítio, aquelas casas? Sim, são os balcões da Praça Velha, na Guarda. Da nossa Praça Velha! A foto deverá ser de 1979. Como terá chegado àquela capa? Quem a terá tirado? Por que é que a editora inglesa a chamou para capa de um livro sobre Portugal?
A foto é um notável documento de um tempo vivido intensamente. Quando Tozé Dias de Almeida a mostrou eu revelei-lhe, a brincar, que fui um dos que colocaram aqueles cartazes, os do MRPP. Tempos de "militância" maoísta (eu estava, fundamentalmente, interessado na revista "Literatura Chinoise" e em recortes de papel colorido vindos da China), da greve do Liceu, de jornais a partir de stencil, das primeiras aventuras teatrais, do "Luta Popular" diário, do Victor Baía a fugir do Tribunal, da greve de fome do outro Baía e do Carlos Andrade (que deu em social democrata, como tantos maoístas), do Arnaldo Matos grande educador de bigode estalinista, das pinturas nas paredes, etc. Meses depois já estava noutra: "Estaline nem com batatas fritas"; "As putas ao poder que os filhos já lá estão".
As memórias que uma capa de um livro pode desencadear! Um livro que tem a Guarda na capa. Inexplicavelmente.Surpreendentemente. Ver mais aqui.

Domingo, Janeiro 31, 2010

Viva o bucho raiano! Mas para quando a Confraria da Morcela da Guarda?

"No dia 13 de Fevereiro, sábado, a Confraria do Bucho Raiano vai realizar no Sabugal VI Almoço do Bucho, que acontecerá no restaurante Robalo, às 13 horas, antecedido de uma prelecção do escritor e também confrade mestre Jesué Pinharanda Gomes.
«Os Sabores Antigos da Gastronomia Raiana», será o tema da intervenção do escritor quadrazenho, que falará aos confrades evidenciando o valor dos manjares tradicionais da raia sabugalense. A cultura também pode e deve andar de mãos dadas com a gastronomia e é nesse sentido que a lição sobre os sabores antigos surge associada.
Ao meio-dia os confrades juntar-se-ão no salão da Junta de Freguesia do Sabugal, onde será servido um «porto de honra» e entregues os trajes. Aliás este almoço está restringido aos confrades que adquiram o respectivo traje, o qual está a ser confeccionado na empresa Modache, no Sabugal. Abre-se porém a possibilidade de os acompanhantes dos confrades aderentes não envergarem os trajes prescritos nas «usanças».
O almoço será inevitavelmente bucho raiano, guarnecido com grelos de nabo e batata cozida, como ordena a tradição. De entrada haverá pão, azeitonas, chouriço fatiado, morcela e mioleira assada na brasa. A sopa é a do bucho, com grão, hortaliça e massa. Para beber haverá vinho do Dão (Silgueiros), água, refrigerantes e cerveja. De sobremesa poderá recorrer-se ao bufete com arroz doce, papas de milho, farófias, tapioca e aletria, para além de queijo e fruta da época. A finalizar será servido café e bagaço da casa."
Fonte: JC Lages.

Sou fã do bucho raiano, jarmelista, guardense, etc.! Só como uma vez por ano, por razões de equilíbrio emocional!!!! Mas, porque não se seguem os bons exemplos e se funda na Guarda uma Confraria ou mesmo uma Compadria dedicada à Morcela da Guarda???!!! Vamos a isso, confrades, confadas, compadres e comadres?!! A Morcela da Guarda (não, não digo egitaniense) é património desta terra. Comamos o património!!! Divulguemos, incentivemos, melhoremos o nosso património.
E já agora fica aqui uma sugestão, enquanto fanático da morcela da Guarda:
A Câmara editou já vários álbuns/livros dedicados aos cestos de Gonçalo, aos cobertores de papa e campainhas de bronze de Maçainhas, à transumância e arte pastoril de Fernão Joanes, ao queijo da serra no concelho (este com textos que não adiantaram nada, mas mesmo nada, à temática, mas com belas fotos), ao frio, à neve e ao ar da Guarda (lindo!). Está na hora de editar uma obra da celebração da nossa morcela! Fica aqui a proposta, dirigida aos vereadores Virgílio Bento e Elsa Fernandes. Proposta modesta deste comedor de buchos, morcelas e grelos. Pré Confrade!

Livros por aí


Já se sabe que começam hoje as comemorações do centenário da República. Na Guarda só começarão um dia destes.
A este propósito lembrei-me do esquecido livro que publiquei em 2003 chamado "José Augusto de Castro: O idealista rebelde". O livro publica o trabalho final da minha licenciatura em Língua e Cultura Portuguesas e tem prefácio do historiados António Santos Pereira. Foi editado pelo "Aquilo", a que eu pertencia na altura.
José Augusto de Castro foi um destacado republicano, anti-clerical, simpatizante do anarquismo (tal como eu) e, talvez, maçónico.Foi director do mítico jornal "O Combate", comerciante (da Loja do Povo) e funcionário camarário. Era um homem impoluto, como reconhecem os seus adversários.
Hoje, de repente, tive esta ideia... e era assim que gostava de me associar ao início das comemorações da República:
- agarrar em 50 exemplares e colocá-los num lugar público para que quem quisesse levasse um exemplar para casa. Uma espécie de book crossing.

Ainda subi as escadas para ver se no sótão descansavam alguns exemplares. Mas não. Só tenho dois exemplares.
Assim, peço aos editores (Aquilo) e à Câmara (que comprou exemplares), que têm arrumados tantos exemplares (este tipo de livros não se vende facilmente), que os distribuam, os dêem ao povo. Ou que os abandonem pela cidade, na esperança que alguém os leve e os leia.

PS. O mesmo deveria ser feito com outros livros que a Câmara adquire e que guarda nalgum armazém. Para além de ficarem à nossa espera nas bibliotecas poderiam ser oferecidos a cafés, hotéis, restaurantes, centros de convívio, cabeleireiros, salas de espera...
Gostava de ver por aí, por exemplo, o livro dedicado à republicana e feminista Carolina Beatriz Ângelo. E, também, as antologias "dos escritores da Guarda".

Facto do dia sem importância

Finalmente passou hoje na SIC a peça que Madalena Ferreira fez acerca do recital dedicado a Manuel António Pina e outras actividades do mesmo ciclo. Pelo menos ela fez reportagem, ao contrário de outros órgãos locais que não acharam o recital coisa importante. Há quem tenha preferido estender o micro/ o gravador a pessoas (de preferência suas conhecidas) a ler o... programa do ciclo!
Eu disse reportagem mas talvez devesse dizer "video clip" tal a velocidade da peça e a sucessão vertiginosa de entrevistados. Por exemplo, nem houve tempo para colocarem o meu nome: quando o conseguiram meter já a minha cara tinha desaparecido. Uma frase, apenas ( e, ainda por cima, banal).
Mas, enfim, pelo menos, divulgou-se a iniciativa.
Porém, o facto do dia (que dá título a esta posta de pescada) é este:
- A jornalista não conseguiu dizer/articular/ pronunciar: "Rádio Altitude". Foi mais forte do que ela, as palavrinhas ficaram-lhe retidas na garganta e ela a querer dizer, a querer dizer, e nada! A senhora ia asfixiando com aquelas palavrinhas. Conseguiu dizer, apenas, "na rádio". Disse ela que passaram na rádio alguns poemas. Que rádio? Isso o país não soube porque Madalena não conseguiu dizer "Altitude".
Sempre me seduziram estes fenómenos associados ao ... não conseguir dizer. O impronunciável, o indizível, o inominável!

PS. Tenho aprendido, nos últimos tempos, que há mais Madalenas Ferreiras na terra. Aparentemente são adversários da Madalena original mas, no fundo, procedem com o mesmo requinte.

Viva a República

Iniciam-se hoje as Comemorações do Centenário da República. Cá, pelo distrito da Guarda, também.
Mais do que nunca é preciso relembrar os ideais da República mas tenho sempre muitas reservas acerca da forma como este tipo de iniciativas decorrem. Veja-se o caso do "25 de Abril" que não consegue mobilizar ou motivar os jovens e a comunidade em geral. Falta, quase sempre, neste tipo de comemorações, criatividade e capacidade de envolvimento da sociedade. No caso do Centenário da República sei que as comemorações nacionais incluem diversas iniciaticas culturais e artísticas, com linguagens contemporâneas, e isso é extremamente importante.
Desconheço o programa distrital e local mas desejo que não seja uma espécie de "romagem da saudade", Hoje, por exemplo, por iniciativa do Governo Civil descerram-se placas e inauguram-se bustos. O tipo de iniciativa que acho dispensável e que considero folclórico e ultrapassado (próprio de outro século). Há acções em Gouveia e Seia, dedicadas a Botto Machado e Afonso Costa. Não percebo por que não há também na Guarda, capital de distrito. Não terá havido republicanos na Guarda que mereçam uma honraria semelhante? Vi o cartaz, amador e sem pingo de imaginação. E a linguagem usada é solene...
Mas este é, apenas, o primeiro momento. Espero que no distrito e no concelho (onde parece haver também uma comissão) as comemorações sejam vivas e dinâmicas. E que se deixem de lado "missas" (!), palcas, bustos, romagens e outros cerimoniais para "os mesmos do costume". Haja criação, imaginação, estudo, participação!
Contaram-me aqui no Café que também a diocese tem uma comissão (ao menos em comissões somos ricos!). Tenho a maior das expectativas em relação ao seu programa tendo em conta... a História e a Memória do papel que a Diocese da Guarda desempenhou... "contra" os republicanos!(e vice versa)!!